
Cagamos para o Melo Antunes, para o Otelo e para o Vasco Lourenço. Se alguma coisa nos move em torno desta data não é a memória do capitão de Abril e do chaimite. Mas sim a de todas as pessoas que naquele dia saíram à rua, desobedecendo directamente às ordens difundidas pelas rádios. De todas as pessoas que a partir daquele dia e ao longo de mais de um ano fizeram dessas ruas o seu terreno de luta. De todas as pessoas que na ocupação de campos, casas e empresas demonstraram que a revolução não constituía uma quimera, mas sim uma prática diária. Dos patrões, caciques e bófias que foram encostados contra a parede. E se a memória resulta de uma reflexão presente não podemos deixar de nos lembrar das nossas vidas.
De como isto de sermos precários, de termos salários de merda, de não sabermos o que vai ser de nós, não é mais do que o resultado de derrotas acumuladas e da consequente usurpação de espaço e de tempo por parte de quem nos tenta dominar.
Recordamos esta data não pelo que foi, mas pelo que poderá ser.
Fonte: http://www.radioleonor.org/?p=558
NOTA- Este texto embora seja de 2009 não perdeu actualidade