Solidariedade com o Movimento Verde EufémiaA 17 de Agosto de 2007, cerca de 150 pessoas dirigiram-se para a Herdade da Lameira, perto de Silves, na região livre de transgénicos do Algarve, para fazer um protesto contra o cultivo de transgénicos. Na acção teve lugar uma ceifagem simbólica de menos de 1 hectare de milho transgénico.
O Algarve foi a primeira região portuguesa a declarar-se uma Zona Livre de Transgénicos. Esta propriedade, a primeira da região a cultivar milho transgénico da variedade MON810, violou a declaração e desrespeitou a vontade dos cidadãos.
Os activistas ofereceram publicamente para recultivar os 51 hectares de milho transgénico com milho biológico. A proposta foi rejeitada pelo dono da propriedade, que continua a cultivar milho transgénico.
Nos dias que seguiram a acção, a vasta atenção mediática que o MVE recebeu, instigou uma grande polémica, com ressonância em camadas do público em geral, do próprio movimento ambientalista, do governo e dos meios académicos. Nunca uma acção ambientalista recebeu tanta atenção na história recente em Portugal. Os destaques iniciais dos media não foram tanto sobre o tema da acção - a presença de organismos geneticamente modificados (OGM) em Portugal - mas antes na sua natureza espectacular e na sua componente ilegal. No entanto, numa segunda fase a atenção voltou-se também para o debate sobre OGM e os seus perigos. Por essa razão em particular, a acção do MVE foi considerada por muitas pessoas com preocupações ambientais como um grande sucesso.
Devido a esse sucesso, o actual governo, responsável por uma política favorável aos OGM, reagiu com agressividade, numa tentativa de isolar os activistas do MVE através de uma estratégia de criminalização. Esta estratégia chegou ao ponto de rotular a acção como um acto terrorista (Europol EU Terrorism Situation and Trend Report 2008). Algumas pessoas que foram relacionadas com o caso pela polícia, correm agora o risco de ser acusadas. Em geral, tornou-se mais difícil agir contra os OGM em Portugal. Os indivíduos ou organizações que o fazem, correm um grande risco de ficar sob suspeita e vigilância das autoridades.
PETIÇÃOEu, abaixo-assinado, quero manifestar a minha solidariedade com a acção do Movimento Verde Eufémia, que ceifou 1 hectare de milho geneticamente modificado MON810, na Região Livre de Transgénicos do Algarve, a 17 de Agosto de 2007.
Apoio moralmente todas as pessoas, movimentos e organizações que sofrem consequências legais, políticas ou pessoais em consequência da acção do Movimento Verde Eufémia.
O meu apoio é baseado no conhecimento de que:
- eu e outros cidadãos vivemos actualmente num estado de emergência, em consequência da contaminação genética causada pela libertação deliberada no ambiente de organismos geneticamente modificados (OGM);
- esta contaminação expõe, a mim e outros cidadãos e cidadãs, a riscos sociais, económicos, ecológicos e de saúde;
- os nossos governos representativos não intervêm o suficiente no sentido de proteger-nos dessas ameaças;
- agir agora é necessário para evitar que se desenvolvam mais efeitos negativos irreversíveis;
- os métodos de acção que operam dentro dos limites legais só podem atingir os seus resultados na totalidade quando complementados pela acção da sociedade civil, que pode ocorrer fora desses limites.
Assim, considero que:
- este estado de emergência exige que os cidadãos e cidadãs comuns protestem contra o uso de organismos geneticamente modificados na agricultura;
- é moralmente justificável e legítimo realizar acções de desobediência civil contra o cultivo de OGM, uma vez que os meios legais não provaram atingir resultados suficientes;
- a defesa dos direitos humanos, em particular os que dizem respeito à protecção da cadeia alimentar e do ambiente da contaminação genética, não podem resultar em perseguição.
Assine a petição
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