quinta-feira, março 29, 2012
Acabar com os apoios à tauromaquia
Assine aqui:Petição: http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2012N22530
sábado, março 24, 2012
Pelo Fim dos Subsídios às Touradas
Petição pelo Fim dos Subsídios Públicos à Tauromaquia nos Açores
Sua Excelência Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores,
Suas Excelências Presidentes dos Grupos Parlamentares à ALRAA,
Sua Excelência Presidente do Governo Regional dos Açores,
Ex.mas/os Senhoras/es,
Vimos, através deste instrumento de participação cívica, apelar à classe política e governativa da Região Autónoma dos Açores que se legisle o fim de subsídios públicos a práticas tauromáquicas.
Considerando o contexto socioeconómico do país e região, que através do desinvestimento na educação, no apoio social, na saúde, no emprego e salários, nos transportes, na habitação, numa cultura educativa, têm contribuindo para a degradação da qualidade de vida das populações, sendo muitas as famílias e pessoas que perderam emprego e apoios sociais e que têm dificuldades em cumprirem o pagamento de todas as suas despesas destinadas à sua sobrevivência com dignidade;
Considerando que os milhões de euros do erário público cedidos à tauromaquia nos últimos anos, nos Açores, não dinamizaram a economia nem o turismo regional, não produziram bem-estar social, tendo sido um “investimento” que beneficiou apenas um pequeno lobby;
Considerando que a ciência comprova e reconhece inquestionavelmente que os animais, como o touro e cavalo, são seres capazes de sentir emoções, medo, humilhação, dor física e psicológica, tal como angústia, stress e ansiedade;
Considerando que práticas tauromáquicas são uma expressão de insensibilidade e violência que deseduca e em nada dignifica a humanidade, sendo que estudos recentes comprovam que crianças e adultos que assistam a práticas tauromáquicas desenvolvem tendências de agressividade e violência;
Considerando que as tradições não são inamovíveis, sendo objecto de contínuas mudanças, nem podem constituir um argumento válido para justificar a continuação de práticas cruéis e violentas.
Considerando que uma sociedade que se diverte perante o sofrimento alheio não pode ser considerada uma sociedade saudável e que são cada vez mais os países, regiões e municípios por todo o mundo que estão a proibir a prática da tauromaquia e outros espectáculos violentos com animais.
Considerando que se quer que os Açores seja uma sociedade moderna, respeitada no mundo pelo seu apego e proximidade aos valores naturais, entre os quais o cuidado e bem-estar dos animais, aspecto de especial importância para fomentar um sector estratégico para a região como é o desenvolvimento do turismo de natureza.
Solicitamos que a Região Autónoma dos Açores tome as devidas medidas legislativas para dignificar as pessoas, o bom uso do dinheiro público e o bom nome da nossa região proibindo qualquer apoio financeiro ou logístico por parte de entidades públicas a qualquer prática tauromáquica, à semelhança do que foi feito pelo socialista Defensor Moura, pioneiro em Portugal ao declarar Viana do Castelo concelho livre de touradas.
Solicitamos ainda que a Região invista acima de tudo, e antes de mais, nas necessidades básicas dos Açorianos, como é a educação, saúde, habitação, acção social, transportes e criação e fixação de postos de trabalho, considerando sempre a preservação, defesa e respeito pela natureza, e pelo próximo, nos Açores.
Assinar em: http://www.peticaopublica.com/?pi=P2012N22530
quarta-feira, março 21, 2012
Jaime Brasil
Depois de ter lido algumas notas biográficas sobre o escritor e jornalista Jaime Brasil, nomeadamente em algumas publicações de expressão libertária, fiquei curioso por conhecer um pouco mais acerca da sua vida e obra. Para o efeito, para além de procurar, sem muito sucesso, nas duas principais bibliotecas de Ponta Delgada, textos da sua autoria, sempre que ia a Lisboa dirigia-me a algumas livrarias, sobretudo, nas que vendem livros raros, com o intuito de adquirir alguma obra da sua autoria. Só depois de várias tentativas a minha persistência foi coroada de êxito, tendo ocorrido no passado mês de Fevereiro com a compra do livro “Zola, o escritor e a sua época”, editado pela Portugália, em 1966.
Artur Jaime Brasil Luquet Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1896, e faleceu em Lisboa, em 1966. A propósito da sua personalidade, Joaquim de Montezuma de Carvalho e Jorge Tufic escreveram: “Lembrar o açoriano Jaime Brasil … é realçar as melhores virtudes do açoriano, tipificadas em Antero de Quental (Ponta Delgada, 1842 – 1891), a verticalidade nas ideias de emancipação do homem e, simultaneamente, a doçura do trato que, em tantos ideólogos, inexiste.”
Jaime Brasil foi um jornalista notável, tendo trabalhado, entre outros jornais, no Primeiro de Janeiro, no Século, no Diabo, em O Globo e colaborado em muitos outros e em revistas.
Na área do associativismo, em 1925, Jaime Brasil fundou o Sindicato dos Profissionais de Imprensa de Lisboa, tendo sido o seu primeiro secretário-geral e mais tarde, em 1939, quando residia em Paris, fundou e foi, também, secretário-geral da União dos Jornalistas Amigos da República Francesa.
De entre os seus livros publicados destacaria um conjunto de biografias, de que são exemplo: Vida e Obras de Zola (assinado A. Luquet), Leonardo Da Vinci e o Seu Tempo, Velásquez, Zola – O Escritor e a Sua Época e A Vida Inquieta e Gloriosa de Victor Hugo.
Embora tenha apenas lido um dos livros mencionados, corroboro a opinião de quem escreveu a nota biográfica de Jaime Brasil que foi publicada em Zola- O Escritor e a sua Época. De acordo com o mencionado autor, as obras referidas, além de serem escritas num estilo claro, ágil e elegante, revelam um conhecimento profundo da época dos biografados e acrescenta: “São perfeitas reconstituições históricas, num plano substâncial que abrange a política, a cultura, os grandes movimentos de ideias, sobre cujo pano de fundo sobressaem, bem integradas na dialéctica do tempo, a figura e a obra dos seus biografados.”.
Jaime Brasil foi um polemista exímio, sendo de destacar a polémicas com Raúl Proença, intitulada “Em defesa do jornalismo”, e com António Sérgio, tendo publicado quatro artigos sobre «Os verdadeiros e reflexivos heróis no conceito do sr. António Sérgio».
Jaime Brasil colaborou também no Suplemento Semanal do jornal “A Batalha”, órgão da Central Geral dos Trabalhadores, central sindical anarco-sindicalista, onde entre outros manteve uma série denominada “Paradoxos Bárbaros”, uma coluna de crítica literária intitulada «Através dos Livros» e outra que terá tido, no dizer de Luís Garcia e Silva, maior impacto nos leitores, designada “Voz que clama no deserto”.
É desta coluna, escrita com muita ironia, que abaixo transcrevo o seguinte extracto:
«Evidentemente que temos os generais e as forças vivas – temos a ditadura. Ditadura, porém, tem sido isto sempre, ora ditadura do rei, ora do executivo, ora do legislativo. Ditadura heróica com Afonso Henriques, ditadura doida com D. Sebastião, ditadura às direitas com Pombal, ditadura às esquerdas com Afonso Costa, ditadura civil com os Cabrais, ou com o António Maria, ditadura militar com o Sidónio ou com o Vitorino, ditadura de saias com a Srª D. Maria II, ditadura de botas e esporas com o sr. Manuel Maria, e até já os ditadores do Alcaide – essa terra famosa para homens bravos – foram experimentados e não deram resultado nenhum.»
Se Jaime Brasil fosse vivo actualizaria o seu texto e acrescentava às ditaduras anteriores, a de Salazar, a tentada do capitalismo de estado, a do neo-liberalismo e a da Troika com os seus regentes.
Teófilo Braga
terça-feira, fevereiro 28, 2012
Solidariedade com Paca Blanco
Informados dos dramáticos eventos (*) que têm atingido a activista Paca Blanco, bem conhecida de muitos de nós pelo seu envolvimento na luta pelo encerramento de Almaraz, luta pela protecção dos recursos do Tejo, e manutenção dos espaços em condições de sustentabilidade social e usufruto ecológico, vem os abaixo assinados manifestar por este meio a sua solidariedade pessoal, independentemente de outros envolvimentos que venham a desenvolver, e desta dar informação aos órgãos de comunicação social nacionais e do Estado espanhol.
É intolerável que a infracção da lei seja paralela ao ataque pessoal e espezinhamento dos direitos individuais de cidadania, num Estado democrático de Direito.
António Eloy, coordenador G.E.M., e deste documento (tel. 919289390)
António Regedor, docente Universitário/ecologista
António Serzedelo Presidente Opus Gay
Carlos Pimenta, ex secretario Estado do Ambiente
Emília Araújo, economista/direcção FAPAS
Helena Roseta, arquitecta, vereadora da CML
José Carlos Costa Marques, Presidente da Campo Aberto
José Janela, professor/presidente núcleo Quercus Portalegre
José Luiz Almeida Silva, director da Gazeta das Caldas
José Maria Moura, direcção do Movimento Urânio em Nisa Não
Luís Silva, engenheiro/activista conservação energia
Maria Teresa Nogueira, Coordenadora do G.T. sobre a China da Amnistia Internacional-Portugal
Miguel Duarte, Presidente do Movimento Liberal Social
Nuno Nabais, docente Universitário/Director da Fábrica de Braço de Prata
Nuno Quental, gestor de apoio a projectos (U.E.)
Nuno Sequeira, Presidente Quercus
Paulo Constantino, porta–voz do proTejo – Movimento pelo Tejo
Paulo Bagulho, empresário da restauração/ direcção do M.U.N.N.
Paulo Trancoso, produtor cinema/ecologista
Paulo Talhadas Santos, presidente FAPAS
Rui Cunha, empresário de Imagem e Comunicação
Serafim Riem, empresário de arboricultura
Teófilo Braga, professor/ecologista
Vítor Nogueira, economista/activista direitos humanos
Zé Justino, docente Universitária/activista dos direitos humanos
(*)
http://www.elperiodicoextremadura.com/noticias/extremadura/la-ecologista-paca-blanco-cede-ante-acoso_555666.html
http://www.elpais.com/fotografia/sociedad/Paca/Blanco/elpepisoc/20110319elpepisoc_5/Ies/
e sobretudo aqui:
http://signos.blogspot.com/search/label/Paca%20Blanco
e aqui:
http://www.ecologistasenaccion.org/article22142.html
terça-feira, fevereiro 21, 2012
domingo, fevereiro 19, 2012
O Direito à Preguiça
"Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde
reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias
individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste
humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do
trabalho, levado até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo e
da sua progenitora. Em vez de reagir contra esta aberração mental, os
padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho.
Homens cegos e limitados, quiseram ser mais sábios do que o seu Deus;
homens fracos e desprezíveis, quiseram reabilitar aquilo que o seu
Deus amaldiçoara. Eu, que não confesso ser cristão, economista e
moralista, recuso admitir os seus juízos como os do seu Deus; recuso
admitir os sermões da sua moral religiosa, econômica, livre-pensadora,
face às terríveis consequências do trabalho na sociedade capitalista."
Paul Lafargue
sábado, janeiro 28, 2012
O ananás amargo

Dado a conhecer aos europeus por Cristóvão Colombo aquando da sua passagem, em 1493, por Guadalupe, o ananás começou a ser introduzido na Europa no século XVI. Depois da sua introdução em São Miguel, a partir de meados do século XIX, como planta ornamental, passou a ser cultivado para consumo das famílias mais abastadas e começou, em 1864, a ser exportado, primeiro para a Inglaterra e depois para outros países do Norte da Europa.
Sobre a cultura do ananás muito já foi dito e escrito, por isso vou limitar o meu texto a recordar um pouco a situação que se vivia há cerca de 40 anos e relatar o que se está a passar actualmente.
Não tenho conhecimentos teóricos e o meu contacto com a cultura do ananás foi muito ténue, pois da minha família apenas a minha avó e depois uma tia minha possuía uma estufa no quintal de sua casa, a qual já foi desmantelada há alguns anos.
Durante a minha juventude convivi com pessoas que, com uns carrinhos de mão, iam às matas buscar o que então se chamava o “enchimento” que vendiam aos donos das estufas. Também convivi e fui colega de escola de muitos “leiveiros”, que ganhavam a sua vida a tirar leivas dos matos localizados na área do Monte Escuro, as quais eram usadas para fazer as camas das estufas.
Não quero prosseguir sem referir aqui que os meus colegas “leiveiros” estão quase todos emigrados, pois se ganhavam bem com a extracção de leivas, aquela actividade era muito sazonal e a sua actividade principal, a agricultura, já se encontrava em declínio, a pecuária não absorvia toda a mão-de-obra disponível e a construção civil, na altura, não tinha a dimensão que tem nos nossos dias, apesar da crise em que está mergulhada.
Se antes havia o problema ambiental resultante da extracção de leivas em zonas sensíveis como a Serra Devassa ou a Reserva Natural da Lagoa do Fogo, hoje, segundo informação que recebi, os proprietários de estufas e a sua associação debatem-se com a “escassez” de incensos, pelo menos em zonas de fácil acesso, que possam ser utilizados, sem custos elevados, no cultivo do ananás.
Se outrora eram as zonas sensíveis as ameaçadas, hoje são algumas propriedades privadas que são alvo do vandalismo por parte de quem vende as ramadas de incenso aos donos das estufas.
Depois desta longa introdução, a seguir vou fazer referência ao que me preocupa, pois “quem caça de coração é o dono do furão”.
Já por diversas vezes tomei conhecimento de que os larápios haviam escolhido algumas estufas de ananases para colherem os frutos que outros tiveram o cuidado de plantar, mondar, regar, etc.
Mas, se há entre os proprietários de estufas e entre os fornecedores de “matérias primas” pessoas honestas, também há quem não tenha a mínima sensibilidade ambiental e social e que colabore, ainda que passivamente, para que os roubos continuem a proliferar.
No caso destes últimos, será que alguns donos de estufas têm o cuidado de fazer a aquisição a pessoas idóneas e de procurar saber qual a origem dos incensos que lhes são vendidos?
É claro que não, se assim fosse não teria acontecido comigo o que aconteceu. Assim, ao chegar a um terreno que possuo, em Vila Franca do Campo, no passado dia 16 de Janeiro, verifiquei que vários incensos constituintes de um abrigo (sebe) haviam sido tronchados, os ramos mais grossos deixados no caminho e os mais finos levados para serem triturados e usados em estufas.
Em jeito de conclusão, diria que os cultivadores de ananás debatem-se hoje com a carência de ramadas de incensos para as estufas, que existem extensas áreas da ilha de São Miguel invadidas pelo incenso e que seria de toda a utilidade para a conservação da flora nativa a sua erradicação, pelo que deveria haver um entendimento entre a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar e a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas para que o incenso retirado fosse cedido aos cultivadores de ananás, a custos aceitáveis.
Por último, ninguém deveria aceitar incenso cuja proveniência fosse desconhecida, só assim, pelo menos para mim, o doce do ananás não seria substituído pelo amargo de ver uma sebe destruída e uma plantação recente de fruteiras desabrigada.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 25 de Janeiro de 2012)
Dado a conhecer aos europeus por Cristóvão Colombo aquando da sua passagem, em 1493, por Guadalupe, o ananás começou a ser introduzido na Europa no século XVI. Depois da sua introdução em São Miguel, a partir de meados do século XIX, como planta ornamental, passou a ser cultivado para consumo das famílias mais abastadas e começou, em 1864, a ser exportado, primeiro para a Inglaterra e depois para outros países do Norte da Europa.
Sobre a cultura do ananás muito já foi dito e escrito, por isso vou limitar o meu texto a recordar um pouco a situação que se vivia há cerca de 40 anos e relatar o que se está a passar actualmente.
Não tenho conhecimentos teóricos e o meu contacto com a cultura do ananás foi muito ténue, pois da minha família apenas a minha avó e depois uma tia minha possuía uma estufa no quintal de sua casa, a qual já foi desmantelada há alguns anos.
Durante a minha juventude convivi com pessoas que, com uns carrinhos de mão, iam às matas buscar o que então se chamava o “enchimento” que vendiam aos donos das estufas. Também convivi e fui colega de escola de muitos “leiveiros”, que ganhavam a sua vida a tirar leivas dos matos localizados na área do Monte Escuro, as quais eram usadas para fazer as camas das estufas.
Não quero prosseguir sem referir aqui que os meus colegas “leiveiros” estão quase todos emigrados, pois se ganhavam bem com a extracção de leivas, aquela actividade era muito sazonal e a sua actividade principal, a agricultura, já se encontrava em declínio, a pecuária não absorvia toda a mão-de-obra disponível e a construção civil, na altura, não tinha a dimensão que tem nos nossos dias, apesar da crise em que está mergulhada.
Se antes havia o problema ambiental resultante da extracção de leivas em zonas sensíveis como a Serra Devassa ou a Reserva Natural da Lagoa do Fogo, hoje, segundo informação que recebi, os proprietários de estufas e a sua associação debatem-se com a “escassez” de incensos, pelo menos em zonas de fácil acesso, que possam ser utilizados, sem custos elevados, no cultivo do ananás.
Se outrora eram as zonas sensíveis as ameaçadas, hoje são algumas propriedades privadas que são alvo do vandalismo por parte de quem vende as ramadas de incenso aos donos das estufas.
Depois desta longa introdução, a seguir vou fazer referência ao que me preocupa, pois “quem caça de coração é o dono do furão”.
Já por diversas vezes tomei conhecimento de que os larápios haviam escolhido algumas estufas de ananases para colherem os frutos que outros tiveram o cuidado de plantar, mondar, regar, etc.
Mas, se há entre os proprietários de estufas e entre os fornecedores de “matérias primas” pessoas honestas, também há quem não tenha a mínima sensibilidade ambiental e social e que colabore, ainda que passivamente, para que os roubos continuem a proliferar.
No caso destes últimos, será que alguns donos de estufas têm o cuidado de fazer a aquisição a pessoas idóneas e de procurar saber qual a origem dos incensos que lhes são vendidos?
É claro que não, se assim fosse não teria acontecido comigo o que aconteceu. Assim, ao chegar a um terreno que possuo, em Vila Franca do Campo, no passado dia 16 de Janeiro, verifiquei que vários incensos constituintes de um abrigo (sebe) haviam sido tronchados, os ramos mais grossos deixados no caminho e os mais finos levados para serem triturados e usados em estufas.
Em jeito de conclusão, diria que os cultivadores de ananás debatem-se hoje com a carência de ramadas de incensos para as estufas, que existem extensas áreas da ilha de São Miguel invadidas pelo incenso e que seria de toda a utilidade para a conservação da flora nativa a sua erradicação, pelo que deveria haver um entendimento entre a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar e a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas para que o incenso retirado fosse cedido aos cultivadores de ananás, a custos aceitáveis.
Por último, ninguém deveria aceitar incenso cuja proveniência fosse desconhecida, só assim, pelo menos para mim, o doce do ananás não seria substituído pelo amargo de ver uma sebe destruída e uma plantação recente de fruteiras desabrigada.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 25 de Janeiro de 2012)
segunda-feira, janeiro 16, 2012
Contra as touradas. Escreve aos deputados

Na próxima quinta-feira, dia 19 de Janeiro, a partir das 15h (depois de outros temas) será discutida no Parlamento a Petição “Pelo fim das corridas de touros em Portugal”, autoria da CAPT – Campanha Anti-Tourada de Portugal. Estará presente - em representação dos animais utilizados pela tauromaquia -, um grupo composto por ONGs de protecção dos animais e por activistas independentes.
Se quiser estar presente em frente à Assembleia da República, por favor considere trazer uma braçadeira preta (a pedido do CAPT) como sinal de luto pelos animais vítimas da tauromaquia.
Por favor não esqueça que estamos com a razão do nosso lado e não devemos perdê-la sob circunstância alguma, assim, pedimos a quem queria estar presente que venha em paz e não responda a provocações. O nosso comportamento deve sempre manter-se impecável; os animais merecem-nos isso.
Pedimos a todas as pessoas que lêem este apelo para que escrevam à Presidente da Assembleia da República e aos Grupos Parlamentares, pedindo-lhes que naquela discussão considerem os interesses dos animais e não os da tauromaquia. Por favor escreva a sua própria mensagem ou envie a mensagem abaixo sugerida para os seguintes contactos:Presidente da Assembleia da República (para enviar uma mensagem à Presidente terá que colar a sua mensagem no espaço a ela destinado): http://www.parlamento.pt/sites/PAR/PARXIIL/Contacto/Paginas/default.aspx
Grupo Parlamentar do PS Gp_ps@ps.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do PSD Gp_psd@psd.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do PP Gp_pp@pp.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do BE Bloco.esquerda@be.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do PCP Gp_pcp@pcp.parlamento.pt
Grupo Parlamentar”Os Verdes” Pev.correio@pev.parlamento.pt
Mensagem sugerida:
Exma. Senhora Presidente da Assembleia da República,
Exmas./os Senhoras/ Senhores Deputados à Assembleia da República,
Excelências,
Tomei conhecimento de que a petição pública “Pelo fim das corridas de touros em Portugal” - apresentada pelo CAPT - Campanha Anti-Tourada de Portugal, em Julho de 2011 - , irá ser discutida em plenário da Assembleia da República no próximo dia 19 de Janeiro. Embora saiba que alguns parlamentares são simpatizantes da tauromaquia, tenho razões para acreditar que a maioria de V. Exas. é constituída por pessoas compassivas e esclarecidas, que sabem que não é possível em 2012 ainda se acreditar que animais devem ser massacrados e posteriormente mortos para entretenimento de uma facção da população portuguesa. A ciência, fundamentada na investigação anatómica, fisiológica e neurológica dos animais usados na tauromaquia, confirma o que o senso comum revela: touros e cavalos sofrem antes, durante e depois dos espectáculos tauromáquicos. Além destas questões de âmbito cientifico e moral, apresenta-se-me ainda como ultrajante que num momento de grave crise económica, estando a maior parte das Câmaras Municipais do país com dificuldades em conseguirem cumprir os seus compromissos mais básicos e manterem todos os seus funcionários, continuem a subsidiar a actividade tauromáquica.A tauromaquia ainda subsiste em 9 países do Mundo, mas na última década têm-se assistido a verdadeiros exercícios de civilização da sociedade, nomeadamente com a declaração de dezenas e dezenas de cidades e vilas como “Anti-touradas”, e até mesmo uma região assim foi declarada: a Catalunha. Os sinais de que estas decisões se alargarão a mais cidades, vilas, regiões, e até países, são claros, e não tenho qualquer dúvida de que o meu país será um dia um país livre de touradas.
V. Exas. foram eleitas/os meus representantes, e é como tal que vos peço que façam soar a minha posição em plenário. Não quero nem posso admitir que um país que foi pioneiro na abolição da pena de morte, e que tem estado na linha da frente do progresso civilizacional de tantas outras formas, um país para o qual contribuo mesmo em tempos difíceis, seja conhecido no seu trato aos animais como sendo uma nação bárbara, retrógrada e cruel.
Na certeza de que V. Exas. tomarão em consideração esta minha mensagem, despeço-me,
Muito respeitosamente,
De V. Exas.
Nome:
Localidade:

Na próxima quinta-feira, dia 19 de Janeiro, a partir das 15h (depois de outros temas) será discutida no Parlamento a Petição “Pelo fim das corridas de touros em Portugal”, autoria da CAPT – Campanha Anti-Tourada de Portugal. Estará presente - em representação dos animais utilizados pela tauromaquia -, um grupo composto por ONGs de protecção dos animais e por activistas independentes.
Se quiser estar presente em frente à Assembleia da República, por favor considere trazer uma braçadeira preta (a pedido do CAPT) como sinal de luto pelos animais vítimas da tauromaquia.
Por favor não esqueça que estamos com a razão do nosso lado e não devemos perdê-la sob circunstância alguma, assim, pedimos a quem queria estar presente que venha em paz e não responda a provocações. O nosso comportamento deve sempre manter-se impecável; os animais merecem-nos isso.
Pedimos a todas as pessoas que lêem este apelo para que escrevam à Presidente da Assembleia da República e aos Grupos Parlamentares, pedindo-lhes que naquela discussão considerem os interesses dos animais e não os da tauromaquia. Por favor escreva a sua própria mensagem ou envie a mensagem abaixo sugerida para os seguintes contactos:Presidente da Assembleia da República (para enviar uma mensagem à Presidente terá que colar a sua mensagem no espaço a ela destinado): http://www.parlamento.pt/sites/PAR/PARXIIL/Contacto/Paginas/default.aspx
Grupo Parlamentar do PS Gp_ps@ps.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do PSD Gp_psd@psd.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do PP Gp_pp@pp.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do BE Bloco.esquerda@be.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do PCP Gp_pcp@pcp.parlamento.pt
Grupo Parlamentar”Os Verdes” Pev.correio@pev.parlamento.pt
Mensagem sugerida:
Exma. Senhora Presidente da Assembleia da República,
Exmas./os Senhoras/ Senhores Deputados à Assembleia da República,
Excelências,
Tomei conhecimento de que a petição pública “Pelo fim das corridas de touros em Portugal” - apresentada pelo CAPT - Campanha Anti-Tourada de Portugal, em Julho de 2011 - , irá ser discutida em plenário da Assembleia da República no próximo dia 19 de Janeiro. Embora saiba que alguns parlamentares são simpatizantes da tauromaquia, tenho razões para acreditar que a maioria de V. Exas. é constituída por pessoas compassivas e esclarecidas, que sabem que não é possível em 2012 ainda se acreditar que animais devem ser massacrados e posteriormente mortos para entretenimento de uma facção da população portuguesa. A ciência, fundamentada na investigação anatómica, fisiológica e neurológica dos animais usados na tauromaquia, confirma o que o senso comum revela: touros e cavalos sofrem antes, durante e depois dos espectáculos tauromáquicos. Além destas questões de âmbito cientifico e moral, apresenta-se-me ainda como ultrajante que num momento de grave crise económica, estando a maior parte das Câmaras Municipais do país com dificuldades em conseguirem cumprir os seus compromissos mais básicos e manterem todos os seus funcionários, continuem a subsidiar a actividade tauromáquica.A tauromaquia ainda subsiste em 9 países do Mundo, mas na última década têm-se assistido a verdadeiros exercícios de civilização da sociedade, nomeadamente com a declaração de dezenas e dezenas de cidades e vilas como “Anti-touradas”, e até mesmo uma região assim foi declarada: a Catalunha. Os sinais de que estas decisões se alargarão a mais cidades, vilas, regiões, e até países, são claros, e não tenho qualquer dúvida de que o meu país será um dia um país livre de touradas.
V. Exas. foram eleitas/os meus representantes, e é como tal que vos peço que façam soar a minha posição em plenário. Não quero nem posso admitir que um país que foi pioneiro na abolição da pena de morte, e que tem estado na linha da frente do progresso civilizacional de tantas outras formas, um país para o qual contribuo mesmo em tempos difíceis, seja conhecido no seu trato aos animais como sendo uma nação bárbara, retrógrada e cruel.
Na certeza de que V. Exas. tomarão em consideração esta minha mensagem, despeço-me,
Muito respeitosamente,
De V. Exas.
Nome:
Localidade:
quarta-feira, janeiro 04, 2012

O MAOISMO NOS AÇORES
A leitura do livro “Margem de certa maneira. O maoismo em Portugal: 1964-1974”, baseado na tese de doutoramento em História Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra defendida, em Março de 2011, por Miguel Cardina, levou-me a, durante alguns dias de merecido descanso, por altura do Natal e do Ano Novo, tentar consultar o meu arquivo pessoal, sobre os primeiros anos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974, e a buscar na minha memória alguns factos e os seus protagonistas que de algum modo estiveram ligados à referida ideologia política.
A única organização que se afirmava marxista-leninista e maoista e ainda hoje tem alguma presença, muito reduzida, nos Açores, é o PCTP-MRPP- Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses que é herdeiro do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado, criado em 18 de Setembro de 1970.
O PCTP- MRPP, nos anos a seguir ao 25 de Abril teve alguma presença na Horta, em Angra do Heroísmo e em Ponta Delgada. Lembro-me de ver cartazes anunciando a presença do seu líder, Arnaldo Matos, num comício a realizar no Cine São Pedro, em Ponta Delgada, suponho que em 1975 ou 1976, de haver um correspondente do seu jornal “Luta Popular”, na Horta, e de se chamar José Ornelas o seu porta-voz, em Angra do Heroísmo.
Para além do referido, o que recordo mais é a presença de uma colega que frequentava o Instituto Universitário dos Açores e que, entre 1976 e 1978, fazia a venda militante do órgão central do PCTP-MRPP, o “Luta Popular”, o qual uma vez por outra trazia textos sobre a situação em que viviam os camponeses e pescadores açorianos, e que também vendia algumas publicações, como as “Obras Escolhidas de Mao Tsetung”, quer as editadas em Pequim, quer o Tomo 5, relativo ao período de 1949 a 1957, editado, em Portugal, pela Editora Vente de Leste.
A outra organização que, tal como o MRPP, teve alguma actividade sobretudo em Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta, foi a OCMLP – Organização Comunista Marxista Leninista Portuguesa, que foi criada na cidade do Porto, em 1972, e que terá chegado cá devido à sua implantação junto de alguns estudantes açorianos que estavam naquela cidade a frequentar a Universidade.
Uma parte da OCMLP, tal como outros grupos marxistas-leninistas, integrou-se, em 1976, no Partido Comunista Português Reconstruído (PCP (R)), que se extinguiu em 1992, e na União Democrática Popular, que era uma “frente de massas” desse partido. Em 1999, já depois de ter deixado cair a ideologia marxista-leninista e o maoismo, a UDP integrou-se no Bloco de Esquerda.
Os simpatizantes ou militantes da OCMLP, nos Açores, tiveram uma actividade muito intensa a seguir ao 25 de Abril, junto de alguns sindicatos, associações culturais e recreativas e editaram o jornal “Luta Pela Democracia Popular”, entre Abril de 1975 e Março de 1977.
A OCMLP editou uma revista cultural denominada Spartacus, que chegou a ser distribuída nos Açores e publicou o jornal “O Grito do Povo” que, também, foi distribuído no arquipélago.
A OCMLP, que condenava simultaneamente as duas potencias imperialistas, os EUA e a URSS que lutavam entre si, num comunicado a propósito do 6 de Junho de 1975 denunciou “as movimentações “autonomistas” e de “independência” dos Açores, como manobra do imperialismo americano” e os social-imperialistas soviéticos que eram rivais e aliados dos EUA na partilha de Portugal.
Em vários números do jornal “O Grito do Povo” é referida a existência de uma organização clandestina, que terá surgido a seguir à manifestação do dia 6 de Junho, denominada ARAFAI- Acção Revolucionária Anti-fascista e Anti-imperialista que distribuía comunicados, alguns nos Quartéis de São Miguel, a condenar a actividade da FLA.
Hoje, desconheço o paradeiro de grande parte das pessoas que ou simpatizaram ou fizeram parte das duas organizações mencionadas. Algumas desligaram-se da actividade política, outras mudaram de posição, isto é, passaram da extrema-esquerda para o centro ou para a direita.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 4 de Janeiro de 2011)
sábado, dezembro 24, 2011
quarta-feira, dezembro 21, 2011
A Escola, um paraíso na Terra?
Com mais de trinta anos de serviço prestado, em várias escolas da ilha de São Miguel e numa da ilha Terceira, acho que estou a atingir o limite das minhas forças e da paciência, não só porque as maleitas associadas à idade já começam a pesar um pouco, mas também porque da parte de quem as devia frequentar, alguns alunos, a receptividade à aprendizagem, por vezes deixa muito a desejar.
Tenho plena consciência de que a sociedade modificou-se, infelizmente nem sempre para melhor, e de que uma parte, se calhar grande, do problema estará do meu lado. Com efeito, não me consigo adaptar à hipocrisia de alguns responsáveis nem ao desrespeito à sociedade e a quem trabalha por parte de quem está na escola apenas para passar o dia no recreio e a perturbar as aulas, desrespeitando quem quer aprender e quem se esforça por ensinar.
Hoje, a escola, e não só, parece-me uma grande produtora de espectáculos cujo único objectivo é transmitir para o exterior que tudo está bem, quando a realidade, sentida por quem a quer sentir, é outra e não há meios para a alterar, por mais que venham dizer que com o actual estatuto do aluno a situação estará a dois passos de ser solucionada. Fico à espera, sentado para não me cansar, de ser aplicada a primeira “multa” aos pais e que esta seja paga com o seu vencimento e não com o chamado “rendimento social” para atirar um bom par de roqueiras.
Gostaria, também, de saber como se pode mudar a escola quando nada se faz, digno de ser realçado, para mudar a sociedade.
Será que é possível exigir disciplina e rigor na escola quando cá fora se fomenta a alienação e o facilitismo? Será que se pode ter outra escola quando se dificulta a participação das famílias, aumentando horários de trabalho e reduzindo os vencimentos?
Será que se pode ter outra escola quando não se motiva os professores, obrigando-os a fazer um conjunto de tarefas inúteis, como planos para isto e para aquilo, quando se sabe que muitos deles não têm meios para sair do papel ou quando se implementam aulas de substituição em moldes que não dignificam os docentes e não servem aos alunos?
Até aqui, limitei-me a referir alguns assuntos de carácter genérico, mas como sou professor de uma disciplina que se inclui nas denominadas ciências experimentais, não queria deixar passar a oportunidade para lamentar o facto dos nossos deputados/governantes, alguns dos quais professores, mas possivelmente sem qualquer vocação para tal, terem, depois de elogiado, da boca para fora, a importância do ensino das ciências, diminuído a sua carga horária.
Também não compreendo como se pretende fomentar o ensino experimental e não se orçamentam as verbas necessárias para pelo menos repor o que nos laboratórios se vai tornando obsoleto ou vai avariando. Culpa da Secretaria Regional que tutela a educação ou insensibilidade dos Conselhos Executivos?
Senhores responsáveis por esta situação, trabalhar, num computador, com laboratórios virtuais não é a mesma coisa do que realizar uma actividade experimental numa sala de aula. Como muito bem escreveu uma estudante de mestrado na Universidade de Aveiro “os laboratórios virtuais não substituem os processos reais. Julgo que esta deve ser a ideia geral a reter. Portanto, o professor deve estar consciente de que o recurso a estes meios apenas deverá ser ocasional”.
Sobre o assunto, o professor, pedagogo, historiador da ciência e da educação, divulgador científico e poeta Rómulo de Carvalho, em entrevista ao Público, em 1996, disse o seguinte: “Em relação ao ensino experimental, as experiências acompanham aquilo que queremos ensinar quando estamos na aula, mas o método de ensino não é exclusivamente experimental. As experiências servem para esclarecer o aluno sobre aquilo que está a ouvir. Eu levava sempre para a aula material que punha em cima da mesa e os alunos olhavam com toda a curiosidade: ‘Para que é isto? Para que é aquilo?’ À medida que ia falando, ia preparando as coisas e mostrando o que se passava, para ilustrar aquilo que estava a dizer.” Será que já está ultrapassado?
Quem não conhece a realidade das escolas e quem lê os jornais por elas editados ficará com a ideia de que nelas não há problemas de indisciplina, que os laboratórios estão todos bem apetrechados, que as novas tecnologias foram capazes de motivar os alunos, que os professores se sentem realizados profissionalmente e que voluntariamente participam nas baterias de actividades de final de período ou comemorativas disto ou daquilo. Enfim, como dizia o meu avô Manuel, a escola é “um céu aberto fechado numa grota”.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 21 de Dezembro de 2011, p.9)
sexta-feira, dezembro 16, 2011

«BISPO CONDENA E PEDE A ABOLIÇÃO DA CORRIDA DE TOUROS»
Não, infelizmente, isto não é em Portugal.
Em Portugal os bispos estão calados. Coniventes com a barbárie. Cúmplices do espectáculo sádico, que é o Massacre de Touros (vulgo Tourada).
Este é o título de uma notícia, de outro país, que tal como o nosso, ainda não se libertou das trevas, mas onde a Igreja Católica toma posição.
Eis a notícia traduzida, para ser melhor compreendida:
«São numerosas as declarações de membros da Igreja Católica que vêm condenando as corridas de touros. Uma delas é a do Secretário do Vaticano, Bispo Pietro Gasparri que em 1923, disse: “Embora a barbárie humana ainda persista nas corridas de touros, a Igreja continua condenando em voz alta estes sangrentos e vergonhosos espectáculos, como o fez Sua Santidade o Papa Pio V”.
«Recentemente, em Novembro de 2011, o Bispo de Maracaibo, na Venezuela, manifestou-se, dizendo: “Os maus-tratos de animais são um triste e lamentável prolongamento que os seres humanos se infringem mutuamente, e dos quais as mulheres, as crianças e os idosos são as principais vítimas”».
Mais adiante o mesmo Bispo disse: «Como poderemos erradicar do mundo a crueldade e os maus-tratos se nós próprios os apoiamos num espectáculo para divertir o povo?»
«Não obstante, na Colômbia e no mundo, são muitos os que se dizem católicos, e de manhã vão à missa e, de joelhos, rogam pela paz, pela vida, pelo amor, pelo respeito, e à tarde assistem a um dos espectáculos mais cruéis e esvaziados de valores como são as violentas corridas de touros».
Estas declarações podem ser ouvidas através do seguinte link:
https://www.facebook.com/#!/photo.php?v=2895565034196
SENHORES BISPOS PORTUGUESES, PARA QUANDO UMA TOMADA DE POSIÇÃO PÚBLICA, DE ACORDO COM OS PRINCÍPIOS CRISTÃOS, NO SENTIDO DA ABOLIÇÃO DA TORTURA DOS TOUROS E DOS CAVALOS NAS ARENAS PORTUGUESAS?
Fonte: http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/67265.html
BIBLIOFILIA

Meu pai foi camponês, com alguma terra, e minha mãe doméstica, filha de um pequeno lavrador que durante algum tempo também foi vendedor de leite, numa antiga mercearia e a vizinhos, antes das fábricas de lacticínios se instalarem na ilha de São Miguel.
Dada a origem social, a minha família não me proporcionou, em criança, acesso aos livros, a não ser a uns poucos velhos manuais escolares que haviam sido de minha mãe. Apesar desta lacuna, desde muito cedo me interessei pela leitura e saciei o meu gosto por ler requisitando o número máximo permitido pela biblioteca ambulante da Fundação Calouste Gulbenkian que mensalmente visitava a Ribeira Seca de Vila Franca do Campo.
Mais tarde, com o meu ingresso no Externato de Vila Franca, continuei a ler não só os livros de leitura obrigatória mas também muitos outros que requisitava na biblioteca fixa da Gulbenkian que existia na Vila ou que me eram emprestados por pessoas que os possuíam.
Com a minha ida para Ponta Delgada para frequentar o antigo sexto ano de escolaridade (actual décimo ano), com todas as economias que conseguia fazer, comecei a comprar os primeiros livros, jornais e revistas. Na altura, 1974, para além de comprar tudo o que se relacionava com a história dos Açores, alguns romances de escritores de renome portugueses, como Eça de Queirós, e brasileiros, como Jorge Amado, também adquiria quase tudo o que se relacionava com as diferentes correntes políticas, nomeadamente as situadas no lado esquerdo do espectro político-partidário.
Alguns anos mais tarde, a minha pobre e pequena colecção foi muito enriquecida com uma oferta que me fez o camponês e investigador autodidacta Manuel Amaral Brum que se encontrava emigrado nos Estados Unidos da América. Com efeito, aquando de uma sua visita a São Miguel fui convidado por ele para o ajudar a seleccionar livros para oferta ao então Instituto Universitário dos Açores e como paga recebi uma fabulosa colecção de livros sobre os Açores, de que destaco as primeiras edições das Saudades da Terra, de Gaspar Frutuoso, e os seis volumes de “A Vila - História de Vila Franca”, a maioria dos volumes de “A vida dos nossos avós - Estudos etnográficos da vida açoriana através das suas leis gerais” e alguns romances, todos da autoria do vilafranquense Urbano de Mendonça Dias.
Com o decorrer dos anos, o meu convívio diário com os livros e com a leitura nunca esmoreceu e ao longo dos tempos fui aumentando a minha colecção quer através da compra de livros, quer das muitas ofertas que recebi. No que a estas diz respeito, destacaria um conjunto de livros, nomeadamente romances, que pertenceram ao jovem artista plástico micaelense José Manuel de Medeiros Cabral e uma dezena de títulos da autoria do Dr. João Anglin, antigo reitor do Liceu Nacional de Ponta Delgada, que este dedicou à sua “antiga aluna e estimada prima Maria Emília Soares Pereira”.
Embora não tenha por hábito ir a sessões de lançamento de livros e de “pedir” dedicatórias aos seus autores, tenho uns tantos que alguns tiveram a gentileza de me enviar com dedicatória. Entre esses livros destacaria “Açores - Origens, Raízes e História”, editado em 1999, que o seu autor, o jornalista e escritor micaelense Manuel Ferreira, escreveu “em honra e louvor de todos os Açorianos que sabem manter a chama viva da Açorianidade e alto o pensamento na exaltação da pequena Pátria Açoriana”.
Sem nunca abandonar a temática açoriana, nos últimos tempos, tenho lido e comprado biografias e publicações diversas sobre a resistência à ditadura de Salazar e Caetano e sobre os primeiros anos após a chamada Revolução dos Cravos.
É deste período que tenho a assinatura mais “famosa”. Está no livro “O imperialismo e a revolução”, editado pelas Edições Bandeira Vermelha, em 1978, e é da autoria de um membro do Partido Comunista do Brasil, o Eng.º Diógenes Arruda Câmara, que foi perseguido e torturado pela ditadura fascista brasileira e que esteve exilado em Portugal, onde desempenhou um papel de relevo na criação do, hoje extinto, Partido Comunista Português Reconstruído e da União Democrática Popular, um dos partidos, também já desaparecido, que esteve na origem da criação do Bloco de Esquerda.
Diógenes Arruda e Jorge Amado foram grandes amigos, de tal modo que o famoso escritor brasileiro fez dele uma das personagens (Vítor) e a ele dedicou o seu romance “Subterrâneos da Liberdade”.
Teófilo Braga

Meu pai foi camponês, com alguma terra, e minha mãe doméstica, filha de um pequeno lavrador que durante algum tempo também foi vendedor de leite, numa antiga mercearia e a vizinhos, antes das fábricas de lacticínios se instalarem na ilha de São Miguel.
Dada a origem social, a minha família não me proporcionou, em criança, acesso aos livros, a não ser a uns poucos velhos manuais escolares que haviam sido de minha mãe. Apesar desta lacuna, desde muito cedo me interessei pela leitura e saciei o meu gosto por ler requisitando o número máximo permitido pela biblioteca ambulante da Fundação Calouste Gulbenkian que mensalmente visitava a Ribeira Seca de Vila Franca do Campo.
Mais tarde, com o meu ingresso no Externato de Vila Franca, continuei a ler não só os livros de leitura obrigatória mas também muitos outros que requisitava na biblioteca fixa da Gulbenkian que existia na Vila ou que me eram emprestados por pessoas que os possuíam.
Com a minha ida para Ponta Delgada para frequentar o antigo sexto ano de escolaridade (actual décimo ano), com todas as economias que conseguia fazer, comecei a comprar os primeiros livros, jornais e revistas. Na altura, 1974, para além de comprar tudo o que se relacionava com a história dos Açores, alguns romances de escritores de renome portugueses, como Eça de Queirós, e brasileiros, como Jorge Amado, também adquiria quase tudo o que se relacionava com as diferentes correntes políticas, nomeadamente as situadas no lado esquerdo do espectro político-partidário.
Alguns anos mais tarde, a minha pobre e pequena colecção foi muito enriquecida com uma oferta que me fez o camponês e investigador autodidacta Manuel Amaral Brum que se encontrava emigrado nos Estados Unidos da América. Com efeito, aquando de uma sua visita a São Miguel fui convidado por ele para o ajudar a seleccionar livros para oferta ao então Instituto Universitário dos Açores e como paga recebi uma fabulosa colecção de livros sobre os Açores, de que destaco as primeiras edições das Saudades da Terra, de Gaspar Frutuoso, e os seis volumes de “A Vila - História de Vila Franca”, a maioria dos volumes de “A vida dos nossos avós - Estudos etnográficos da vida açoriana através das suas leis gerais” e alguns romances, todos da autoria do vilafranquense Urbano de Mendonça Dias.
Com o decorrer dos anos, o meu convívio diário com os livros e com a leitura nunca esmoreceu e ao longo dos tempos fui aumentando a minha colecção quer através da compra de livros, quer das muitas ofertas que recebi. No que a estas diz respeito, destacaria um conjunto de livros, nomeadamente romances, que pertenceram ao jovem artista plástico micaelense José Manuel de Medeiros Cabral e uma dezena de títulos da autoria do Dr. João Anglin, antigo reitor do Liceu Nacional de Ponta Delgada, que este dedicou à sua “antiga aluna e estimada prima Maria Emília Soares Pereira”.
Embora não tenha por hábito ir a sessões de lançamento de livros e de “pedir” dedicatórias aos seus autores, tenho uns tantos que alguns tiveram a gentileza de me enviar com dedicatória. Entre esses livros destacaria “Açores - Origens, Raízes e História”, editado em 1999, que o seu autor, o jornalista e escritor micaelense Manuel Ferreira, escreveu “em honra e louvor de todos os Açorianos que sabem manter a chama viva da Açorianidade e alto o pensamento na exaltação da pequena Pátria Açoriana”.
Sem nunca abandonar a temática açoriana, nos últimos tempos, tenho lido e comprado biografias e publicações diversas sobre a resistência à ditadura de Salazar e Caetano e sobre os primeiros anos após a chamada Revolução dos Cravos.
É deste período que tenho a assinatura mais “famosa”. Está no livro “O imperialismo e a revolução”, editado pelas Edições Bandeira Vermelha, em 1978, e é da autoria de um membro do Partido Comunista do Brasil, o Eng.º Diógenes Arruda Câmara, que foi perseguido e torturado pela ditadura fascista brasileira e que esteve exilado em Portugal, onde desempenhou um papel de relevo na criação do, hoje extinto, Partido Comunista Português Reconstruído e da União Democrática Popular, um dos partidos, também já desaparecido, que esteve na origem da criação do Bloco de Esquerda.
Diógenes Arruda e Jorge Amado foram grandes amigos, de tal modo que o famoso escritor brasileiro fez dele uma das personagens (Vítor) e a ele dedicou o seu romance “Subterrâneos da Liberdade”.
Teófilo Braga
domingo, novembro 20, 2011
Em defesa das aves

Foi criado um novo blogue sobre aves dos Açores que pode ser consultado aqui:
http://avifaunadosacores.blogspot.com/

Foi criado um novo blogue sobre aves dos Açores que pode ser consultado aqui:
http://avifaunadosacores.blogspot.com/
segunda-feira, novembro 14, 2011
Em defesa das aves e dos Açores

Assine a petição aqui: http://www.peticaopublica.com/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=AVESACOR

Assine a petição aqui: http://www.peticaopublica.com/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=AVESACOR
quarta-feira, novembro 09, 2011
Em defesa da avifauna açoriana

Para: Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores; Sua Excelência Presidente do Governo Regional dos Açores; Sua Excelência Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores; Suas Excelências Presidentes dos Grupos Parlamentares à ALRAA;
Face ao recente propósito do Governo Regional dos Açores de incluir espécies de aves nativas açorianas na Lista das espécies cinegéticas, através do novo decreto regional - Regime Jurídico da Conservação da Natureza e da Protecção da Biodiversidade, actualmente em discussão na Assembleia Regional, os assinantes desta petição querem chamar a atenção para:
1. A falta de estudos científicos sobre a biologia destas espécies e dos seus habitats. Existe um grande desconhecimento sobre a caracterização genética dalgumas destas espécies, levantando grandes problemas na conservação da sua biodiversidade. Para além disso, os habitats que todas estas espécies ocupam são muito restritos e sensíveis, pelo que qualquer alteração neles poderá ter também grandes implicações na sua conservação. Faltam igualmente estudos sobre a importância que a região desempenha nas migrações de determinadas aves.
2. A falta de atribuição dum estatuto de conservação às aves incluídas nesta lista. Nenhuma das espécies incluídas nesta lista de espécies cinegéticas tem atribuída uma categoria de conservação na região biogeográfica dos Açores, não existindo ainda os estudos científicos necessários para tal efeito. No entanto, atendendo aos critérios internacionais utilizados, parece provável que algumas destas espécies venham a ser qualificadas como espécies ameaçadas (e catalogadas portanto como criticamente em perigo, em perigo ou vulneráveis).
3. A falta de estudos sobre o impacto da caça nestas espécies e os seus habitats. O impacto da caça nas espécies incluídas na lista poderá ser especialmente grave devido às suas muito reduzidas populações e ao facto delas ocuparem habitats, nomeadamente os de alimentação, muito escassos e localizados. A actividade da caça deverá ainda afectar a todas as espécies que ocupam esse habitat, incluídas ou não nesta lista das espécies cinegéticas. E no caso das zonas húmidas, a caça poderá levar à contaminação das águas com chumbo e à aparição da doença do saturnismo.
4. A impossibilidade prática de aplicar esta lista devido à enorme dificuldade de identificar correctamente as espécies. Algumas espécies incluídas nesta lista são quase impossíveis de diferenciar de outras espécies não incluídas nela e que também estão presentes regularmente nos Açores. Isto acontece nomeadamente com várias espécies de patos europeus em relação aos seus equivalentes americanos, e mais ainda em relação às narcejas europeias e americanas.
5. O problema da introdução de espécies exóticas. O facto da lista de espécies cinegéticas incluir também duas espécies de aves exóticas coloca em clara perspectiva a introdução destas no meio natural. Introduções deste tipo, já realizadas no passado, parecem ignorar os riscos associados às espécies exóticas num meio tão particularmente frágil como o meio insular açoriano. As espécies e variedades exóticas podem causar, como no caso das codornizes, graves problemas de hibridismo e de diminuição do património genético das espécies nativas, para além de introduzir também agentes patogénicos.
6. A necessária aposta no turismo de observação de aves. O arquipélago dos Açores é uma região privilegiada para a observação de aves migratórias americanas e europeias (mais de 400 espécies observadas nos últimos anos) e tem enormes oportunidades para o desenvolvimento do turismo de observação de aves (birdwatching), já em franca expansão. Este tipo de turismo traz inúmeras vantagens económicas para a Região: é uma actividade repartida por todas as ilhas; acontece principalmente durante os meses de outono e inverno; é um turismo verde e sustentável, quase sem impacto no ambiente; e injecta dinheiro de fora da Região na economia das ilhas. Mas este turismo, como é evidente, é incompatível com a permissão da caça das espécies da avifauna açoriana.
Assim, os assinantes desta petição solicitam:
- A não inclusão das espécies de aves nativas (reprodutoras ou visitantes) na lista de espécies de carácter cinegético dos Açores.
- A não introdução de espécies exóticas, nomeadamente aves, com um propósito cinegético no meio natural dos Açores.
- O desenvolvimento dum turismo verde associado à observação de aves que traga vantagens económicas a todas as ilhas açorianas.
Assine aqui:
http://www.peticaopublica.com/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=AVESACOR
Para: Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores; Sua Excelência Presidente do Governo Regional dos Açores; Sua Excelência Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores; Suas Excelências Presidentes dos Grupos Parlamentares à ALRAA;
Face ao recente propósito do Governo Regional dos Açores de incluir espécies de aves nativas açorianas na Lista das espécies cinegéticas, através do novo decreto regional - Regime Jurídico da Conservação da Natureza e da Protecção da Biodiversidade, actualmente em discussão na Assembleia Regional, os assinantes desta petição querem chamar a atenção para:
1. A falta de estudos científicos sobre a biologia destas espécies e dos seus habitats. Existe um grande desconhecimento sobre a caracterização genética dalgumas destas espécies, levantando grandes problemas na conservação da sua biodiversidade. Para além disso, os habitats que todas estas espécies ocupam são muito restritos e sensíveis, pelo que qualquer alteração neles poderá ter também grandes implicações na sua conservação. Faltam igualmente estudos sobre a importância que a região desempenha nas migrações de determinadas aves.
2. A falta de atribuição dum estatuto de conservação às aves incluídas nesta lista. Nenhuma das espécies incluídas nesta lista de espécies cinegéticas tem atribuída uma categoria de conservação na região biogeográfica dos Açores, não existindo ainda os estudos científicos necessários para tal efeito. No entanto, atendendo aos critérios internacionais utilizados, parece provável que algumas destas espécies venham a ser qualificadas como espécies ameaçadas (e catalogadas portanto como criticamente em perigo, em perigo ou vulneráveis).
3. A falta de estudos sobre o impacto da caça nestas espécies e os seus habitats. O impacto da caça nas espécies incluídas na lista poderá ser especialmente grave devido às suas muito reduzidas populações e ao facto delas ocuparem habitats, nomeadamente os de alimentação, muito escassos e localizados. A actividade da caça deverá ainda afectar a todas as espécies que ocupam esse habitat, incluídas ou não nesta lista das espécies cinegéticas. E no caso das zonas húmidas, a caça poderá levar à contaminação das águas com chumbo e à aparição da doença do saturnismo.
4. A impossibilidade prática de aplicar esta lista devido à enorme dificuldade de identificar correctamente as espécies. Algumas espécies incluídas nesta lista são quase impossíveis de diferenciar de outras espécies não incluídas nela e que também estão presentes regularmente nos Açores. Isto acontece nomeadamente com várias espécies de patos europeus em relação aos seus equivalentes americanos, e mais ainda em relação às narcejas europeias e americanas.
5. O problema da introdução de espécies exóticas. O facto da lista de espécies cinegéticas incluir também duas espécies de aves exóticas coloca em clara perspectiva a introdução destas no meio natural. Introduções deste tipo, já realizadas no passado, parecem ignorar os riscos associados às espécies exóticas num meio tão particularmente frágil como o meio insular açoriano. As espécies e variedades exóticas podem causar, como no caso das codornizes, graves problemas de hibridismo e de diminuição do património genético das espécies nativas, para além de introduzir também agentes patogénicos.
6. A necessária aposta no turismo de observação de aves. O arquipélago dos Açores é uma região privilegiada para a observação de aves migratórias americanas e europeias (mais de 400 espécies observadas nos últimos anos) e tem enormes oportunidades para o desenvolvimento do turismo de observação de aves (birdwatching), já em franca expansão. Este tipo de turismo traz inúmeras vantagens económicas para a Região: é uma actividade repartida por todas as ilhas; acontece principalmente durante os meses de outono e inverno; é um turismo verde e sustentável, quase sem impacto no ambiente; e injecta dinheiro de fora da Região na economia das ilhas. Mas este turismo, como é evidente, é incompatível com a permissão da caça das espécies da avifauna açoriana.
Assim, os assinantes desta petição solicitam:
- A não inclusão das espécies de aves nativas (reprodutoras ou visitantes) na lista de espécies de carácter cinegético dos Açores.
- A não introdução de espécies exóticas, nomeadamente aves, com um propósito cinegético no meio natural dos Açores.
- O desenvolvimento dum turismo verde associado à observação de aves que traga vantagens económicas a todas as ilhas açorianas.
Assine aqui:
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segunda-feira, outubro 24, 2011
Este ano salve um cagarro

O cagarro é uma ave oceânica que vem a terra apenas durante a época de reprodução. Este período decorre entre Março e Outubro altura em que as crias já suficientemente desenvolvidas partem com os seus progenitores em direcção ao mar, dispersando-se pelo Oceano Atlântico e regressando apenas no próximo ano.
A sua partida realiza-se de noite e muitas delas são atraídas pelas luzes das nossas vilas e cidades, acabando por cair em terra e sendo-lhes neste caso impossível voltar a levantar voo se não forem ajudadas.
Sendo os Açores uma das zonas mais importantes no que respeita à reprodução dos cagarros é muito importante que um máximo de aves seja salva para que o nível populacional da espécie se mantenha.
Se encontrar durante o dia um cagarro devolva-o ao mar. Se o encontrar à noite recolha-o, de preferência numa caixa fechada (de papelão), não tente alimentá-lo e devolva-o ao mar logo na manhã seguinte.
O cagarro é uma ave oceânica que vem a terra apenas durante a época de reprodução. Este período decorre entre Março e Outubro altura em que as crias já suficientemente desenvolvidas partem com os seus progenitores em direcção ao mar, dispersando-se pelo Oceano Atlântico e regressando apenas no próximo ano.
A sua partida realiza-se de noite e muitas delas são atraídas pelas luzes das nossas vilas e cidades, acabando por cair em terra e sendo-lhes neste caso impossível voltar a levantar voo se não forem ajudadas.
Sendo os Açores uma das zonas mais importantes no que respeita à reprodução dos cagarros é muito importante que um máximo de aves seja salva para que o nível populacional da espécie se mantenha.
Se encontrar durante o dia um cagarro devolva-o ao mar. Se o encontrar à noite recolha-o, de preferência numa caixa fechada (de papelão), não tente alimentá-lo e devolva-o ao mar logo na manhã seguinte.
sexta-feira, setembro 30, 2011
Vamos participar, nos próximos dois meses, activamente na protecção e salvação do cagarro!
Aqui vão alguns documentos sobre a espécie/campanha em sua defesa.

Texto do Grupo de Ecologistas de Santa Maria (1984)

Texto de Miguel de Figueiredo Corte-Real (1988)

Texto da responsabilidade do Núcleo de Ornitologia dos Amigos da Terra Açores (1989)

Publicidade da Direcção Regional do Ambiente (1997)
Aqui vão alguns documentos sobre a espécie/campanha em sua defesa.
Texto do Grupo de Ecologistas de Santa Maria (1984)
Texto de Miguel de Figueiredo Corte-Real (1988)
Texto da responsabilidade do Núcleo de Ornitologia dos Amigos da Terra Açores (1989)
Publicidade da Direcção Regional do Ambiente (1997)
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