No seu número 230, de Julho-Agosto de 2008, a Batalha, antigo órgão da CGT, apresenta duas pequenas notas sobre duas brochuras editadas pelos Amigos dos Açores.
sábado, setembro 13, 2008
Amigos dos Açores com Novos Órgãos Sociais
Decorreu hoje, na Escola das Laranjeiras em Ponta Delgada, a Assembleia Geral Extraordinária dos Amigos dos Açores - Associação Ecológica que, na sequência da demissão da anterior direcção, elegeu os órgãos sociais para completar o biénio 2007-2009.
Os novos corpos sociais têm a seguinte composição:
Direcção Nome
Presidente Sérgio Diogo Caetano
Secretário Gilda Pontes
Tesoureiro Eduardo Santos
Vogal Eva Almeida Lima
Vogal Jorge Cardoso
Suplente Lúcia Ventura
Suplente José Pedro Medeiros
Conselho Fiscal
Presidente Emanuel Ponte
Secretário Arlinda Fonte
Vogal Norberto Carreiro
Suplente Nuno Pimentel
Suplente Catarina Furtado
Assembleia Geral
Presidente Teófilo José Soares de Braga
Vice-Presidente Maria Manuela Borges Livro
Secretário Mário José Coelho Furtado
Suplente Eduardo Almeida
Suplente José Melo
domingo, setembro 07, 2008
POLÍTICOS E FRALDAS
«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.» Eça de Queirós
quinta-feira, setembro 04, 2008
Transgénicos
terça-feira, setembro 02, 2008
Sejamos dignos da luta dos trabalhadores da SATA!
Quero pessoalmente manifestar o meu mais inequívoco e firme apoio aos trabalhadores da SATA pela exemplar luta que travam.
Uma luta, em primeiro lugar, contra a desvirtuação da condição de trabalhador - o “pessoal”, na grosseira qualificação com que Carlos César, em plena Assembleia Regional, não há assim tanto tempo atrás, apelidou os açorianos que trabalham.
Uma luta contra a destruição dos órgãos próprios dos trabalhadores, órgãos aliás legitimados pela Constituição Portuguesa. Constituição que os próceres que nos governam só naquilo que lhes convém sabem evocar. Os trabalhadores da SATA, é importante não esquecer, contra toda a sorte de maquinações, ludíbrios, ocultações, intimidações, e tendo de recorrer a todas as instâncias da Justiça, conseguiram manter operativa a sua Comissão de Trabalhadores e fazer-se legitimamente representar na Administração da empresa. Este feito, calado ou secundarizado por quase toda a nação, devia estar na primeira página das atenções de quem do trabalho dos outros não faz negócio, de quem recusa não só o brutal mas também o sofisticado negócio da escravatura assalariada, de quem no trabalho profissional vê uma prestação útil e não pasto para a ganância e a fantasia de magnates e pimpões.
Uma luta, também, contra o desmantelamento duma empresa regional. Desmantelamento calendarizada e cuidadosamente caboucado por um governo que se reclama de Regional e de Autonómico!
Enquanto açoriano fica aqui o meu testemunho que espero seja publicado na imprensa regional. Quero ainda acrescentar o mais vivo repúdio pela tentativa de, na televisão regional, nas notícias de hoje da manhã, se procurar acefalizar os trabalhadores da SATA e desprestigiar o carácter e a inteireza da sua luta, classificando a greve de “política” com conotação expressa à “CDU” a que, segundo o jornalista, alguns trabalhadores pertenceriam. Na concepção do apresentador de serviço então o que for conotado como do “PS”, por exemplo, já não é “político”? Não é “político” o surf no que é dos outros com que se excita e exercita o “PS” em todas as frentes e em todos os campos para gáudio de uns tantos espertos, aplauso dos basbaques da corte, e humilhação e saque a nós outros quase todos? Não são “políticas” as decisões que o governo ou o parlamento assumem? Haja pudor! Como trabalhador, como profissional, quero ainda fazer votos para que os meus colegas professores olhem para a dignidade destes outros trabalhadores e reconsiderem a estratégia de cobarde venalidade a que têm dado cobertura e força. Vou, aliás, enviar cópia do que aqui exponho ao Conselho Executivo da Escola Secundária Antero de Quental, onde exerço a docência, e ao Sindicato dos Professores em que estou inscrito, com o pedido de público apoio à luta dos trabalhadores da SATA assumido pela singularidade e firmeza que bem devem servir de exemplo também aos professores e às suas organizações e representações.
Não deixemos ficar isolado quem trabalha e luta com expressas razões de Estado e determinado pundonor. Só os trabalhadores podem vencer a crise agudamente agravada por aqueles que nos trabalhadores só vêem carne para canhão e pessoal para os servir!
Obrigado,
Pedro Albergaria Leite Pacheco
Solidariedade com o Movimento Verde Eufémia
A 17 de Agosto de 2007, cerca de 150 pessoas dirigiram-se para a Herdade da Lameira, perto de Silves, na região livre de transgénicos do Algarve, para fazer um protesto contra o cultivo de transgénicos. Na acção teve lugar uma ceifagem simbólica de menos de 1 hectare de milho transgénico.
O Algarve foi a primeira região portuguesa a declarar-se uma Zona Livre de Transgénicos. Esta propriedade, a primeira da região a cultivar milho transgénico da variedade MON810, violou a declaração e desrespeitou a vontade dos cidadãos.
Os activistas ofereceram publicamente para recultivar os 51 hectares de milho transgénico com milho biológico. A proposta foi rejeitada pelo dono da propriedade, que continua a cultivar milho transgénico.
Nos dias que seguiram a acção, a vasta atenção mediática que o MVE recebeu, instigou uma grande polémica, com ressonância em camadas do público em geral, do próprio movimento ambientalista, do governo e dos meios académicos. Nunca uma acção ambientalista recebeu tanta atenção na história recente em Portugal. Os destaques iniciais dos media não foram tanto sobre o tema da acção - a presença de organismos geneticamente modificados (OGM) em Portugal - mas antes na sua natureza espectacular e na sua componente ilegal. No entanto, numa segunda fase a atenção voltou-se também para o debate sobre OGM e os seus perigos. Por essa razão em particular, a acção do MVE foi considerada por muitas pessoas com preocupações ambientais como um grande sucesso.
Devido a esse sucesso, o actual governo, responsável por uma política favorável aos OGM, reagiu com agressividade, numa tentativa de isolar os activistas do MVE através de uma estratégia de criminalização. Esta estratégia chegou ao ponto de rotular a acção como um acto terrorista (Europol EU Terrorism Situation and Trend Report 2008). Algumas pessoas que foram relacionadas com o caso pela polícia, correm agora o risco de ser acusadas. Em geral, tornou-se mais difícil agir contra os OGM em Portugal. Os indivíduos ou organizações que o fazem, correm um grande risco de ficar sob suspeita e vigilância das autoridades.
PETIÇÃO
Eu, abaixo-assinado, quero manifestar a minha solidariedade com a acção do Movimento Verde Eufémia, que ceifou 1 hectare de milho geneticamente modificado MON810, na Região Livre de Transgénicos do Algarve, a 17 de Agosto de 2007.
Apoio moralmente todas as pessoas, movimentos e organizações que sofrem consequências legais, políticas ou pessoais em consequência da acção do Movimento Verde Eufémia.
O meu apoio é baseado no conhecimento de que:
- eu e outros cidadãos vivemos actualmente num estado de emergência, em consequência da contaminação genética causada pela libertação deliberada no ambiente de organismos geneticamente modificados (OGM);
- esta contaminação expõe, a mim e outros cidadãos e cidadãs, a riscos sociais, económicos, ecológicos e de saúde;
- os nossos governos representativos não intervêm o suficiente no sentido de proteger-nos dessas ameaças;
- agir agora é necessário para evitar que se desenvolvam mais efeitos negativos irreversíveis;
- os métodos de acção que operam dentro dos limites legais só podem atingir os seus resultados na totalidade quando complementados pela acção da sociedade civil, que pode ocorrer fora desses limites.
Assim, considero que:
- este estado de emergência exige que os cidadãos e cidadãs comuns protestem contra o uso de organismos geneticamente modificados na agricultura;
- é moralmente justificável e legítimo realizar acções de desobediência civil contra o cultivo de OGM, uma vez que os meios legais não provaram atingir resultados suficientes;
- a defesa dos direitos humanos, em particular os que dizem respeito à protecção da cadeia alimentar e do ambiente da contaminação genética, não podem resultar em perseguição.
"Portugal é um povo triste,é é-o até quando sorri. A sua literatura, incluindo a sua litera´tura cómica e jocosa, é uma literatura triste.
Portugal é um povo de suicidas,talvez povo suicida. A vida não tem para ele sentido transcendente. Desejam talvez viver, sim, mas para quê? Mais vale não viver"
Miguel de Unamuno
Editado pela Livraria Letra Livre poderá ser encomendado aqui.
O Sporting e as Touradas
POR FAVOR, ENVIE A SUA MENSAGEM DE PROTESTO CONTRA A "TOURADA DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL" QUE TERÁ LUGAR ESTA 5.ª FEIRA, 28 DE AGOSTO, NA ABOMINÁVEL PRAÇA DE TOUROS DO CAMPO PEQUENO
POR FAVOR, ENVIE A MENSAGEM ABAIXO SUGERIDA – OU ESCREVA A SUA PRÓPRIA MENSAGEM, SE PREFERIR – PARA O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, PROTESTANDO CONTRA ESTA BARBARIDADE QUE ESTE CLUBE DE FUTEBOL IRÁ PROMOVER NO CAMPO PEQUENO. ENVIE A SUA MENSAGEM PARA SERVICO.SOCIO@SCP.PT; COM CONHECIMENTO (CC) A CAMPANHAS@ANIMAL.ORG.PT.
Mensagem Sugerida
Exm.os Senhores,
Venho repudiar, da forma mais firme e convicta possível, o facto do Sporting Clube de Portugal vir, novamente, organizar um espectáculo cobarde, degradante e indecente de violência contra animais como é o caso da "tourada do Sporting" que acontecerá no Campo Pequeno esta 5.ª feira, 28 de Agosto.
Não posso conceber por que razão haveria um clube de futebol de se envolver com touradas. São actividades completamente distantes uma da outra – sendo de destacar que o Sporting Clube de Portugal, como qualquer outra entidade, só deveria querer manter essa distância, dada a natureza profundamente imoral e a todos os títulos censurável do espectáculo tauromáquico enquanto expressão da agressividade, da crueldade e da tirania que os humanos exercem contra os outros animais.
Numa altura em que a maioria absoluta dos portugueses cada vez mais afirma a sua vontade de ver as touradas passarem à história e em que várias empresas se distanciaram das touradas por não quererem estar associadas a estes espectáculos vergonhosos, é particularmente grave ver o SCP a continuar a colocar-se do lado do obscurantismo e da violência gratuita que a tauromaquia representa.
Se até já um tribunal considerou as touradas espectáculos violentos, que consistem na inflicção de sofrimento cruel e prolongado a animais e que, por isso, são inadequados para crianças e adolescentes, podendo insensibilizá-las quanto ao sofrimento dos outros e habituá-las à violência, como pode uma instituição desportiva vir associar-se a esta actividade horrenda?
Deixando a V. Ex.as a certeza de que, tanto para mim quanto para tantas pessoas quantas consiga informar acerca desta vergonha, o SCP perdeu a sua respeitabilidade,
Apresento os meus cumprimentos,
Nome: Cidade: E-mail:
segunda-feira, agosto 25, 2008
Terceirense Rei da Ericeira
(Clicar para ver em tamanho maior)
sexta-feira, agosto 22, 2008
SEM-ABRIGO
(Foto tirada em Lisboa, na Avenida Praia da Vitória, no dia 20 de Agosto de 2008)
Que culpa tenho eu
deste tempo cruel?
Que culpa tenho eu,
se luto contra ele?
Que culpa tenho eu?
De que sou, então, réu?
Eu da glória desdenho.
Eu do luxo desdenho
Eu do mundo desdenho.
Que culpa tenho eu?
Alguma culpa tenho.
(Poema de Armindo Rodrigues)
sábado, agosto 09, 2008
RECORDANDO HUMBERTO FURTADO COSTA
(Na foto da esquerda para a direita: Teófilo Braga, Humberto Furtado Costa,Lúcia Ventura, Clarisse Canha e Luís Botelho)
NOTA- Como forma de lembrar o amigo que partiu a 20 de Agosto de 1989, reproduzo abaixo carta que lhe remeti na altura.
Carta aberta ao Amigo da Terra Humberto Furtado Costa
Caro amigo, Escrevo-te porque, apesar de «teres partido», sei que gostas de andar a par com o que se vai passando por cá. A política agrícola regional não se alterou muito desde a altura em que escreveste no Açoreano Oriental (25/3/87) um artigo a propósito do Dia da Árvore. Continuamos a ter um Secretário da Pecuária e das Touradas e a agricultura não há maneira de deixar de ser apenas «vacas e erva». Continua-se a arrotear a torto e a direito, até parece que querem transformar estas ilhas em campos de futebol, em locais sem a mínima aptidão para a pastagem. O Pico da Água está, neste momento, a ser arredondado com uma «catarpiller», depois de terem cortado a mata e largado (?) fogo aos troncos e lenha que lá ficou. Coitados dos bombeiros que têm de acudir a tanto fogo posto! Será mais um arroteamento para daqui a alguns anos estar coberto de silvado, como muitos outros que bem conheces na zona do Monte Escuro e noutros locais.
Já andavas bastante doente quando surgiu mais um problema para os nossos agricultores. «Proíbe-se» o vinho de cheiro, fala-se em outras castas e em apoios à reconversão das vinhas, mas de concreto só palavras. Penso que estás de acordo comigo, o vinho de cheiro é mais prejudicial à saúde do que o outro, mas tenho as minhas dúvidas se relativamente ao vinho a martelo que por aí se vende. Como se diz na minha terra, Vila Franca do Campo, proíbe-se o nosso vinho mas continua-se a deixar entrar o que é feito com pós e água do Rio Tejo. Enfim, mais um problema a juntar a tantos outros… Infelizmente para todos nós, o artigo que escreveste continua a ser actual no que diz respeito às Reservas Naturais. Estas continuam a ser apenas no papel. Na Reserva Natural da Lagoa do Fogo prosseguem os incêndios e a rapina de leivas, apesar deste ano já termos alertado a Secretaria Regional do Turismo e Ambiente por mais de uma vez. Está quase como a Serra Devassa que continua a ser devassada diariamente.
Sabias que já corre pelas cabeças de alguns iluminados cá da terra «recuperar» o que a PEPOM destruiu através da plantação de eucaliptos? Esta nem lembraria ao diabo! A propósito de eucaliptos, sabias que as empresas de celulose já cá estão prontas a tudo comprar, inclusive homens para procederem a plantações em locais menos próprios e que no Pico já compraram terrenos no valor de um milhão de contos? Não te cheguei a enviar a legislação que disciplina a plantação de espécies de crescimento rápido. Não me parece má, mas é como as outras: permite algumas fugas e tem de ser aplicada – não acredito que o seja enquanto não for criado um sistema de vigilância eficaz. Por último, peço desculpa por discordar do que me disseste em Outubro passado, antes de partires para Lisboa, para te submeteres a uma intervenção cirúrgica. Na altura, dizias-me que nunca mais irias passear connosco, que nunca mais subirias o Pico da Vara. É verdade que a tua viagem não tem regresso, mas podes estar certo, estarás sempre connosco em todas as regiões, visitas de estudo e escaladas ao Pico da Vara.
Até breve,
Publicado no “Correio dos Açores”, 26 de Agosto de 1989
quarta-feira, agosto 06, 2008
NUCLEAR, NEM CIVIL NEM MILITAR
No dia em que se assinalam 63 anos sobre a explosão da primeira bomba atómica em Hiroxima, a 6 de Agosto de 1945, matando 140 mil pessoas, Dsisaku Ikeda, presidente de uma das organizações pacifistas mais influentes do Japão, a rede Soka Gakkai Internacional, defende o objectivo de um mundo livre de armas nucleares. A existência de arsenais nucleares, diz, apenas intensifica a desconfiança mútua, aumenta as tensões e as ameaças à segurança nacional nas relações entre os Estados.
Por Thalif Deen, de Nova York para a IPS
Dsisaku Ikeda, presidente de uma das organizações pacifistas mais influentes do Japão, assegura que "para reviver e dar nova energia aos esforços em prol do desarmamento nuclear é preciso desafiar o conceito de que as armas atómicas são um mal necessário". A rede não-governamental Soka Gakkai Internacional, com sede em Tóquio e mais de 12 milhões de membro em 190 países, está a intensificar os esforços para conseguir o objectivo de um mundo livre de armas nucleares. "Devemos lembrar às pessoas que, embora actualmente não estejam a ser usadas, essas armas representam um enorme custo de recursos financeiros, tecnológicos e humanos que consomem para o seu desenvolvimento e manutenção", disse Ikeda, que também, além de activista pela paz, também é filósofo budista.
A intensificação da campanha coincide com o aniversário do lançamento de duas bombas atómicas sobre o Japão pelos Estados Unidos. A primeira atingiu a cidade de Hiroxima no dia 6 de Agosto de 1945, marcando o começo do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Uma segunda bomba foi lançada sobre Nagasaki no dia 9 desse mesmo mês. O Japão rendeu-se no dia 15. Um ano depois, 140 mil pessoas tinham morrido em consequência dessas explosões nucleares.
O Japão, em aliança com a Alemanha nazi e a Itália fascista, entrou na guerra em 1941, como correlato da sua política expansionista, que já o levara a invadir a China em 1937. O presidente da câmara de Hiroxima, Tadatoshi Akiba, disse que essa cidade é uma peça-chave na campanha que busca eliminar as armas nucleares até 2020, da qual participa junto com o grupo "Presidentes de câmara pela paz".
Em entrevista à IPS, Dsisaku Ikeda disse que os habitantes de Hiroxima e Nagasaki não deixaram de elevar as suas vozes para lembrar ao mundo a ameaça que representam as armas nucleares.
Até que ponto o governo do Japão apoia esta campanha? Que impacto pode ter esta iniciativa sobre o desarmamento nuclear, quanto todas as anteriores não tiveram sucesso?
A falta de vontade das potências nucleares é um ponto-chave que impede o desarmamento. Mas, ao mesmo tempo, creio que a falta de interesses, a inexistência de um sentido de urgência entre os cidadãos do mundo é outro factor fundamental. Acredito que esta campanha é fruto do poderoso e irrefreável sentido de responsabilidade que experimentam as vítimas dos bombardeamentos atómicos em relação às futuras gerações. Na cimeira de Julho de Grupo dos Oito países mais poderosos foi divulgada uma declaração fazendo referências específicas à necessidade de chegar ao desarmamento nuclear.
Foi o primeiro pronunciamento desse tipo do G-8 que inclui Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia. Como país anfitrião desse encontro, o Japão tem uma responsabilidade especial quanto ao desarmamento nuclear. Devemos reviver um estado de consciência, que nasce do senso comum, sobre a irracionalidade da opção pelas armas nucleares, e para conseguir isto é fundamental que os cidadãos comuns continuem a expressar a sua oposição através de instrumentos como esta campanha.
Qual é sua reacção diante dos cépticos que dizem que o desarmamento é uma meta inalcançável, considerando que o mundo aceitou nas últimas três décadas a entrada no "clube atómico" de três novos membros, como Índia, Israel e Paquistão?
A tentação de baixar os braços certamente existe. Mas, não podemos dar-nos a esse luxo, porque a presente situação é insustentável. Se pensarmos sobre o assunto, fica claro que a posse de armas nucleares apenas intensifica a desconfiança mútua e as suspeitas. Aumentam as tensões e as ameaças à segurança nacional nas relações entre os Estados. Ao mesmo tempo, é impossível imaginar que as armas nucleares sirvam como dissuasão para os grupos terroristas.
Por certo, confiar nelas para alcançar objectivos de segurança no mundo de hoje é, no mínimo, uma proposta duvidosa. Devemos focar o tema do ponto de vista que pode ser chamado de "novo realismo". Pensemos nos países que estavam a desenvolver, ou já possuíam, armas atómicas, mas abandonaram-nas porque decidiram que tê-las não ajudava aos seus interesses de segurança nacional. Brasil, Argentina, Bielorússia, Cazaquistão, Líbia, África do Sul e Ucrânia optaram por este caminho. Baseados em acordos de segurança regional, deram-se conta de que podiam atingir seus objectivos sem depender das armas nucleares.
A única defesa total é a sua eliminação e a segurança de que nunca voltarão a ser produzidas. Devemos garantir que todos os materiais passíveis de fissão que podem ser usados para fabricá-las sejam rigidamente controlados, em condições confiáveis. Isto não só promoverá a segurança nacional como, também, a da humanidade. Abolir os arsenais atómicos é a alternativa mais realista que temos.
Acredita que as cinco maiores potencias nucleares (Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França e China) têm autoridade moral para pedir o desarmamento ou a não-proliferação, quando elas próprias se negam a desmantelar os seus arsenais?
Já há muito tempo se diz que cabe a elas a principal responsabilidade. Esta é a razão pela qual continuo a reclamar o reinício das paralisadas negociações sobre desarmamento entre Estados Unidos e Rússia. E é também a razão pela qual exorto esses cinco países a desenvolverem um contexto internacional com uma data limite obrigatória para chegar ao desarmamento nuclear. Em 2010 haverá uma conferência internacional para rever o Tratado de Não-proliferação de Armas Nucleares. É preciso voltar ao seu espírito original: evitar o perigo da guerra atómica e salvaguardar a segurança dos povos. Deve-se encontrar um caminho para promover a não-proliferação e o desarmamento, para ajudar as nações a libertarem-se da dependência a respeito das armas nucleares.
Em Setembro de 1981, Israel bombardeou uma suposta instalação nuclear no Iraque e em Setembro do ano passado lançou um ataque semelhante contra uma instalação na Síria. Israel tem o direito moral para agir desta forma, violando soberanias nacionais e possuindo armas nucleares?
Os povos de todas as nações têm o direito de viver em paz e segurança. E cada país deve perseguir esse objectivo através de meios pacíficos. O uso da força militar nunca produz verdadeira estabilidade. A força cria novos círculos de ódio e ressentimento, deixando um legado negativo para todas as partes. As faíscas do conflito não podem ser extintas com mais fogo. É preciso água. Em lugar de chamas do ódio, necessitamos de uma torrente de diálogo. É a melhor forma de apagar o incêndio. (Extraído de Esquerda Net)
sexta-feira, julho 25, 2008
O mocho (Asio otus), também conhecido em algumas localidades como coruja, é uma ave de rapina nocturna insuficientemente estudada nos Açores. De acordo com a Base de Dados da Biodiversidade dos Açores, existe em todas as ilhas dos Grupos Central e Oriental.
Vamos colaborar com o projecto, indicando novas áreas de distribuição. Assim, caso já tenha observado ou sentido o mocho em algum lugar, mande-nos um mail com esta informação e, se possível, a data exacta ou aproximada da observação.
Teófilo Braga
quinta-feira, julho 24, 2008
Câmara da Lagoa e Governo Regional dos Açores Apoiam Tourada
Perante a alta do preço dos combustíveis fósseis e o custo das emissões de carbono, começa a ressurgir a discussão da energia nuclear em Portugal, agora pela voz de Victor Constâncio. Mas parece que estas vozes se esquecem que esta opção não permite resolver os problemas energéticos estruturais do país e coloca outros problemas sem resolução à vista. Apresento, sucintamente, pelo menos 10 razões para rejeitar o nuclear. Em primeiro lugar, também as centrais nucleares dependem de matérias-primas cada vez mais escassas, caras de obter e cobiçadas: ou seja, o que hoje se passa com os combustíveis fósseis também se passa com o urânio e tende a agravar-se. Também neste sector aumentam os preços e a especulação.
Em segundo lugar, mantém-se a elevada dependência a recursos energéticos externos já que o urânio existente em Portugal é insuficiente.
Em terceiro lugar, o custo de uma central nuclear é enorme. Geralmente as contas que nos são apresentadas não entram em linha de conta com os custos de armazenamento dos resíduos, desmantelamento da central e limpeza de locais contaminados, reforço da linha eléctrica, serviços de fiscalização e segurança, entre outros. A história do nuclear mostra que esta sempre foi e continua a ser, mesmo com a nova geração de reactores, uma indústria altamente dependente de subsídios públicos.
Em quarto lugar, o problema da dependência petrolífera e das emissões em Portugal é, na sua grande maioria, em relação às formas não-eléctricas de energia, como no sector dos transportes, a que o nuclear não responde. A electricidade corresponde apenas a 25% do consumo final de energia.
Em quinto lugar, além do problema do armazenamento dos resíduos, as centrais apresentam o risco de elevada contaminação radioactiva, devido a acidente ou ataque terrorista, bem como no transporte do combustível e dos resíduos. Para além disso, não se consegue nunca eliminar o erro humano, o responsável pelo acidente de Chernobyl.
Em sexto lugar, a exportação e a proliferação contínua de tecnologia nuclear aumenta significativamente o risco de proliferação de armas nucleares, existindo o risco de novos Estados se tornarem novas potências nucleares.
Em sétimo lugar, o nuclear não gera directamente quaisquer emissões de GEE, mas a construção das centrais é uma importante fonte de emissões, tal como a prospecção, a extracção e o transporte de urânio (o ciclo do urânio é um grande consumidor de energia e um forte emissor de CO2), o transporte dos resíduos para processamento ou armazenagem e o futuro desmantelamento - O estudo americano "Nuclear Power: The Energy Balance" (2005), que compara as emissões de CO2 analisando o ciclo de vida de um central nuclear e de uma central a gás natural (com uma potência equivalente) chega à conclusão que, no longo termo, com o decréscimo da qualidade das reservas de urânio, o nuclear tem muito mais emissões que o gás natural.
Em oitavo lugar, além das elevadas emissões de carbono, o ciclo do urânio até à utilização no reactor é um enorme gerador de resíduos tóxicos e de agressões ambientais. E uma central nuclear consome elevados volumes de água: teria de ser instalada no litoral português, o qual é densamente povoado, por falta de caudais suficientes nos rios.
Em nono lugar, a radioactividade dos resíduos do urânio processado nas centrais é muito elevada, com graves riscos para a saúde pública durante dezenas a centenas de milhares de anos. Ainda não foi encontrada uma solução satisfatória para o tratamento dos resíduos, hoje armazenados em locais temporários. Este é um pesado legado para as gerações futuras.
Em décimo lugar, a nova geração de reactores nucleares em construção na Finlândia (Olkiluoto 3) e na França (Flamanville 3), apresentados como a vanguarda do renascimento do nuclear, têm registado uma série de atrasos, derrapagens orçamentais e problemas técnicos de segurança. Na Finlândia, o prazo de conclusão da central foi adiado por dois anos e os custos de construção quase que duplicaram para um valor de 5 mil milhões de euros, com várias falhas na construção a implicar potenciais riscos de segurança. Na França, os problemas são semelhantes, tendo já sido mandada parar a construção pela Agência de Segurança Nuclear francesa por vários problemas técnicos de segurança registados.
Socialistas denunciam "claustrofobia asfixiante" no PS e acusam Governo de penalizar os mais pobres
17.07.2008, Filomena Fontes
Entre a angústia de quem assiste ao "triunfo crescente do neoliberalismo" e a denúncia da "claustrofobia asfixiante" dentro do PS, um grupo de militantes socialistas escreveu uma carta aberta, na qual clamam pelo regresso aos valores matriciais do partido e desafiam personalidades como Mário Soares, Jorge Sampaio e Almeida Santos a fazerem ouvir a sua voz sobre o rumo político do país. "O estado da nação é deplorável, transformado num areópago dos escribas do regime, dos jurisconsultos que dão pareceres a preço de ouro, substituindo-se às instituições que não decidem por si, nem assumem as suas responsabilidades", afirmam na carta, cujo primeiro subscritor é Joaquim Sarmento, um histórico militante socialista, ex-deputado e ex-vice-presidente da Câmara de Lamego. Esta espécie de manifesto é ainda assinado por Júlio Barbosa, presidente da comissão política concelhia de Lamego, por Jorge Silva e João Botelho, ex-mandatário e ex-director da campanha presidencial de Manuel Alegre no distrito de Viseu, e Paula Rodrigues. "O Portugal do triunfo das desigualdades, da exclusão e da pobreza clama por um verdadeiro Partido Socialista que lute contra a total submissão ao poder económico", apelam. É, contudo, na qualidade de militantes de base que se demarcam dos que "subvertem a cartilha de princípios do PS". "Não somos nós quem protagoniza a descrença que grassa na sociedade, à beira da implosão. Não somos nós os 'inocentes úteis' da direita que olha com simpatia o actual Governo e o actual PS e que apeará os socialistas quando chegar a sua hora de ordenhar a nação", dizem. No diagnóstico, duro, insurgem-se contra a subordinação de políticas sociais ao "mais puro economicismo, destruindo o SNS, subvertendo o ideário da escola pública", e contra o "lodaçal" em que mergulhou a justiça, "uma trincheira dos que têm mais posses e mais meios, em detrimento das classes mais desfavorecidas". Quanto à crise internacional, agitada por José Sócrates para justificar adversidades, contrapõem que "só reforça" a falência das reformas economicistas. "Neste 'reino cadaveroso', com lhe chamou o iluminista Ribeiro Sanches, há uma grande responsabilidade do actual Governo, cujas reformas, na óptica da obsessão da redução do défice, têm penalizado primordialmente os mais pobres e carenciados", criticam. E lamentam a "orfandade ideológica" do partido, a par do "silêncio cúmplice, e em muitos casos de consonância com o statu quo de importantes personalidades socialistas".
(recebido por mail)
PS- Por cá tudo bem, reina a União Nacional Açoriana
sexta-feira, julho 11, 2008
Não é para rir!
Na apresentação do acordo com o consórcio Renault/Nissan para a produção de carros eléctricos, o primeiro-ministro disse que estes pagam 30% de imposto e prometeu "criar um quadro fiscal ainda mais atraente”. Mas os carros eléctricos já estão isentos de Imposto sobre Veículos como de Imposto Único de Circulação. A deputada Helena Pinto entregou um requerimento ao governo para que este explique como quer baixar um imposto inexistente.
“Se um carro eléctrico já existisse actualmente, apenas pagaria 30% do imposto automóvel, já que este imposto tem em 70% uma componente ambiental”, disse o primeiro-ministro José Sócrates na assinatura do acordo para a produção do carro eléctrico da Renault/Nissan, anunciando ainda que “o Governo está disponível para criar um quadro fiscal ainda mais atraente”.
A deputada bloquista começa por apontar uma imprecisão nas palavras de José Sócrates: "embora exista uma referência, bastante concreta e com indicação de eventuais taxas, relativamente ao imposto automóvel, o facto é que este imposto já não existe, sendo substituído pelo Imposto sobre Veículos".
Mas mesmo este imposto, na opinião de Helena Pinto "já consagra, no seu art. 2.º, al a), que estão excluídos da incidência do imposto os “Veículos não motorizados, bem como os veículos exclusivamente eléctricos ou movidos a energias renováveis não combustíveis”".
"Ou seja, os carros eléctricos já estão actualmente totalmente isentos do Imposto sobre Veículos, o imposto mais pesado aplicável aos veículos automóveis", conclui a deputada no requerimento dirigido à presidência do Conselho de Ministros.
"Estando os carros eléctricos totalmente isentos da tributação fiscal do Imposto sobre Veículos, a que “quadro fiscal mais atraente” é que se refere o Governo?", é a pergunta que a deputada do Blcoo deixou ao ministro Silva Pereira.
Este Portal foi desenvolvida no âmbito dos Projectos INTERREG III B “Atlântico” (2003-2005) e “BIONATURA" (2007-2008) cujos parceiros nos Açores foram respectivamente a Direcção Regional do Ambiente e do Mar e a Agência Regional da Energia e Ambiente - ARENA. O Chefe de fila do Projecto foi a Consejeria de Medio Ambiente y Ordenacion Territorial do Governo das Canárias.
Pela primeira vez é possível visualizar a distribuição detalhada de uma espécie no arquipélago e obter a sua cartografia com base na literatura. Para algumas espécies foi ainda possível apresentar imagens. Para espécies muito raras em perigo só se apresenta a presença/ausência nas ilhas.
Este projecto envolveu quatro equipas de investigação da Universidade dos Açores:
a) Coordenação geral e estudo da fauna de artrópodes terrestres e outros invertebrados (Annelida, Nematoda) sob coordenação de Paulo A.V. Borges do Departamento de Ciências Agrárias (CITA-A; Grupo da Biodiversidade dos Açores). Esta equipa inclui ainda os Bolseiros Enésima Mendonça, Francisco Dinis, Fernando Pereira e Sandra Jarroca;
b) Estudo da fauna de gastrópodes terrestres (Malacologia), organismos marinhos litorais e vertebrados sob coordenação de António Frias Martins, Ana Cristina Costa e Regina Cunha do Departamento de Biologia (UA-CIBIO). Esta equipa inclui ainda os Bolseiros Pedro Rodrigues e Paula Lourenço;
c) Estudo das plantas vasculares sob coordenação de Luís Silva do Departamento de Biologia (UA-CIBIO). Esta equipa inclui ainda os Bolseiros Mónica Martins, Rodolfo Corvelo e Nuno Pinto;
d) Estudo de briófitos e líquenes sob coordenação de Rosalina Gabriel do Departamento de Ciências Agrárias (CITA-A, Grupo da Biodiversidade dos Açores). Esta equipa inclui ainda os Bolseiros Sandra Câmara, Eva Borges, Berta Martins, Fernando Pereira e Nídia Homem.
segunda-feira, junho 23, 2008
Hansen exige que petrolíferas sejam julgadas por crimes contra a Humanidade
James Hansem, um dos mais conceituados cientistas climáticos, vai exigir que os dirigentes das grandes empresas de combustíveis fósseis sejam postos em tribunal por crimes contra a Humanidade e a natureza, acusando-os de activamente espalharem a dúvida sobre as alterações do clima da mesma forma que as empresas tabaqueiras tentaram esconder as ligações entre o fumar e o cancro.
Hansen vai utilizar simbolicamente o vigésimo aniversário do seu discurso ao Congresso americano, onde alertou pela primeira vez para as alterações do clima, para exigir que são precisos passos radicais e imediatos para evitar que a irreversibilidade das alterações do clima não se torne inevitável.
No seu discurso diante do Congresso hoje, ele vai acusar os dirigentes de empresas como a ExxonMobil e a Peabody Energy de estarem plenamente conscientes da desinformação sobre as alterações do clima que são responsáveis. "O problema não é vontade política, são os sapatos de crocodilo - os lóbis. É um facto que o dinheiro fala em Washington, e que a democracia não está a funcionar como é suposto funcionar".
Vai também apontar as culpas a alguns membros do Congresso que têm tido um comportamento fraco em relação ao aquecimento global, exigindo que vários fiquem sem o seu lugar.
Hansen vai ainda alertar que ele está 99% seguro de que a concentração do CO2 na atmosfera já passou o nível de segurança. Para ele, o ano de 2009 vai ser crucial com as novas eleições presidencias e as negociações pós-Quioto.
Ele pede uma moratória a novas centrais a carvão e pede a criação de uma rede eléctrica gigantesca com baixas perdas enterrada para dar uma oportunidade de competição à energia solar e eólica.