sábado, setembro 01, 2012

sábado, agosto 25, 2012

Entre em Ação

domingo, agosto 19, 2012

Património cultural dos Açores a manter a todo o custo?

Retirado do facebook. Agradece-se ao autor da recolha cujo nome desconhecemos.

sábado, julho 21, 2012

sábado, junho 30, 2012

sábado, junho 23, 2012

Câmara de Angra do Heroísmo esbanja 290 000 euros


Touradas nas Sanjoaninas - 290 mil euros para esbanjar e deseducar




Nos próximos dias realiza-se uma Feira Taurina, integrada nas Sanjoaninas, a qual vai custar ao orçamento da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo a quantia de duzentos e noventa mil euros.

Para além de ser uma afronta a toda a população dos Açores que neste momento passa por dificuldades, por estar desempregada, por ter visto dos seus salários reduzidos, por lhe terem cortado o subsídio de Natal e o 13º mês ou por receber reformas de miséria, na referida feira estão previstos um espetáculo para crianças e idosos e uma espera infantil de gado.

Como é sabido, por várias vezes nem as leis vigentes têm sido respeitadas nem os prevaricadores têm sido punidos, como são exemplo, ao longo dos tempos, a realização de uma tourada de morte, a realização da sorte de varas a seguir ao último Fórum Taurino ou a realização de uma tourada em dia de luto nacional.

No caso destas atividades para crianças, vimos recordar aos promotores e chamar a atenção para as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens para o facto dos espetáculos tauromáquicos estarem legalmente proibidos para menores de seis anos (alínea b do n.º 1 do artigo 4.º do DL n.º 386/82, de 21 de Setembro, alterado pelo DL n.º 116/83, de 24 Fevereiro).

Resta-nos alertar a população dos Açores para o esbanjamento de dinheiros públicos que poderiam ser melhor utilizados em benefício de todos, em vez de serem usados para benefício de uns poucos, que se divertem com o sofrimento de animais.

De igual modo alertamos para o facto de que com o incutir nas crianças e jovens a aceitação de maus tratos aos animais está-se a fomentar a tolerância à violência gratuita não só para com os animais, mas também entre os humanos.

Açores, 21 de junho de 2012

sexta-feira, maio 11, 2012

Passos para a abolição da tauromaquia

Foto: www.portugal.gov.pt Na passada terça-feira o movimento abolicionista das corridas de touros em Portugal viveu um dia histórico ao ser recebido pelo senhor Primeiro-Ministro na sua residência oficial. O movimento pela abolição das corridas de touros foi claramente o mais popular numa votação promovida pelo Governo português no início deste ano, e foi por isso recebido pelo Chefe do Governo, Passos Coelho, e pelo Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas. Pela primeira vez, a vontade clara da maioria da sociedade portuguesa em abolir definitivamente estes espetáculos foi ouvida pelo poder político português ao mais alto nível, e no final ficou a certeza de que este movimento não se ficará por aqui já que os abolicionistas conseguiram a abertura do Governo para serem ouvidos na revisão do Regulamento do Espetáculo Tauromáquico que atualmente serve apenas os interesses da indústria tauromáquica, sem proteger as crianças, nem tendo em conta as regras de Bem-estar Animal da União Europeia que Portugal ratificou. Os três representantes do movimento abolicionistas fizeram questão de informar o Primeiro-ministro de Portugal sobre o outro lado das corridas de touros, nomeadamente desmistificando a falsa ideia de que as touradas em Portugal são menos cruéis do que em Espanha. Os abolicionistas explicaram ao Chefe do Governo que as touradas realizadas em Portugal são dos eventos mais cruéis do mundo, uma vez que os animais, depois de lidados na arena e depois de lhes serem arrancadas as bandarilhas com uma navalha, têm que aguardar vivos, feridos e em intenso sofrimento durante vários dias até serem finalmente abatidos no matadouro. Uma situação deplorável e inaceitável nos dias de hoje que muitos cidadãos desconhecem. Foram ainda realçados muitos outros aspetos de exceção totalmente inaceitáveis de que esta atividade injustificadamente beneficia. Esta audiência com o Primeiro-ministro marca o início de uma nova era em Portugal rumo à abolição destes espetáculos que já no século XIX eram considerados "impróprios de uma nação civilizada" e que chegaram a estar proibidos durante o reinado de D. Maria Pia. A sociedade portuguesa, tal como as sociedades dos restantes países onde ainda se realizam corridas de touros, está a evoluir e quer que as touradas sejam abolidas. É tempo de dizer Basta, respeitando o público taurino, mas ouvindo finalmente aquela que é a vontade da maioria. O movimento iniciado com esta iniciativa do Governo terá continuidade no futuro dando expressão à vontade da maioria da sociedade, até que abolição das touradas seja uma realidade em Portugal.

terça-feira, maio 01, 2012

domingo, abril 29, 2012

Os donos de Portugal

segunda-feira, abril 16, 2012

quinta-feira, março 29, 2012

sábado, março 24, 2012

Pelo Fim dos Subsídios às Touradas

Petição pelo Fim dos Subsídios Públicos à Tauromaquia nos Açores Sua Excelência Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, Suas Excelências Presidentes dos Grupos Parlamentares à ALRAA, Sua Excelência Presidente do Governo Regional dos Açores, Ex.mas/os Senhoras/es, Vimos, através deste instrumento de participação cívica, apelar à classe política e governativa da Região Autónoma dos Açores que se legisle o fim de subsídios públicos a práticas tauromáquicas. Considerando o contexto socioeconómico do país e região, que através do desinvestimento na educação, no apoio social, na saúde, no emprego e salários, nos transportes, na habitação, numa cultura educativa, têm contribuindo para a degradação da qualidade de vida das populações, sendo muitas as famílias e pessoas que perderam emprego e apoios sociais e que têm dificuldades em cumprirem o pagamento de todas as suas despesas destinadas à sua sobrevivência com dignidade; Considerando que os milhões de euros do erário público cedidos à tauromaquia nos últimos anos, nos Açores, não dinamizaram a economia nem o turismo regional, não produziram bem-estar social, tendo sido um “investimento” que beneficiou apenas um pequeno lobby; Considerando que a ciência comprova e reconhece inquestionavelmente que os animais, como o touro e cavalo, são seres capazes de sentir emoções, medo, humilhação, dor física e psicológica, tal como angústia, stress e ansiedade; Considerando que práticas tauromáquicas são uma expressão de insensibilidade e violência que deseduca e em nada dignifica a humanidade, sendo que estudos recentes comprovam que crianças e adultos que assistam a práticas tauromáquicas desenvolvem tendências de agressividade e violência; Considerando que as tradições não são inamovíveis, sendo objecto de contínuas mudanças, nem podem constituir um argumento válido para justificar a continuação de práticas cruéis e violentas. Considerando que uma sociedade que se diverte perante o sofrimento alheio não pode ser considerada uma sociedade saudável e que são cada vez mais os países, regiões e municípios por todo o mundo que estão a proibir a prática da tauromaquia e outros espectáculos violentos com animais. Considerando que se quer que os Açores seja uma sociedade moderna, respeitada no mundo pelo seu apego e proximidade aos valores naturais, entre os quais o cuidado e bem-estar dos animais, aspecto de especial importância para fomentar um sector estratégico para a região como é o desenvolvimento do turismo de natureza. Solicitamos que a Região Autónoma dos Açores tome as devidas medidas legislativas para dignificar as pessoas, o bom uso do dinheiro público e o bom nome da nossa região proibindo qualquer apoio financeiro ou logístico por parte de entidades públicas a qualquer prática tauromáquica, à semelhança do que foi feito pelo socialista Defensor Moura, pioneiro em Portugal ao declarar Viana do Castelo concelho livre de touradas. Solicitamos ainda que a Região invista acima de tudo, e antes de mais, nas necessidades básicas dos Açorianos, como é a educação, saúde, habitação, acção social, transportes e criação e fixação de postos de trabalho, considerando sempre a preservação, defesa e respeito pela natureza, e pelo próximo, nos Açores. Assinar em: http://www.peticaopublica.com/?pi=P2012N22530

quarta-feira, março 21, 2012

Jaime Brasil

Depois de ter lido algumas notas biográficas sobre o escritor e jornalista Jaime Brasil, nomeadamente em algumas publicações de expressão libertária, fiquei curioso por conhecer um pouco mais acerca da sua vida e obra. Para o efeito, para além de procurar, sem muito sucesso, nas duas principais bibliotecas de Ponta Delgada, textos da sua autoria, sempre que ia a Lisboa dirigia-me a algumas livrarias, sobretudo, nas que vendem livros raros, com o intuito de adquirir alguma obra da sua autoria. Só depois de várias tentativas a minha persistência foi coroada de êxito, tendo ocorrido no passado mês de Fevereiro com a compra do livro “Zola, o escritor e a sua época”, editado pela Portugália, em 1966. Artur Jaime Brasil Luquet Neto nasceu em Angra do Heroísmo, em 1896, e faleceu em Lisboa, em 1966. A propósito da sua personalidade, Joaquim de Montezuma de Carvalho e Jorge Tufic escreveram: “Lembrar o açoriano Jaime Brasil … é realçar as melhores virtudes do açoriano, tipificadas em Antero de Quental (Ponta Delgada, 1842 – 1891), a verticalidade nas ideias de emancipação do homem e, simultaneamente, a doçura do trato que, em tantos ideólogos, inexiste.” Jaime Brasil foi um jornalista notável, tendo trabalhado, entre outros jornais, no Primeiro de Janeiro, no Século, no Diabo, em O Globo e colaborado em muitos outros e em revistas. Na área do associativismo, em 1925, Jaime Brasil fundou o Sindicato dos Profissionais de Imprensa de Lisboa, tendo sido o seu primeiro secretário-geral e mais tarde, em 1939, quando residia em Paris, fundou e foi, também, secretário-geral da União dos Jornalistas Amigos da República Francesa. De entre os seus livros publicados destacaria um conjunto de biografias, de que são exemplo: Vida e Obras de Zola (assinado A. Luquet), Leonardo Da Vinci e o Seu Tempo, Velásquez, Zola – O Escritor e a Sua Época e A Vida Inquieta e Gloriosa de Victor Hugo. Embora tenha apenas lido um dos livros mencionados, corroboro a opinião de quem escreveu a nota biográfica de Jaime Brasil que foi publicada em Zola- O Escritor e a sua Época. De acordo com o mencionado autor, as obras referidas, além de serem escritas num estilo claro, ágil e elegante, revelam um conhecimento profundo da época dos biografados e acrescenta: “São perfeitas reconstituições históricas, num plano substâncial que abrange a política, a cultura, os grandes movimentos de ideias, sobre cujo pano de fundo sobressaem, bem integradas na dialéctica do tempo, a figura e a obra dos seus biografados.”. Jaime Brasil foi um polemista exímio, sendo de destacar a polémicas com Raúl Proença, intitulada “Em defesa do jornalismo”, e com António Sérgio, tendo publicado quatro artigos sobre «Os verdadeiros e reflexivos heróis no conceito do sr. António Sérgio». Jaime Brasil colaborou também no Suplemento Semanal do jornal “A Batalha”, órgão da Central Geral dos Trabalhadores, central sindical anarco-sindicalista, onde entre outros manteve uma série denominada “Paradoxos Bárbaros”, uma coluna de crítica literária intitulada «Através dos Livros» e outra que terá tido, no dizer de Luís Garcia e Silva, maior impacto nos leitores, designada “Voz que clama no deserto”. É desta coluna, escrita com muita ironia, que abaixo transcrevo o seguinte extracto: «Evidentemente que temos os generais e as forças vivas – temos a ditadura. Ditadura, porém, tem sido isto sempre, ora ditadura do rei, ora do executivo, ora do legislativo. Ditadura heróica com Afonso Henriques, ditadura doida com D. Sebastião, ditadura às direitas com Pombal, ditadura às esquerdas com Afonso Costa, ditadura civil com os Cabrais, ou com o António Maria, ditadura militar com o Sidónio ou com o Vitorino, ditadura de saias com a Srª D. Maria II, ditadura de botas e esporas com o sr. Manuel Maria, e até já os ditadores do Alcaide – essa terra famosa para homens bravos – foram experimentados e não deram resultado nenhum.» Se Jaime Brasil fosse vivo actualizaria o seu texto e acrescentava às ditaduras anteriores, a de Salazar, a tentada do capitalismo de estado, a do neo-liberalismo e a da Troika com os seus regentes. Teófilo Braga

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Solidariedade com Paca Blanco

Informados dos dramáticos eventos (*) que têm atingido a activista Paca Blanco, bem conhecida de muitos de nós pelo seu envolvimento na luta pelo encerramento de Almaraz, luta pela protecção dos recursos do Tejo, e manutenção dos espaços em condições de sustentabilidade social e usufruto ecológico, vem os abaixo assinados manifestar por este meio a sua solidariedade pessoal, independentemente de outros envolvimentos que venham a desenvolver, e desta dar informação aos órgãos de comunicação social nacionais e do Estado espanhol. É intolerável que a infracção da lei seja paralela ao ataque pessoal e espezinhamento dos direitos individuais de cidadania, num Estado democrático de Direito. António Eloy, coordenador G.E.M., e deste documento (tel. 919289390) António Regedor, docente Universitário/ecologista António Serzedelo Presidente Opus Gay Carlos Pimenta, ex secretario Estado do Ambiente Emília Araújo, economista/direcção FAPAS Helena Roseta, arquitecta, vereadora da CML José Carlos Costa Marques, Presidente da Campo Aberto José Janela, professor/presidente núcleo Quercus Portalegre José Luiz Almeida Silva, director da Gazeta das Caldas José Maria Moura, direcção do Movimento Urânio em Nisa Não Luís Silva, engenheiro/activista conservação energia Maria Teresa Nogueira, Coordenadora do G.T. sobre a China da Amnistia Internacional-Portugal Miguel Duarte, Presidente do Movimento Liberal Social Nuno Nabais, docente Universitário/Director da Fábrica de Braço de Prata Nuno Quental, gestor de apoio a projectos (U.E.) Nuno Sequeira, Presidente Quercus Paulo Constantino, porta–voz do proTejo – Movimento pelo Tejo Paulo Bagulho, empresário da restauração/ direcção do M.U.N.N. Paulo Trancoso, produtor cinema/ecologista Paulo Talhadas Santos, presidente FAPAS Rui Cunha, empresário de Imagem e Comunicação Serafim Riem, empresário de arboricultura Teófilo Braga, professor/ecologista Vítor Nogueira, economista/activista direitos humanos Zé Justino, docente Universitária/activista dos direitos humanos (*) http://www.elperiodicoextremadura.com/noticias/extremadura/la-ecologista-paca-blanco-cede-ante-acoso_555666.html http://www.elpais.com/fotografia/sociedad/Paca/Blanco/elpepisoc/20110319elpepisoc_5/Ies/ e sobretudo aqui: http://signos.blogspot.com/search/label/Paca%20Blanco e aqui: http://www.ecologistasenaccion.org/article22142.html

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Maçãs podres

domingo, fevereiro 19, 2012

O Direito à Preguiça

"Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do trabalho, levado até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo e da sua progenitora. Em vez de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho. Homens cegos e limitados, quiseram ser mais sábios do que o seu Deus; homens fracos e desprezíveis, quiseram reabilitar aquilo que o seu Deus amaldiçoara. Eu, que não confesso ser cristão, economista e moralista, recuso admitir os seus juízos como os do seu Deus; recuso admitir os sermões da sua moral religiosa, econômica, livre-pensadora, face às terríveis consequências do trabalho na sociedade capitalista." Paul Lafargue

sábado, janeiro 28, 2012

O ananás amargo


Dado a conhecer aos europeus por Cristóvão Colombo aquando da sua passagem, em 1493, por Guadalupe, o ananás começou a ser introduzido na Europa no século XVI. Depois da sua introdução em São Miguel, a partir de meados do século XIX, como planta ornamental, passou a ser cultivado para consumo das famílias mais abastadas e começou, em 1864, a ser exportado, primeiro para a Inglaterra e depois para outros países do Norte da Europa.

Sobre a cultura do ananás muito já foi dito e escrito, por isso vou limitar o meu texto a recordar um pouco a situação que se vivia há cerca de 40 anos e relatar o que se está a passar actualmente.

Não tenho conhecimentos teóricos e o meu contacto com a cultura do ananás foi muito ténue, pois da minha família apenas a minha avó e depois uma tia minha possuía uma estufa no quintal de sua casa, a qual já foi desmantelada há alguns anos.
Durante a minha juventude convivi com pessoas que, com uns carrinhos de mão, iam às matas buscar o que então se chamava o “enchimento” que vendiam aos donos das estufas. Também convivi e fui colega de escola de muitos “leiveiros”, que ganhavam a sua vida a tirar leivas dos matos localizados na área do Monte Escuro, as quais eram usadas para fazer as camas das estufas.

Não quero prosseguir sem referir aqui que os meus colegas “leiveiros” estão quase todos emigrados, pois se ganhavam bem com a extracção de leivas, aquela actividade era muito sazonal e a sua actividade principal, a agricultura, já se encontrava em declínio, a pecuária não absorvia toda a mão-de-obra disponível e a construção civil, na altura, não tinha a dimensão que tem nos nossos dias, apesar da crise em que está mergulhada.

Se antes havia o problema ambiental resultante da extracção de leivas em zonas sensíveis como a Serra Devassa ou a Reserva Natural da Lagoa do Fogo, hoje, segundo informação que recebi, os proprietários de estufas e a sua associação debatem-se com a “escassez” de incensos, pelo menos em zonas de fácil acesso, que possam ser utilizados, sem custos elevados, no cultivo do ananás.

Se outrora eram as zonas sensíveis as ameaçadas, hoje são algumas propriedades privadas que são alvo do vandalismo por parte de quem vende as ramadas de incenso aos donos das estufas.

Depois desta longa introdução, a seguir vou fazer referência ao que me preocupa, pois “quem caça de coração é o dono do furão”.

Já por diversas vezes tomei conhecimento de que os larápios haviam escolhido algumas estufas de ananases para colherem os frutos que outros tiveram o cuidado de plantar, mondar, regar, etc.

Mas, se há entre os proprietários de estufas e entre os fornecedores de “matérias primas” pessoas honestas, também há quem não tenha a mínima sensibilidade ambiental e social e que colabore, ainda que passivamente, para que os roubos continuem a proliferar.

No caso destes últimos, será que alguns donos de estufas têm o cuidado de fazer a aquisição a pessoas idóneas e de procurar saber qual a origem dos incensos que lhes são vendidos?

É claro que não, se assim fosse não teria acontecido comigo o que aconteceu. Assim, ao chegar a um terreno que possuo, em Vila Franca do Campo, no passado dia 16 de Janeiro, verifiquei que vários incensos constituintes de um abrigo (sebe) haviam sido tronchados, os ramos mais grossos deixados no caminho e os mais finos levados para serem triturados e usados em estufas.

Em jeito de conclusão, diria que os cultivadores de ananás debatem-se hoje com a carência de ramadas de incensos para as estufas, que existem extensas áreas da ilha de São Miguel invadidas pelo incenso e que seria de toda a utilidade para a conservação da flora nativa a sua erradicação, pelo que deveria haver um entendimento entre a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar e a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas para que o incenso retirado fosse cedido aos cultivadores de ananás, a custos aceitáveis.

Por último, ninguém deveria aceitar incenso cuja proveniência fosse desconhecida, só assim, pelo menos para mim, o doce do ananás não seria substituído pelo amargo de ver uma sebe destruída e uma plantação recente de fruteiras desabrigada.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 25 de Janeiro de 2012)

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Contra as touradas. Escreve aos deputados



Na próxima quinta-feira, dia 19 de Janeiro, a partir das 15h (depois de outros temas) será discutida no Parlamento a Petição “Pelo fim das corridas de touros em Portugal”, autoria da CAPT – Campanha Anti-Tourada de Portugal. Estará presente - em representação dos animais utilizados pela tauromaquia -, um grupo composto por ONGs de protecção dos animais e por activistas independentes.

Se quiser estar presente em frente à Assembleia da República, por favor considere trazer uma braçadeira preta (a pedido do CAPT) como sinal de luto pelos animais vítimas da tauromaquia.

Por favor não esqueça que estamos com a razão do nosso lado e não devemos perdê-la sob circunstância alguma, assim, pedimos a quem queria estar presente que venha em paz e não responda a provocações. O nosso comportamento deve sempre manter-se impecável; os animais merecem-nos isso.

Pedimos a todas as pessoas que lêem este apelo para que escrevam à Presidente da Assembleia da República e aos Grupos Parlamentares, pedindo-lhes que naquela discussão considerem os interesses dos animais e não os da tauromaquia. Por favor escreva a sua própria mensagem ou envie a mensagem abaixo sugerida para os seguintes contactos:Presidente da Assembleia da República (para enviar uma mensagem à Presidente terá que colar a sua mensagem no espaço a ela destinado): http://www.parlamento.pt/sites/PAR/PARXIIL/Contacto/Paginas/default.aspx

Grupo Parlamentar do PS Gp_ps@ps.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do PSD Gp_psd@psd.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do PP Gp_pp@pp.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do BE Bloco.esquerda@be.parlamento.pt
Grupo Parlamentar do PCP Gp_pcp@pcp.parlamento.pt
Grupo Parlamentar”Os Verdes” Pev.correio@pev.parlamento.pt

Mensagem sugerida:

Exma. Senhora Presidente da Assembleia da República,

Exmas./os Senhoras/ Senhores Deputados à Assembleia da República,

Excelências,

Tomei conhecimento de que a petição pública “Pelo fim das corridas de touros em Portugal” - apresentada pelo CAPT - Campanha Anti-Tourada de Portugal, em Julho de 2011 - , irá ser discutida em plenário da Assembleia da República no próximo dia 19 de Janeiro. Embora saiba que alguns parlamentares são simpatizantes da tauromaquia, tenho razões para acreditar que a maioria de V. Exas. é constituída por pessoas compassivas e esclarecidas, que sabem que não é possível em 2012 ainda se acreditar que animais devem ser massacrados e posteriormente mortos para entretenimento de uma facção da população portuguesa. A ciência, fundamentada na investigação anatómica, fisiológica e neurológica dos animais usados na tauromaquia, confirma o que o senso comum revela: touros e cavalos sofrem antes, durante e depois dos espectáculos tauromáquicos. Além destas questões de âmbito cientifico e moral, apresenta-se-me ainda como ultrajante que num momento de grave crise económica, estando a maior parte das Câmaras Municipais do país com dificuldades em conseguirem cumprir os seus compromissos mais básicos e manterem todos os seus funcionários, continuem a subsidiar a actividade tauromáquica.A tauromaquia ainda subsiste em 9 países do Mundo, mas na última década têm-se assistido a verdadeiros exercícios de civilização da sociedade, nomeadamente com a declaração de dezenas e dezenas de cidades e vilas como “Anti-touradas”, e até mesmo uma região assim foi declarada: a Catalunha. Os sinais de que estas decisões se alargarão a mais cidades, vilas, regiões, e até países, são claros, e não tenho qualquer dúvida de que o meu país será um dia um país livre de touradas.

V. Exas. foram eleitas/os meus representantes, e é como tal que vos peço que façam soar a minha posição em plenário. Não quero nem posso admitir que um país que foi pioneiro na abolição da pena de morte, e que tem estado na linha da frente do progresso civilizacional de tantas outras formas, um país para o qual contribuo mesmo em tempos difíceis, seja conhecido no seu trato aos animais como sendo uma nação bárbara, retrógrada e cruel.

Na certeza de que V. Exas. tomarão em consideração esta minha mensagem, despeço-me,
Muito respeitosamente,

De V. Exas.
Nome:
Localidade:

quarta-feira, janeiro 04, 2012




O MAOISMO NOS AÇORES

A leitura do livro “Margem de certa maneira. O maoismo em Portugal: 1964-1974”, baseado na tese de doutoramento em História Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra defendida, em Março de 2011, por Miguel Cardina, levou-me a, durante alguns dias de merecido descanso, por altura do Natal e do Ano Novo, tentar consultar o meu arquivo pessoal, sobre os primeiros anos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974, e a buscar na minha memória alguns factos e os seus protagonistas que de algum modo estiveram ligados à referida ideologia política.
A única organização que se afirmava marxista-leninista e maoista e ainda hoje tem alguma presença, muito reduzida, nos Açores, é o PCTP-MRPP- Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses que é herdeiro do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado, criado em 18 de Setembro de 1970.
O PCTP- MRPP, nos anos a seguir ao 25 de Abril teve alguma presença na Horta, em Angra do Heroísmo e em Ponta Delgada. Lembro-me de ver cartazes anunciando a presença do seu líder, Arnaldo Matos, num comício a realizar no Cine São Pedro, em Ponta Delgada, suponho que em 1975 ou 1976, de haver um correspondente do seu jornal “Luta Popular”, na Horta, e de se chamar José Ornelas o seu porta-voz, em Angra do Heroísmo.
Para além do referido, o que recordo mais é a presença de uma colega que frequentava o Instituto Universitário dos Açores e que, entre 1976 e 1978, fazia a venda militante do órgão central do PCTP-MRPP, o “Luta Popular”, o qual uma vez por outra trazia textos sobre a situação em que viviam os camponeses e pescadores açorianos, e que também vendia algumas publicações, como as “Obras Escolhidas de Mao Tsetung”, quer as editadas em Pequim, quer o Tomo 5, relativo ao período de 1949 a 1957, editado, em Portugal, pela Editora Vente de Leste.
A outra organização que, tal como o MRPP, teve alguma actividade sobretudo em Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta, foi a OCMLP – Organização Comunista Marxista Leninista Portuguesa, que foi criada na cidade do Porto, em 1972, e que terá chegado cá devido à sua implantação junto de alguns estudantes açorianos que estavam naquela cidade a frequentar a Universidade.
Uma parte da OCMLP, tal como outros grupos marxistas-leninistas, integrou-se, em 1976, no Partido Comunista Português Reconstruído (PCP (R)), que se extinguiu em 1992, e na União Democrática Popular, que era uma “frente de massas” desse partido. Em 1999, já depois de ter deixado cair a ideologia marxista-leninista e o maoismo, a UDP integrou-se no Bloco de Esquerda.
Os simpatizantes ou militantes da OCMLP, nos Açores, tiveram uma actividade muito intensa a seguir ao 25 de Abril, junto de alguns sindicatos, associações culturais e recreativas e editaram o jornal “Luta Pela Democracia Popular”, entre Abril de 1975 e Março de 1977.
A OCMLP editou uma revista cultural denominada Spartacus, que chegou a ser distribuída nos Açores e publicou o jornal “O Grito do Povo” que, também, foi distribuído no arquipélago.
A OCMLP, que condenava simultaneamente as duas potencias imperialistas, os EUA e a URSS que lutavam entre si, num comunicado a propósito do 6 de Junho de 1975 denunciou “as movimentações “autonomistas” e de “independência” dos Açores, como manobra do imperialismo americano” e os social-imperialistas soviéticos que eram rivais e aliados dos EUA na partilha de Portugal.
Em vários números do jornal “O Grito do Povo” é referida a existência de uma organização clandestina, que terá surgido a seguir à manifestação do dia 6 de Junho, denominada ARAFAI- Acção Revolucionária Anti-fascista e Anti-imperialista que distribuía comunicados, alguns nos Quartéis de São Miguel, a condenar a actividade da FLA.
Hoje, desconheço o paradeiro de grande parte das pessoas que ou simpatizaram ou fizeram parte das duas organizações mencionadas. Algumas desligaram-se da actividade política, outras mudaram de posição, isto é, passaram da extrema-esquerda para o centro ou para a direita.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 4 de Janeiro de 2011)

terça-feira, janeiro 03, 2012

Em defesa das lagoas: do surgimento da Quercus à morte do SOS-LAGOAS