"Está bem... façamos de conta
Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos." (Mário Crespo)
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Bolo facínora
(receita)
Num recipiente
apropriado
uma mão cheia
quanto se possa
de parvos
(ou feitos parvos
que tanto faz) (1).
Banho maria da ignorância
o tempo necessário.
Com uma pitada de astúcia,
uma boa dose de desvergonha.
E embuste quanto baste.
Vai às brasas lentas
do desemprego
no forno previamente aquecido
com lenha
dos mesmos paus
partidos.
Pode juntar-se
ou antes ou depois
umas gotas de cordial.
Serve-se quente ou frio
aos nacos ou fatias
para quem goste.
(1)À falta de parvos
ou feitos parvos
também serve
agredidos e intimidados;
neste caso ao invés de astúcia
recorra-se à violência
em conformidade com
o que a massa peça.
5 Fev 09
Pedro Pacheco
(receita)
Num recipiente
apropriado
uma mão cheia
quanto se possa
de parvos
(ou feitos parvos
que tanto faz) (1).
Banho maria da ignorância
o tempo necessário.
Com uma pitada de astúcia,
uma boa dose de desvergonha.
E embuste quanto baste.
Vai às brasas lentas
do desemprego
no forno previamente aquecido
com lenha
dos mesmos paus
partidos.
Pode juntar-se
ou antes ou depois
umas gotas de cordial.
Serve-se quente ou frio
aos nacos ou fatias
para quem goste.
(1)À falta de parvos
ou feitos parvos
também serve
agredidos e intimidados;
neste caso ao invés de astúcia
recorra-se à violência
em conformidade com
o que a massa peça.
5 Fev 09
Pedro Pacheco
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Ensinamentos do Prof. Cavaco e de Dom Policarpo sobre divórcio e casamento
As crises económicas geram dois efeitos. Por um lado, aguçam a criatividade dos pobres e dos que trabalham para vencer as dificuldades; em contrapartida, espevitam os neurónios e soltam o verbo dos reaccionários mais convencidos e fossilizados. Neste último contexto, ouvimos recentemente o bem casado Cavaco opinar sobre divórcio e o celibatário Dom Policarpo a falar de casamento.
Cavaco e o divórcio
Cavaco, no seu linguajar rouco e titubeante que mais parece o de um tatebitate, voltou a verberar contra a lei do divórcio que, no entanto promulgou. E disse-o, calculista, perante uma audiência escolhida por nela, eventualmente preponderarem elementos próximos do pacóvio catolicismo luso.
Disse a veneranda figura do presidente da (cleptocrática) república que a recente lei do divórcio, com o seu presumido facilitismo, está a contribuir para o aumento da miséria, uma vez que fragiliza a situação económica dos divorciados. À falta de outros dados, referimos que no inventário dos superendividados da Deco só 15% corresponde a divorciados.
Não nos comove a preocupação do mago das finanças pelos pobres, porque nos lembramos da sua actuação como primeiro-ministro, quando desbaratou os fundos comunitários, favoreceu os ricos com as nacionalizações e como incentivou a escola dos novos-ricos que, agora, vão saltitando, diariamente nas páginas dos jornais clamando por uma honorabilidade em que só os tansos acreditam.
O brilhante economista dos mercados sabe que existe uma crise económica e que esta gera desemprego, precariedade (ele até conhece as estatísticas!) mas, talvez não saiba quantificar a instabilidade emocional, o desgaste psicológico dos milhões de portugueses que andam por aí, mesmo que empregados.
Como lhe ensinaram que o casamento é um sacramento, custa-lhe perceber que, como todos os contratos, possa ser tão duradouro quanto o queiram as partes; e talvez não compreenda que amar e deixar de amar são inerências da natureza humana. Nos manuais de economia não aprendeu que pode haver mais leviandade na concretização de um casamento ou união de facto, (que hoje se equiparam) do que no divórcio ou separação de um casal. Estas separações, por serem normalmente marcadas por pesados custos emocionais e materiais são objecto de uma ponderação muito maior que a união de duas pessoas sob um mesmo tecto.
Por detrás do seu sorriso de benevolente superioridade, acreditará Cavaco que uma família desconhece os impactos económicos decorrentes de um divórcio, no seu tipo de vida e bem-estar? Qualquer casal conhece esses impactos, independentemente da conjuntura económica; e conhece-os muito melhor que o professor Aníbal que é casado com a Dona Maria há décadas!
As pessoas quando decidem divorciar-se fazem aquilo que Cavaco bem conhece, uma análise custo-benefício, ainda que sem o recurso a modelos matemáticos ou programas informáticos. Entre esses custos está, sem dúvida, uma perda de bem-estar e nível de vida, a alteração de uma matriz de relações familiares e afectivas; e nos benefícios englobam-se (e não é pouco) a finalização de uma vida de desgaste psicológico ou violência, o poupar dos filhos a essa situação ou, o início de uma nova vida com outro(a) parceiro(a).
Dificultar legalmente o divórcio, como defende o ilustre catedrático na reforma, tem vários significados e consequências, que o magno lente, do alto da sua suprema magistratura não quer atender, condicionado pelo seu atávico conservadorismo:
• É uma ingerência do Estado na vida particular das pessoas, como se estas fossem incompetentes para gerir a sua própria vida, necessitando de minuciosas leis ou, de uma obrigatória tutela judicial ou burocrática;
• Representa uma dificuldade na reconstituição da vida afectiva de cada um;
• Pode representar o arrastar de situações de extremo mau-estar para as famílias onde tenderão a verificar-se frequentes discussões, agressões e crimes, muitas vezes com impactos irreparáveis nos filhos;
• Constituiria uma dificuldade acrescida às triviais situações de baixos salários, precariedade de emprego ou ausência do mesmo, quer do ponto de vista emocional, quer do ponto de vista material pois a burocracia e os advogados não são gratuitos.
E se as pessoas se separarem, de facto, sem a formalização de um divórcio a situação não ficará obrigatoriamente mais facilitada. Mesmo uma acção subsequente do divórcio, como a partilha de bens, pode arrastar-se indefinidamente nas mãos de um tribunal sonolento ou de juizes insensíveis, para além de que em nada a lei garante uma igualdade de direitos aos divorciados, permitindo, objectivamente, uma posição dominante a um deles, mormente a quem detiver maior poder económico ou tiver ficado a viver na habitação do casal. Aí, sim, Cavaco poderia pressionar os legisladores.
Aliás, o fecundo pensamento cavaquiano não terá alcançado que uma complicação na potencial obtenção de divórcio constituirá um incentivo para as uniões de facto, cuja figura não colherá, decerto, o agrado do PR e do estagnado pensamento emanado da multinacional vaticana.
Ainda dentro da lógica cavaquiana, se o divórcio deve ser combatido para obviar a situações de miséria, a actuação pro-activa consistirá em fomentar os casamentos. No âmbito dessa vulgata economicista o casamento seria uma forma de, através da união de rendimentos e bens, serem aproveitadas as sinergias e ser aumentada a produtividade de casas, fogões e camas, com o aumento dos seus utilizadores. Melhor ainda até seria estimular casamentos colectivos, adoptar a poligamia ou a poliandria para que a produtividade dos equipamentos habitacionais explodisse e colocasse Portugal em lugares de vanguarda nas estatísticas do Eurostat!
Como Cavaco se escusa a falar sobre o caso Freeport porque é um “assunto de Estado” (que será essa coisa, para além de uma defesa para os negócios dos poderosos?) melhor seria entreter-se com esses assuntos e deixar a vida das pessoas reais em paz, sem emitir opiniões que ninguém lhe encomendou.
Dom Policarpo e o casamento
A Dom Policarpo, alto quadro do “offshore” Vaticano, aconteceu-lhe num jantar de tertulianos o mesmo que ao Mário Lino no almoço da Ordem dos Economistas: um acesso de incontinência verbal.
O prelado virou-se “prolado” para que estava virado e lá disse o politicamente incorrecto, mais ou menos nestes termos: “Meninas, quando pensarem em casar com um muçulmano pensem bem no que vão fazer pois podem arranjar sarilhos que nem Allah as salva”. A coisa parece descabida pois o número de muçulmanos em Portugal não é grande (30/35000, 0,3% da população) e depois, porque o cardeal teria em mente situações reais mas, muito pontuais.
Todos sabemos que nas sociedades maioritariamente muçulmanas (e não é preciso que vigore a “sharia”) a situação das mulheres não lhes é nada favorável e é equivalente aquela que as mulheres europeias viveram durante muitos séculos sob o patrocínio da Igreja Católica e da sua concorrência de raiz cristã. E para que a situação mude, as mulheres muçulmanas precisam de um desenvolvimento económico que lhes abra as portas ao trabalho fora de casa e de um menor apoio ocidental aos regimes autoritários que as regem.
Só que Dom Policarpo não tem autoridade moral para falar dos direitos das mulheres. As liberdades individuais que as mulheres europeias, por exemplo, hoje detêm, foram objecto de uma luta secular que se acelerou depois da Segunda Guerra, com o emprego generalizado fora de casa, a pílula e o acesso à educação. E nessa luta, a Igreja Católica, em geral e a portuguesa em particular, só estiveram presentes do outro lado da barricada, contra todas as manifestações de emancipação das mulheres. E ainda hoje, a Igraja Católica não aceita o divórcio (que existe legalmente nos países islâmicos), a contracepção, a IVG, as relações pré-matrimoniais, a masturbação, o sacerdócio das mulheres…
Aliás, o Cristianismo na sua base mais profunda que é a Bíblia considera a mulher como uma emanação de uma costela do homem, frisando assim o seu papel subalterno e, (apetece parodiar) fruto da benevolência divina perante um reivindicativo Adão, cansado de perseguir as peludas macacas… Se Dom Policarpo tivesse vivido antes do século XVIII defenderia afincadamente que a mulher não tinha alma (o que quer que isso seja, para homens ou mulheres) e enviaria para a fogueira quem o contrariasse.
Recordemo-nos que em Pequim, na Conferência Mundial sobre a Mulher (1995) se assistiu a uma clara convergência do Vaticano com os ayatollas, contra os direitos das mulheres. Até por isso, Dom Policarpo mais valia ter ficado calado quanto a opiniões sobre os islâmicos, sobretudo quando o Vaticano sempre ambicionou ser reconhecido como o grande líder nas conferências ecuménicas.
Bem, voltando atrás, o papel das mulheres nas sociedades islâmicas não é invejável. E na maioria dos outros países? Na África não islâmica as mulheres são também objecto de um machismo exacerbado, como na América Latina, na Índia, na Ásia oriental. O problema é que Dom Policarpo se inscreve na histeria anti-islâmica alimentada pela administração Bush e na senda estratégica definida por Huntington.
Que um casamento é acto que merece ponderação, qualquer que seja a convicção religiosa dos pretendentes a esse acto, toda a gente sabe. Até a ancestral sabedoria popular sintetizou esse concelho de prudência com um “antes que cases, vê o que fazes”. Dispensam-se, pois os conselhos de Dom Policarpo e da instituição em que se enquadra.
Fonte: WWW.ESQUERDA_DESALINHADA.BLOGS.SAPO.PT
As crises económicas geram dois efeitos. Por um lado, aguçam a criatividade dos pobres e dos que trabalham para vencer as dificuldades; em contrapartida, espevitam os neurónios e soltam o verbo dos reaccionários mais convencidos e fossilizados. Neste último contexto, ouvimos recentemente o bem casado Cavaco opinar sobre divórcio e o celibatário Dom Policarpo a falar de casamento.
Cavaco e o divórcio
Cavaco, no seu linguajar rouco e titubeante que mais parece o de um tatebitate, voltou a verberar contra a lei do divórcio que, no entanto promulgou. E disse-o, calculista, perante uma audiência escolhida por nela, eventualmente preponderarem elementos próximos do pacóvio catolicismo luso.
Disse a veneranda figura do presidente da (cleptocrática) república que a recente lei do divórcio, com o seu presumido facilitismo, está a contribuir para o aumento da miséria, uma vez que fragiliza a situação económica dos divorciados. À falta de outros dados, referimos que no inventário dos superendividados da Deco só 15% corresponde a divorciados.
Não nos comove a preocupação do mago das finanças pelos pobres, porque nos lembramos da sua actuação como primeiro-ministro, quando desbaratou os fundos comunitários, favoreceu os ricos com as nacionalizações e como incentivou a escola dos novos-ricos que, agora, vão saltitando, diariamente nas páginas dos jornais clamando por uma honorabilidade em que só os tansos acreditam.
O brilhante economista dos mercados sabe que existe uma crise económica e que esta gera desemprego, precariedade (ele até conhece as estatísticas!) mas, talvez não saiba quantificar a instabilidade emocional, o desgaste psicológico dos milhões de portugueses que andam por aí, mesmo que empregados.
Como lhe ensinaram que o casamento é um sacramento, custa-lhe perceber que, como todos os contratos, possa ser tão duradouro quanto o queiram as partes; e talvez não compreenda que amar e deixar de amar são inerências da natureza humana. Nos manuais de economia não aprendeu que pode haver mais leviandade na concretização de um casamento ou união de facto, (que hoje se equiparam) do que no divórcio ou separação de um casal. Estas separações, por serem normalmente marcadas por pesados custos emocionais e materiais são objecto de uma ponderação muito maior que a união de duas pessoas sob um mesmo tecto.
Por detrás do seu sorriso de benevolente superioridade, acreditará Cavaco que uma família desconhece os impactos económicos decorrentes de um divórcio, no seu tipo de vida e bem-estar? Qualquer casal conhece esses impactos, independentemente da conjuntura económica; e conhece-os muito melhor que o professor Aníbal que é casado com a Dona Maria há décadas!
As pessoas quando decidem divorciar-se fazem aquilo que Cavaco bem conhece, uma análise custo-benefício, ainda que sem o recurso a modelos matemáticos ou programas informáticos. Entre esses custos está, sem dúvida, uma perda de bem-estar e nível de vida, a alteração de uma matriz de relações familiares e afectivas; e nos benefícios englobam-se (e não é pouco) a finalização de uma vida de desgaste psicológico ou violência, o poupar dos filhos a essa situação ou, o início de uma nova vida com outro(a) parceiro(a).
Dificultar legalmente o divórcio, como defende o ilustre catedrático na reforma, tem vários significados e consequências, que o magno lente, do alto da sua suprema magistratura não quer atender, condicionado pelo seu atávico conservadorismo:
• É uma ingerência do Estado na vida particular das pessoas, como se estas fossem incompetentes para gerir a sua própria vida, necessitando de minuciosas leis ou, de uma obrigatória tutela judicial ou burocrática;
• Representa uma dificuldade na reconstituição da vida afectiva de cada um;
• Pode representar o arrastar de situações de extremo mau-estar para as famílias onde tenderão a verificar-se frequentes discussões, agressões e crimes, muitas vezes com impactos irreparáveis nos filhos;
• Constituiria uma dificuldade acrescida às triviais situações de baixos salários, precariedade de emprego ou ausência do mesmo, quer do ponto de vista emocional, quer do ponto de vista material pois a burocracia e os advogados não são gratuitos.
E se as pessoas se separarem, de facto, sem a formalização de um divórcio a situação não ficará obrigatoriamente mais facilitada. Mesmo uma acção subsequente do divórcio, como a partilha de bens, pode arrastar-se indefinidamente nas mãos de um tribunal sonolento ou de juizes insensíveis, para além de que em nada a lei garante uma igualdade de direitos aos divorciados, permitindo, objectivamente, uma posição dominante a um deles, mormente a quem detiver maior poder económico ou tiver ficado a viver na habitação do casal. Aí, sim, Cavaco poderia pressionar os legisladores.
Aliás, o fecundo pensamento cavaquiano não terá alcançado que uma complicação na potencial obtenção de divórcio constituirá um incentivo para as uniões de facto, cuja figura não colherá, decerto, o agrado do PR e do estagnado pensamento emanado da multinacional vaticana.
Ainda dentro da lógica cavaquiana, se o divórcio deve ser combatido para obviar a situações de miséria, a actuação pro-activa consistirá em fomentar os casamentos. No âmbito dessa vulgata economicista o casamento seria uma forma de, através da união de rendimentos e bens, serem aproveitadas as sinergias e ser aumentada a produtividade de casas, fogões e camas, com o aumento dos seus utilizadores. Melhor ainda até seria estimular casamentos colectivos, adoptar a poligamia ou a poliandria para que a produtividade dos equipamentos habitacionais explodisse e colocasse Portugal em lugares de vanguarda nas estatísticas do Eurostat!
Como Cavaco se escusa a falar sobre o caso Freeport porque é um “assunto de Estado” (que será essa coisa, para além de uma defesa para os negócios dos poderosos?) melhor seria entreter-se com esses assuntos e deixar a vida das pessoas reais em paz, sem emitir opiniões que ninguém lhe encomendou.
Dom Policarpo e o casamento
A Dom Policarpo, alto quadro do “offshore” Vaticano, aconteceu-lhe num jantar de tertulianos o mesmo que ao Mário Lino no almoço da Ordem dos Economistas: um acesso de incontinência verbal.
O prelado virou-se “prolado” para que estava virado e lá disse o politicamente incorrecto, mais ou menos nestes termos: “Meninas, quando pensarem em casar com um muçulmano pensem bem no que vão fazer pois podem arranjar sarilhos que nem Allah as salva”. A coisa parece descabida pois o número de muçulmanos em Portugal não é grande (30/35000, 0,3% da população) e depois, porque o cardeal teria em mente situações reais mas, muito pontuais.
Todos sabemos que nas sociedades maioritariamente muçulmanas (e não é preciso que vigore a “sharia”) a situação das mulheres não lhes é nada favorável e é equivalente aquela que as mulheres europeias viveram durante muitos séculos sob o patrocínio da Igreja Católica e da sua concorrência de raiz cristã. E para que a situação mude, as mulheres muçulmanas precisam de um desenvolvimento económico que lhes abra as portas ao trabalho fora de casa e de um menor apoio ocidental aos regimes autoritários que as regem.
Só que Dom Policarpo não tem autoridade moral para falar dos direitos das mulheres. As liberdades individuais que as mulheres europeias, por exemplo, hoje detêm, foram objecto de uma luta secular que se acelerou depois da Segunda Guerra, com o emprego generalizado fora de casa, a pílula e o acesso à educação. E nessa luta, a Igreja Católica, em geral e a portuguesa em particular, só estiveram presentes do outro lado da barricada, contra todas as manifestações de emancipação das mulheres. E ainda hoje, a Igraja Católica não aceita o divórcio (que existe legalmente nos países islâmicos), a contracepção, a IVG, as relações pré-matrimoniais, a masturbação, o sacerdócio das mulheres…
Aliás, o Cristianismo na sua base mais profunda que é a Bíblia considera a mulher como uma emanação de uma costela do homem, frisando assim o seu papel subalterno e, (apetece parodiar) fruto da benevolência divina perante um reivindicativo Adão, cansado de perseguir as peludas macacas… Se Dom Policarpo tivesse vivido antes do século XVIII defenderia afincadamente que a mulher não tinha alma (o que quer que isso seja, para homens ou mulheres) e enviaria para a fogueira quem o contrariasse.
Recordemo-nos que em Pequim, na Conferência Mundial sobre a Mulher (1995) se assistiu a uma clara convergência do Vaticano com os ayatollas, contra os direitos das mulheres. Até por isso, Dom Policarpo mais valia ter ficado calado quanto a opiniões sobre os islâmicos, sobretudo quando o Vaticano sempre ambicionou ser reconhecido como o grande líder nas conferências ecuménicas.
Bem, voltando atrás, o papel das mulheres nas sociedades islâmicas não é invejável. E na maioria dos outros países? Na África não islâmica as mulheres são também objecto de um machismo exacerbado, como na América Latina, na Índia, na Ásia oriental. O problema é que Dom Policarpo se inscreve na histeria anti-islâmica alimentada pela administração Bush e na senda estratégica definida por Huntington.
Que um casamento é acto que merece ponderação, qualquer que seja a convicção religiosa dos pretendentes a esse acto, toda a gente sabe. Até a ancestral sabedoria popular sintetizou esse concelho de prudência com um “antes que cases, vê o que fazes”. Dispensam-se, pois os conselhos de Dom Policarpo e da instituição em que se enquadra.
Fonte: WWW.ESQUERDA_DESALINHADA.BLOGS.SAPO.PT
terça-feira, fevereiro 03, 2009
O Buraco Perfeito
Ignace Ramonet, diretor do Lê Monde Diplomatique e um dos agudos analistas da situação mundial, chamou a atual crise econômico-financeira de “a crise perfeita”. Putin, em Davos, a chamou de “a tempestade pefeita’. Eu, de minha parte, a chamaria de “o buraco perfeito”. O grupo que compõe a Iniciativa Carta da Terra (M. Gorbachev, S. Rockfeller, M.Strong e eu mesmo, entre outros) há anos advertia: “não podemos continuar pelo caminho já andado, por mais plano que se apresente, pois lá na frente ele encontra um buraco abissal”. Como um ritornello o repetia também o Fórum Social Mundial, desde a sua primeira edição em Porto Alegre em 2001. Pois chegou o momento em que o buraco apareceu. Lá para dentro caíram grandes bancos, tradicionais fábricas, imensas corporações transnacionais e US$50 trilhões de fortunas pessoais se uniram ao pó do fundo do buraco. Stephen Roach, do banco Morgan Stanley, também afetado, confessou: “Errou Wall Street. Erraram os reguladores. Erraram as Agências de Avaliação de risco. Erramos todos nós”. Mas não teve a humildade de reconhecer:” Acertou o Fórum Social Mundial. Acertaram os ambientalistas. Acertaram grandes nomes do pensamento ecológico como J. Lovelock, E. Wilson e E. Morin”.
Em outras palavras, os que se imaginavam senhores do mundo a ponto de alguns deles decretarem o fim da história, que sustentavam a impossibilidade de qualquer alternativa e que em seus concílios ecumênicos-econômicos promulgaram dogmas da perfeita autoregulação dos mercados e da única via, aquela do capitalismo globalizado, agora perderam todo o seu latim. Andam confusos e perplexos como um bêbado em beco escuro. O Fórum Social Mundial, sem orgulho, mas sinceramente pode dizer: “nosso diagnóstico estava correto. Não temos a alternativa ainda mas uma certeza se impõe: este tipo de mundo não tem mais condiçãoes de continuar e de projetar um futuro de inclusão e de esperança para a humanidade e para toda a comunidade de vida”. Se prosseguir, ele pode pôr fim a vida humana e ferir gravemente a Pacha Mama, a Mãe Terra.
Seus ideólogos talvez não creiam mais em dogmas e se contentem ainda com o catecismo neoliberal. Mas procuram um bode expiatório. Dizem: “Não é o capitalismo em si que está em crise. É o capitalismo de viés norteamericano que gasta um dinheiro que não tem em coisas que o povo não precisa”. Um de seus sacerdotes, Ken Rosen, da Universidade de Berkeley, pelo menos, reconheceu:”O modelo dos Estados Unidos está errado. Se o mundo todo utilizasse o mesmo modelo, nós não existiríamos mais”.
Há aqui palmar engano. A razão da crise não está apenas no capitalismo norte-americano como se outro capitalismo fosse o correto e humano. A razão está na lógica mesma do capitalismo. Já foi reconhecido por políticos como J. Chirac e por uma gama consideravel de cientistas que se os paises opulentos, situados no Norte, quisessem generalizar seu bem estar para toda a humanidade, precisaríamos pelo menos de três Terras iguais a atual. O capitalismo em sua natureza é voraz, acumulador, depredador da natureza, criador de desigualdades e sem sentido de solidariedade para com as gerações atuais e muito menos para com as futuras. Não se tira a ferocidade do lobo fazendo-lhe alguns afagos ou limando-lhes os dentes. Ele é feroz por natureza. Assim o capitalismo, pouco importa o lugar de sua realização, se nos EUA, na Europa, no Japão ou mesmo no Brasil, coisifica todas as coisas, a Terra, a natureza, os seres vivos e também os humanos. Tudo está no mercado e de tudo se pode fazer negócio. Esse modo de habitar o mundo regido apenas pela razão utilitarista e egocêntrica cavou o buraco perfeito. E nele caiu.
A questão não é econômica. É moral e espiritual. Só sairemos a partir de uma outra relação para com a natureza, sentindo-nos parte dela e vivendo a inteligência do coração que nos faz amar e respeitar a vida e a cada ser. Caso contrário continuaremos no buraco a que o capitalismo nos jogou.
Leonardo Boff
Teólogo
Ignace Ramonet, diretor do Lê Monde Diplomatique e um dos agudos analistas da situação mundial, chamou a atual crise econômico-financeira de “a crise perfeita”. Putin, em Davos, a chamou de “a tempestade pefeita’. Eu, de minha parte, a chamaria de “o buraco perfeito”. O grupo que compõe a Iniciativa Carta da Terra (M. Gorbachev, S. Rockfeller, M.Strong e eu mesmo, entre outros) há anos advertia: “não podemos continuar pelo caminho já andado, por mais plano que se apresente, pois lá na frente ele encontra um buraco abissal”. Como um ritornello o repetia também o Fórum Social Mundial, desde a sua primeira edição em Porto Alegre em 2001. Pois chegou o momento em que o buraco apareceu. Lá para dentro caíram grandes bancos, tradicionais fábricas, imensas corporações transnacionais e US$50 trilhões de fortunas pessoais se uniram ao pó do fundo do buraco. Stephen Roach, do banco Morgan Stanley, também afetado, confessou: “Errou Wall Street. Erraram os reguladores. Erraram as Agências de Avaliação de risco. Erramos todos nós”. Mas não teve a humildade de reconhecer:” Acertou o Fórum Social Mundial. Acertaram os ambientalistas. Acertaram grandes nomes do pensamento ecológico como J. Lovelock, E. Wilson e E. Morin”.
Em outras palavras, os que se imaginavam senhores do mundo a ponto de alguns deles decretarem o fim da história, que sustentavam a impossibilidade de qualquer alternativa e que em seus concílios ecumênicos-econômicos promulgaram dogmas da perfeita autoregulação dos mercados e da única via, aquela do capitalismo globalizado, agora perderam todo o seu latim. Andam confusos e perplexos como um bêbado em beco escuro. O Fórum Social Mundial, sem orgulho, mas sinceramente pode dizer: “nosso diagnóstico estava correto. Não temos a alternativa ainda mas uma certeza se impõe: este tipo de mundo não tem mais condiçãoes de continuar e de projetar um futuro de inclusão e de esperança para a humanidade e para toda a comunidade de vida”. Se prosseguir, ele pode pôr fim a vida humana e ferir gravemente a Pacha Mama, a Mãe Terra.
Seus ideólogos talvez não creiam mais em dogmas e se contentem ainda com o catecismo neoliberal. Mas procuram um bode expiatório. Dizem: “Não é o capitalismo em si que está em crise. É o capitalismo de viés norteamericano que gasta um dinheiro que não tem em coisas que o povo não precisa”. Um de seus sacerdotes, Ken Rosen, da Universidade de Berkeley, pelo menos, reconheceu:”O modelo dos Estados Unidos está errado. Se o mundo todo utilizasse o mesmo modelo, nós não existiríamos mais”.
Há aqui palmar engano. A razão da crise não está apenas no capitalismo norte-americano como se outro capitalismo fosse o correto e humano. A razão está na lógica mesma do capitalismo. Já foi reconhecido por políticos como J. Chirac e por uma gama consideravel de cientistas que se os paises opulentos, situados no Norte, quisessem generalizar seu bem estar para toda a humanidade, precisaríamos pelo menos de três Terras iguais a atual. O capitalismo em sua natureza é voraz, acumulador, depredador da natureza, criador de desigualdades e sem sentido de solidariedade para com as gerações atuais e muito menos para com as futuras. Não se tira a ferocidade do lobo fazendo-lhe alguns afagos ou limando-lhes os dentes. Ele é feroz por natureza. Assim o capitalismo, pouco importa o lugar de sua realização, se nos EUA, na Europa, no Japão ou mesmo no Brasil, coisifica todas as coisas, a Terra, a natureza, os seres vivos e também os humanos. Tudo está no mercado e de tudo se pode fazer negócio. Esse modo de habitar o mundo regido apenas pela razão utilitarista e egocêntrica cavou o buraco perfeito. E nele caiu.
A questão não é econômica. É moral e espiritual. Só sairemos a partir de uma outra relação para com a natureza, sentindo-nos parte dela e vivendo a inteligência do coração que nos faz amar e respeitar a vida e a cada ser. Caso contrário continuaremos no buraco a que o capitalismo nos jogou.
Leonardo Boff
Teólogo
domingo, janeiro 18, 2009
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Amigos dos Açores alertam para falta de cultura ambiental
A Associação Ecológica Amigos dos Açores, que celebra 25 anos em 2009, alertou hoje para a falta de cultura ambiental no arquipélago, embora reconheça que os açorianos estão mais informados sobre esta temática.
"Em termos gerais há um défice de cultura ambiental nos Açores", afirmou à agência Lusa o presidente da associação ecológica, Sérgio Caetano, para quem é urgente que os açorianos passem da teoria à prática com pequenos gestos no dia-a-dia.
Apesar de reconhecer que os açorianos estão cada vez mais informados e sensibilizados para a temática ambiental, Sérgio Caetano considerou, no entanto, que falta tornar o dia-a-dia nas ilhas "mais ecológico e ambientalmente eficiente".
Segundo o geólogo, é com pequenos gestos que se atinge grandes efeitos, apontando como exemplos a separação de resíduos sólidos e a poupança de água, electricidade e gás que cada um pode fazer.
"Haverá certamente alguma preguiça por parte das pessoas nos gestos diários", considerou o presidente da associação, que hoje divulgou o seu plano de actividades para 2009.
A associação foi criada em Outubro de 1989 com o objectivo de defender e valorizar o ambiente, assim como preservar a conservação da natureza através de actividades de cariz cultural, pedagógico, científico, desportivo e recreativo.
Durante este ano os Amigos dos Açores vão realizar visitas de estudo a cavidades vulcânicas na ilha de São Miguel, a áreas protegidas e dar continuidade aos passeios pedestres mensais para sócios, com o intuito de desenvolver "um sentido crítico, atrás da observação directa".
Visitas a escolas para acções de sensibilização, exposições fotográficas e alertas à população para problemas ambientais na orla costeira são outras das actividades programadas para os próximos meses.
Quanto às comemorações das bodas de prata desta associação de utilidade pública, Sérgio Caetano adiantou que estão a ser planeadas várias ideias e escolhidas as melhores datas.
Com mais de mil sócios, a associação gostaria de contar com uma mobilização maior de voluntários para as suas actividades.
Açoriano Oriental, 6 de Janeiro de 2009
A Associação Ecológica Amigos dos Açores, que celebra 25 anos em 2009, alertou hoje para a falta de cultura ambiental no arquipélago, embora reconheça que os açorianos estão mais informados sobre esta temática.
"Em termos gerais há um défice de cultura ambiental nos Açores", afirmou à agência Lusa o presidente da associação ecológica, Sérgio Caetano, para quem é urgente que os açorianos passem da teoria à prática com pequenos gestos no dia-a-dia.
Apesar de reconhecer que os açorianos estão cada vez mais informados e sensibilizados para a temática ambiental, Sérgio Caetano considerou, no entanto, que falta tornar o dia-a-dia nas ilhas "mais ecológico e ambientalmente eficiente".
Segundo o geólogo, é com pequenos gestos que se atinge grandes efeitos, apontando como exemplos a separação de resíduos sólidos e a poupança de água, electricidade e gás que cada um pode fazer.
"Haverá certamente alguma preguiça por parte das pessoas nos gestos diários", considerou o presidente da associação, que hoje divulgou o seu plano de actividades para 2009.
A associação foi criada em Outubro de 1989 com o objectivo de defender e valorizar o ambiente, assim como preservar a conservação da natureza através de actividades de cariz cultural, pedagógico, científico, desportivo e recreativo.
Durante este ano os Amigos dos Açores vão realizar visitas de estudo a cavidades vulcânicas na ilha de São Miguel, a áreas protegidas e dar continuidade aos passeios pedestres mensais para sócios, com o intuito de desenvolver "um sentido crítico, atrás da observação directa".
Visitas a escolas para acções de sensibilização, exposições fotográficas e alertas à população para problemas ambientais na orla costeira são outras das actividades programadas para os próximos meses.
Quanto às comemorações das bodas de prata desta associação de utilidade pública, Sérgio Caetano adiantou que estão a ser planeadas várias ideias e escolhidas as melhores datas.
Com mais de mil sócios, a associação gostaria de contar com uma mobilização maior de voluntários para as suas actividades.
Açoriano Oriental, 6 de Janeiro de 2009
terça-feira, janeiro 06, 2009
20 teses contra o capitalismo verde
29-Dez-2008
Tadzio Mueller e Alexis Passadakis
1 – A actual crise económica mundial marca o fim da fase neoliberal do capitalismo. O “business as usual” (financiarização, desregulação, privatização...) já não é uma opção: novos espaços de acumulação e tipos de regulação política terão de ser encontrados pelos governos e pelas corporações para aguentar o capitalismo.
2 – Além das crises económica, política e energética, existe outra crise a abalar o mundo: a biocrise, resultado de um desencontro suicida entre o sistema de apoio à vida ecológico que garante a sobrevivência humana e a necessidade do capital de crescimento constante.
3 – A biocrise é um perigo imenso para a nossa sobrevivência colectiva, mas como todas as crises também apresenta a nós, movimentos sociais, com uma oportunidade histórica: atacar a jugular exposta do capitalismo, a sua necessidade de crescimento incessante, destrutivo, louco.
4 – Das propostas que emergiram das elites globais, a única que promete resolver todas estas crises é o “New Deal Verde”. Não se trata do capitalismo catita 1.0 da agricultura biológica e das turbinas eólicas urbanas, mas antes de uma proposta para uma fase “verde” do capitalismo que procura gerar lucros da modernização ecológica de determinadas áreas de produção (automóveis, energia, etc.).
5 – O capitalismo verde 2.0 não pode resolver a biocrise (alterações climáticas e outros problemas ecológicos como a redução perigosa da biodiversidade) mas antes tenta lucrar com ela. Não altera portanto de forma fundamental a rota de colisão na qual qualquer economia de mercado coloca a humanidade na biosfera.
6 – Não estamos nos anos 1930. Na altura, sob a pressão de poderosos movimentos sociais, o “New Deal” redistribuiu poder e riqueza no sentido descendente. O “New New” e o “New Deal Verde” discutidos por Obama, partidos verdes em todo o mundo e mesmo algumas multinacionais visa promover a riqueza das corporações, não das pessoas.
7 – O capitalismo verde não irá desafiar o poder daqueles que actualmente emitem mais gases com efeito de estufa – as empresas produtoras de energia, companhias aéreas, fabricantes de automóveis, a agricultura industrial – antes irá simplesmente dar-lhes mais dinheiro para manter as suas taxas de lucro realizando pequenas mudanças ecológicas que serão insuficientes e tardias.
8 – Dado que globalmente os trabalhadores têm perdido o seu poder para negociar e exigir direitos e salários decentes, num sistema de capitalismo verde, os salários irão estagnar ou até declinar para anular os custos crescentes da “modernização ecológica”.
9 – O Estado no capitalismo verde será um Estado autoritário. Justificado pela ameaça da crise ecológica, vai “gerir” a revolta social que surgirá necessariamente do empobrecimento que assenta no aumento do custo de vida (alimentação, energia, etc.) e na diminuição dos salários.
10 – No capitalismo verde, os pobres terão de ser excluídos do consumo, arrastados para as margens, enquanto os mais ricos vão poder “anular” o seu comportamento cada vez mais destrutivo ambientalmente consumindo e salvando o planeta ao mesmo tempo.
11 – Um estado autoritário, grandes desigualdades sociais, riqueza dada às corporações: do ponto de vista da emancipação social e ecológica, o capitalismo verde será um desastre do qual nunca poderemos recuperar. Hoje, temos uma oportunidade de ir além da loucura suicida do crescimento constante. Amanhã, no momento em que todos nos tivermos habituado ao novo regime verde, essa oportunidade pode ter sido desperdiçada.
12 – No capitalismo verde, existe o perigo de que os grupos ambientalistas mainstream e institucionalizados cumpram o papel que os sindicatos cumpriram na era fordista: actuando como válvulas de segurança que asseguram que as exigências para a mudança social e a nossa revolta colectiva permaneçam nas fronteiras traçadas pelas necessidades do capital e dos governos.
13 – Albert Einstein definiu insanidade como “fazer a mesma coisa vezes e vezes sem conta esperando diferentes resultados”. Na década passada, apesar de Quioto, não só a concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera aumentou mas também aumentou a taxa de crescimento. Queremos simplesmente mais do mesmo? Não seria isso uma loucura?
14 – Os tratados internacionais climáticos promovem falsas soluções que frequentemente abordam mais a segurança energética que as alterações climáticas. Longe de resolver a crise, o comércio de emissões, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, a Implementação Conjunta e os “offsets” oferecem um escudo político para a produção continuada de gases de efeito de estufa com impunidade.
15 – Para muitas comunidades no Sul, estas falsas soluções (agrocombustíveis, “desertos verdes”, projectos MDL) são agora uma maior ameaça que o aquecimento global.
16 – As verdadeiras soluções para a crise climática não serão concebidas por governos ou corporações. Podem apenas emergir de baixo, de movimentos sociais pela justiça climática trabalhando numa rede global.
17 – Estas soluções incluem: a rejeição do livre comércio, da privatização e dos mecanismos de flexibilidade. Sim à soberania alimentar, sim ao decrescimento, sim à democracia radical e a deixar os recursos no subsolo.
18 – Como um movimento global pela justiça climática emergente, devemos lutar contra dois inimigos: de um lado as alterações climáticas e o capitalismo fóssil que as causa e do outro um capitalismo verde emergente que não as irá travar mas irá antes limitar a nossa capacidade para o fazer.
19 – Como é claro, alterações climáticas e comércio livre não são a mesma coisa mas o protocolo de Copenhaga será uma instância de regulação central do capitalismo verde tal como a OMC foi central para o capitalismo neoliberal. Então como nos relacionamos com ele? O grupo dinamarquês KlimaX argumenta: um bom acordo é melhor que nenhum acordo – mas nenhum acordo é bem melhor que um mau acordo.
20 – A probabilidade de que os governos consigam um “bom acordo” em Copenhaga é nula ou quase nula. O nosso objectivo deve ser portanto o de exigir um acordo em torno de soluções reais. Esqueçamos Quioto e acabemos com Copenhaga!
Alexis é um membro do Concelho Coordenador da ATTAC alemã. Tadzio faz parte do colectivo editorial Turbulence (www.turbulence.org.uk). Ambos estão activos no emergente movimento pela justiça climática e podem se contactados em againstgreencapitalism (at) googlemail.com
Tradução: Ricardo Coelho
Retirado daqui: http://www.ecoblogue.net/index.php?option=com_content&task=view&id=2864&Itemid=41
29-Dez-2008
Tadzio Mueller e Alexis Passadakis
1 – A actual crise económica mundial marca o fim da fase neoliberal do capitalismo. O “business as usual” (financiarização, desregulação, privatização...) já não é uma opção: novos espaços de acumulação e tipos de regulação política terão de ser encontrados pelos governos e pelas corporações para aguentar o capitalismo.
2 – Além das crises económica, política e energética, existe outra crise a abalar o mundo: a biocrise, resultado de um desencontro suicida entre o sistema de apoio à vida ecológico que garante a sobrevivência humana e a necessidade do capital de crescimento constante.
3 – A biocrise é um perigo imenso para a nossa sobrevivência colectiva, mas como todas as crises também apresenta a nós, movimentos sociais, com uma oportunidade histórica: atacar a jugular exposta do capitalismo, a sua necessidade de crescimento incessante, destrutivo, louco.
4 – Das propostas que emergiram das elites globais, a única que promete resolver todas estas crises é o “New Deal Verde”. Não se trata do capitalismo catita 1.0 da agricultura biológica e das turbinas eólicas urbanas, mas antes de uma proposta para uma fase “verde” do capitalismo que procura gerar lucros da modernização ecológica de determinadas áreas de produção (automóveis, energia, etc.).
5 – O capitalismo verde 2.0 não pode resolver a biocrise (alterações climáticas e outros problemas ecológicos como a redução perigosa da biodiversidade) mas antes tenta lucrar com ela. Não altera portanto de forma fundamental a rota de colisão na qual qualquer economia de mercado coloca a humanidade na biosfera.
6 – Não estamos nos anos 1930. Na altura, sob a pressão de poderosos movimentos sociais, o “New Deal” redistribuiu poder e riqueza no sentido descendente. O “New New” e o “New Deal Verde” discutidos por Obama, partidos verdes em todo o mundo e mesmo algumas multinacionais visa promover a riqueza das corporações, não das pessoas.
7 – O capitalismo verde não irá desafiar o poder daqueles que actualmente emitem mais gases com efeito de estufa – as empresas produtoras de energia, companhias aéreas, fabricantes de automóveis, a agricultura industrial – antes irá simplesmente dar-lhes mais dinheiro para manter as suas taxas de lucro realizando pequenas mudanças ecológicas que serão insuficientes e tardias.
8 – Dado que globalmente os trabalhadores têm perdido o seu poder para negociar e exigir direitos e salários decentes, num sistema de capitalismo verde, os salários irão estagnar ou até declinar para anular os custos crescentes da “modernização ecológica”.
9 – O Estado no capitalismo verde será um Estado autoritário. Justificado pela ameaça da crise ecológica, vai “gerir” a revolta social que surgirá necessariamente do empobrecimento que assenta no aumento do custo de vida (alimentação, energia, etc.) e na diminuição dos salários.
10 – No capitalismo verde, os pobres terão de ser excluídos do consumo, arrastados para as margens, enquanto os mais ricos vão poder “anular” o seu comportamento cada vez mais destrutivo ambientalmente consumindo e salvando o planeta ao mesmo tempo.
11 – Um estado autoritário, grandes desigualdades sociais, riqueza dada às corporações: do ponto de vista da emancipação social e ecológica, o capitalismo verde será um desastre do qual nunca poderemos recuperar. Hoje, temos uma oportunidade de ir além da loucura suicida do crescimento constante. Amanhã, no momento em que todos nos tivermos habituado ao novo regime verde, essa oportunidade pode ter sido desperdiçada.
12 – No capitalismo verde, existe o perigo de que os grupos ambientalistas mainstream e institucionalizados cumpram o papel que os sindicatos cumpriram na era fordista: actuando como válvulas de segurança que asseguram que as exigências para a mudança social e a nossa revolta colectiva permaneçam nas fronteiras traçadas pelas necessidades do capital e dos governos.
13 – Albert Einstein definiu insanidade como “fazer a mesma coisa vezes e vezes sem conta esperando diferentes resultados”. Na década passada, apesar de Quioto, não só a concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera aumentou mas também aumentou a taxa de crescimento. Queremos simplesmente mais do mesmo? Não seria isso uma loucura?
14 – Os tratados internacionais climáticos promovem falsas soluções que frequentemente abordam mais a segurança energética que as alterações climáticas. Longe de resolver a crise, o comércio de emissões, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, a Implementação Conjunta e os “offsets” oferecem um escudo político para a produção continuada de gases de efeito de estufa com impunidade.
15 – Para muitas comunidades no Sul, estas falsas soluções (agrocombustíveis, “desertos verdes”, projectos MDL) são agora uma maior ameaça que o aquecimento global.
16 – As verdadeiras soluções para a crise climática não serão concebidas por governos ou corporações. Podem apenas emergir de baixo, de movimentos sociais pela justiça climática trabalhando numa rede global.
17 – Estas soluções incluem: a rejeição do livre comércio, da privatização e dos mecanismos de flexibilidade. Sim à soberania alimentar, sim ao decrescimento, sim à democracia radical e a deixar os recursos no subsolo.
18 – Como um movimento global pela justiça climática emergente, devemos lutar contra dois inimigos: de um lado as alterações climáticas e o capitalismo fóssil que as causa e do outro um capitalismo verde emergente que não as irá travar mas irá antes limitar a nossa capacidade para o fazer.
19 – Como é claro, alterações climáticas e comércio livre não são a mesma coisa mas o protocolo de Copenhaga será uma instância de regulação central do capitalismo verde tal como a OMC foi central para o capitalismo neoliberal. Então como nos relacionamos com ele? O grupo dinamarquês KlimaX argumenta: um bom acordo é melhor que nenhum acordo – mas nenhum acordo é bem melhor que um mau acordo.
20 – A probabilidade de que os governos consigam um “bom acordo” em Copenhaga é nula ou quase nula. O nosso objectivo deve ser portanto o de exigir um acordo em torno de soluções reais. Esqueçamos Quioto e acabemos com Copenhaga!
Alexis é um membro do Concelho Coordenador da ATTAC alemã. Tadzio faz parte do colectivo editorial Turbulence (www.turbulence.org.uk). Ambos estão activos no emergente movimento pela justiça climática e podem se contactados em againstgreencapitalism (at) googlemail.com
Tradução: Ricardo Coelho
Retirado daqui: http://www.ecoblogue.net/index.php?option=com_content&task=view&id=2864&Itemid=41
segunda-feira, janeiro 05, 2009

Declaração Sobre Gaza
A existência de um morticínio, aqui à nossa porta, em Gaza, é um sinal da barbárie instalada. Recusamos a chamar a isso «acção de guerra»; a acção punitiva de Israel é uma violação das convenções de Genebra e dos mais elementares direitos humanitários, inserindo-se na actuação genocida de que os palestinianos têm sido vítimas. De facto,
O ataque a populações civis tem sido efectuado continuamente Os civis são impedidos de sair da zona por um cerco continuado que dura desde que o Hamas teve a maioria em 2006 (não só em Gaza, em todo os Territórios palestinianos, com 70% dos votos) Os civis são sujeitos a uma contínua e planeada escassez de alimentos, água potável, energia, medicamentos, etc., intensificada nesta ocasião pelos israelitas.
Os ataques são motivados pelo desejo de eliminação física de inimigos políticos, sendo os alvos declarados figuras políticas do movimento Hamas e da restante resistência palestiniana.
As acções de guerra de Israel são muito mais do que actos de retaliação pelos foguetes disparados a partir de Gaza, não só pela sua desproporção (mais de 400 mortos do lado palestiniano, contra 4 mortos do lado Israelita), como pelo facto de se mostrarem ineficazes.
O objectivo dos sionistas de Israel é claro: pretendem, nesta «janela de oportunidade», entre a passagem de poderes de presidente dos EUA, resolver o «problema do Hamas», com a conivência da chamada Autoridade Palestiniana.
Sucede que o "problema Hamas" nasceu do repúdio dos palestinianos pela corrupção da Autoridade a qual, para subsistir, necessita do apoio político e material de Israel. E os massacres levados a cabo por Israel, não só acentuam a resistência do povo ao inimigo sionista, como isolam a Autoridade, obrigada a brandos protestos contra as acções de Israel.
Israel é uma entidade totalmente ilegítima, uma vez que se constituiu sobre territórios conquistados pela guerra ou usurpados por leis racistas, de acordo com as quais, os palestinianos em particular e os árabes em geral são uma "raça" inferior, sem direito à legitimidade emanada dos seus textos "sagrados".
O seu objectivo, desde o início da ocupação é expulsar a população palestiniana de Gaza e da Cisjordânia, com políticas que tornam a vida normal impossível para as populações. Agora, como nos massacres de 1948 pretendem gerar uma situação de força para aceitarem, e devido tempo, uma trégua onde os palestinianos terão a oportunidade «generosa» de fugir desse inferno, do maior campo de concentração que jamais existiu!
Estamos perante um genocídio encapotado, iniciado antes da fundação do próprio estado sionista, assumindo, em certos momentos, características de «limpeza étnica». Não esqueçamos que o slogan do movimento sionista (já no século XIX) era: «para um povo sem terra (o povo judeu) uma terra sem povo (a Palestina)», pretendendo fazer passar a ideia de que a Palestina seria um quase deserto e negando, portanto, a existência do povo palestiniano constituído por gente de confissões religiosas distintas (muçulmanos, judeus e cristãos) vivendo sem conflitos confessionais.
O que permite isto tudo é a atitude de falsa neutralidade dos poderes ocidentais, incluindo a posição hipócrita de europeus, que se pretendem numa posição de equidistância quando, na verdade, é um povo inteiro que está a ser martirizado por um poder colonial. Quando considerarem a limpeza étnica suficiente, os europeus, com capacetes azuis ou de outra cor, legalizarão tudo como fizeram em relação à ex-Jugoslávia, pretendendo estabilizar uma partição étnica que Israel nunca considerará acabada enquanto não constituir o seu Eretz Israel, estado "etnicamente puro" mas, com bantustões árabes fornecedores de mão de obra precária e barata nas imediações.
Uma parte importante da opinião pública é iludida com a ideia racista de que os israelitas «são como nós» europeus, sendo os palestinianos «árabes». Isso é falso, primeiro, porque não existe um fosso político e cultural tão grande entre a população palestiniana, em que uma fracção importante adopta uma atitude laica em religião e tem um posicionamento semelhante às várias correntes políticas e ideológicas do ocidente. Depois, porque etnias ou diferenças civilizacionais não constituem fontes de legitimidade para uma classificação de um povo como superior ou inferior em relação a outros.
Trata-se, neste momento, de denunciar uma imagem falsa, difundida pelos órgãos responsáveis da UE de equidistância neutral, como se tudo se tratasse de um desaguisado entre detentores de direitos legítimos. Não há equivalência, mas, um lado agressor, opressor, colonial, culpado de genocídio e criminoso de guerra (o lado israelita) e um lado agredido, oprimido nos seus anseios legítimos, no seu direito à própria vida, vítima num genocídio que se estende por gerações (o lado palestiniano). Mesmo quando este último recorre a uma legítima e justa luta armada, a tratar-se de um combate entre «David e Golias», David, não é o futuro rei dos Judeus, mas um pastor palestiniano, lutando pelo direito à existência.
O Colectivo Luta Social (Portugal)
sexta-feira, janeiro 02, 2009
*Carta aberta de Uri Avnery a Barack Obama*

O ex-deputado do Parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela
paz, Uri Avnery, redigiu uma carta aberta ao presidente eleito dos EUA,
Barack Obama, sugerindo que o novo governo comece a agir pela paz
israelense-árabe a partir do primeiro dia. "Infelizmente, todos os seus
predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de falarem sobre paz da
boca para fora, e às vezes realizarem gestos de algum esforço pela paz, na
prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse
esforço", diz Avnery.
Redação - Carta Maior
Esta é uma carta aberta escrita por Uri Avnery, 85 anos, ex-deputado do
Knesset (Parlamento de Israel), soldado que ajudou a fundar Israel em 1948 e
que há décadas milita pela paz:
"As humildes sugestões que se seguem são baseadas nos meus 70 anos de
experiência como combatente de trincheiras, soldado das forças especiais na
guerra de 1948, editor-em-chefe de uma revista de notícias, membro do
parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz:
1) No que se refere à paz israelense-árabe, o Sr. deve agir a partir do
primeiro dia.
2) As eleições em Israel acontecerão em fevereiro de 2009. O Sr. pode ter um
impacto indireto, mas importante e construtivo já no começo, anunciando sua
determinação inequívoca de conseguir paz israelo-palestina, israelo-síria e
israelo-pan-árabe em 2009.
3) Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente.
Apesar de que falaram sobre paz da boca para fora, e às vezes realizaram
gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em
seu movimento contrário a esse esforço.
Particularmente, deram aprovação tácita à construção e ao crescimento dos
assentamentos colonizadores de Israel nos territórios ocupados da Palestina
e da Síria, cada um dos quais é uma mina subterrânea na estrada da paz.
4) Todos os assentamentos colonizadores são ilegais segundo a lei
internacional. A distinção, às vezes feita, entre postos "ilegais" e os
outros assentamentos colonizadores é pura propaganda feita para mascarar
essa simples verdade.
5) Todos os assentamentos colonizadores desde 1967 foram construídos com o
objetivo expresso de tornar um estado palestino – e portanto a paz –
impossível, ao picotar em faixas o possível projetado Estado Palestino.
Praticamente todos os departamentos de governo e o exército têm ajudado,
aberta ou secretamente, a construir, consolidar e aumentar os assentamentos,
como confirma o relatório preparado para o governo pela advogada Talia
Sasson.
6) A estas alturas, o número de colonos na Cisjordânia já chegou a uns
250.000 (além dos 200.000 colonos da Grande Jerusalém, cujo estatuto é um
pouco diferente). Eles estão politicamente isolados e são às vezes
detestados pela maioria do público israelense, mas desfrutam de apoio
significativo nos ministérios de governo e no exército.
7) Nenhum governo israelense ousaria confrontar a força material e política
concentrada dos colonos. Esse confronto exigiria uma liderança muito forte e
o apoio generoso do Presidente dos Estados Unidos para que tivesse qualquer
chance de sucesso.
Na ausência de tudo isso, todas as "negociações de paz" são uma farsa. O
governo israelense e seus apoiadores nos Estados Unidos já fizeram tudo o
que é possível para impedir que as negociações com os palestinos ou com os
sírios cheguem a qualquer conclusão, por causa do medo de enfrentar os
colonos e seus apoiadores. As atuais negociações de "Annapolis" são tão
vazias como as precedentes, com cada lado mantendo o fingimento por
interesses politicos próprios.
9) A administração Clinton, e ainda mais a administração Bush, permitiram
que o governo israelense mantivesse o fingimento. É, portanto, imperativo
que se impeça que os membros dessas administrações desviem a política que
terá o Sr. para o Oriente Médio na direção dos velhos canais.
10) É importante que o Sr. comece de novo e diga-o publicamente. Idéias
desacreditadas e iniciativas falidas – como a "visão" de Bush, o "mapa do
caminho", Anápolis e coisas do tipo – devem ser lançadas à lata de lixo da
história.
11) Para começar de novo, o alvo da política americana deve ser dito clara e
sucintamente: atingir uma paz baseada numa solução biestatal dentro de um
prazo de tempo (digamos, o fim de 2009).
12) Deve-se assinalar que este objetivo se baseia numa reavaliação do
interesse nacional americano, de remover o veneno das relações
muçulmano-americanas e árabe-americanas, fortalecer os regimes dedicados à
paz, derrotar o terrorismo da Al-Qaeda, terminar as guerras do Iraque e do
Afeganistão e atingir uma acomodação viável com o Irã.
13) Os termos da paz israelo-palestina são claros. Já foram cristalizados em
milhares de horas de negociações, colóquios, encontros e conversas. São
eles:
a) estabelecer-se-á um Estado da Palestina soberano e viável lado a lado com
o Estado de Israel.
b) A fronteira entre os dois estados se baseará na linha de armistício de
1967 (a "Linha verde"). Alterações não substanciais poderão ser feitas por
concordância mútua numa troca de territórios em base 1: 1.
c) Jerusalém Oriental, incluindo-se o Haram-al-Sharif (o "Monte do Templo")
e todos os bairros árabes servirão como Capital da Palestina. Jerusalém
Ocidental, incluindo-se o Muro Ocidental e todos os bairros judeus, servirão
como Capital de Israel. Uma autoridade municipal conjunta, baseada na
igualdade, poderia se estabelecer por aceitação mútua, para administrar a
cidade como uma unidade territorial.
d) Todos os assentamentos colonizadores de Israel – exceto aqueles que
possam ser anexados no marco de uma troca consensual – serão esvaziados
(veja-se o 15 abaixo)
e) Israel reconhecerá o princípio do direito de retorno dos refugiados. Uma
Comissão Conjunta de Verdade e Reconciliação, composta por palestinos,
israelesnses e historiadores internacionais estudará os fatos de 1948 e 1967
e determinará quem foi responsável por cada coisa. O refugiado,
individualmente, terá a escolha de 1) repatriação para o Estado da
Palestina; 2) permanência onde estiver agora, com compensação generosa; 3)
retorno e reassentamento em Israel; 4) migração a outro país, com
compensação generosa. O número de refugiados que retornarão ao território de
Israel será fixado por acordo mútuo, entendendo-se que não se fará nada para
materialmente alterar a composição demográfica da população de Israel. As
polpuldas verbas necessárias para a implementação desta solução devem ser
fornecidas pela comunidade internacional, no interesse da paz planetária.
Isto economizaria muito do dinheiro gasto hoje militarmente e a partir de
presentes dos EUA.
f) A Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza constituirão uma
unidade nacional. Um vínculo extra-territorial (estrada, trilho, túnel ou
ponte) ligará a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.
g) Israel e Síria assinarão um acordo de paz. Israel recuará até a linha de
1967 e todos os assentamentos colonizadores das Colinas de Golã serão
desmantelados. A Síria interromperá todas as atividades anti-Israel,
conduzidas direta ou vicariamente. Os dois lados estabelecerão relações
normais.
h) De acordo com a Iniciativa Saudita de Paz, todos os membros da Liga Árabe
reconhecerão Israel, e terão com Israel relações normais. Poder-se-á
considerar conversações sobre uma futura União do Oriente Médio, no modelo
da União Européia, possivelmente incluindo a Turquia e o Irã.
14)A unidade palestina é essencial. A paz feita só com um naco da população
de nada vale. Os Estados Unidos facilitarão a reconciliação palestina e a
unificação das estruturas palestinas. Para isso, os EUA terminarão com o seu
boicote ao Hamas (que ganhou as últimas eleições), começarão um diálogo
político com o movimento e sugerirão que Israel faça o mesmo. Os EUA
respeitarão quaisquer resultados de eleições palestinas.
15) O governo dos EUA ajudará o governo de Israel a enfrentar-se com o
problema dos assentamentos colonizadores. A partir de agora, os colonos
terão um ano para deixar os territórios ocupados e voluntariamente voltar em
troca de compensação que lhes permitirá construir seus lares dentro de
Israel. Depois disso, todos os assentamentos serão esvaziados, exceto
aqueles em quaisquer áreas anexadas a Israel sob o acordo de paz.
16) Eu sugiro ao Sr., como Presidente dos Estados Unidos, que venha a Israel
e se dirija ao povo israelense pessoalmente, não só no pódio do parlamento,
mas também num comício de massas na Praça Rabin em Tel-Aviv. O Presidente
Anwar Sadat, do Egito, veio a Israel em 1977 e, ao se dirigir ao povo de
Israel diretamente, mudou em tudo a atitude deles em relação à paz com o
Egito. No momento, a maioria dos israelenses se sente insegura, incerta e
temerosa de qualquer iniciativa ousada de paz, em parte graças a uma
desconfiança de qualquer coisa que venha do lado árabe. A intervenção do
Sr., neste momento crítico, poderia, literalmente, fazer milagres, ao criar
a base psicológica para a paz.
*Tradução: Idelber Avelar*
*30/12/08*
O ex-deputado do Parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela
paz, Uri Avnery, redigiu uma carta aberta ao presidente eleito dos EUA,
Barack Obama, sugerindo que o novo governo comece a agir pela paz
israelense-árabe a partir do primeiro dia. "Infelizmente, todos os seus
predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de falarem sobre paz da
boca para fora, e às vezes realizarem gestos de algum esforço pela paz, na
prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse
esforço", diz Avnery.
Redação - Carta Maior
Esta é uma carta aberta escrita por Uri Avnery, 85 anos, ex-deputado do
Knesset (Parlamento de Israel), soldado que ajudou a fundar Israel em 1948 e
que há décadas milita pela paz:
"As humildes sugestões que se seguem são baseadas nos meus 70 anos de
experiência como combatente de trincheiras, soldado das forças especiais na
guerra de 1948, editor-em-chefe de uma revista de notícias, membro do
parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz:
1) No que se refere à paz israelense-árabe, o Sr. deve agir a partir do
primeiro dia.
2) As eleições em Israel acontecerão em fevereiro de 2009. O Sr. pode ter um
impacto indireto, mas importante e construtivo já no começo, anunciando sua
determinação inequívoca de conseguir paz israelo-palestina, israelo-síria e
israelo-pan-árabe em 2009.
3) Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente.
Apesar de que falaram sobre paz da boca para fora, e às vezes realizaram
gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em
seu movimento contrário a esse esforço.
Particularmente, deram aprovação tácita à construção e ao crescimento dos
assentamentos colonizadores de Israel nos territórios ocupados da Palestina
e da Síria, cada um dos quais é uma mina subterrânea na estrada da paz.
4) Todos os assentamentos colonizadores são ilegais segundo a lei
internacional. A distinção, às vezes feita, entre postos "ilegais" e os
outros assentamentos colonizadores é pura propaganda feita para mascarar
essa simples verdade.
5) Todos os assentamentos colonizadores desde 1967 foram construídos com o
objetivo expresso de tornar um estado palestino – e portanto a paz –
impossível, ao picotar em faixas o possível projetado Estado Palestino.
Praticamente todos os departamentos de governo e o exército têm ajudado,
aberta ou secretamente, a construir, consolidar e aumentar os assentamentos,
como confirma o relatório preparado para o governo pela advogada Talia
Sasson.
6) A estas alturas, o número de colonos na Cisjordânia já chegou a uns
250.000 (além dos 200.000 colonos da Grande Jerusalém, cujo estatuto é um
pouco diferente). Eles estão politicamente isolados e são às vezes
detestados pela maioria do público israelense, mas desfrutam de apoio
significativo nos ministérios de governo e no exército.
7) Nenhum governo israelense ousaria confrontar a força material e política
concentrada dos colonos. Esse confronto exigiria uma liderança muito forte e
o apoio generoso do Presidente dos Estados Unidos para que tivesse qualquer
chance de sucesso.
Na ausência de tudo isso, todas as "negociações de paz" são uma farsa. O
governo israelense e seus apoiadores nos Estados Unidos já fizeram tudo o
que é possível para impedir que as negociações com os palestinos ou com os
sírios cheguem a qualquer conclusão, por causa do medo de enfrentar os
colonos e seus apoiadores. As atuais negociações de "Annapolis" são tão
vazias como as precedentes, com cada lado mantendo o fingimento por
interesses politicos próprios.
9) A administração Clinton, e ainda mais a administração Bush, permitiram
que o governo israelense mantivesse o fingimento. É, portanto, imperativo
que se impeça que os membros dessas administrações desviem a política que
terá o Sr. para o Oriente Médio na direção dos velhos canais.
10) É importante que o Sr. comece de novo e diga-o publicamente. Idéias
desacreditadas e iniciativas falidas – como a "visão" de Bush, o "mapa do
caminho", Anápolis e coisas do tipo – devem ser lançadas à lata de lixo da
história.
11) Para começar de novo, o alvo da política americana deve ser dito clara e
sucintamente: atingir uma paz baseada numa solução biestatal dentro de um
prazo de tempo (digamos, o fim de 2009).
12) Deve-se assinalar que este objetivo se baseia numa reavaliação do
interesse nacional americano, de remover o veneno das relações
muçulmano-americanas e árabe-americanas, fortalecer os regimes dedicados à
paz, derrotar o terrorismo da Al-Qaeda, terminar as guerras do Iraque e do
Afeganistão e atingir uma acomodação viável com o Irã.
13) Os termos da paz israelo-palestina são claros. Já foram cristalizados em
milhares de horas de negociações, colóquios, encontros e conversas. São
eles:
a) estabelecer-se-á um Estado da Palestina soberano e viável lado a lado com
o Estado de Israel.
b) A fronteira entre os dois estados se baseará na linha de armistício de
1967 (a "Linha verde"). Alterações não substanciais poderão ser feitas por
concordância mútua numa troca de territórios em base 1: 1.
c) Jerusalém Oriental, incluindo-se o Haram-al-Sharif (o "Monte do Templo")
e todos os bairros árabes servirão como Capital da Palestina. Jerusalém
Ocidental, incluindo-se o Muro Ocidental e todos os bairros judeus, servirão
como Capital de Israel. Uma autoridade municipal conjunta, baseada na
igualdade, poderia se estabelecer por aceitação mútua, para administrar a
cidade como uma unidade territorial.
d) Todos os assentamentos colonizadores de Israel – exceto aqueles que
possam ser anexados no marco de uma troca consensual – serão esvaziados
(veja-se o 15 abaixo)
e) Israel reconhecerá o princípio do direito de retorno dos refugiados. Uma
Comissão Conjunta de Verdade e Reconciliação, composta por palestinos,
israelesnses e historiadores internacionais estudará os fatos de 1948 e 1967
e determinará quem foi responsável por cada coisa. O refugiado,
individualmente, terá a escolha de 1) repatriação para o Estado da
Palestina; 2) permanência onde estiver agora, com compensação generosa; 3)
retorno e reassentamento em Israel; 4) migração a outro país, com
compensação generosa. O número de refugiados que retornarão ao território de
Israel será fixado por acordo mútuo, entendendo-se que não se fará nada para
materialmente alterar a composição demográfica da população de Israel. As
polpuldas verbas necessárias para a implementação desta solução devem ser
fornecidas pela comunidade internacional, no interesse da paz planetária.
Isto economizaria muito do dinheiro gasto hoje militarmente e a partir de
presentes dos EUA.
f) A Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza constituirão uma
unidade nacional. Um vínculo extra-territorial (estrada, trilho, túnel ou
ponte) ligará a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.
g) Israel e Síria assinarão um acordo de paz. Israel recuará até a linha de
1967 e todos os assentamentos colonizadores das Colinas de Golã serão
desmantelados. A Síria interromperá todas as atividades anti-Israel,
conduzidas direta ou vicariamente. Os dois lados estabelecerão relações
normais.
h) De acordo com a Iniciativa Saudita de Paz, todos os membros da Liga Árabe
reconhecerão Israel, e terão com Israel relações normais. Poder-se-á
considerar conversações sobre uma futura União do Oriente Médio, no modelo
da União Européia, possivelmente incluindo a Turquia e o Irã.
14)A unidade palestina é essencial. A paz feita só com um naco da população
de nada vale. Os Estados Unidos facilitarão a reconciliação palestina e a
unificação das estruturas palestinas. Para isso, os EUA terminarão com o seu
boicote ao Hamas (que ganhou as últimas eleições), começarão um diálogo
político com o movimento e sugerirão que Israel faça o mesmo. Os EUA
respeitarão quaisquer resultados de eleições palestinas.
15) O governo dos EUA ajudará o governo de Israel a enfrentar-se com o
problema dos assentamentos colonizadores. A partir de agora, os colonos
terão um ano para deixar os territórios ocupados e voluntariamente voltar em
troca de compensação que lhes permitirá construir seus lares dentro de
Israel. Depois disso, todos os assentamentos serão esvaziados, exceto
aqueles em quaisquer áreas anexadas a Israel sob o acordo de paz.
16) Eu sugiro ao Sr., como Presidente dos Estados Unidos, que venha a Israel
e se dirija ao povo israelense pessoalmente, não só no pódio do parlamento,
mas também num comício de massas na Praça Rabin em Tel-Aviv. O Presidente
Anwar Sadat, do Egito, veio a Israel em 1977 e, ao se dirigir ao povo de
Israel diretamente, mudou em tudo a atitude deles em relação à paz com o
Egito. No momento, a maioria dos israelenses se sente insegura, incerta e
temerosa de qualquer iniciativa ousada de paz, em parte graças a uma
desconfiança de qualquer coisa que venha do lado árabe. A intervenção do
Sr., neste momento crítico, poderia, literalmente, fazer milagres, ao criar
a base psicológica para a paz.
*Tradução: Idelber Avelar*
*30/12/08*
terça-feira, dezembro 23, 2008
sexta-feira, dezembro 19, 2008
PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES
(Autoria: Geraldo Vandré)
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção…
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…
Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão…
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…
Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão…
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não…
Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição…
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…
(Autoria: Geraldo Vandré)
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção…
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…
Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão…
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…
Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão…
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não…
Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição…
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…
segunda-feira, dezembro 01, 2008
O Analfabeto Político
Berthold Brecht
O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.
(Berthold Brecht)
Berthold Brecht
O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.
(Berthold Brecht)
quarta-feira, novembro 26, 2008
CADEP
O CADEP- Colectivo Açoriano para a Defesa da Escola Pública é um movimento de professores que tem como principais fins a defesa de uma escola pública democrática, de qualidade e de sucesso e a dignidade da profissão docente.
O CADEP não pretende substituir as organizações já existentes, sejam elas de carácter cívico, sindical ou partidário. Pelo contrário, é seu objectivo promover a união de todos os que estejam disponíveis para a defesa da Escola Pública e da qualidade do ensino.
Em profundo desacordo com o ECDRAA- Estatuto da Carreira Docente na Região Autónoma dos Açores, publicado no Diário da República no dia 30 de Agosto de 2007, o qual agravou a situação profissional de todos os docentes, prolongando a sua carreira, introduzindo um regime de faltas atentatório dos direitos de todos os trabalhadores e um inaceitável sistema de avaliação, o CADEP elege como tarefas imediatas a luta:
- pela revogação do Estatuto da Carreira Docente nos Açores (ECDRAA), publicado pelo Decreto Legislativo Regional nº 21/2007/A, de 30 de Agosto.
- em defesa de um sistema de avaliação formativo e participativo que valorize o efectivo desempenho dos docentes e pela imediata suspensão do modelo actual.
Teófilo Braga, Escola Secundária das Laranjeiras
Lúcia Ventura, Escola Secundária de Lagoa
Victor Medina, Escola Básica Integrada dos Biscoitos
Luís Filipe Fernandes Bettencourt, Escola Secundária Vitorino Nemésio
João Pacheco, Escola Básica Integrada da Ribeira Grande
Filipe Sancho, Escola Básica Integrada da Praia da Vitória
Rui Soares Alcântara, Escola Secundária de Ribeira Grande
Pedro Pacheco, Escola Secundária Antero de Quental
Mário Furtado, Escola Secundária Manuel de Arriaga
Célia Figueiredo, Escola Secundária das Laranjeiras
Helena Primo, Escola Básica Integrada Canto da Maia
O CADEP- Colectivo Açoriano para a Defesa da Escola Pública é um movimento de professores que tem como principais fins a defesa de uma escola pública democrática, de qualidade e de sucesso e a dignidade da profissão docente.
O CADEP não pretende substituir as organizações já existentes, sejam elas de carácter cívico, sindical ou partidário. Pelo contrário, é seu objectivo promover a união de todos os que estejam disponíveis para a defesa da Escola Pública e da qualidade do ensino.
Em profundo desacordo com o ECDRAA- Estatuto da Carreira Docente na Região Autónoma dos Açores, publicado no Diário da República no dia 30 de Agosto de 2007, o qual agravou a situação profissional de todos os docentes, prolongando a sua carreira, introduzindo um regime de faltas atentatório dos direitos de todos os trabalhadores e um inaceitável sistema de avaliação, o CADEP elege como tarefas imediatas a luta:
- pela revogação do Estatuto da Carreira Docente nos Açores (ECDRAA), publicado pelo Decreto Legislativo Regional nº 21/2007/A, de 30 de Agosto.
- em defesa de um sistema de avaliação formativo e participativo que valorize o efectivo desempenho dos docentes e pela imediata suspensão do modelo actual.
Teófilo Braga, Escola Secundária das Laranjeiras
Lúcia Ventura, Escola Secundária de Lagoa
Victor Medina, Escola Básica Integrada dos Biscoitos
Luís Filipe Fernandes Bettencourt, Escola Secundária Vitorino Nemésio
João Pacheco, Escola Básica Integrada da Ribeira Grande
Filipe Sancho, Escola Básica Integrada da Praia da Vitória
Rui Soares Alcântara, Escola Secundária de Ribeira Grande
Pedro Pacheco, Escola Secundária Antero de Quental
Mário Furtado, Escola Secundária Manuel de Arriaga
Célia Figueiredo, Escola Secundária das Laranjeiras
Helena Primo, Escola Básica Integrada Canto da Maia
sexta-feira, novembro 14, 2008
Avaliação do desempenho nos Açores: SDPA é o único Sindicato a exigir a sua suspensão
Na sequência de uma entrevista dada pelo Presidente do SDPA, Fernando Marques Fernandes, ao Diário Insular, eis o texto integral da notícia hoje publicada nesse jornal, esclarecedora sobre as posições dos Sindicatos e de Álamo de Meneses, quanto à avaliação do desempenho dos docentes nos Açores.
Centenas de professores subscreveram uma moção do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores que apela ao Governo Regional a suspensão da avaliação dos docentes.
O presidente do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores, Fernando Marques Fernandes, disse ontem ao DI que a moção deverá ser entregue ao titular da pasta da Educação do próximo Governo Regional que será empossado terça-feira na Assembleia Legislativa.
De acordo com o texto da moção com a entrada em vigor do Estatuto da Carreira Docente dos Açores “foi imposto um modelo de avaliação do desempenho normativo, anual, burocratizado e que parte do princípio da desconfiança do trabalho dos educadores de infância e dos professores”.
Segundo o documento elaborado pela referida estrutura sindical, “este modelo de avaliação, que não passa de um sistema de notação funcional, realizada após o ano lectivo estar finalizado, sem qualquer cunho colegial e formativo e sem impacto na melhoria efectiva da prática docente, constitui-se como um instrumento administrativo de gestão das carreiras e das progressões dos docentes, penalizador e punitivo”.
Ainda de acordo com a moção, não houve formação dos avaliados e avaliadores e também não existe uma uniformização de procedimentos.
Adianta que o processo de avaliação “é burocrático e de uma imensa complexidade documental” e que os instrumentos utilizados “não contemplam a diversidade das funções docentes”.
Por seu turno, o presidente do Sindicato dos Professores da Região Açores, Armando Dutra, considera que “é prematuro tomar qualquer posição sobre um processo que ainda está no início e que não terá efeitos este ano na carreira dos professores açorianos.
“Vamos aguardar para ver como o processo vai decorrer para depois tomar uma posição”, afirmou.
Entretanto, o secretário regional da Educação e Ciência, Álamo Meneses, destacou o facto de a avaliação dos professores nos Açores ser diferente da que está a ser efectuada no continente.
Álamo Meneses referiu que o processo de avaliação não terá reflexos na progressão da carreira docente.
“É pena que haja sindicatos que em vez de olharem para o que de bom se passa nos Açores estejam mais interessados em seguir o que acontece no continente”, afirmou.
in Diário Insular
14/11/2008
Nota- Com sindicalistas pró-governo não são precisos sindicatos
Na sequência de uma entrevista dada pelo Presidente do SDPA, Fernando Marques Fernandes, ao Diário Insular, eis o texto integral da notícia hoje publicada nesse jornal, esclarecedora sobre as posições dos Sindicatos e de Álamo de Meneses, quanto à avaliação do desempenho dos docentes nos Açores.
Centenas de professores subscreveram uma moção do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores que apela ao Governo Regional a suspensão da avaliação dos docentes.
O presidente do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores, Fernando Marques Fernandes, disse ontem ao DI que a moção deverá ser entregue ao titular da pasta da Educação do próximo Governo Regional que será empossado terça-feira na Assembleia Legislativa.
De acordo com o texto da moção com a entrada em vigor do Estatuto da Carreira Docente dos Açores “foi imposto um modelo de avaliação do desempenho normativo, anual, burocratizado e que parte do princípio da desconfiança do trabalho dos educadores de infância e dos professores”.
Segundo o documento elaborado pela referida estrutura sindical, “este modelo de avaliação, que não passa de um sistema de notação funcional, realizada após o ano lectivo estar finalizado, sem qualquer cunho colegial e formativo e sem impacto na melhoria efectiva da prática docente, constitui-se como um instrumento administrativo de gestão das carreiras e das progressões dos docentes, penalizador e punitivo”.
Ainda de acordo com a moção, não houve formação dos avaliados e avaliadores e também não existe uma uniformização de procedimentos.
Adianta que o processo de avaliação “é burocrático e de uma imensa complexidade documental” e que os instrumentos utilizados “não contemplam a diversidade das funções docentes”.
Por seu turno, o presidente do Sindicato dos Professores da Região Açores, Armando Dutra, considera que “é prematuro tomar qualquer posição sobre um processo que ainda está no início e que não terá efeitos este ano na carreira dos professores açorianos.
“Vamos aguardar para ver como o processo vai decorrer para depois tomar uma posição”, afirmou.
Entretanto, o secretário regional da Educação e Ciência, Álamo Meneses, destacou o facto de a avaliação dos professores nos Açores ser diferente da que está a ser efectuada no continente.
Álamo Meneses referiu que o processo de avaliação não terá reflexos na progressão da carreira docente.
“É pena que haja sindicatos que em vez de olharem para o que de bom se passa nos Açores estejam mais interessados em seguir o que acontece no continente”, afirmou.
in Diário Insular
14/11/2008
Nota- Com sindicalistas pró-governo não são precisos sindicatos
quarta-feira, novembro 05, 2008
Uma Carta Aberta a Barack Obama
Entre a Esperança e a Realidade
Ralph Nader; 3 de Novembro de 2008
Caro Senador Obama:
Nos seus dois anos de campanha presidencial, as palavras “esperança e mudança”, “mudança e esperança” foram as suas expressões de marca. Há, no entanto, uma assimetria entre esses objectivos e o seu carácter político que sucumbe a centros de poder opostos que não querem “esperança e mudança” mas sim a continuação do statu quo do poder estabelecido.
Muito mais do que o Senador McCain, você recebeu contribuições enormes e sem precedentes da parte de interesses corporativos, interesses de Wall Street e, mais interessante, firmas de advogados de grandes corporações. Nunca antes um candidato Democrata a Presidente conseguiu tal supremacia sobre o seu oponente Republicano. Porque é que, para além dos seu voto incondicional a favor da entrega de 700 mil milhões de dólares a Wall Street, estão estes interesses de grandes corporações a investir tanto no Senador Obama? Será que o seu historial no Senado estadual, o seu historial no Senado dos EUA e o historial da sua campanha presidencial (a favor da energia nuclear, centrais a carvão, perfurações petrolíferas marítimas, subsídios empresariais incluindo a Lei de Mineração 1872 e evitando qualquer programa geral para perseguir a onda de crime corporativo e o empolado e dispendioso orçamento militar, por exemplo) mostrou que você era o homem deles?
Para avançar com mudança e esperança, a personalidade presidencial necessita de carácter, coragem, integridade – e não diligência, acomodação e oportunismo de vistas curtas. Veja, por exemplo, a sua transformação de um expedito defensor dos direitos palestinianos em Chicago, antes de concorrer ao Senado dos EUA, num acólito, um seguidor da linha dura do lóbi da AIPAC [Comissão de Actividades Políticas América-Israel], que sustenta a opressão militarista, a ocupação, o bloqueio, a colonização e as apropriações de água e território ao longo dos anos do povo palestiniano e dos seus territórios encurtados na Cisjordânia e Gaza. Eric Alterman fez um resumo de inúmeras sondagens na revista The Nation de Dezembro de 2007, mostrando que as políticas da AIPAC têm a oposição de uma maioria de judeus-americanos.
Você sabe muito bem que só quando o Governo dos EUA apoiar os movimentos de paz israelitas e palestinianos, que há anos atrás forjaram uma solução de dois estados (que é apoiada pelas maioria dos israelitas e dos palestinianos), haverá oportunidade para uma resolução pacífica para este conflito com mais de 60 anos. No entanto, você alinhou como os da linha dura, de tal modo que no seu infame e pouco dignificante discurso na convenção da AIPAC, logo depois de ter ganho as eleições dentro do Partido Democrata, você defendeu uma «Jerusalém não dividida» e opôs-se a negociações com o Hamas – o governo eleito em Gaza. Mais uma vez, você ignorou a vontade do povo israelita que, numa sondagem de 1 de Março de 2008 do respeitado jornal Haaretz, mostrou que 64% dos israelitas são favoráveis a «negociações directas com o Hamas». Estar ao lado da linha dura da AIPAC é aquilo que um dos muitos proeminentes palestinianos que advogam o diálogo e a paz com o povo de Israel estava a descrever quando escreveu «O anti-semitismo de hoje é a perseguição da sociedade palestiniana pelo estado de Israel».
Durante a sua visita a Israel neste Verão, você programou uns meros 45 minutos do seu tempo para os palestinianos, sem nenhuma conferência de imprensa, e sem visitar nenhum campo de refugiados palestinianos, o que traria o foco dos meios de comunicação sobre a brutalização dos palestinianos. A sua visita apoiou o ilegal e cruel bloqueio de Gaza,desafiando o direito internacional e a carta das Nações Unidas. Você focou as vítimas do sul de Israel que durante o último ano totalizaram 1 vítima por cada 400 palestinianos vitimados do lado de Gaza. Em vez de fazer uma declaração que condenasse toda a violência e a sua substituição por uma aceitação da proposta de 2002 da Liga Árabe de permitir um estado palestiniano viável dentro das fronteiras de 1967, em troca de relações económicas e diplomáticas entre os países árabes e Israel, você desempenhou um papel de político barato, deixando a zona e os palestinianos com um sentimento de muito choque e pouco assombro.
David Levy, um antigo negociador de paz israelita, descreveu a sua viagem sucintamente: «Houve quase uma obstinada demonstração de indiferença ao facto de haver aqui duas narrativas. Isto pode ser-lhe útil como candidato, mas não como Presidente».
O comentador palestiniano-americano, Ali Abunimah, sublinhou que Obama não balbuciou uma única crítica a Israel, «à sua impiedosa construção de colonatos e do muro, das restrições que tornam a vida insuportável a milhões de palestinianos. …Até a administração Bush criticou recentemente o uso por parte de Israel de bombas de fragmentação contra civis libaneses [ver www.atfl.org para mais informação]. Mas Obama defendeu o ataque de Israel ao Líbano como um exercício do seu “legítimo direito a se defender”».
Em numerosos artigos de opinião, Gideon Levy, escrevendo no Haaretz, criticou duramente o ataque do governo de Israel aos civis de Gaza, incluindo ataques «ao coração de um lotado campo de refugiados… com horrível chacina» no início de 2008.
O escritor israelita e defensor da paz – Uri Avnery – descreveu a presença de Obama perante a AIPAC como uma presença que «bateu todos os recordes de subserviência e bajulação», acrescentando que Obama «está preparado para sacrificar os mais básicos interesses americanos. No fundo, os EUA têm um interesse vital em conseguir a paz entre Israel e a Palestina que permita encontrar caminhos até ao coração das massas árabes desde o Iraque até Marrocos. Obama danificou a sua imagem no mundo muçulmano e hipotecou o seu futuro – se e quando ele for eleito presidente», afirmou ele, acrescentando, «De uma coisa eu estou certo: as declarações de Obama na conferência da AIPAC são muito, muito más para a paz. E o que é mau para a paz é mau para Israel, mau para o mundo e mau para o povo palestiniano».
Outra ilustração da sua falta de carácter é a forma como você virou as costas aos muçulmanos americanos deste país. Você recusou-se a enviar representantes para falarem com eleitores nos seus eventos. Tendo visitado numerosas igrejas e sinagogas, recusou-se a visitar uma única mesquita na América. Até George W. Bush visitou a Grande Mesquita de Washington D.C. depois do 11 de Setembro para expressar sentimentos de tolerância perante um grande grupo religioso de inocentes amedrontados.
Apesar do jornal New York Times ter publicado um artigo a 24 de Junho de 2008 intitulado “Eleitores Muçulmanos Detectam Desprezo da parte de Obama” (por Andrea Elliott), enumerando exemplos da sua aversão a estes americanos que vêm de todos os estratos sociais, que integram as forças armadas e que trabalham para viver o sonho americano. Três dias antes, o jornal International Herald Tribune publicou um artigo de Roger Cohen intitulado “Porque é que Obama Deveria Visitar uma Mesquita”. Nenhum destes comentários e relatos mudaram a sua atitude relativamente aos muçulmanos americanos – apesar do seu pai ser um muçulmano do Quénia.
Talvez nada tenha ilustrado a sua enorme falta de coragem política ou mesmo a versão mais suave deste comportamento do que a sua rendição a exigências da linha dura para proibir que o antigo presidente Jimmy Carter discursasse na Convenção Nacional Democrata. Esta é uma tradição para os antigos presidentes e um deles, Bill Clinton, teve este ano direito a ela no horário nobre.
Aqui estava um presidente que negociou a paz entre Israel e o Egipto, mas o seu recente livro que pressiona o dominante super-poder israelita a não fazer um apartheid aos palestinianos e a fazer a paz, foi o bastante para o pôr de lado. Em vez de um importante discurso à nação por parte de Jimmy Carter sobre este crucial problema internacional, ele foi relegado a uma volta em cima do palco e a um “tumultuoso aplauso”, seguido do visionamento de um filme sobre o trabalho pós-Katrina do Carter Center. Que vergonha, Barack Obama!
Mas o seu comportamento vergonhoso estendeu-se a muitas outras áreas da vida americana. (Ver a análise factual do meu parceiro de candidatura, Matt Gonzalez, em www.votenader.org). Você virou as costas a 100 milhões de americanos pobres onde se incluem pobres brancos, afro-americanos e latinos. Mencionou sempre a “classe média” mas omitiu, repetidamente, uma menção à América pobre.
Sendo eleito Presidente, terá se ser mais do que uma promoção de carreira sem precedentes depois de uma campanha brilhantemente sem princípios, que falou de “mudança” mas demonstrou uma verdadeira sujeição à concentração de poder das “supremas corporações”. Tem de ser sobre uma mudança de poder dos poucos para os muitos. Tem de ser uma Casa Branca presidida por um homem negro que não vira as costas aos oprimidos daqui e do estrangeiro, mas que desafia as forças da ganância, do controlo ditatorial do trabalho, dos consumidores e dos contribuintes, e da militarização da política externa. Tem de ser uma Casa Branca que transforme a política americana – abrindo-a ao financiamento público das eleições (através de aproximações voluntárias) – e permitindo que candidatos mais pequenos possam ter hipóteses de serem ouvidos em debates no cumprimento das suas liberdades civis agora restringidas. Chame-lhe uma democracia competitiva.
A sua campanha presidencial, uma e outra vez, demonstrou posições cobardes. Alguns dizem que a “Esperança” é a última a morrer. Mas não quando a “realidade” a consome diariamente.
Sinceramente, Ralph Nader
Fonte: CounterPunch
(Extraído de Informação Alternativa)
Entre a Esperança e a Realidade
Ralph Nader; 3 de Novembro de 2008
Caro Senador Obama:
Nos seus dois anos de campanha presidencial, as palavras “esperança e mudança”, “mudança e esperança” foram as suas expressões de marca. Há, no entanto, uma assimetria entre esses objectivos e o seu carácter político que sucumbe a centros de poder opostos que não querem “esperança e mudança” mas sim a continuação do statu quo do poder estabelecido.
Muito mais do que o Senador McCain, você recebeu contribuições enormes e sem precedentes da parte de interesses corporativos, interesses de Wall Street e, mais interessante, firmas de advogados de grandes corporações. Nunca antes um candidato Democrata a Presidente conseguiu tal supremacia sobre o seu oponente Republicano. Porque é que, para além dos seu voto incondicional a favor da entrega de 700 mil milhões de dólares a Wall Street, estão estes interesses de grandes corporações a investir tanto no Senador Obama? Será que o seu historial no Senado estadual, o seu historial no Senado dos EUA e o historial da sua campanha presidencial (a favor da energia nuclear, centrais a carvão, perfurações petrolíferas marítimas, subsídios empresariais incluindo a Lei de Mineração 1872 e evitando qualquer programa geral para perseguir a onda de crime corporativo e o empolado e dispendioso orçamento militar, por exemplo) mostrou que você era o homem deles?
Para avançar com mudança e esperança, a personalidade presidencial necessita de carácter, coragem, integridade – e não diligência, acomodação e oportunismo de vistas curtas. Veja, por exemplo, a sua transformação de um expedito defensor dos direitos palestinianos em Chicago, antes de concorrer ao Senado dos EUA, num acólito, um seguidor da linha dura do lóbi da AIPAC [Comissão de Actividades Políticas América-Israel], que sustenta a opressão militarista, a ocupação, o bloqueio, a colonização e as apropriações de água e território ao longo dos anos do povo palestiniano e dos seus territórios encurtados na Cisjordânia e Gaza. Eric Alterman fez um resumo de inúmeras sondagens na revista The Nation de Dezembro de 2007, mostrando que as políticas da AIPAC têm a oposição de uma maioria de judeus-americanos.
Você sabe muito bem que só quando o Governo dos EUA apoiar os movimentos de paz israelitas e palestinianos, que há anos atrás forjaram uma solução de dois estados (que é apoiada pelas maioria dos israelitas e dos palestinianos), haverá oportunidade para uma resolução pacífica para este conflito com mais de 60 anos. No entanto, você alinhou como os da linha dura, de tal modo que no seu infame e pouco dignificante discurso na convenção da AIPAC, logo depois de ter ganho as eleições dentro do Partido Democrata, você defendeu uma «Jerusalém não dividida» e opôs-se a negociações com o Hamas – o governo eleito em Gaza. Mais uma vez, você ignorou a vontade do povo israelita que, numa sondagem de 1 de Março de 2008 do respeitado jornal Haaretz, mostrou que 64% dos israelitas são favoráveis a «negociações directas com o Hamas». Estar ao lado da linha dura da AIPAC é aquilo que um dos muitos proeminentes palestinianos que advogam o diálogo e a paz com o povo de Israel estava a descrever quando escreveu «O anti-semitismo de hoje é a perseguição da sociedade palestiniana pelo estado de Israel».
Durante a sua visita a Israel neste Verão, você programou uns meros 45 minutos do seu tempo para os palestinianos, sem nenhuma conferência de imprensa, e sem visitar nenhum campo de refugiados palestinianos, o que traria o foco dos meios de comunicação sobre a brutalização dos palestinianos. A sua visita apoiou o ilegal e cruel bloqueio de Gaza,desafiando o direito internacional e a carta das Nações Unidas. Você focou as vítimas do sul de Israel que durante o último ano totalizaram 1 vítima por cada 400 palestinianos vitimados do lado de Gaza. Em vez de fazer uma declaração que condenasse toda a violência e a sua substituição por uma aceitação da proposta de 2002 da Liga Árabe de permitir um estado palestiniano viável dentro das fronteiras de 1967, em troca de relações económicas e diplomáticas entre os países árabes e Israel, você desempenhou um papel de político barato, deixando a zona e os palestinianos com um sentimento de muito choque e pouco assombro.
David Levy, um antigo negociador de paz israelita, descreveu a sua viagem sucintamente: «Houve quase uma obstinada demonstração de indiferença ao facto de haver aqui duas narrativas. Isto pode ser-lhe útil como candidato, mas não como Presidente».
O comentador palestiniano-americano, Ali Abunimah, sublinhou que Obama não balbuciou uma única crítica a Israel, «à sua impiedosa construção de colonatos e do muro, das restrições que tornam a vida insuportável a milhões de palestinianos. …Até a administração Bush criticou recentemente o uso por parte de Israel de bombas de fragmentação contra civis libaneses [ver www.atfl.org para mais informação]. Mas Obama defendeu o ataque de Israel ao Líbano como um exercício do seu “legítimo direito a se defender”».
Em numerosos artigos de opinião, Gideon Levy, escrevendo no Haaretz, criticou duramente o ataque do governo de Israel aos civis de Gaza, incluindo ataques «ao coração de um lotado campo de refugiados… com horrível chacina» no início de 2008.
O escritor israelita e defensor da paz – Uri Avnery – descreveu a presença de Obama perante a AIPAC como uma presença que «bateu todos os recordes de subserviência e bajulação», acrescentando que Obama «está preparado para sacrificar os mais básicos interesses americanos. No fundo, os EUA têm um interesse vital em conseguir a paz entre Israel e a Palestina que permita encontrar caminhos até ao coração das massas árabes desde o Iraque até Marrocos. Obama danificou a sua imagem no mundo muçulmano e hipotecou o seu futuro – se e quando ele for eleito presidente», afirmou ele, acrescentando, «De uma coisa eu estou certo: as declarações de Obama na conferência da AIPAC são muito, muito más para a paz. E o que é mau para a paz é mau para Israel, mau para o mundo e mau para o povo palestiniano».
Outra ilustração da sua falta de carácter é a forma como você virou as costas aos muçulmanos americanos deste país. Você recusou-se a enviar representantes para falarem com eleitores nos seus eventos. Tendo visitado numerosas igrejas e sinagogas, recusou-se a visitar uma única mesquita na América. Até George W. Bush visitou a Grande Mesquita de Washington D.C. depois do 11 de Setembro para expressar sentimentos de tolerância perante um grande grupo religioso de inocentes amedrontados.
Apesar do jornal New York Times ter publicado um artigo a 24 de Junho de 2008 intitulado “Eleitores Muçulmanos Detectam Desprezo da parte de Obama” (por Andrea Elliott), enumerando exemplos da sua aversão a estes americanos que vêm de todos os estratos sociais, que integram as forças armadas e que trabalham para viver o sonho americano. Três dias antes, o jornal International Herald Tribune publicou um artigo de Roger Cohen intitulado “Porque é que Obama Deveria Visitar uma Mesquita”. Nenhum destes comentários e relatos mudaram a sua atitude relativamente aos muçulmanos americanos – apesar do seu pai ser um muçulmano do Quénia.
Talvez nada tenha ilustrado a sua enorme falta de coragem política ou mesmo a versão mais suave deste comportamento do que a sua rendição a exigências da linha dura para proibir que o antigo presidente Jimmy Carter discursasse na Convenção Nacional Democrata. Esta é uma tradição para os antigos presidentes e um deles, Bill Clinton, teve este ano direito a ela no horário nobre.
Aqui estava um presidente que negociou a paz entre Israel e o Egipto, mas o seu recente livro que pressiona o dominante super-poder israelita a não fazer um apartheid aos palestinianos e a fazer a paz, foi o bastante para o pôr de lado. Em vez de um importante discurso à nação por parte de Jimmy Carter sobre este crucial problema internacional, ele foi relegado a uma volta em cima do palco e a um “tumultuoso aplauso”, seguido do visionamento de um filme sobre o trabalho pós-Katrina do Carter Center. Que vergonha, Barack Obama!
Mas o seu comportamento vergonhoso estendeu-se a muitas outras áreas da vida americana. (Ver a análise factual do meu parceiro de candidatura, Matt Gonzalez, em www.votenader.org). Você virou as costas a 100 milhões de americanos pobres onde se incluem pobres brancos, afro-americanos e latinos. Mencionou sempre a “classe média” mas omitiu, repetidamente, uma menção à América pobre.
Sendo eleito Presidente, terá se ser mais do que uma promoção de carreira sem precedentes depois de uma campanha brilhantemente sem princípios, que falou de “mudança” mas demonstrou uma verdadeira sujeição à concentração de poder das “supremas corporações”. Tem de ser sobre uma mudança de poder dos poucos para os muitos. Tem de ser uma Casa Branca presidida por um homem negro que não vira as costas aos oprimidos daqui e do estrangeiro, mas que desafia as forças da ganância, do controlo ditatorial do trabalho, dos consumidores e dos contribuintes, e da militarização da política externa. Tem de ser uma Casa Branca que transforme a política americana – abrindo-a ao financiamento público das eleições (através de aproximações voluntárias) – e permitindo que candidatos mais pequenos possam ter hipóteses de serem ouvidos em debates no cumprimento das suas liberdades civis agora restringidas. Chame-lhe uma democracia competitiva.
A sua campanha presidencial, uma e outra vez, demonstrou posições cobardes. Alguns dizem que a “Esperança” é a última a morrer. Mas não quando a “realidade” a consome diariamente.
Sinceramente, Ralph Nader
Fonte: CounterPunch
(Extraído de Informação Alternativa)
sábado, novembro 01, 2008

*Este ano salve um cagarro*
As associações Amigos dos Açores
O Cagarro (*Calonectris diomedea borealis*) é uma ave marinha muito abundante nos Açores, e é nestas ilhas que esta espécie nidifica. No fim de Outubro os cagarros juvenis, ao atingirem a plumagem e o tamanho adulto, são abandonados nos ninhos pelos progenitores e, movidos pela fome, lançam‐se ao mar, enfrentando vários perigos. Vamos ajudar o cagarro a seguir a sua rota.
Este ano salve um cagarro!
*Como salvar um cagarro*
Se encontrar um cagarro ferido ou desorientado:
- Prepare uma caixa de papelão e faça-lhe alguns furos.
- Aproxime-se lentamente do cagarro, usando luvas;
- Com uma camisola, casaco ou manta cubra o cagarro;
- Apanhe o cagarro, segurando-o pelo pescoço e cauda;
- Coloque o cagarro na caixa de papelão;
- Mantenha-o na caixa durante a noite, em local tranquilo e escuro;
- Na manhã seguinte, dirija-se a um local perto do mar;
- Solte o cagarro, deixando-o pousado no chão e afaste-se do local;
- Ao fim de pouco tempo, o cagarro começará a voar e encontrará o seu caminho.
*Atenção:*
- Não alimente o cagarro, para que ele não se habitue;
- Não se aproxime da ave quando não sabe exactamente como proceder;
- Não segure a ave pelas asas, nem permita que ela abra as asas enquanto a manipula, pois esta ficará cada vez mais agitada;
- Não force a ave a ir para o mar, ela seguirá a sua viagem quando se sentir em condições.
No caso de querer participar alguma situação ou a localização de aves mortas pode ligar para:
- Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da Guarda Nacional Republicana (GNR) Da sua área de reisdência (296306350 ou 961196202 - Ilha de São Miguel)
- Serviço de Ambiente da sua área de residência (296 206 785)
- Amigos dos Açores - Associação Ecológica (296498004 ou 9699866372)
- Associação Amigos dos Calhau (919978026 ou 9699866372)
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