Princípio Terra
Leonardo Boff,Teólogo
Nunca se falou tanto da Terra como nos últimos tempos. Parece até que a Terra acaba de ser descoberta. Os seres humanos fizeram um sem número de descobertas, de povos indígenas embrenhados nas florestas remotas, de seres novos da natureza, de terras distantes e de continentes inteiros. Mas a Terra nunca foi objeto de descoberta. Foi preciso que saíssemos dela e a víssemos a partir de fora, para então descobri-la como Terra e Casa Comum.
Isso ocorreu a partir dos anos 60 com as viagens espaciais. Os astronautas nos revelaram imagens nunca dantes vistas. Usaram expressões patéticas, como "a Terra parece uma árvore de Natal, dependurada no fundo escuro do universo", "ela é belíssima, resplandecente, azul-branca", " ela cabe na palma de minha mão e pode ser encoberta com meu polegar". Outros tiveram sentimentos de veneração e de gratidão e rezaram. Todos voltaram com renovado amor pela boa e velha Terra, nossa Mãe.
Esta imagem do globo terrestre visto do espaço exterior, divulgado diariamente pelas televisões do mundo inteiro, suscita em nós sentimento de sacralidade e está criando novo estado de consciência. Na perspectiva dos astronautas, a partir do cosmos, Terra e Humanidade formam uma única entidade. Nós não vivemos apenas sobre a Terra. Somos a própria Terra que sente, pensa, ama, sonha, venera e cuida.
Mas nos últimos tempos se anunciaram graves ameaças que pesam sobre a totalidade de nossa Terra. Os dados publicados a partir de 2 de fevereiro de 2007 culminando em 17 de novembro pelo organismo da ONU Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, com os impasses recentes em Bali nos dão conta de que já entramos na fase do aquecimento global com mudanças abruptas e irreversíveis. Ele pode variar de 1,4 até 6 graus Celsius, dependendo das regiões terrestres. As mudanças climáticas possuem origem andrópica, quer dizer, tem no ser humano que inaugurou o processo industrialista selvagem, seu principal causador.
Se nada for feito, iremos ao encontro do pior e milhões de seres humanos poderão deixar de viver sobre o planeta.
Como destruimos irresponsavelmente, devemos agora regenerar urgentemente. A salvação da Terra não cái do céu. Será fruto da nova corresponsabilidade e do renovado cuidado de toda a família humana.
Dada esta situação nova, a Terra se tornou, de fato, o obscuro e grande objeto do cuidado e do amor humano. Ela não é o centro físico do universo como pensavam os antigos, mas ela se tornou, nos últimos tempos, o centro afetivo da humanidade. Só temos este planeta para nós. É daqui que contemplamos o inteiro universo. É aqui que trabalhamos, amamos, choramos, esperamos, sonhamos e veneramos. É a partir da Terra que fazemos a grande travessia rumo ao além.
Lentamente estamos descobrindo que o valor supremo é assegurar a persistência do planeta Terra e garantir as condições ecológicas e espirituais para que a espécie humana se realize e toda a comunidade de vida se perpetue.
Em razão desta nova consciência. falamos do princípio Terra. Ele funda uma nova radicalidade. Cada saber, cada instituição, cada religião e cada pessoa deve colocar-se esta pergunta: que faço eu para preservar a mátria comum e garantir que tenha futuro, já que ela há 4,3 bilhões de anos está sendo construida e merece continuar a exitir? Porque somos Terra não haverá para nós céu sem Terra.
sábado, janeiro 05, 2008
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Nossa América: as duas faces das ONG’S
James Petras
Comentaristas e intelectuais mostraram-se surpresos quando muitos líderes e ativistas de organizações não governamentais (ONG’S) se uniram à campanha eleitoral de Vicente Fox1 e, com sua vitória, esperam receber cargos dentro de seu novo governo. A idéia de que líderes "progressistas" das ONG’s se unam a um regime abertamente partidário do "livre mercado" parece estranha. Não obstante uma análise mais profunda da história e dos antecedentes de funcionários de ONG’s na América Latina, assim como de suas ideologias e vínculos com doadores externos, poderia haver profetizado este cenário.
Na transição ocorrida na política eleitoral do Chile, Bolívia, Argentina e América Central, numerosos líderes de ONG’s se aliaram a regimes neoliberais que utilizaram suas experiências organizacionais e retóricas progressistas para controlar protestos populares e solapar movimentos de classes sociais.
Desde o início da década de 80, as classes dominantes neoliberais, junto com o governo dos Estados Unidos e governos europeus, se asseguraram de que as políticas do "livre mercado" estavam polarizando as sociedades na América Latina. Mediante fundações privadas e fundos estatais, começaram a financiar as ONG’s, as mesmas que expressavam uma ideologia contra o estado e promoviam a "auto-ajuda". Ao final deste milênio, existem umas 100 mil ONG’s em todo o mundo que recebem cerca de 10 milhões de dólares e competem com os movimentos socio-políticos pela lealdade das comunidades militantes.
Ainda que as ONG’s tenham denunciado violações aos direitos humanos, raras vezes denunciam seus benfeitores da Europa e dos EUA. À medida que aumentou a oposição ao neoliberalismo, o Banco Mundial (BM) incrementou os donativos destinados às ONG’s.
O ponto fundamental de convergência entre as ONG’s e o BM era a repulsa de ambas entidades ao "estatismo". Superficialmente, as ONG’s criticavam o Estado numa perspectiva de "esquerda" em defesa da "sociedade civil", enquanto que criticavam o BM em nome do "mercado".
Na realidade, o BM e os regimes neoliberais aproveitaram as ONG’s para minar o sistema de seguridade social estatal, e foram utilizados e reduzidos a meios para compensar as vítimas da políticas neoliberais.
Enquanto os regimes neoliberais diminuíam os níveis de vida e saqueavam a economia, fundaram-se as ONG’s para promover projetos de "auto-ajuda" que absorveriam, temporariamente, pequenos grupos de desempregados pobres, ao mesmo tempo que recrutavam líderes locais.
As ONG’s se converteram no "rosto comunitário" do neoliberalismo e se relacionaram intimamente com os de cima e complementaram seu trabalho destrutivo. Quando os neoliberais transferiam lucrativas propriedades estatais, privatizando-as para os ricos, as ONG’s não tomaram parte de uma resistência sindical. Ao contrário, mostraram-se ativas na elaboração de projetos privados, promovendo o discurso da iniciativa privada ("autoajuda") ao dedicarem-se a fomentar micro empresas nas comunidades pobres.
As ONG’s criaram pontes ideológicas entre pequenos capitalistas e os monopólios que se beneficiaram das privatizações – tudo em nome do anti-estatismo e da construção da sociedade civil.
Enquanto os ricos criavam vastos impérios financeiros a partir das privatizações, profissionais de classe média que trabalhavam com as ONG’s recebiam pequenos fundos para financiar seus escritórios, seus gastos com transportes e suas atividades para promover atividades econômicas de pequena escala.
O importante aqui é que as ONG’s despolitizaram setores da população, ignoraram seus compromissos para com atividades do setor público e se aproveitaram de lideres sociais potenciais para a realização de projetos econômicos pequenos.
Na realidade as ONG’s não são não-governamentais. Recebem doações de governos estrangeiros ou funcionam como agências subcontratadas por governos locais. Igualmente importante é o fato de que seus programas não são qualificados pelas comunidades a quem ajudam, e sim pelos financiadores estrangeiros. É neste sentido qua as ONG’s sabotam a democracia, ao arrancar programas sociais das mãos das comunidades e de seus líderes oficiais, para criar dependência a cargos de funcionários não eleitos, provenientes do exterior, que escolhem e ungem seus interlocutores locais.
A ideologia das ONG’s quanto a suas atividades privadas e voluntárias destrói o sentido de "público"; a idéia de que o governo tem a obrigação de representar a todos seus cidadões. Contra esta noção de responsabilidade pública, as ONG’s fomentam a idéia neoliberal de uma responsabilidade privada para com os problemas sociais e a importância dos recursos para resolver estes problemas.
Dessa forma, as ONG’s impõem uma dupla carga sobre os pobres: o pagar impostos para financiar um Estado neoliberal que serve aos ricos e a autoexplorar-se de maneira privada para satisfazer suas próprias necessidades.
Muitos dos líderes e militantes das ONG’s são ex-marxistas ou "pós-marxistas", que tomam emprestado muito da retórica ligada a "dar poder ao povo", "o poder popular", "a igualdade de gênero" e o "governo das bases com o único que tem legitimidade", enquanto distanciam a luta social das condições que marcam a vida das pessoas. As ONG’s, se converteram em um veículo organizado que permite a mobilidade social ascendente para desempregados ou professores ex-esquerdistas mal pagos.
O linguajar progressista disfarça o núcleo conservador das práticas da ONG’s, tem sempre que ver com "dar poder", porém os esforços destes organismos raras vezes vão além de uma influência em pequenas áreas da vida social, utilizando os recursos limitados e sempre dentro das condições permitidas pelo Estado neoliberal. No lugar de dar educação pública sobre a natureza do imperialismo e sobre as bases clássicas do neoliberalismo, as ONG’s discutem sobre "os excluídos", "os indefesos" e "a extrema pobreza", sem jamais passar de seus sintomas superficiais para analisar o sistema social que produz essas condições.
Ao incorporar os pobres na economia neoliberal através de ações voluntárias que são exclusivamente da iniciativa privada, as ONG’s criam um mundo em que a aparência de uma solidariedade e ações sociais oculta uma conformidade com as estruturas nacionais e internacionais de poder.
Não é por acaso que as ONG’s têm-se convertido em entidades dominantes em certas regiões onde as ações políticas independentes têm decaído e o neoliberalismo rege sem oposição alguma.
A conversão de líderes das ONG’s, de porta-bandeiras do "poder popular" a simpatizantes do presidente conservador eleito, Vicente Fox, é portanto perfeitamente compreensível. Os funcionários das ONG’s proporcionam a retórica "populista" em torno da sociedade civil que legitimam as políticas do livre mercado. Em troca, suas nomeações como funcionários governamentais satisfazem suas ambições de mobilidade e ascensão social.
Para os ex-esquerdistas, o anti-estatismo é a passagem que lhes concederá trânsito ideológico da política de classes e do desenvolvimento comunitário para o neoliberalismo. Para os intelectuais críticos, o problema não é só o neoliberalismo do "livre mercado" que vem das cúpulas, mas também o neoliberalismo da "sociedade civil", que provém de baixo.
James Petras é do Departamento de sociologia da Universidade de Binghamton, em Nova York/EUA
(1) Vicente Fox, presidente do México, eleito recentemente.
Tradução de Marcos Dorval Schmitz
James Petras
Comentaristas e intelectuais mostraram-se surpresos quando muitos líderes e ativistas de organizações não governamentais (ONG’S) se uniram à campanha eleitoral de Vicente Fox1 e, com sua vitória, esperam receber cargos dentro de seu novo governo. A idéia de que líderes "progressistas" das ONG’s se unam a um regime abertamente partidário do "livre mercado" parece estranha. Não obstante uma análise mais profunda da história e dos antecedentes de funcionários de ONG’s na América Latina, assim como de suas ideologias e vínculos com doadores externos, poderia haver profetizado este cenário.
Na transição ocorrida na política eleitoral do Chile, Bolívia, Argentina e América Central, numerosos líderes de ONG’s se aliaram a regimes neoliberais que utilizaram suas experiências organizacionais e retóricas progressistas para controlar protestos populares e solapar movimentos de classes sociais.
Desde o início da década de 80, as classes dominantes neoliberais, junto com o governo dos Estados Unidos e governos europeus, se asseguraram de que as políticas do "livre mercado" estavam polarizando as sociedades na América Latina. Mediante fundações privadas e fundos estatais, começaram a financiar as ONG’s, as mesmas que expressavam uma ideologia contra o estado e promoviam a "auto-ajuda". Ao final deste milênio, existem umas 100 mil ONG’s em todo o mundo que recebem cerca de 10 milhões de dólares e competem com os movimentos socio-políticos pela lealdade das comunidades militantes.
Ainda que as ONG’s tenham denunciado violações aos direitos humanos, raras vezes denunciam seus benfeitores da Europa e dos EUA. À medida que aumentou a oposição ao neoliberalismo, o Banco Mundial (BM) incrementou os donativos destinados às ONG’s.
O ponto fundamental de convergência entre as ONG’s e o BM era a repulsa de ambas entidades ao "estatismo". Superficialmente, as ONG’s criticavam o Estado numa perspectiva de "esquerda" em defesa da "sociedade civil", enquanto que criticavam o BM em nome do "mercado".
Na realidade, o BM e os regimes neoliberais aproveitaram as ONG’s para minar o sistema de seguridade social estatal, e foram utilizados e reduzidos a meios para compensar as vítimas da políticas neoliberais.
Enquanto os regimes neoliberais diminuíam os níveis de vida e saqueavam a economia, fundaram-se as ONG’s para promover projetos de "auto-ajuda" que absorveriam, temporariamente, pequenos grupos de desempregados pobres, ao mesmo tempo que recrutavam líderes locais.
As ONG’s se converteram no "rosto comunitário" do neoliberalismo e se relacionaram intimamente com os de cima e complementaram seu trabalho destrutivo. Quando os neoliberais transferiam lucrativas propriedades estatais, privatizando-as para os ricos, as ONG’s não tomaram parte de uma resistência sindical. Ao contrário, mostraram-se ativas na elaboração de projetos privados, promovendo o discurso da iniciativa privada ("autoajuda") ao dedicarem-se a fomentar micro empresas nas comunidades pobres.
As ONG’s criaram pontes ideológicas entre pequenos capitalistas e os monopólios que se beneficiaram das privatizações – tudo em nome do anti-estatismo e da construção da sociedade civil.
Enquanto os ricos criavam vastos impérios financeiros a partir das privatizações, profissionais de classe média que trabalhavam com as ONG’s recebiam pequenos fundos para financiar seus escritórios, seus gastos com transportes e suas atividades para promover atividades econômicas de pequena escala.
O importante aqui é que as ONG’s despolitizaram setores da população, ignoraram seus compromissos para com atividades do setor público e se aproveitaram de lideres sociais potenciais para a realização de projetos econômicos pequenos.
Na realidade as ONG’s não são não-governamentais. Recebem doações de governos estrangeiros ou funcionam como agências subcontratadas por governos locais. Igualmente importante é o fato de que seus programas não são qualificados pelas comunidades a quem ajudam, e sim pelos financiadores estrangeiros. É neste sentido qua as ONG’s sabotam a democracia, ao arrancar programas sociais das mãos das comunidades e de seus líderes oficiais, para criar dependência a cargos de funcionários não eleitos, provenientes do exterior, que escolhem e ungem seus interlocutores locais.
A ideologia das ONG’s quanto a suas atividades privadas e voluntárias destrói o sentido de "público"; a idéia de que o governo tem a obrigação de representar a todos seus cidadões. Contra esta noção de responsabilidade pública, as ONG’s fomentam a idéia neoliberal de uma responsabilidade privada para com os problemas sociais e a importância dos recursos para resolver estes problemas.
Dessa forma, as ONG’s impõem uma dupla carga sobre os pobres: o pagar impostos para financiar um Estado neoliberal que serve aos ricos e a autoexplorar-se de maneira privada para satisfazer suas próprias necessidades.
Muitos dos líderes e militantes das ONG’s são ex-marxistas ou "pós-marxistas", que tomam emprestado muito da retórica ligada a "dar poder ao povo", "o poder popular", "a igualdade de gênero" e o "governo das bases com o único que tem legitimidade", enquanto distanciam a luta social das condições que marcam a vida das pessoas. As ONG’s, se converteram em um veículo organizado que permite a mobilidade social ascendente para desempregados ou professores ex-esquerdistas mal pagos.
O linguajar progressista disfarça o núcleo conservador das práticas da ONG’s, tem sempre que ver com "dar poder", porém os esforços destes organismos raras vezes vão além de uma influência em pequenas áreas da vida social, utilizando os recursos limitados e sempre dentro das condições permitidas pelo Estado neoliberal. No lugar de dar educação pública sobre a natureza do imperialismo e sobre as bases clássicas do neoliberalismo, as ONG’s discutem sobre "os excluídos", "os indefesos" e "a extrema pobreza", sem jamais passar de seus sintomas superficiais para analisar o sistema social que produz essas condições.
Ao incorporar os pobres na economia neoliberal através de ações voluntárias que são exclusivamente da iniciativa privada, as ONG’s criam um mundo em que a aparência de uma solidariedade e ações sociais oculta uma conformidade com as estruturas nacionais e internacionais de poder.
Não é por acaso que as ONG’s têm-se convertido em entidades dominantes em certas regiões onde as ações políticas independentes têm decaído e o neoliberalismo rege sem oposição alguma.
A conversão de líderes das ONG’s, de porta-bandeiras do "poder popular" a simpatizantes do presidente conservador eleito, Vicente Fox, é portanto perfeitamente compreensível. Os funcionários das ONG’s proporcionam a retórica "populista" em torno da sociedade civil que legitimam as políticas do livre mercado. Em troca, suas nomeações como funcionários governamentais satisfazem suas ambições de mobilidade e ascensão social.
Para os ex-esquerdistas, o anti-estatismo é a passagem que lhes concederá trânsito ideológico da política de classes e do desenvolvimento comunitário para o neoliberalismo. Para os intelectuais críticos, o problema não é só o neoliberalismo do "livre mercado" que vem das cúpulas, mas também o neoliberalismo da "sociedade civil", que provém de baixo.
James Petras é do Departamento de sociologia da Universidade de Binghamton, em Nova York/EUA
(1) Vicente Fox, presidente do México, eleito recentemente.
Tradução de Marcos Dorval Schmitz
quarta-feira, dezembro 26, 2007
A Poesia de J.Prévert
1
Empregado contra a vontade na fábrica de ideias
Recusei-me a marcar o ponto
Mobilizado mesmo assim para o exército das ideias
Eu desertei
2
Pai nosso que estais no céu…Ficai por lá!
Que nós,
Nós continuaremos na terra
Que por vezes é tão bonita.
Jacques Prévert, poeta francês (n. Neuilly-sur-Seine, 1900 - m. Ormonville-a-Petite, 1977)
Para saber mais consulte Pimenta Negra
1
Empregado contra a vontade na fábrica de ideias
Recusei-me a marcar o ponto
Mobilizado mesmo assim para o exército das ideias
Eu desertei
2
Pai nosso que estais no céu…Ficai por lá!
Que nós,
Nós continuaremos na terra
Que por vezes é tão bonita.
Jacques Prévert, poeta francês (n. Neuilly-sur-Seine, 1900 - m. Ormonville-a-Petite, 1977)
Para saber mais consulte Pimenta Negra
domingo, dezembro 23, 2007
Quercus critica governante
e Vice-Versa
A Quercus considera que "só um milagre" pode evitar o encerramento da sede em São Miguel, alegando que o financiamento do Governo Regional deixou de surgir atempadamente, caso dos apoios estabelecidos por protocolo que, em 2006, foram transferidos a 12 de Dezembro, adiantou o dirigente Veríssimo Borges.
Contudo, a secretaria regional do Ambiente refuta "qualquer responsabilidade" pelo encerramento público nas instalações.
Em comunicado, garante que, em 2006, foi celebrado um protocolo de 20 mil euros, que não foi executado na totalidade, o que implica a reposição de três mil euros, verba que não foi devolvida. Em 2007 , foi dado outro apoio de 10 mil euros, adiantou a secretaria regional do Ambiente e do Mar. "Porque os dinheiros públicos não podem ser utilizados sem justificação, até ao completo esclarecimento financeiro, esta secretaria regional não está disponível para prestar outro tipo de apoios à Quercus-Açores", adiantou o comunicado.
Considerou, ainda, que os factos vão ser dados a conhecer ao Ministério Público.
Na resposta, Veríssimo Borges adiantou que a Quercus tem "uma contabilidade organizada", embora admita que a organização deve cerca de três mil euros relativos a 2006.
Segundo Veríssimo Borges, a motivação da secretária regional Ana Paula Marques é difícil de entender. "Acho que é uma pessoa rancorosa e, finalmente, calhou-me a vez, e que quando toma de ponta, é do estilo buldogue", concluiu. ||
LUSA
PS- É o que dá viver acima das posses e dependente do estado.
e Vice-Versa
A Quercus considera que "só um milagre" pode evitar o encerramento da sede em São Miguel, alegando que o financiamento do Governo Regional deixou de surgir atempadamente, caso dos apoios estabelecidos por protocolo que, em 2006, foram transferidos a 12 de Dezembro, adiantou o dirigente Veríssimo Borges.
Contudo, a secretaria regional do Ambiente refuta "qualquer responsabilidade" pelo encerramento público nas instalações.
Em comunicado, garante que, em 2006, foi celebrado um protocolo de 20 mil euros, que não foi executado na totalidade, o que implica a reposição de três mil euros, verba que não foi devolvida. Em 2007 , foi dado outro apoio de 10 mil euros, adiantou a secretaria regional do Ambiente e do Mar. "Porque os dinheiros públicos não podem ser utilizados sem justificação, até ao completo esclarecimento financeiro, esta secretaria regional não está disponível para prestar outro tipo de apoios à Quercus-Açores", adiantou o comunicado.
Considerou, ainda, que os factos vão ser dados a conhecer ao Ministério Público.
Na resposta, Veríssimo Borges adiantou que a Quercus tem "uma contabilidade organizada", embora admita que a organização deve cerca de três mil euros relativos a 2006.
Segundo Veríssimo Borges, a motivação da secretária regional Ana Paula Marques é difícil de entender. "Acho que é uma pessoa rancorosa e, finalmente, calhou-me a vez, e que quando toma de ponta, é do estilo buldogue", concluiu. ||
LUSA
PS- É o que dá viver acima das posses e dependente do estado.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Manifesto Neo-Verde
http://manuelrrocha.blogspot.com/
Fruto de um casamento de conveniência entre os burgueses que somos e os cidadãos que gostaríamos de ser, nasceu um híbrido: o neo-verde !
O neo–verde, é o prematuro-mutante-viável de uma tentativa desconseguida de compreensão do sentido da Vida. Prematuro, porque não sobrevive sem um sistema exterior de apoio – os média e os congressos de educação ambiental; mutante viável, porque resulta da evolução possível de quem tentou perceber os fundamentos da ecologia, mas percebeu mal !
O neo- verde tem formação média ou superior e encontra-se disponível em duas versões: light e hard ! O neo-verde light, proclama sempre que pode que é preciso salvar o planeta, compra as fitas do novel-Nobel pela internet e é assinante da National Geografic. O neo-verde hard, vai mais longe: só consome produtos com certificação ambiental e quando trocar de carro quer comprar um Honda-hibrido ( o Lexus está fora do orçamento ).
O neo verde é a personificação de todas as pseudo-certezas imaturas que atingem os pós-adolescentes tardios . Confunde sabedoria com conhecimento e não distingue conhecimento de informação. Por isso, acredita hoje no aquecimento global e amanhã há-de acreditar no arrefecimento global. O neo- verde é evolucionista desde o Big Bang e além disso conseguiu a proeza de simplificar para dois a complexa fórmula dos três R's – o entendimento neo-verde é que quem recicla, reduz !
Pode-se pois dizer que a cultura neo-verde se caracteriza por uma espécie de neo-provincianismo invertido. Explico: ele sabe exactamente o que é preciso fazer para salvar o planeta, mas não faz ideia de como se semeia um alho. No entanto, se colocado perante esta dificuldade, o neo-verde tem sempre a resposta pronta: " esse tipo de questão não é linear, tem contornos mais complexos e outro tipo de implicações, e por isso não deve ser abordada de uma forma simplista sem antes se proceder a uma avaliação integral de todos os impactos". E o alho, agradece!
O neo-verde não prescinde da janela panorâmica na marquise, mas quando tiver dinheiro quer equipá-la com vidro duplo. O neo-verde é consumidor de Actimel e está na expectativa de que brevemente a ciência torne biodegradáveis as respectivas garrafinhas. O neo-verde está em permanente dieta de hidratos de carbono, e por isso não vê inconveniente em que com trigo se produza etanol para os motores a gasolina.
Contrariamente ao demodé verde-contestatário, a personalidade neo-verde é por natureza conciliadora: acredita no valor do consenso como menor denominador comum para um futuro melhor, e pauta-se por princípios de uma saudável flexibilidade. Por exemplo: se tiver que optar entre qualquer questão verde e o cheque do fim do mês, o neo-verde encontra sempre forma de ficar com o cheque !
Ambientalmente falando, o neo-verde é ejaculador precoce, isto é, anda sempre tão excitado com a questão que ao mínimo estimulo debita verdura, deixando o interlocutor sempre insatisfeito. Exemplo: o neo-verde é exímio em conceitos éticos, mas chega sempre atrasado às reuniões.
Para além disso o neo- verde tem bons hábitos sociais e hobbies sustentáveis, tipo sócio de um moto clube que promove passeios de natureza. Assim, num fim de semana soalheiro, procura um pendura tão verde-alface quanto possível, e vão em caravana ver os golfinhos ao zoomarine ou ouvir os passarinhos ao sitio das fontes. Claro que se estiver de chuva, o neo-verde fará como o comum dos mortais: mete-se com a família no monovolume do pai e vai passar a tarde ao Fórum local. Foi exactamente numa dessas tardes em que arrastava indolentemente as solas recicladas pelos reluzentes pavimentos da catedral do consumo, que o neo-verde exultou com a novidade: acabava de ganhar o Nobel !!!
http://manuelrrocha.blogspot.com/
Fruto de um casamento de conveniência entre os burgueses que somos e os cidadãos que gostaríamos de ser, nasceu um híbrido: o neo-verde !
O neo–verde, é o prematuro-mutante-viável de uma tentativa desconseguida de compreensão do sentido da Vida. Prematuro, porque não sobrevive sem um sistema exterior de apoio – os média e os congressos de educação ambiental; mutante viável, porque resulta da evolução possível de quem tentou perceber os fundamentos da ecologia, mas percebeu mal !
O neo- verde tem formação média ou superior e encontra-se disponível em duas versões: light e hard ! O neo-verde light, proclama sempre que pode que é preciso salvar o planeta, compra as fitas do novel-Nobel pela internet e é assinante da National Geografic. O neo-verde hard, vai mais longe: só consome produtos com certificação ambiental e quando trocar de carro quer comprar um Honda-hibrido ( o Lexus está fora do orçamento ).
O neo verde é a personificação de todas as pseudo-certezas imaturas que atingem os pós-adolescentes tardios . Confunde sabedoria com conhecimento e não distingue conhecimento de informação. Por isso, acredita hoje no aquecimento global e amanhã há-de acreditar no arrefecimento global. O neo- verde é evolucionista desde o Big Bang e além disso conseguiu a proeza de simplificar para dois a complexa fórmula dos três R's – o entendimento neo-verde é que quem recicla, reduz !
Pode-se pois dizer que a cultura neo-verde se caracteriza por uma espécie de neo-provincianismo invertido. Explico: ele sabe exactamente o que é preciso fazer para salvar o planeta, mas não faz ideia de como se semeia um alho. No entanto, se colocado perante esta dificuldade, o neo-verde tem sempre a resposta pronta: " esse tipo de questão não é linear, tem contornos mais complexos e outro tipo de implicações, e por isso não deve ser abordada de uma forma simplista sem antes se proceder a uma avaliação integral de todos os impactos". E o alho, agradece!
O neo-verde não prescinde da janela panorâmica na marquise, mas quando tiver dinheiro quer equipá-la com vidro duplo. O neo-verde é consumidor de Actimel e está na expectativa de que brevemente a ciência torne biodegradáveis as respectivas garrafinhas. O neo-verde está em permanente dieta de hidratos de carbono, e por isso não vê inconveniente em que com trigo se produza etanol para os motores a gasolina.
Contrariamente ao demodé verde-contestatário, a personalidade neo-verde é por natureza conciliadora: acredita no valor do consenso como menor denominador comum para um futuro melhor, e pauta-se por princípios de uma saudável flexibilidade. Por exemplo: se tiver que optar entre qualquer questão verde e o cheque do fim do mês, o neo-verde encontra sempre forma de ficar com o cheque !
Ambientalmente falando, o neo-verde é ejaculador precoce, isto é, anda sempre tão excitado com a questão que ao mínimo estimulo debita verdura, deixando o interlocutor sempre insatisfeito. Exemplo: o neo-verde é exímio em conceitos éticos, mas chega sempre atrasado às reuniões.
Para além disso o neo- verde tem bons hábitos sociais e hobbies sustentáveis, tipo sócio de um moto clube que promove passeios de natureza. Assim, num fim de semana soalheiro, procura um pendura tão verde-alface quanto possível, e vão em caravana ver os golfinhos ao zoomarine ou ouvir os passarinhos ao sitio das fontes. Claro que se estiver de chuva, o neo-verde fará como o comum dos mortais: mete-se com a família no monovolume do pai e vai passar a tarde ao Fórum local. Foi exactamente numa dessas tardes em que arrastava indolentemente as solas recicladas pelos reluzentes pavimentos da catedral do consumo, que o neo-verde exultou com a novidade: acabava de ganhar o Nobel !!!
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Diz-me com quem andas...
Entre os vários nomes, o documento de apoio à recandidatura de Carlos César (Presidente do Partido Socialista e do Governo Regional dos Açores) é subscrito por personalidades açorianas como Machado Pires, ex-reitor da universidade, Carlos Melo Bento (Ex-dirigente do PDA, ex- FLA?), Primitivo Marques (ex-dirigente do PSD ?), Costa Martins (Presidente da Câmara de Comércio de Ponta Delgada), Gomes de Meneses, Graça Silva, Mancebo Soares, Álamo Oliveira, Ribeiro Pinto, Victor Rui Dores e José Leovigildo Azevedo (ex- presidente da Câmara Municipal da Calheta de São Jorge, ex-dirigente do PSD).
Entre os vários nomes, o documento de apoio à recandidatura de Carlos César (Presidente do Partido Socialista e do Governo Regional dos Açores) é subscrito por personalidades açorianas como Machado Pires, ex-reitor da universidade, Carlos Melo Bento (Ex-dirigente do PDA, ex- FLA?), Primitivo Marques (ex-dirigente do PSD ?), Costa Martins (Presidente da Câmara de Comércio de Ponta Delgada), Gomes de Meneses, Graça Silva, Mancebo Soares, Álamo Oliveira, Ribeiro Pinto, Victor Rui Dores e José Leovigildo Azevedo (ex- presidente da Câmara Municipal da Calheta de São Jorge, ex-dirigente do PSD).
sábado, dezembro 15, 2007
Querem que eu dê aulas!?...
Faço projectos, planos, planificações;Sou membro de assembleias, conselhos,
reuniões; Escrevo actas, relatórios e relações; Faço inventários,
requerimentos
e requisições;Escrevo actas, faço contactos e comunicações;Consulto ordens
de
serviço, circulares, normativos e legislações;Preencho impressos, grelhas,
fichas e observações; Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos,
planificações;Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e
encadernações;Participo
em actividades, eventos, festividades e acções;Faço balanços, balancetes e
tiro
conclusões; Apresento, relato, critico e envolvo-me em
auto-avaliações;Defino
estratégias, critérios,
objectivos e consecuções;Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas
redacções;Informo-me, investigo, estudo, frequento formações; Redijo ordens,
participações e autorizações;Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;E
mais
actas, planos, projectos e avaliações;E reuniões e reuniões e mais
reuniões!...E
depois ouço,alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores,
observadores,
secretários de estado, a ministrae, como se não bastasse, outros
professores,e
a ministra!...Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;Assino, rubrico,
sumario, sintetizo, informo;Averiguo, estudo, consulto, concluo,Coisas
curriculares, disciplinares, departamentais,Educativas, pedagógicas,
comportamentais,De comunidade, de grupo, de turma, individuais,Particulares,
sigilosas, públicas, gerais, Internas, externas, locais, nacionais,Anuais,
mensais, semanais, diárias e ainda querem mais?- Querem que eu dê aulas!?...
Paulo Filipe Macedo
Rua Ilha Terceira 44, r/c esq
9500-074 Ponta Delgada
(Rua Soares dos Reis, 245, 4400 V. N. Gaia)
(Recebido por mail)
Faço projectos, planos, planificações;Sou membro de assembleias, conselhos,
reuniões; Escrevo actas, relatórios e relações; Faço inventários,
requerimentos
e requisições;Escrevo actas, faço contactos e comunicações;Consulto ordens
de
serviço, circulares, normativos e legislações;Preencho impressos, grelhas,
fichas e observações; Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos,
planificações;Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e
encadernações;Participo
em actividades, eventos, festividades e acções;Faço balanços, balancetes e
tiro
conclusões; Apresento, relato, critico e envolvo-me em
auto-avaliações;Defino
estratégias, critérios,
objectivos e consecuções;Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas
redacções;Informo-me, investigo, estudo, frequento formações; Redijo ordens,
participações e autorizações;Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;E
mais
actas, planos, projectos e avaliações;E reuniões e reuniões e mais
reuniões!...E
depois ouço,alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores,
observadores,
secretários de estado, a ministrae, como se não bastasse, outros
professores,e
a ministra!...Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;Assino, rubrico,
sumario, sintetizo, informo;Averiguo, estudo, consulto, concluo,Coisas
curriculares, disciplinares, departamentais,Educativas, pedagógicas,
comportamentais,De comunidade, de grupo, de turma, individuais,Particulares,
sigilosas, públicas, gerais, Internas, externas, locais, nacionais,Anuais,
mensais, semanais, diárias e ainda querem mais?- Querem que eu dê aulas!?...
Paulo Filipe Macedo
Rua Ilha Terceira 44, r/c esq
9500-074 Ponta Delgada
(Rua Soares dos Reis, 245, 4400 V. N. Gaia)
(Recebido por mail)
domingo, dezembro 09, 2007
TOURADA: TORTURA NÃO É ARTE NEM CULTURA
Pela primeira vez desde 1948, a televisão estatal da Espanha (TVE) fechará o ano sem transmissões de touradas, seguindo uma recomendação do governo.
A medida está provocando discussões entre defensores dos direitos dos animais e partidários do evento, que pedem o boicote à emissora.
A direção da TVE justificou a decisão, alegando que falta verba e que os eventos eram mostrados em horários em que muitas crianças assistiam TV.
A tradição das transmissões de touradas é tanta que o próprio canal estreou precisamente transmitindo de uma arena há 51 anos, a pedido do ditador Francisco Franco.
A direção da emissora explicou que a medida foi tomada por várias razões, entre elas o custo - só entre 2000 e 2006 as transmissões de touradas custaram R$ 78 milhões.
"Transmitir ou não um evento dessas características depende de uns direitos de transmissão que nem sempre estão a nosso alcance", disse a diretora geral da TVE, Carmen Caffarel.
A outra razão é um convênio assinado por todas as emissoras nacionais no mês de março, se comprometendo a proteger os menores de conteúdos pouco apropriados para suas idades.
"Estamos cumprindo um acordo. Não é um veto às touradas", explicou Caffarel, lembrando que nos telejornais ainda aparecem notícias relacionadas com esses eventos.
A novidade acirrou a velha disputa entre quem adora ou detesta as touradas.
O deputado do Partido Verde Francisco Garrido disse que "os gastos e os conteúdos das transmissões de touradas não se justificam em um canal público, porque não têm lugar em código ético algum".
Já os partidários do que na Espanha é chamada de "festa nacional" estão sendo convocados a boicotar a emissora.
A rádio católica COPE, dirigida pela Conferência Episcopal, vem orientando os ouvintes em campanhas diárias para que deixem de assistir a TVE, para forçar a emissora a reconsiderar sua posição.
Intelectuais espanhóis também entraram na disputa. Em outubro, um grupo de artistas e escritores apoiou um abaixo-assinado organizado por 70 organizações de defesa de direitos dos animais.
Eles foram ao Parlamento pedir a abolição das touradas. A escritora Ruth Toledano disse que "a única diferença entre um holocausto humano e outro animal é que nós temos voz".
O abaixo-assinado reivindica ainda que seja eliminada do orçamento nacional a taxa de R$ 123, do imposto de renda de cada espanhol, que é investida em eventos de touradas.
Outras emissoras, no entanto, continuam transmitindo os eventos. Os canais públicos locais de Províncias como Madri, Valência e Andaluzia mantêm a programação com médias entre 20% e 30% de audiência.
Para mais notícias, visite o site da BBC Brasil
© British Broadcasting Corporation 2006. Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem a autorização por escrito da BBC BRASIL
(extraido de http://bioterra.blogspot.com)
PS- Por cá, num capítulo do livro "Portugal Millenium Ecosystem Assessmént" um grupo de professores da Universidade dos Açores, num dos putativos cenários defende que "na ilha Terceira as tradições tauromáquicas são um pólo de desenvolvimento turístico". Estão no seu direito!
Pela primeira vez desde 1948, a televisão estatal da Espanha (TVE) fechará o ano sem transmissões de touradas, seguindo uma recomendação do governo.
A medida está provocando discussões entre defensores dos direitos dos animais e partidários do evento, que pedem o boicote à emissora.
A direção da TVE justificou a decisão, alegando que falta verba e que os eventos eram mostrados em horários em que muitas crianças assistiam TV.
A tradição das transmissões de touradas é tanta que o próprio canal estreou precisamente transmitindo de uma arena há 51 anos, a pedido do ditador Francisco Franco.
A direção da emissora explicou que a medida foi tomada por várias razões, entre elas o custo - só entre 2000 e 2006 as transmissões de touradas custaram R$ 78 milhões.
"Transmitir ou não um evento dessas características depende de uns direitos de transmissão que nem sempre estão a nosso alcance", disse a diretora geral da TVE, Carmen Caffarel.
A outra razão é um convênio assinado por todas as emissoras nacionais no mês de março, se comprometendo a proteger os menores de conteúdos pouco apropriados para suas idades.
"Estamos cumprindo um acordo. Não é um veto às touradas", explicou Caffarel, lembrando que nos telejornais ainda aparecem notícias relacionadas com esses eventos.
A novidade acirrou a velha disputa entre quem adora ou detesta as touradas.
O deputado do Partido Verde Francisco Garrido disse que "os gastos e os conteúdos das transmissões de touradas não se justificam em um canal público, porque não têm lugar em código ético algum".
Já os partidários do que na Espanha é chamada de "festa nacional" estão sendo convocados a boicotar a emissora.
A rádio católica COPE, dirigida pela Conferência Episcopal, vem orientando os ouvintes em campanhas diárias para que deixem de assistir a TVE, para forçar a emissora a reconsiderar sua posição.
Intelectuais espanhóis também entraram na disputa. Em outubro, um grupo de artistas e escritores apoiou um abaixo-assinado organizado por 70 organizações de defesa de direitos dos animais.
Eles foram ao Parlamento pedir a abolição das touradas. A escritora Ruth Toledano disse que "a única diferença entre um holocausto humano e outro animal é que nós temos voz".
O abaixo-assinado reivindica ainda que seja eliminada do orçamento nacional a taxa de R$ 123, do imposto de renda de cada espanhol, que é investida em eventos de touradas.
Outras emissoras, no entanto, continuam transmitindo os eventos. Os canais públicos locais de Províncias como Madri, Valência e Andaluzia mantêm a programação com médias entre 20% e 30% de audiência.
Para mais notícias, visite o site da BBC Brasil
© British Broadcasting Corporation 2006. Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem a autorização por escrito da BBC BRASIL
(extraido de http://bioterra.blogspot.com)
PS- Por cá, num capítulo do livro "Portugal Millenium Ecosystem Assessmént" um grupo de professores da Universidade dos Açores, num dos putativos cenários defende que "na ilha Terceira as tradições tauromáquicas são um pólo de desenvolvimento turístico". Estão no seu direito!
sábado, dezembro 08, 2007
Estratégia Regional de Educação Ambiental
Há poucos dias fiquei a saber, através de uma entrevista da Secretária Regional do Ambiente, que os Açores possuiam uma Estratégia Regional de Educação Ambiental. Ontem,tomei conhecimento que foi criada na ilha de são Miguel mais uma Ecoteca, desta vez no concelho da Lagoa.
Como nunca vi qualquer documento contendo a dita cuja e como até ontem nunca a sociedade açoriana tinha ouvido falar em Ecoteca da Lagoa, onde está a Estratégia?
Quanto a mim, embora nada tenha contra o Concelho da Lagoa e muito menos contra a entidade que a vai gerir, trata-se de um perfeito disparate, a não ser que esteja prevista, para breve, a instalação de uma ecoteca no Nordeste, outra na Povoação e outra em Vila Franca do Campo.
Pico da Pedra, 8 de Dezembro de 2008
Teófilo Braga
Há poucos dias fiquei a saber, através de uma entrevista da Secretária Regional do Ambiente, que os Açores possuiam uma Estratégia Regional de Educação Ambiental. Ontem,tomei conhecimento que foi criada na ilha de são Miguel mais uma Ecoteca, desta vez no concelho da Lagoa.
Como nunca vi qualquer documento contendo a dita cuja e como até ontem nunca a sociedade açoriana tinha ouvido falar em Ecoteca da Lagoa, onde está a Estratégia?
Quanto a mim, embora nada tenha contra o Concelho da Lagoa e muito menos contra a entidade que a vai gerir, trata-se de um perfeito disparate, a não ser que esteja prevista, para breve, a instalação de uma ecoteca no Nordeste, outra na Povoação e outra em Vila Franca do Campo.
Pico da Pedra, 8 de Dezembro de 2008
Teófilo Braga
sábado, dezembro 01, 2007

Ontem estive em greve. Anteontem no meu local de trabalho pouca informação havia sobre a mesma. Os sindicatos, criados à imagem e semelhança dos partidos autoritários que nos governam ou já nos governaram parece que entraram na clandestinidade: não deram a conhecer a mesma nem a publicitaram como deviam.
Enfim, os sindicatos são a imagem da classe que dizem representar!
terça-feira, novembro 27, 2007
Nem tudo o que luz é verde
A questão ambiental entrou finalmente no discurso público e na agenda política, o que não deixa de causar alguma surpresa aos activistas dos movimentos ecológicos, sobretudo àqueles que militam há mais tempo e se habituaram a ser apodados de utópicos e inimigos do desenvolvimento. A surpresa é tanto maior se se tiver em conta que o fenómeno não parece estar relacionado com uma intensificação extraordinária da militância ecológica. Quais, pois, as razões?
Ao longo das últimas quatro décadas, os movimentos ecológicos foram ganhando credibilidade à medida que a investigação científica foi demonstrando que muitos dos argumentos por eles invocados se traduziam em factos indesmentíveis – a perda da biodiversidade, as chuvas ácidas, o aquecimento global, as mudanças climáticas, a escassez de água, etc. – que, a prazo, poriam em causa a sustentabilidade da vida na terra. Com isto, ampliaram-se os estratos sociais sensíveis à questão ambiental e a classe política mais esclarecida ou mais oportunista (ainda que por vezes disfarçada de sociedade civil, como é o caso de Al Gore) não perdeu a oportunidade para encontrar nessa questão um novo campo de actuação e de legitimação. Assim se explica o importante relatório sobre a "conta climática" de um economista nada radical, Nicholas Stern, encomendado por um político em declínio, Tony Blair. Neste processo foram "esquecidos" muitos dos argumentos dos ambientalistas, nomeadamente aqueles que punham em causa o modelo de desenvolvimento capitalista dominante. Este "esquecimento" foi fundamental para a segunda razão do actual boom ambiental: a emergência do ecologismo empresarial, das indústrias da ecologia (não necessariamente ecológicas) e, acima de tudo, dos agrocombustíveis cujos promotores preferem designar, et pour cause, como biocombustíveis.
As reservas que os movimentos sociais (ambientalistas e outros) levantam a este último fenómeno merecem reflexão tanto mais que, tal como aconteceu antes, é bem provável que só daqui a muitos anos (tarde demais?) sejam aceites pela classe política e opinião pública. A primeira pode formular-se como uma pergunta: é de esperar que as indústrias da ecologia resolvam o problema ambiental quando é certo que a sustentabilidade económica delas depende da permanente ameaça à sustentabilidade da vida na terra? A eficiência ambiental dos agrocombustíveis é uma questão em aberto que, aliás, se agravará com a "segunda geração de agrocombustíveis" que, entre outras coisas, inclui a introdução de plantas (árvores) geneticamente modificadas. Por outro lado, a produção dos agrocombustíveis (cana do açúcar, soja e palma asiática) usa fertilizantes, polui os cursos de água e é já hoje uma das causas da desflorestação, da subida do preço da terra e da emergência de uma nova economia de plantação, neo-colonial e global. A segunda reserva está relacionada com a anterior e diz respeito ao impacto da expansão dos agrocombustíveis na produção de alimentos. No início de Setembro, o bushel de trigo (cerca de 36 litros) atingiu o preço record de 8 dólares na bolsa de mercadorias de Chicago. Más colheitas (derivadas das mudanças climáticas), o aumento da procura pela China e a Índia e a produção de agrocombustíveis foram as razões do aumento e a expectativa é de que a subida continue. O aumento do preço dos alimentos vai afectar desproporcionalmente populações empobrecidas dos países do Sul, pois gastam mais de 80% dos seus parcos rendimentos na alimentação. Ao decidir atribuir 7,3 biliões de dólares em subsídios para a produção de agrocombustíveis, os EUA produziram de imediato um aumento (que chegou a 400%) do preço do alimento básico dos Mexicanos, a tortilla. Reside aqui a terceira reserva: os agrocombustíveis podem vir a contribuir para a desigualdade entre países ricos e países pobres. Enquanto na UE a opção pelos agrocombustíveis corresponde, em parte, a preocupações ambientais, nos EUA a preocupação é com a diminuição da dependência do petróleo. Em qualquer dos casos, estamos perante mais uma forma de proteccionismo sob a forma de subsídios à agroindustria, e, como a produção doméstica não é de nenhum modo suficiente, é, de novo, nos países do Sul que se vão buscar as fontes de energia. Se nada for feito, repetir-se-á a maldição do petróleo: a pobreza das populações em países ricos em recursos energéticos.
O que há a fazer? Critérios exigentes de sustentabilidade global; democratização do acesso à terra e regularização da propriedade camponesa; subordinação do agrocombustível à segurança e à soberania alimentares; novas lógicas de consumo (se a eficiência do transporte ferroviário é 11 vezes superior à dos transportes rodoviários, porque não investir apenas no primeiro?); alternativas ao mito do desenvolvimento e numa nova solidariedade do Norte para com o Sul. Neste domínio, o governo equatoriano acaba de fazer a proposta mais inovadora: renunciar à exploração do petróleo numa vasta reserva ecológica se a comunidade internacional indemnizar o país em 50% da perda de rendimentos derivados dessa renúncia.
Boaventura Sousa Santos
Publicado na Visão em 25 de Outubro de 2007
A questão ambiental entrou finalmente no discurso público e na agenda política, o que não deixa de causar alguma surpresa aos activistas dos movimentos ecológicos, sobretudo àqueles que militam há mais tempo e se habituaram a ser apodados de utópicos e inimigos do desenvolvimento. A surpresa é tanto maior se se tiver em conta que o fenómeno não parece estar relacionado com uma intensificação extraordinária da militância ecológica. Quais, pois, as razões?
Ao longo das últimas quatro décadas, os movimentos ecológicos foram ganhando credibilidade à medida que a investigação científica foi demonstrando que muitos dos argumentos por eles invocados se traduziam em factos indesmentíveis – a perda da biodiversidade, as chuvas ácidas, o aquecimento global, as mudanças climáticas, a escassez de água, etc. – que, a prazo, poriam em causa a sustentabilidade da vida na terra. Com isto, ampliaram-se os estratos sociais sensíveis à questão ambiental e a classe política mais esclarecida ou mais oportunista (ainda que por vezes disfarçada de sociedade civil, como é o caso de Al Gore) não perdeu a oportunidade para encontrar nessa questão um novo campo de actuação e de legitimação. Assim se explica o importante relatório sobre a "conta climática" de um economista nada radical, Nicholas Stern, encomendado por um político em declínio, Tony Blair. Neste processo foram "esquecidos" muitos dos argumentos dos ambientalistas, nomeadamente aqueles que punham em causa o modelo de desenvolvimento capitalista dominante. Este "esquecimento" foi fundamental para a segunda razão do actual boom ambiental: a emergência do ecologismo empresarial, das indústrias da ecologia (não necessariamente ecológicas) e, acima de tudo, dos agrocombustíveis cujos promotores preferem designar, et pour cause, como biocombustíveis.
As reservas que os movimentos sociais (ambientalistas e outros) levantam a este último fenómeno merecem reflexão tanto mais que, tal como aconteceu antes, é bem provável que só daqui a muitos anos (tarde demais?) sejam aceites pela classe política e opinião pública. A primeira pode formular-se como uma pergunta: é de esperar que as indústrias da ecologia resolvam o problema ambiental quando é certo que a sustentabilidade económica delas depende da permanente ameaça à sustentabilidade da vida na terra? A eficiência ambiental dos agrocombustíveis é uma questão em aberto que, aliás, se agravará com a "segunda geração de agrocombustíveis" que, entre outras coisas, inclui a introdução de plantas (árvores) geneticamente modificadas. Por outro lado, a produção dos agrocombustíveis (cana do açúcar, soja e palma asiática) usa fertilizantes, polui os cursos de água e é já hoje uma das causas da desflorestação, da subida do preço da terra e da emergência de uma nova economia de plantação, neo-colonial e global. A segunda reserva está relacionada com a anterior e diz respeito ao impacto da expansão dos agrocombustíveis na produção de alimentos. No início de Setembro, o bushel de trigo (cerca de 36 litros) atingiu o preço record de 8 dólares na bolsa de mercadorias de Chicago. Más colheitas (derivadas das mudanças climáticas), o aumento da procura pela China e a Índia e a produção de agrocombustíveis foram as razões do aumento e a expectativa é de que a subida continue. O aumento do preço dos alimentos vai afectar desproporcionalmente populações empobrecidas dos países do Sul, pois gastam mais de 80% dos seus parcos rendimentos na alimentação. Ao decidir atribuir 7,3 biliões de dólares em subsídios para a produção de agrocombustíveis, os EUA produziram de imediato um aumento (que chegou a 400%) do preço do alimento básico dos Mexicanos, a tortilla. Reside aqui a terceira reserva: os agrocombustíveis podem vir a contribuir para a desigualdade entre países ricos e países pobres. Enquanto na UE a opção pelos agrocombustíveis corresponde, em parte, a preocupações ambientais, nos EUA a preocupação é com a diminuição da dependência do petróleo. Em qualquer dos casos, estamos perante mais uma forma de proteccionismo sob a forma de subsídios à agroindustria, e, como a produção doméstica não é de nenhum modo suficiente, é, de novo, nos países do Sul que se vão buscar as fontes de energia. Se nada for feito, repetir-se-á a maldição do petróleo: a pobreza das populações em países ricos em recursos energéticos.
O que há a fazer? Critérios exigentes de sustentabilidade global; democratização do acesso à terra e regularização da propriedade camponesa; subordinação do agrocombustível à segurança e à soberania alimentares; novas lógicas de consumo (se a eficiência do transporte ferroviário é 11 vezes superior à dos transportes rodoviários, porque não investir apenas no primeiro?); alternativas ao mito do desenvolvimento e numa nova solidariedade do Norte para com o Sul. Neste domínio, o governo equatoriano acaba de fazer a proposta mais inovadora: renunciar à exploração do petróleo numa vasta reserva ecológica se a comunidade internacional indemnizar o país em 50% da perda de rendimentos derivados dessa renúncia.
Boaventura Sousa Santos
Publicado na Visão em 25 de Outubro de 2007
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domingo, novembro 25, 2007
25 DE NOVEMBRO DE 1975:
A DEMOCRACIA LIBERAL NÃO É ALTERNATIVA AO ESQUERDISMO E AO SECTARISMO!
Em 1975, o 25 de Novembro representou o triunfo da democracia liberal e parlamentarista sobre o impasse revolucionário a que conduziu o esquerdismo e o sectarismo.
Trinta e dois anos depois, as assimetrias sociais em crescendo, o liberalismo económico e financeiro que repôs o poder de meia dúzia de grandes grupos , a quase inexistência de direitos por parte de quem trabalha num quase onde domina a precariedade nas suas diversas facetas (contratos a prazo, falsos recibos verdes, sub-emprego ...), os ataques ao Serviço Nacional de Saúde mesmo que tendencialmente gratuito, ... , tudo isto são consequências do triunfo da democracia liberal e parlamentarista.
O 25 de Novembro de 1975 veio também provar que não é possível manter um processo revolucionário numa espécie de meio-termo, de impasse, no qual se vão degladiando correntes sectárias e esquerdistas, com acções que ignoram crescentemente o sentir e a vontade populares, dando-as, de mão-beijada, às correntes contra-revolucionárias que procuram sempre a reposição de velhas ordens.
Em 25 de Novembro de 1975 não havia o perigo de uma contra-revolução fascista, como queriam fazer crer as correntes esquerdistas dominantes. Mas o triunfo do parlamentarismo burguês rápidamente criou condições para a reposição de uma sociedade onde o poder económico e financeiro condiciona o poder político e, na onda do securitarismo norte-americano, passa também a condicionar o exercício das liberdades democrática e dos direitos sociais.
O Partido Socialista representou toda a contradição desse período e reeditou o papel contra-revolucionário que a social-democracia já havia representado noutros processos revolucionários. O PS reuniu efectivamente uma forte vontade popular para uma mudança socialista, mas essa vontade sempre foi desfigurada pelas sucessivas direcções "socialistas" que, uma vez no governo, foram abrindo todas as portas ao domínio do poder económico e financeiro reconstruído com uma onda sem precedentes de privatizações.
Em Novembro de 1975, como aliás desde o 25 de Abril de 1974, sempre faltou ao e no processo revolucionário português uma alternativa socialista que não reeditasse velhos desvios esquerdistas, sectários e até totalitários. Esquerdistas (uma incrível amalgama de grupos e microscópicos partidos) , estalinistas (o PCP) e social-democratas (mal designados de PS e/ou de "socialistas") foram reproduzindo receitas, modelos e teorias, nas quais, as massas populares, foram meros joguetes ... A sede de controlo burocrático do movimento sindical, das comissões de trabalhadores e de moradores, ... , rápidamente colocou o processo revolucionário num impasse com a contra-revolução neo-liberal à espreita ...
As revoluções não precisam de iluminados, nem precisam de "vanguardas" ... precisam, isso sim, de deixar crescer livremente a iniciativa social, sendo esta a que tem de buscar e criar novas formas de organização que consolidem e orientem o processo revolucionário!
Tal não aconteceu com a revolução portuguesa e o resultado foi o triunfo da democracia liberal, significando esse triunfo a reposição de um modelo de sociedade onde a democracia é formal, o parlamentarismo é uma rolha sobre a iniciativa popular e o poder político é refém de uma realidade que configura uma autentica ditadura económica e financeira!
--
Publicada por Tribuna Socialista em TRIBUNA SOCIALISTA a 11/25/2007 06:09:00 PM
A DEMOCRACIA LIBERAL NÃO É ALTERNATIVA AO ESQUERDISMO E AO SECTARISMO!
Em 1975, o 25 de Novembro representou o triunfo da democracia liberal e parlamentarista sobre o impasse revolucionário a que conduziu o esquerdismo e o sectarismo.
Trinta e dois anos depois, as assimetrias sociais em crescendo, o liberalismo económico e financeiro que repôs o poder de meia dúzia de grandes grupos , a quase inexistência de direitos por parte de quem trabalha num quase onde domina a precariedade nas suas diversas facetas (contratos a prazo, falsos recibos verdes, sub-emprego ...), os ataques ao Serviço Nacional de Saúde mesmo que tendencialmente gratuito, ... , tudo isto são consequências do triunfo da democracia liberal e parlamentarista.
O 25 de Novembro de 1975 veio também provar que não é possível manter um processo revolucionário numa espécie de meio-termo, de impasse, no qual se vão degladiando correntes sectárias e esquerdistas, com acções que ignoram crescentemente o sentir e a vontade populares, dando-as, de mão-beijada, às correntes contra-revolucionárias que procuram sempre a reposição de velhas ordens.
Em 25 de Novembro de 1975 não havia o perigo de uma contra-revolução fascista, como queriam fazer crer as correntes esquerdistas dominantes. Mas o triunfo do parlamentarismo burguês rápidamente criou condições para a reposição de uma sociedade onde o poder económico e financeiro condiciona o poder político e, na onda do securitarismo norte-americano, passa também a condicionar o exercício das liberdades democrática e dos direitos sociais.
O Partido Socialista representou toda a contradição desse período e reeditou o papel contra-revolucionário que a social-democracia já havia representado noutros processos revolucionários. O PS reuniu efectivamente uma forte vontade popular para uma mudança socialista, mas essa vontade sempre foi desfigurada pelas sucessivas direcções "socialistas" que, uma vez no governo, foram abrindo todas as portas ao domínio do poder económico e financeiro reconstruído com uma onda sem precedentes de privatizações.
Em Novembro de 1975, como aliás desde o 25 de Abril de 1974, sempre faltou ao e no processo revolucionário português uma alternativa socialista que não reeditasse velhos desvios esquerdistas, sectários e até totalitários. Esquerdistas (uma incrível amalgama de grupos e microscópicos partidos) , estalinistas (o PCP) e social-democratas (mal designados de PS e/ou de "socialistas") foram reproduzindo receitas, modelos e teorias, nas quais, as massas populares, foram meros joguetes ... A sede de controlo burocrático do movimento sindical, das comissões de trabalhadores e de moradores, ... , rápidamente colocou o processo revolucionário num impasse com a contra-revolução neo-liberal à espreita ...
As revoluções não precisam de iluminados, nem precisam de "vanguardas" ... precisam, isso sim, de deixar crescer livremente a iniciativa social, sendo esta a que tem de buscar e criar novas formas de organização que consolidem e orientem o processo revolucionário!
Tal não aconteceu com a revolução portuguesa e o resultado foi o triunfo da democracia liberal, significando esse triunfo a reposição de um modelo de sociedade onde a democracia é formal, o parlamentarismo é uma rolha sobre a iniciativa popular e o poder político é refém de uma realidade que configura uma autentica ditadura económica e financeira!
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Publicada por Tribuna Socialista em TRIBUNA SOCIALISTA a 11/25/2007 06:09:00 PM
sexta-feira, novembro 23, 2007
quarta-feira, novembro 21, 2007
El comercio de emisiones no es la solución para frenar el cambio climático
Lo indecente del comercio de emisiones de CO2
En 1992, una tristemente célebre nota filtrada a la prensa escrita por Lawrence Summers, entonces economista jefe del Banco Mundial, señalaba que "la lógica económica de deshacerse de los residuos tóxicos en los países de salarios más bajos es impecable, y deberíamos afrontarla".
En estos momentos, se está intentando imponer un tipo de ecologismo de libre mercado muy parecido, que reduce debates muy complejos a una mera discusión sobre cifras y gráficos que ignora variables imposibles de cuantificar, tales como la pérdida de vidas humanas, la extinción de especies y la agitación social.
'Economía basura'
Puede que los análisis de costos-beneficios sean una herramienta útil para tomar decisiones en situaciones relativamente simples o cuando hay un número limitado de opciones sencillas entre las que elegir.
Pero tal como observa Tom Burke, profesor visitante en el Imperial College London: "lo cierto es que aplicar análisis de costos-beneficios a cuestiones como el cambio climático no es más que economía basura (...) Es vanidoso por parte de los economistas creer que todas las opciones se pueden reducir a un conjunto de cálculos de valor monetario".
Algunos comentaristas han aplaudido el Informe Stern, un importante estudio publicado por el Gobierno británico en diciembre de 2006, por hablar en la jerga económica que entienden los políticos y la comunidad empresarial.
Pero al encuadrar el problema únicamente en términos de precios, comercio y crecimiento económico, estamos restringiendo el alcance de la respuesta ante el cambio climático a soluciones basadas en el mercado.
Estas "soluciones" suelen adoptar dos formas:
• el comercio de emisiones, un sistema por el que los Gobiernos otorgan permisos a grandes contaminadores industriales para que puedan comerciar con "derechos de contaminación" entre sí, según sus necesidades;
• la generación de excedentes de créditos de carbono a través de proyectos, normalmente ubicados en países del Sur, que afirman reducir o evitar emisiones en otros lugares; estos créditos se pueden adquirir para compensar cualquier falta en la reducción de emisiones.
Así, estos sistemas nos permiten eludir la respuesta más eficaz que se podría dar al cambio climático: dejar los combustibles fósiles en el subsuelo. Evidentemente, no se trata de una propuesta sencilla para nuestra sociedad, muy dependiente de dichos combustibles; sin embargo, todos sabemos que eso es precisamente lo que se necesita.
Por lo tanto, ¿qué incentivo hay para empezar a emprender estos costosos cambios a largo plazo cuando uno se puede limitar a comprar créditos de carbono, más baratos, a corto plazo?
La presión del mercado
En el actual contexto económico neoliberal, las normas del comercio sucumben inevitablemente ante las presiones del cabildeo de las grandes empresas y la falta de regulación a fin de garantizar que los Gobiernos no "interfieran" en el fluido funcionamiento del mercado.
Ya hemos presenciado esa corrosiva influencia en el Sistema de Comercio de Emisiones (ETS) de la Unión Europea, cuando, sometidos a una intensa presión empresarial, los Gobiernos adjudicaron permisos de emisiones en exceso a las industrias más contaminantes en la ronda inicial.
Esto provocó una caída en el precio del carbono superior al 60%, con lo que se desincentivó aún más a las industrias a reducir sus emisiones en el origen.
La industria cuenta con todo tipo de lagunas jurídicas e incentivos para exagerar sus emisiones con el fin de obtener más permisos y, por lo tanto, tomar aún menos medidas.
El analista de mercados Franck Schuttellar calcula que, durante el primer año de funcionamiento del sistema, las industrias más contaminantes del Reino Unido ganaron, en conjunto, 940 millones de libras (1.373 millones de euros) en beneficios imprevistos gracias a las generosas asignaciones del ETS.
Teniendo en cuenta todo lo que sabemos sobre el vínculo entre contaminación y cambio climático, esa gran concesión pública a empresas muy poco limpias raya lo indecente.
Se nos pide que confiemos en que la flexibilidad y la eficiencia del mercado garantizarán que las emisiones de carbono se reduzcan de la forma más rápida y eficaz posible, mientras que la experiencia nos demuestra que la falta de una normativa estricta tiende a crear problemas medioambientales, no a resolverlos.
Políticas ineficaces
Hay toda una corriente de opinión que defiende que la "mano invisible" del mercado no es la forma más eficaz de afrontar el cambio climático.
La Declaración de Durban sobre justicia climática, suscrita por organizaciones de la sociedad civil de todo el mundo, manifiesta que convertir el carbono en una mercancía representa una privatización a gran escala de la capacidad de la Tierra para reciclar carbono. El pastel atmosférico se reparte y se entrega a los mayores contaminadores del mundo.
Una acción eficaz frente al cambio climático exigiría reivindicar, adoptar y respaldar políticas que reduzcan las emisiones en su origen, y no un sistema para compensarlas o comerciar con ellas.
El comercio de emisiones no es la respuesta; las emisiones se deben reducir de forma general, sin sutiles cláusulas de salvaguardia para los principales contaminadores.
Urge aplicar una regulación, una supervisión y multas más estrictas a los contaminadores, en el ámbito comunitario, local, nacional e internacional, así como apoyar activamente a las comunidades afectadas por el cambio climático. En estos momentos, esas políticas son prácticamente invisibles, ya que van en contra de las vacas sagradas del crecimiento económico y el libre mercado.
Lamentablemente, cuando se trata de abordar el cambio climático y mantener un crecimiento económico basado en la permanente y creciente extracción y consumo de combustibles fósiles no hay soluciones de aquellas en que "todo el mundo sale ganando".
Los mecanismos basados en el mercado, como el comercio de emisiones, representan una ingeniosa estratagema de contabilidad creativa que desvía la atención del hecho de que no hay un escenario "convencional" viable.
Las políticas sobre cambio climático deberían ser algo mucho más serio.
Kevin Smith es investigador de Justicia Medioambiental, un programa del Transnational Institute ( http://www.tni.org/es ) que estudia las repercusiones del comercio de emisiones sobre la sociedad y el entorno. (Traducción de Beatriz Martínez)
(in www.rebelion.org)
Lo indecente del comercio de emisiones de CO2
En 1992, una tristemente célebre nota filtrada a la prensa escrita por Lawrence Summers, entonces economista jefe del Banco Mundial, señalaba que "la lógica económica de deshacerse de los residuos tóxicos en los países de salarios más bajos es impecable, y deberíamos afrontarla".
En estos momentos, se está intentando imponer un tipo de ecologismo de libre mercado muy parecido, que reduce debates muy complejos a una mera discusión sobre cifras y gráficos que ignora variables imposibles de cuantificar, tales como la pérdida de vidas humanas, la extinción de especies y la agitación social.
'Economía basura'
Puede que los análisis de costos-beneficios sean una herramienta útil para tomar decisiones en situaciones relativamente simples o cuando hay un número limitado de opciones sencillas entre las que elegir.
Pero tal como observa Tom Burke, profesor visitante en el Imperial College London: "lo cierto es que aplicar análisis de costos-beneficios a cuestiones como el cambio climático no es más que economía basura (...) Es vanidoso por parte de los economistas creer que todas las opciones se pueden reducir a un conjunto de cálculos de valor monetario".
Algunos comentaristas han aplaudido el Informe Stern, un importante estudio publicado por el Gobierno británico en diciembre de 2006, por hablar en la jerga económica que entienden los políticos y la comunidad empresarial.
Pero al encuadrar el problema únicamente en términos de precios, comercio y crecimiento económico, estamos restringiendo el alcance de la respuesta ante el cambio climático a soluciones basadas en el mercado.
Estas "soluciones" suelen adoptar dos formas:
• el comercio de emisiones, un sistema por el que los Gobiernos otorgan permisos a grandes contaminadores industriales para que puedan comerciar con "derechos de contaminación" entre sí, según sus necesidades;
• la generación de excedentes de créditos de carbono a través de proyectos, normalmente ubicados en países del Sur, que afirman reducir o evitar emisiones en otros lugares; estos créditos se pueden adquirir para compensar cualquier falta en la reducción de emisiones.
Así, estos sistemas nos permiten eludir la respuesta más eficaz que se podría dar al cambio climático: dejar los combustibles fósiles en el subsuelo. Evidentemente, no se trata de una propuesta sencilla para nuestra sociedad, muy dependiente de dichos combustibles; sin embargo, todos sabemos que eso es precisamente lo que se necesita.
Por lo tanto, ¿qué incentivo hay para empezar a emprender estos costosos cambios a largo plazo cuando uno se puede limitar a comprar créditos de carbono, más baratos, a corto plazo?
La presión del mercado
En el actual contexto económico neoliberal, las normas del comercio sucumben inevitablemente ante las presiones del cabildeo de las grandes empresas y la falta de regulación a fin de garantizar que los Gobiernos no "interfieran" en el fluido funcionamiento del mercado.
Ya hemos presenciado esa corrosiva influencia en el Sistema de Comercio de Emisiones (ETS) de la Unión Europea, cuando, sometidos a una intensa presión empresarial, los Gobiernos adjudicaron permisos de emisiones en exceso a las industrias más contaminantes en la ronda inicial.
Esto provocó una caída en el precio del carbono superior al 60%, con lo que se desincentivó aún más a las industrias a reducir sus emisiones en el origen.
La industria cuenta con todo tipo de lagunas jurídicas e incentivos para exagerar sus emisiones con el fin de obtener más permisos y, por lo tanto, tomar aún menos medidas.
El analista de mercados Franck Schuttellar calcula que, durante el primer año de funcionamiento del sistema, las industrias más contaminantes del Reino Unido ganaron, en conjunto, 940 millones de libras (1.373 millones de euros) en beneficios imprevistos gracias a las generosas asignaciones del ETS.
Teniendo en cuenta todo lo que sabemos sobre el vínculo entre contaminación y cambio climático, esa gran concesión pública a empresas muy poco limpias raya lo indecente.
Se nos pide que confiemos en que la flexibilidad y la eficiencia del mercado garantizarán que las emisiones de carbono se reduzcan de la forma más rápida y eficaz posible, mientras que la experiencia nos demuestra que la falta de una normativa estricta tiende a crear problemas medioambientales, no a resolverlos.
Políticas ineficaces
Hay toda una corriente de opinión que defiende que la "mano invisible" del mercado no es la forma más eficaz de afrontar el cambio climático.
La Declaración de Durban sobre justicia climática, suscrita por organizaciones de la sociedad civil de todo el mundo, manifiesta que convertir el carbono en una mercancía representa una privatización a gran escala de la capacidad de la Tierra para reciclar carbono. El pastel atmosférico se reparte y se entrega a los mayores contaminadores del mundo.
Una acción eficaz frente al cambio climático exigiría reivindicar, adoptar y respaldar políticas que reduzcan las emisiones en su origen, y no un sistema para compensarlas o comerciar con ellas.
El comercio de emisiones no es la respuesta; las emisiones se deben reducir de forma general, sin sutiles cláusulas de salvaguardia para los principales contaminadores.
Urge aplicar una regulación, una supervisión y multas más estrictas a los contaminadores, en el ámbito comunitario, local, nacional e internacional, así como apoyar activamente a las comunidades afectadas por el cambio climático. En estos momentos, esas políticas son prácticamente invisibles, ya que van en contra de las vacas sagradas del crecimiento económico y el libre mercado.
Lamentablemente, cuando se trata de abordar el cambio climático y mantener un crecimiento económico basado en la permanente y creciente extracción y consumo de combustibles fósiles no hay soluciones de aquellas en que "todo el mundo sale ganando".
Los mecanismos basados en el mercado, como el comercio de emisiones, representan una ingeniosa estratagema de contabilidad creativa que desvía la atención del hecho de que no hay un escenario "convencional" viable.
Las políticas sobre cambio climático deberían ser algo mucho más serio.
Kevin Smith es investigador de Justicia Medioambiental, un programa del Transnational Institute ( http://www.tni.org/es ) que estudia las repercusiones del comercio de emisiones sobre la sociedad y el entorno. (Traducción de Beatriz Martínez)
(in www.rebelion.org)
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terça-feira, novembro 20, 2007
Gestores públicos açorianos com vencimentos 'milionários'
PAULO FAUSTINO
Prémios de antiguidade e assiduidade servem para engordar ordenados
Os presidentes das empresas públicas dos Açores ganham uma média mensal de 4 251 euros, o que compara com o rendimento médio de 600 euros de cada açoriano. O Tribunal de Contas fez a média, num universo considerado de 26 empresas e organismos regionais.
A auditoria do Tribunal de Contas (TC), ao período entre 2004 e 2006, aponta irregularidades no regime remuneratório do sector público empresarial da região. O relatório divulgado ontem constata que as "despesas de representação são abonadas aos administradores 14 vezes por ano, com excepção da Lotaçor em que são 12, pelo exercício de funções de representatividade, que ocorrem, normalmente, num período de 11 meses por ano".
A companhia aérea Sata e a Eléctrica Açoriana, que nesse período eram presididas respectivamente por António Cansado e Roberto Amaral, são as empresas mais "generosas" no pagamento de remunerações aos administradores. Em ambas, a cada um dos seus executivos foram atribuídos em 2005 prémios de gestão, no valor único de 12 500 euros, pelo desempenho alcançado em 2003. Estes dois grupos são também os que maiores custos suportam com a concessão de benefícios adicionais aos seus administradores, que usufruem de telemóvel e viatura. O que gera encargos superiores a mil euros por mês, em média. A auditoria do Tribunal de Contas revela ainda que o mais bem pago das empresas de capitais públicos nos Açores é o presidente da Saudaçor, empresa que tutela a área da saúde. Teresa Luciano substituiu, em Outubro do ano passado, António Luís Teixeira à frente desta sociedade. O seu vencimento base é de 4 800 euros, a que se juntam mais mil euros referentes a despesas de representação. Contas feitas, leva ao fim do mês para casa 5 800 euros. Um salário superior a cinco mil euros é o que auferem os presidentes da Sata e da EDA.
Mas o fosso entre gestores também existe no sector público empresarial regional. Na ilha de Santa Maria, o presidente da administração dos transportes colectivos tem direito a um vencimento mensal de quase sobrevivência, ou seja, de pouco menos 500 euros. Muito abaixo do que recebem alguns vogais de outras empresas regionais, que auferem um salário de 3 631 euros por mês.
A auditoria alerta ainda para a situação "inadequada" no seio das empresas do grupo EDA, ao serem as únicas a atribuir prémios de antiguidade e de assiduidade aos administradores. Por tudo isso, o tribunal faz a recomendação ao Governo açoriano: "Deverá promover a aprovação de adequada regulamentação que, de forma coerente e completa, estabeleça o estatuto remuneratório" dos titulares dos órgãos de gestão e administração das empresas públicas.
(in http://dn.sapo.pt/2007/11/20/economia/gestores_publicos_acorianos_vencimen.html)
E há quem ache que são os trabalhadores que ganham muito. Puta que os pariu!
PAULO FAUSTINO
Prémios de antiguidade e assiduidade servem para engordar ordenados
Os presidentes das empresas públicas dos Açores ganham uma média mensal de 4 251 euros, o que compara com o rendimento médio de 600 euros de cada açoriano. O Tribunal de Contas fez a média, num universo considerado de 26 empresas e organismos regionais.
A auditoria do Tribunal de Contas (TC), ao período entre 2004 e 2006, aponta irregularidades no regime remuneratório do sector público empresarial da região. O relatório divulgado ontem constata que as "despesas de representação são abonadas aos administradores 14 vezes por ano, com excepção da Lotaçor em que são 12, pelo exercício de funções de representatividade, que ocorrem, normalmente, num período de 11 meses por ano".
A companhia aérea Sata e a Eléctrica Açoriana, que nesse período eram presididas respectivamente por António Cansado e Roberto Amaral, são as empresas mais "generosas" no pagamento de remunerações aos administradores. Em ambas, a cada um dos seus executivos foram atribuídos em 2005 prémios de gestão, no valor único de 12 500 euros, pelo desempenho alcançado em 2003. Estes dois grupos são também os que maiores custos suportam com a concessão de benefícios adicionais aos seus administradores, que usufruem de telemóvel e viatura. O que gera encargos superiores a mil euros por mês, em média. A auditoria do Tribunal de Contas revela ainda que o mais bem pago das empresas de capitais públicos nos Açores é o presidente da Saudaçor, empresa que tutela a área da saúde. Teresa Luciano substituiu, em Outubro do ano passado, António Luís Teixeira à frente desta sociedade. O seu vencimento base é de 4 800 euros, a que se juntam mais mil euros referentes a despesas de representação. Contas feitas, leva ao fim do mês para casa 5 800 euros. Um salário superior a cinco mil euros é o que auferem os presidentes da Sata e da EDA.
Mas o fosso entre gestores também existe no sector público empresarial regional. Na ilha de Santa Maria, o presidente da administração dos transportes colectivos tem direito a um vencimento mensal de quase sobrevivência, ou seja, de pouco menos 500 euros. Muito abaixo do que recebem alguns vogais de outras empresas regionais, que auferem um salário de 3 631 euros por mês.
A auditoria alerta ainda para a situação "inadequada" no seio das empresas do grupo EDA, ao serem as únicas a atribuir prémios de antiguidade e de assiduidade aos administradores. Por tudo isso, o tribunal faz a recomendação ao Governo açoriano: "Deverá promover a aprovação de adequada regulamentação que, de forma coerente e completa, estabeleça o estatuto remuneratório" dos titulares dos órgãos de gestão e administração das empresas públicas.
(in http://dn.sapo.pt/2007/11/20/economia/gestores_publicos_acorianos_vencimen.html)
E há quem ache que são os trabalhadores que ganham muito. Puta que os pariu!
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Se privatizar é a resposta, qual foi a pergunta?
Jorge Vasconcelos
Nada de mal acontecerá se, amanhã, após uma patriótica privatização para resolver a emergência financeira de hoje, os planos de expansão da REN forem anunciados num hotel londrino e os lucros das redes energéticas nacionais forem distribuidos pelas viúvas da Escócia, pelos reformados da Califórnia ou pelos oligarcas russos. Mas os consumidores portugueses de energia não retirarão daí qualquer benefício.
As redes nacionais de transporte de electricidade e de gás natural estão à venda. Eufemisticamente, diz-se que vão ser privatizadas - parcialmente, como sempre acontece quando o Estado, envergonhado, vende o seu património. Sobretudo quando esse património corresponde a uma infra-estrutura essencial que actua e continuará a actuar em regime de monopólio.
A privatização da REN-redes energéticas nacionais parece ser a resposta tecnicamente iluminada, politicamente moderna, economicamente inteligente, financeiramente vanguardista e socialmente ousada a uma qualquer questão. Será?
Será que a privatização da REN decorre de uma obrigação ou de uma recomendação comunitária (sabe-se como a Europa da concorrência sem distorções tinha as costas largas)? A resposta é não.
De acordo com o direito comunitário, o transporte de energia (electricidade e gás natural) é um monopólio regulado e deve ser exercido por empresas separadas juridicamente de empresas que actuem, em regime de concorrência, na produção, na importação e na comercialização de energia. Assegura-se assim o acesso não discriminatório de todos os interessados às infra-estruturas de transporte e facilita-se o desenvolvimento de mercados de energia eficientes.
O direito comunitário apenas impõe a separação jurídica da actividade de transporte, nem sequer obrigando à separação patrimonial. Contudo, quer a experiência portuguesa de separação patrimonial do transporte de electricidade, ocorrida em 2000, quer numerosas experiências internacionais, na electricidade e no gás natural, demonstram a vantagem de proceder à separação patrimonial.
A junção do transporte da electricidade e do gás natural numa mesma empresa é, normalmente, uma livre decisão empresarial. Embora em Portugal ela tenha sido imposta pelo legislador, não resulta, em todo o caso, de qualquer constrangimento do direito comunitário. Tratando-se de dois monopólios, esta forma de concentração não cria, em princípio, obstáculos ao desenvolvimento da concorrência e, potencialmente, pode proporcionar algumas economias ao sector energético (embora a escassa experiência internacional não seja conclusiva a respeito do valor das sinergias).
Relativamente à natureza da propriedade das empresas de transporte de energia - pública, privada ou cooperativa - o direito comunitário é neutro e as mais diversas situações coexistem no espaço da União Europeia. Olhando em torno, pode-se concluir que nem a propriedade privada das infra-estruturas de transporte garante automaticamente maior eficiência aos mercados de energia - sobretudo quando não é acompanhada da já referida separação patrimonial - nem a propriedade pública garante automaticamente melhor qualidade de serviço, contrariamente a algumas intuições difusas.
Será que a privatização da REN decorre de um compromisso eleitoral? A resposta é não.
O programa do Governo estabelece como objectivo "[d]ar um novo impulso à liberalização do mercado da electricidade, em todos os seus segmentos (produção, distribuição, comercialização) e antecipar o calendário de liberalização do mercado do gás natural" mas não refere a privatização da REN.
Que motivos podem justificar a privatização do transporte de energia em Portugal? Duas hipóteses ocorrem ao espírito:
a) Necessidade de atrair capital para novos investimentos no transporte de energia.
As dificuldades financeiras da EDP, no final dos anos 1980, levaram à abertura da produção de electricidade ao capital privado e à construção, no início dos anos 1990, da primeira central eléctrica em regime de project finance em Portugal (que foi também a primeira na Europa continental).
Todavia, a REN goza de excelente saúde financeira (em 2006 teve resultados líquidos de 148 milhões de euros e em 2005, antes da junção do gás à electricidade, de 104 milhões de euros) e são-lhe atribuídos os melhores ratings. Em 2005 investiu 215 milhões de euros no sector eléctrico - bem acima dos 137 milhões de 2004, dos 118 milhões de 2003 e dos cerca de 60 milhões por ano que investia nos anos 1990, antes da liberalização e da regulação do sector.
b) Necessidade de melhorar o desempenho da empresa.
O desempenho técnico e económico da REN tem vindo a melhorar ao longo dos últimos anos. De acordo com um estudo de benchmarking encomendado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, a REN, não sendo a empresa de transporte de electricidade mais eficiente, e tendo embora importantes ganhos de eficiência a obter, também não é a menos eficiente. Em 2006, as tarifas de uso da rede de transporte estavam 27% abaixo do valor de 1999, em termos reais.
Entre 1999 e 2004, a gestão optimizada dos contratos vinculados de produção de energia eléctrica do sistema público, realizada pela REN, permitiu obter ganhos comerciais de 111 milhões de euros que foram partilhados entre os consumidores e os accionistas da empresa.
O desempenho técnico da REN tem vindo a melhorar ao longo dos últimos anos, quer em termos de qualidade de serviço, quer em termos de redução das perdas de electricidade na rede - estas desceram de 2,6% em 1995 para 1,4% em 2005.
Se o Estado proprietário considerava o desempenho financeiro da empresa insuficiente, podia mudar a sua administração, como fazem normalmente os accionistas descontentes e como sugere o próprio programa do Governo: "O Estado, pela posição que ainda ocupa em importantes empresas, deve ser um exemplo catalisador da adopção de boas práticas de governação societária, tendo em vista a definição de um quadro de gestão que fomente o rigor, que responsabilize os responsáveis e promova uma maior transparência da sua acção. O Estado, deste ponto de vista, é um accionista como os demais e deve reger a sua actividade dentro do quadro normativo vigente".
Não sendo evidentes razões objectivas intrínsecas aos sectores da electricidade e do gás natural que justifiquem a privatização da REN, essas razões devem ser procuradas fora do sector energético. Descartando motivações ideológicas, manifestamente fora de moda, restam motivações financeiras - a emergência das contas públicas, a necessidade de reduzir o défice público.
O "emergencialismo" parece ser a nova ideologia do Estado português no século XXI, no bem e no mal. No bem, quando serve de pretexto para a introdução de reformas necessárias; no mal, quando relega para segundo plano considerações de carácter económico, industrial, ambiental e social de longo prazo em nome de imperativos financeiros de curto prazo.
Privatizar uma empresa não significa liberalizar um sector. Privatizar um monopólio não tem mesmo nada a ver com liberalização. Na perspectiva dos consumidores de energia, mais útil que privatizar as redes de transporte, seria liberalizar e privatizar integralmente os produtores e comercializadores de electricidade e de gás natural, favorecendo o desenvolvimento de uma concorrência saudável entre eles, num quadro ibérico transparente e eficiente. Assim, um monopólio semi-privado no meio de um mercado virtual produz o mesmo efeito que um smoking na praia.
Nada de mal acontecerá se, amanhã, após uma patriótica privatização para resolver a emergência financeira de hoje, os planos de expansão da REN forem anunciados num hotel londrino e os lucros das redes energéticas nacionais forem distribuídos pelas viúvas da Escócia, pelos reformados da Califórnia ou pelos oligarcas russos. Mas os consumidores portugueses de energia não retirarão daí qualquer benefício.
Ex-presidente da ERSE e consultor de energia
(in http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=298627)
Jorge Vasconcelos
Nada de mal acontecerá se, amanhã, após uma patriótica privatização para resolver a emergência financeira de hoje, os planos de expansão da REN forem anunciados num hotel londrino e os lucros das redes energéticas nacionais forem distribuidos pelas viúvas da Escócia, pelos reformados da Califórnia ou pelos oligarcas russos. Mas os consumidores portugueses de energia não retirarão daí qualquer benefício.
As redes nacionais de transporte de electricidade e de gás natural estão à venda. Eufemisticamente, diz-se que vão ser privatizadas - parcialmente, como sempre acontece quando o Estado, envergonhado, vende o seu património. Sobretudo quando esse património corresponde a uma infra-estrutura essencial que actua e continuará a actuar em regime de monopólio.
A privatização da REN-redes energéticas nacionais parece ser a resposta tecnicamente iluminada, politicamente moderna, economicamente inteligente, financeiramente vanguardista e socialmente ousada a uma qualquer questão. Será?
Será que a privatização da REN decorre de uma obrigação ou de uma recomendação comunitária (sabe-se como a Europa da concorrência sem distorções tinha as costas largas)? A resposta é não.
De acordo com o direito comunitário, o transporte de energia (electricidade e gás natural) é um monopólio regulado e deve ser exercido por empresas separadas juridicamente de empresas que actuem, em regime de concorrência, na produção, na importação e na comercialização de energia. Assegura-se assim o acesso não discriminatório de todos os interessados às infra-estruturas de transporte e facilita-se o desenvolvimento de mercados de energia eficientes.
O direito comunitário apenas impõe a separação jurídica da actividade de transporte, nem sequer obrigando à separação patrimonial. Contudo, quer a experiência portuguesa de separação patrimonial do transporte de electricidade, ocorrida em 2000, quer numerosas experiências internacionais, na electricidade e no gás natural, demonstram a vantagem de proceder à separação patrimonial.
A junção do transporte da electricidade e do gás natural numa mesma empresa é, normalmente, uma livre decisão empresarial. Embora em Portugal ela tenha sido imposta pelo legislador, não resulta, em todo o caso, de qualquer constrangimento do direito comunitário. Tratando-se de dois monopólios, esta forma de concentração não cria, em princípio, obstáculos ao desenvolvimento da concorrência e, potencialmente, pode proporcionar algumas economias ao sector energético (embora a escassa experiência internacional não seja conclusiva a respeito do valor das sinergias).
Relativamente à natureza da propriedade das empresas de transporte de energia - pública, privada ou cooperativa - o direito comunitário é neutro e as mais diversas situações coexistem no espaço da União Europeia. Olhando em torno, pode-se concluir que nem a propriedade privada das infra-estruturas de transporte garante automaticamente maior eficiência aos mercados de energia - sobretudo quando não é acompanhada da já referida separação patrimonial - nem a propriedade pública garante automaticamente melhor qualidade de serviço, contrariamente a algumas intuições difusas.
Será que a privatização da REN decorre de um compromisso eleitoral? A resposta é não.
O programa do Governo estabelece como objectivo "[d]ar um novo impulso à liberalização do mercado da electricidade, em todos os seus segmentos (produção, distribuição, comercialização) e antecipar o calendário de liberalização do mercado do gás natural" mas não refere a privatização da REN.
Que motivos podem justificar a privatização do transporte de energia em Portugal? Duas hipóteses ocorrem ao espírito:
a) Necessidade de atrair capital para novos investimentos no transporte de energia.
As dificuldades financeiras da EDP, no final dos anos 1980, levaram à abertura da produção de electricidade ao capital privado e à construção, no início dos anos 1990, da primeira central eléctrica em regime de project finance em Portugal (que foi também a primeira na Europa continental).
Todavia, a REN goza de excelente saúde financeira (em 2006 teve resultados líquidos de 148 milhões de euros e em 2005, antes da junção do gás à electricidade, de 104 milhões de euros) e são-lhe atribuídos os melhores ratings. Em 2005 investiu 215 milhões de euros no sector eléctrico - bem acima dos 137 milhões de 2004, dos 118 milhões de 2003 e dos cerca de 60 milhões por ano que investia nos anos 1990, antes da liberalização e da regulação do sector.
b) Necessidade de melhorar o desempenho da empresa.
O desempenho técnico e económico da REN tem vindo a melhorar ao longo dos últimos anos. De acordo com um estudo de benchmarking encomendado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, a REN, não sendo a empresa de transporte de electricidade mais eficiente, e tendo embora importantes ganhos de eficiência a obter, também não é a menos eficiente. Em 2006, as tarifas de uso da rede de transporte estavam 27% abaixo do valor de 1999, em termos reais.
Entre 1999 e 2004, a gestão optimizada dos contratos vinculados de produção de energia eléctrica do sistema público, realizada pela REN, permitiu obter ganhos comerciais de 111 milhões de euros que foram partilhados entre os consumidores e os accionistas da empresa.
O desempenho técnico da REN tem vindo a melhorar ao longo dos últimos anos, quer em termos de qualidade de serviço, quer em termos de redução das perdas de electricidade na rede - estas desceram de 2,6% em 1995 para 1,4% em 2005.
Se o Estado proprietário considerava o desempenho financeiro da empresa insuficiente, podia mudar a sua administração, como fazem normalmente os accionistas descontentes e como sugere o próprio programa do Governo: "O Estado, pela posição que ainda ocupa em importantes empresas, deve ser um exemplo catalisador da adopção de boas práticas de governação societária, tendo em vista a definição de um quadro de gestão que fomente o rigor, que responsabilize os responsáveis e promova uma maior transparência da sua acção. O Estado, deste ponto de vista, é um accionista como os demais e deve reger a sua actividade dentro do quadro normativo vigente".
Não sendo evidentes razões objectivas intrínsecas aos sectores da electricidade e do gás natural que justifiquem a privatização da REN, essas razões devem ser procuradas fora do sector energético. Descartando motivações ideológicas, manifestamente fora de moda, restam motivações financeiras - a emergência das contas públicas, a necessidade de reduzir o défice público.
O "emergencialismo" parece ser a nova ideologia do Estado português no século XXI, no bem e no mal. No bem, quando serve de pretexto para a introdução de reformas necessárias; no mal, quando relega para segundo plano considerações de carácter económico, industrial, ambiental e social de longo prazo em nome de imperativos financeiros de curto prazo.
Privatizar uma empresa não significa liberalizar um sector. Privatizar um monopólio não tem mesmo nada a ver com liberalização. Na perspectiva dos consumidores de energia, mais útil que privatizar as redes de transporte, seria liberalizar e privatizar integralmente os produtores e comercializadores de electricidade e de gás natural, favorecendo o desenvolvimento de uma concorrência saudável entre eles, num quadro ibérico transparente e eficiente. Assim, um monopólio semi-privado no meio de um mercado virtual produz o mesmo efeito que um smoking na praia.
Nada de mal acontecerá se, amanhã, após uma patriótica privatização para resolver a emergência financeira de hoje, os planos de expansão da REN forem anunciados num hotel londrino e os lucros das redes energéticas nacionais forem distribuídos pelas viúvas da Escócia, pelos reformados da Califórnia ou pelos oligarcas russos. Mas os consumidores portugueses de energia não retirarão daí qualquer benefício.
Ex-presidente da ERSE e consultor de energia
(in http://www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=298627)
segunda-feira, novembro 19, 2007
sábado, novembro 17, 2007
A gestão energética, a REN e as mexidas de Toto Mexia na EDP
Política energética, onde estás tu?
Por cá, está tudo bem?
Os assuntos relacionados com a energia têm uma importância essencial para a vida de todos nós, muito para além da forma fragmentária e enviesada como são tratados nos media. Nestes, são realçados os méritos socratóides no lançamento de barragens, parques eólicos, metas ambiciosas para as energias renováveis (para não cumprir) e ainda os números circenses que rodeiam a actividade das empresas do sector, as suas tricas, a criação de valor accionista e os altos e baixos das cotações. Para a multidão sobra o aumento do petróleo; do preço da electricidade que já é 26% superior à média europeia, de acordo com a DG Energia, com as suas consequências a jusante; e o afamado Mibel que está em banho-maria, de onde virá a bem-aventurança energética quando os preços forem atractivos para as eléctricas espanholas, quando a compra de electricidade francesa for agilizada, quando...
A política energética em Portugal tem-se pautado pela incoerência ou mesmo pela inexistência, segundo alguns especialistas. Vejamos algumas situações que nos ocorrem para ilustrar o comportamento das máfias que detêm o poder;
• Portugal é o país da Europa ocidental com maior dependência energética do exterior e aquele que, em contra-corrente, tem aumentado substancialmente, o seu consumo global, apesar da desindustrialização e da profícua actuação recente de um ministro do Ambiente chamado José Sócrates, conhecido como o Entulho da Serra.
• As construções não contemplam qualquer preocupação de baixo consumo energético. Citamos, por exemplo, as fachadas de vidro; as ausências de janelas normais, a exigir ar condicionado, com o seu cortejo de doenças alérgicas; as habitações “modernas” sem a possibilidade de secagem da roupa lavada ao ar ou ao sol mas, através de um secador; a instalação de máquinas de lavar loiça para agregados familiares de 1 a 3 pessoas; o fomento da moda de ar condicionado em habitações, num país com um clima bem ameno;
• A aposta nos grandes investimentos eólicos, hidroeléctricos ou solares que favorecem grandes empresas e as incontornáveis financiadoras dos partidos, as construtoras de obras públicas;
• Menosprezo pelo investimento particular, autónomo e descentralizado em energias renováveis, descurando um real apoio fiscal, a investigação e a criação de entidades com reais competências na montagem de sistemas solares. Para o poder mafioso “small is not beautiful” pois interessa perpetuar rendimentos para as gigantescas empresas energéticas;
• Gestão disparatada da mobilidade, com uso e abuso da utilização do automóvel próprio, facilitando-se a entrada e o estacionamento nas cidades, pois isso rende às construtoras de pontes, viadutos, vias pseudo-rápidas, empresas de cobrança de portagens, aluguer de estacionamento… mesmo que isso em nada favoreça a imagem dada aos turistas;
• Abandono das veleidades de criação de sistemas de transportes públicos permitindo-se às empresas concessionárias uma gestão baseada na redução da oferta, sobretudo à noite ou em áreas menos povoadas e, em aumentos das tarifas.
• Colocação do arremedo de politica energética a reboque dos ditames da EDP, da REN, da Galp e do restante cartel petrolífero, sem descurar os sacrossantos interesses do Ministério das Finanças na arrecadação de receitas.
Factores de irracionalidade
Citemos em seguida, alguns aspectos do poder discricionário e magestático das grandes empresas energéticas e dos governos portugueses que aquelas se subalternizam:
• Nunca houve qualquer racionalidade na montagem da rede de distribuição energética por parte da REN ou das suas antepassadas. É fácil encontrar ruas em que as linhas se cruzam como a base para a instalação de balões num arraial; é fácil encontrar uma profusão de postes espetados a esmo, com escassos metros de permeio, com fios pendurados.
• A instalação dessa infraestrutura é delegada em empresas contratadas, por empreitada, sem uma visão de conjunto sobre a poupança de recursos, garantida que está a repercussão de custos para o consumidor;
• Um caso concreto que conhecemos foi a extorsão praticada pela EDP que cobrou cerca de € 550 para a colocação de 16 metros de fio entre o alto de um poste e a entrada de uma vivenda, há cinco anos.
• Essa garantia de repercussão para o consumidor tem histórias pitorescas como a que conduziu à instalação de uma central térmica a carvão em Sines, onde existe uma refinaria e, queimar fuel numa outra, em Setúbal, onde não há refinaria mas, um porto de mar onde é possível descarregar carvão. Ou a não construção de um oleoduto para abastecimento do aeroporto da Portela, a partir do Carregado, preferindo-se a utilização de dezenas de camiões diários para o efeito.
• O modelo organizativo do sector energético tem flutuado ao sabor dos negócios privados ou das modas de gestão. Há alguns anos, a EDP subdividiu a distribuição em empresas regionais que rapidamente desapareceram, eventualmente, por sugestão do consultor que anos antes havia proposto o contrário. Custos? Que importa, o manso povo português paga!
• Se a instalação da infraestrutura de distribuição e a continuidade da utilização do espaço público fosse paga às câmaras; e, se fosse paga a utilização de terrenos particulares a quem permitisse a passagem de linhas e a colocação de postes, a REN seria mais racional na gestão do seu património;
• Na realidade, nem sequer em termos ambientais e paisagísticos há, qualquer sensibilidade da REN ou das câmaras para o enterramento dos cabos de passagem da energia. Ou melhor, há… se se tratar de um condomínio para gente fina.
• Nenhuma entidade regula a proximidade entre linhas de alta ou muito alta tensão e zonas habitáveis ou o seu enterramento; como ninguém regula a passagem de linhas por cima de casas ou zonas residenciais, sabendo-se de casos de queda dos mesmos sobre habitações. As lutas dos moradores de Sintra e Silves merecem todo o nosso apoio e o necessário surgimento de réplicas.
• O binómio REN-EDP sai caro a todos nós. Em números redondos, cada consumidor de electricidade forneceu, no primeiro semestre deste ano €42 de lucros para os accionistas da EDP e €17 para os “investidores” na REN; anualizados esses números, cada família contribui com €120 para os indigentes accionistas daquelas empresas. Um pouco demais para o mau serviço que prestam, não?
• A REN é dirigida por um tal José Penedos, socratóide de gabarito, há muitos anos conhecido por ser um dos principais angariadores de fundos para o partido junto dos chamados empresários. Esses óbulos são fornecidos gratuitamente? Achamos que só quem tem menos de cinco anos acredita nisso.
• Finalmente, dizem que há um regulador dos serviços eléctricos, chamado ERSE que, para os consumidores, de nada serve, à semelhança de outros reguladores, como a Anacom, o Banco de Portugal do seráfico sacerdote Constâncio, o Instituto de Seguros de Portugal, ou a Autoridade da Concorrência do impagável Abel Mateus, que se dedicam a conciliar os interesses das empresas e do “mercado”, estando-se nas tintas para as pessoas.
A EDP e o “edp5D”
Recentemente o artista Toto Mexia, presidente da EDP, apresentou um número circense dirigido a melhorar a factura da energia de 130 000 clientes da EDP, retirados de um conjunto de 1,5 milhões que têm uma potência instalada superior a 6,9 KvA, por sua vez incluídos nos 5,8 milhões de clientes da EDP. Para melhor se aquilatar o profundo alcance social do “edp5D” refira-se que ficam excluídos da benesse todos os clientes de baixa potência instalada (leia-se, lares normais, de gente de trabalho).
Afinal o que oferece esse rótulo “edp5D”?
Quem tiver instalada uma potência de 6,9 KvA e utilize aquele programa “social” paga € 11,02 fixos (contra os habituais € 11,29) e cada kwh a €0,1097 quando antes o mesmo lhe era facturado a €0,1071. Em suma, se esse cliente da EDP consumir 50 kwh/mês poupa 14 cêntimos mas, se consumir 100 kwh/mês já só poupa 1 cêntimo !
Se esse consumidor tiver instalada uma potência de 20,7 KvA, paga € 30,93 fixos por mês de potência (contra €33,09 antes) mas, cada kwh fica-lhe por €0,1107 em vez dos €0,1071. Como resultado, ganha €1,44 se tiver um consumo de 200 kwh/mês e atinge a indiferença se o consumo mensal for de 600 kwh.
Quando observarem na cara de alguém um sorriso de felicidade já sabem que isso se deve à edp5D e ao seu piedoso criador que, com os seus confrades, ficaram tão babosos com a obra que usaram um avental para limparem os queixos. (ver imagem anexa)
Esta contabilidade só reduz marginalmente o custo da electricidade e não penaliza os grandes consumos dentro, aliás, das normas tradicionais da EDP que passamos a tipificar:
• Se um consumidor usar esquemas de diferenciação dos consumos, em períodos de vazio e fora de vazio, o consumo no primeiro período tem um preço equivalente a metade da taxa normal mas, a mensalidade da taxa de potência sofre um agravamento que reduz o impacto na bolsa do consumidor;
• Se o consumidor tiver uma forte consciência ambiental e decidir utilizar as chamadas taxas verdes da EDP, que lhe garante estar a utilizar apenas energias renováveis (não se sabe como ou quem verifica se não há aldrabice) terá de pagar mais que os energívoros comuns! Se a potência instalada for de 6,9 kvA paga €0,1179 por kwh (€0,1190 se a potência for de 20,7 kvA) pela energia verde, em vez dos comuns € 0,1071
Quem é Toto Mexia
Para fechar vamos expor alguns elementos sobre o tal António Mexia, presidente da EDP, exemplar típico de gestor globalizado, neoliberal e incompetente naquilo que é uma verdadeira gestão.
A ridícula figura (veja-se em anexo uma imagem de um avental encimado por um riso alarve) tem um currículo invejável:
• Presidente da Galp até 2005 a sua brilhante gestão foi a responsável pela incúria que conduziu à morte de dois trabalhadores na refinaria de Matosinhos, por aligeiramento dos cuidados com a segurança;
• É óbvio que esse nefasto acontecimento pouco significa perante o magno objectivo de criar valor para os accionistas; aliás, dois trabalhadores a menos constitui até, um modesto contributo para o “downsizing”. Como membro ilustre da Associação dos Gestores e Empresários Católicos, decerto que já foi perdoado pelo seu desleixo, com a bênção de algum supranumerário…
• Apoiante desde a primeira hora do Compromisso Portugal, ao lado de flores tão belas como o Carrapatoso que viu uma sua dívida de € 700000 de IRS prescrever na DGCI sob o consulado do Paulo Macedo, putativo membro da venerável Opus Dei; e do Vaz Guedes da divertida carta dos 40 empresários contra a invasão espanhola, recentemente ligado a um financiamento ilegal do PSD;
• Amigo de Santana Lopes (diz-me com quem andas…) foi nomeado por este, Ministro dos Transportes, logo a seguir à morte dos trabalhadores na refinaria. O seu mais brilhante acto foi agilizar a extensão do comboio de Coina até Setúbal, mantendo a norma das elevadas tarifas da Fertagus e aceitando que um serviço suburbano tenha frequências de percursos sub-regionais. Como a Fertagus não tinha (e continua ser ter) equipamento suficiente, a CP ofereceu-se para alugar composições no que foi impedida pelo Mexia. Que horror, uma empresa pública demonstrar as insuficiências de um privado, era o que faltava!
• Quando Santana foi corrido de primeiro-ministro, Totó Mexia, amigo do seu amigo, reconhecido e condoído por ver Santana na miséria (o tonto conseguiu, com menos de 50 anos, reformar-se em 2005 com € 3500 mensais) ofereceu-lhe um lugar de assessor na EDP. Dadas as conhecidas qualidades de ser pensante e técnico jurista do Santana, Mexia colocou a EDP a pagar € 10000 por mês ao tontinho. Comovente acto de boa gestão.
Anexo: Imagem do Mexia com avental
Ver neste blog “Os próximos aumentos da electricidade e a política energética das máfias” em 23/11/2006
In (http://esquerda_desalinhada.blogs.sapo.pt/)
Política energética, onde estás tu?
Por cá, está tudo bem?
Os assuntos relacionados com a energia têm uma importância essencial para a vida de todos nós, muito para além da forma fragmentária e enviesada como são tratados nos media. Nestes, são realçados os méritos socratóides no lançamento de barragens, parques eólicos, metas ambiciosas para as energias renováveis (para não cumprir) e ainda os números circenses que rodeiam a actividade das empresas do sector, as suas tricas, a criação de valor accionista e os altos e baixos das cotações. Para a multidão sobra o aumento do petróleo; do preço da electricidade que já é 26% superior à média europeia, de acordo com a DG Energia, com as suas consequências a jusante; e o afamado Mibel que está em banho-maria, de onde virá a bem-aventurança energética quando os preços forem atractivos para as eléctricas espanholas, quando a compra de electricidade francesa for agilizada, quando...
A política energética em Portugal tem-se pautado pela incoerência ou mesmo pela inexistência, segundo alguns especialistas. Vejamos algumas situações que nos ocorrem para ilustrar o comportamento das máfias que detêm o poder;
• Portugal é o país da Europa ocidental com maior dependência energética do exterior e aquele que, em contra-corrente, tem aumentado substancialmente, o seu consumo global, apesar da desindustrialização e da profícua actuação recente de um ministro do Ambiente chamado José Sócrates, conhecido como o Entulho da Serra.
• As construções não contemplam qualquer preocupação de baixo consumo energético. Citamos, por exemplo, as fachadas de vidro; as ausências de janelas normais, a exigir ar condicionado, com o seu cortejo de doenças alérgicas; as habitações “modernas” sem a possibilidade de secagem da roupa lavada ao ar ou ao sol mas, através de um secador; a instalação de máquinas de lavar loiça para agregados familiares de 1 a 3 pessoas; o fomento da moda de ar condicionado em habitações, num país com um clima bem ameno;
• A aposta nos grandes investimentos eólicos, hidroeléctricos ou solares que favorecem grandes empresas e as incontornáveis financiadoras dos partidos, as construtoras de obras públicas;
• Menosprezo pelo investimento particular, autónomo e descentralizado em energias renováveis, descurando um real apoio fiscal, a investigação e a criação de entidades com reais competências na montagem de sistemas solares. Para o poder mafioso “small is not beautiful” pois interessa perpetuar rendimentos para as gigantescas empresas energéticas;
• Gestão disparatada da mobilidade, com uso e abuso da utilização do automóvel próprio, facilitando-se a entrada e o estacionamento nas cidades, pois isso rende às construtoras de pontes, viadutos, vias pseudo-rápidas, empresas de cobrança de portagens, aluguer de estacionamento… mesmo que isso em nada favoreça a imagem dada aos turistas;
• Abandono das veleidades de criação de sistemas de transportes públicos permitindo-se às empresas concessionárias uma gestão baseada na redução da oferta, sobretudo à noite ou em áreas menos povoadas e, em aumentos das tarifas.
• Colocação do arremedo de politica energética a reboque dos ditames da EDP, da REN, da Galp e do restante cartel petrolífero, sem descurar os sacrossantos interesses do Ministério das Finanças na arrecadação de receitas.
Factores de irracionalidade
Citemos em seguida, alguns aspectos do poder discricionário e magestático das grandes empresas energéticas e dos governos portugueses que aquelas se subalternizam:
• Nunca houve qualquer racionalidade na montagem da rede de distribuição energética por parte da REN ou das suas antepassadas. É fácil encontrar ruas em que as linhas se cruzam como a base para a instalação de balões num arraial; é fácil encontrar uma profusão de postes espetados a esmo, com escassos metros de permeio, com fios pendurados.
• A instalação dessa infraestrutura é delegada em empresas contratadas, por empreitada, sem uma visão de conjunto sobre a poupança de recursos, garantida que está a repercussão de custos para o consumidor;
• Um caso concreto que conhecemos foi a extorsão praticada pela EDP que cobrou cerca de € 550 para a colocação de 16 metros de fio entre o alto de um poste e a entrada de uma vivenda, há cinco anos.
• Essa garantia de repercussão para o consumidor tem histórias pitorescas como a que conduziu à instalação de uma central térmica a carvão em Sines, onde existe uma refinaria e, queimar fuel numa outra, em Setúbal, onde não há refinaria mas, um porto de mar onde é possível descarregar carvão. Ou a não construção de um oleoduto para abastecimento do aeroporto da Portela, a partir do Carregado, preferindo-se a utilização de dezenas de camiões diários para o efeito.
• O modelo organizativo do sector energético tem flutuado ao sabor dos negócios privados ou das modas de gestão. Há alguns anos, a EDP subdividiu a distribuição em empresas regionais que rapidamente desapareceram, eventualmente, por sugestão do consultor que anos antes havia proposto o contrário. Custos? Que importa, o manso povo português paga!
• Se a instalação da infraestrutura de distribuição e a continuidade da utilização do espaço público fosse paga às câmaras; e, se fosse paga a utilização de terrenos particulares a quem permitisse a passagem de linhas e a colocação de postes, a REN seria mais racional na gestão do seu património;
• Na realidade, nem sequer em termos ambientais e paisagísticos há, qualquer sensibilidade da REN ou das câmaras para o enterramento dos cabos de passagem da energia. Ou melhor, há… se se tratar de um condomínio para gente fina.
• Nenhuma entidade regula a proximidade entre linhas de alta ou muito alta tensão e zonas habitáveis ou o seu enterramento; como ninguém regula a passagem de linhas por cima de casas ou zonas residenciais, sabendo-se de casos de queda dos mesmos sobre habitações. As lutas dos moradores de Sintra e Silves merecem todo o nosso apoio e o necessário surgimento de réplicas.
• O binómio REN-EDP sai caro a todos nós. Em números redondos, cada consumidor de electricidade forneceu, no primeiro semestre deste ano €42 de lucros para os accionistas da EDP e €17 para os “investidores” na REN; anualizados esses números, cada família contribui com €120 para os indigentes accionistas daquelas empresas. Um pouco demais para o mau serviço que prestam, não?
• A REN é dirigida por um tal José Penedos, socratóide de gabarito, há muitos anos conhecido por ser um dos principais angariadores de fundos para o partido junto dos chamados empresários. Esses óbulos são fornecidos gratuitamente? Achamos que só quem tem menos de cinco anos acredita nisso.
• Finalmente, dizem que há um regulador dos serviços eléctricos, chamado ERSE que, para os consumidores, de nada serve, à semelhança de outros reguladores, como a Anacom, o Banco de Portugal do seráfico sacerdote Constâncio, o Instituto de Seguros de Portugal, ou a Autoridade da Concorrência do impagável Abel Mateus, que se dedicam a conciliar os interesses das empresas e do “mercado”, estando-se nas tintas para as pessoas.
A EDP e o “edp5D”
Recentemente o artista Toto Mexia, presidente da EDP, apresentou um número circense dirigido a melhorar a factura da energia de 130 000 clientes da EDP, retirados de um conjunto de 1,5 milhões que têm uma potência instalada superior a 6,9 KvA, por sua vez incluídos nos 5,8 milhões de clientes da EDP. Para melhor se aquilatar o profundo alcance social do “edp5D” refira-se que ficam excluídos da benesse todos os clientes de baixa potência instalada (leia-se, lares normais, de gente de trabalho).
Afinal o que oferece esse rótulo “edp5D”?
Quem tiver instalada uma potência de 6,9 KvA e utilize aquele programa “social” paga € 11,02 fixos (contra os habituais € 11,29) e cada kwh a €0,1097 quando antes o mesmo lhe era facturado a €0,1071. Em suma, se esse cliente da EDP consumir 50 kwh/mês poupa 14 cêntimos mas, se consumir 100 kwh/mês já só poupa 1 cêntimo !
Se esse consumidor tiver instalada uma potência de 20,7 KvA, paga € 30,93 fixos por mês de potência (contra €33,09 antes) mas, cada kwh fica-lhe por €0,1107 em vez dos €0,1071. Como resultado, ganha €1,44 se tiver um consumo de 200 kwh/mês e atinge a indiferença se o consumo mensal for de 600 kwh.
Quando observarem na cara de alguém um sorriso de felicidade já sabem que isso se deve à edp5D e ao seu piedoso criador que, com os seus confrades, ficaram tão babosos com a obra que usaram um avental para limparem os queixos. (ver imagem anexa)
Esta contabilidade só reduz marginalmente o custo da electricidade e não penaliza os grandes consumos dentro, aliás, das normas tradicionais da EDP que passamos a tipificar:
• Se um consumidor usar esquemas de diferenciação dos consumos, em períodos de vazio e fora de vazio, o consumo no primeiro período tem um preço equivalente a metade da taxa normal mas, a mensalidade da taxa de potência sofre um agravamento que reduz o impacto na bolsa do consumidor;
• Se o consumidor tiver uma forte consciência ambiental e decidir utilizar as chamadas taxas verdes da EDP, que lhe garante estar a utilizar apenas energias renováveis (não se sabe como ou quem verifica se não há aldrabice) terá de pagar mais que os energívoros comuns! Se a potência instalada for de 6,9 kvA paga €0,1179 por kwh (€0,1190 se a potência for de 20,7 kvA) pela energia verde, em vez dos comuns € 0,1071
Quem é Toto Mexia
Para fechar vamos expor alguns elementos sobre o tal António Mexia, presidente da EDP, exemplar típico de gestor globalizado, neoliberal e incompetente naquilo que é uma verdadeira gestão.
A ridícula figura (veja-se em anexo uma imagem de um avental encimado por um riso alarve) tem um currículo invejável:
• Presidente da Galp até 2005 a sua brilhante gestão foi a responsável pela incúria que conduziu à morte de dois trabalhadores na refinaria de Matosinhos, por aligeiramento dos cuidados com a segurança;
• É óbvio que esse nefasto acontecimento pouco significa perante o magno objectivo de criar valor para os accionistas; aliás, dois trabalhadores a menos constitui até, um modesto contributo para o “downsizing”. Como membro ilustre da Associação dos Gestores e Empresários Católicos, decerto que já foi perdoado pelo seu desleixo, com a bênção de algum supranumerário…
• Apoiante desde a primeira hora do Compromisso Portugal, ao lado de flores tão belas como o Carrapatoso que viu uma sua dívida de € 700000 de IRS prescrever na DGCI sob o consulado do Paulo Macedo, putativo membro da venerável Opus Dei; e do Vaz Guedes da divertida carta dos 40 empresários contra a invasão espanhola, recentemente ligado a um financiamento ilegal do PSD;
• Amigo de Santana Lopes (diz-me com quem andas…) foi nomeado por este, Ministro dos Transportes, logo a seguir à morte dos trabalhadores na refinaria. O seu mais brilhante acto foi agilizar a extensão do comboio de Coina até Setúbal, mantendo a norma das elevadas tarifas da Fertagus e aceitando que um serviço suburbano tenha frequências de percursos sub-regionais. Como a Fertagus não tinha (e continua ser ter) equipamento suficiente, a CP ofereceu-se para alugar composições no que foi impedida pelo Mexia. Que horror, uma empresa pública demonstrar as insuficiências de um privado, era o que faltava!
• Quando Santana foi corrido de primeiro-ministro, Totó Mexia, amigo do seu amigo, reconhecido e condoído por ver Santana na miséria (o tonto conseguiu, com menos de 50 anos, reformar-se em 2005 com € 3500 mensais) ofereceu-lhe um lugar de assessor na EDP. Dadas as conhecidas qualidades de ser pensante e técnico jurista do Santana, Mexia colocou a EDP a pagar € 10000 por mês ao tontinho. Comovente acto de boa gestão.
Anexo: Imagem do Mexia com avental
Ver neste blog “Os próximos aumentos da electricidade e a política energética das máfias” em 23/11/2006
In (http://esquerda_desalinhada.blogs.sapo.pt/)
Segundo as Nações Unidas a escolha a fazer é entre o mercado-rei ou a ecologia, sendo certo que a privatização é o pior cenário para o ambiente.
À Atenção dos Governantes Socialistas dos Açores e Não só
O futuro ecológico do planeta depende directamente das escolhas políticas a tomar. Jamais esta conclusão tinha sido tão evidente num documento das Nações Unidas. Mas é o que se pode ler no Relatório «GEO 4» do Programa das Nações Unidas para o ambiente (PNUE) publicado no dia 25 de Outubro, onde se diz claramente que a privatização generalizada dos recursos e dos serviços será o pior cenário do ponto de vista do ambiente.
Esta é a conclusão de uma abordagem original baseada na construção de cenários para futuros possíveis, cenários esses que são determinados pelas políticas que tiverem sido escolhidas para serem seguidas. Um trabalho que se prolongou por dois anos, feitos por grupos internacionais de especialistas, e cujo ponto de partida foi a crise ecológica que passa hoje o planeta.
Actualizando o quadro descritivo graças a numerosas fontes, o relatório do PNUE dá a conhecer o processo de degradação do clima, da biodiversidade, da saúde dos solos, dos recurso de água, etc…
Sublinha, por exemplo, a regressão verificada nos recursos disponíveis por cada habitante: com efeito, a superfície de terra disponível por cada ser humano passou de 7,91 hectares em 1900 para 2,02 em 2005.
Motivo de atenção é também a rapidez do fenómeno, constatando-se que a extensão e a composição dos ecossistemas terrestres foram modificados pelas populações a uma velocidade sem precedente. Os especialistas insistem igualmente na noção de limiar: « Os efeitos acumulados das contínuas mudanças no ambiente podem atingir limiares a partir dos quais podem acontecer mudanças brutais e irreversíveis. Tais perturbações não se verificarão só no clima, mas também em vários outros, como nos fenómenos da desertificação, descida dos níveis freáticos, colapso dos ecossistemas, etc »
«A destruição sistemática dos recursos naturais da Terra chegou a um tal ponto em que a viabilidade das economias está em perigo, para além de que a factura que teremos de deixar aos nossos filhos será impossível de pagar» - este é a conclusão a que chegou Achim Steiner, director do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUE). Ao apresentar o relatório «GEO 4 – Futuro do ambiente mundial», no passado dia 25 de Outubro em Nova Iorque, ele frisou bem a conexão entre o sistema económico e a degradação do ambiente.
O «GEO 4» é o resultado do trabalho de 1.400 cientistas e especialistas e esboça um quadro alarmante da situação ecológica do planeta, apesar de também sublinhar quanto a sua evolução dependerá das escolhas a fazer em matéria de políticas económicas.
Vinte anos depois do célebre Relatório Brundtland que, em 1987, tinha inventado o conceito do desenvolvimento sustentável, a maioria dos indicadores agora divulgados encontram-se com luz vermelha: clima ( as concentrações de gás carbónico na atmosfera aumentou um terço nos últimos 20 anos), biodiversidade ( as populações de anfíbios foram reduzidos para metade durante o mesmo período), poluição ( a do ar é, por exemplo, responsável pela morte de 500.000 pessoas por ano, segundo a OMS), artificialização dos solos ( a impermeabilização urbana com cimento )
A PNUE mostra que a crise ecológica se articula com a crise social. O contraste é acentuado entre a pressão ecológica intensa que sofre a biosfera e a expansão económica, a qual fez aumentar o produto anual por ser humano de 6.000 para 8.000 dólares entre 1987 e 2007, mas de uma forma muito desigual: «As injustiças ambientais continuam a aumentar, afectando sobretudo os pobres ( que estão muito mais vulneráveis aos perigos naturais), as mulheres e os povos indígenas». O ambiente reflecte essas desigualdades: « certas regiões desenvolvidas realizaram progressos ambientais à custa de outras regiões, exportando a produção e os seus efeitos»
Os valores culturais próprios do sistema económico dominante têm o maior efeito, com «um modelo de desenvolvimento do Norte, prevalece sempre um tipo de desenvolvimento urbano baseado na dependência do automóvel.»
A PNUE vai mais longe apresentando cenários de evolução até 2050 segundo diferentes políticas. Trabalho que foi levado a cabo por vários grupos de especialistas internacionais que trabalharam sobre modelos prospectivos utilizados por várias instituições.
A modelização permite medir a influencia sobre o ambiente de cada um dos quatro cenários através do consumo de energia, as emissões de poluentes, o tipo de actividade agrícola, as reservas de água e outros parâmetros.
São definidos , assim, 4 cenários.
Para cada cenário existe 1 objectivo privilegiado:
A) O primado do mercado = o governo ajuda o sector privado a alcançar um máximo de crescimento económico
Neste cenário o Estado rende-se ao lucro do sector privado, assiste-se ao desenvolvimento sem limite do comércio, e à privatização dos bens naturais.
B) O primado da política = o governo aplica fortes políticas a fim de atingir o objectivo de dar muita importância ao desenvolvimento económico
Neste cenário há uma intervenção centralizada que visa equilibrar um forte crescimento económico por via de um esforço em limitar os impactos ambientais e sociais.
C) O primado da segurança = a prioridade é dada à procura de segurança sobre outros valores, colocando limitações crescentes ao modo como vivem as pessoas.
D) O primado da ecologia = aposta na colaboração entre o governo, a sociedade civil e o sector privado para melhorar o ambiente e o bem-estar de todos.
Neste cenário a opção clara é pela sustentabilidade e equidade, onde os cidadãos desempenharão um papel activo.
Sem surpresa o cenário ecológico tem em vista reduzir a amplitude da crise económica. Supõe que a demografia evolua abaixo das previsões da ONU,ou seja, de 8 biliões de habitantes em 2050. A taxa de crescimento anual da economia mundial seria moderada, mas longe de ser nula, uma vez que é admitido que o produto interior bruto mundial possa triplicar.
O cenário mercado mais não faz que prosseguir a lógica dominante dos anos 1990, prevendo-se que a população atinja os 9 biliões em 2050 e a multiplicação por cinco do crescimento do PIB mundial. Este cenário conduzirá a uma situação ecológica muito degradada em 2050, tal como o cenário de segurança que induzirá a conflitos permanentes por todo o planeta. Segundo os autores do relatório « no cenário do mercado, o ambiente e a sociedade evoluirão muito mais rapidamente para perturbações em que mudanças súbitas e irreversíveis poderão acontecer.»
O prosseguimento da liberalização aparece assim como o cenário mais perigoso. Os especialistas fazem notar que a lógica ecológica é incompatível com a busca ilimitada do crescimento económico: «A perda da biodiversidade e a mudança climática têm consequências irreversíveis, que o crescimento dos rendimento não poderá resolver»
A análise do PNUE não deverá alterar a curto prazo o sentido das políticas económicas que continuarão a estar focalizadas na liberalização e no crescimento. Mas apoiando o diagnóstico pessimista traçado pelo GIEC sobre o clima, e surgindo alguns dias antes do anúncio do Programa das nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre os países mais pobres, o certo é que o Relatório agora divulgado sublinha a importância de ora em diante a comunidade ambientalista se preocupar pelas escolhas económicas para o futuro.
Consultar o Relatório em
www.unep.org/geo
www.unep.org/french
Fonte: Le Monde
In (http://pimentanegra.blogspot.com/)
À Atenção dos Governantes Socialistas dos Açores e Não só
O futuro ecológico do planeta depende directamente das escolhas políticas a tomar. Jamais esta conclusão tinha sido tão evidente num documento das Nações Unidas. Mas é o que se pode ler no Relatório «GEO 4» do Programa das Nações Unidas para o ambiente (PNUE) publicado no dia 25 de Outubro, onde se diz claramente que a privatização generalizada dos recursos e dos serviços será o pior cenário do ponto de vista do ambiente.
Esta é a conclusão de uma abordagem original baseada na construção de cenários para futuros possíveis, cenários esses que são determinados pelas políticas que tiverem sido escolhidas para serem seguidas. Um trabalho que se prolongou por dois anos, feitos por grupos internacionais de especialistas, e cujo ponto de partida foi a crise ecológica que passa hoje o planeta.
Actualizando o quadro descritivo graças a numerosas fontes, o relatório do PNUE dá a conhecer o processo de degradação do clima, da biodiversidade, da saúde dos solos, dos recurso de água, etc…
Sublinha, por exemplo, a regressão verificada nos recursos disponíveis por cada habitante: com efeito, a superfície de terra disponível por cada ser humano passou de 7,91 hectares em 1900 para 2,02 em 2005.
Motivo de atenção é também a rapidez do fenómeno, constatando-se que a extensão e a composição dos ecossistemas terrestres foram modificados pelas populações a uma velocidade sem precedente. Os especialistas insistem igualmente na noção de limiar: « Os efeitos acumulados das contínuas mudanças no ambiente podem atingir limiares a partir dos quais podem acontecer mudanças brutais e irreversíveis. Tais perturbações não se verificarão só no clima, mas também em vários outros, como nos fenómenos da desertificação, descida dos níveis freáticos, colapso dos ecossistemas, etc »
«A destruição sistemática dos recursos naturais da Terra chegou a um tal ponto em que a viabilidade das economias está em perigo, para além de que a factura que teremos de deixar aos nossos filhos será impossível de pagar» - este é a conclusão a que chegou Achim Steiner, director do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUE). Ao apresentar o relatório «GEO 4 – Futuro do ambiente mundial», no passado dia 25 de Outubro em Nova Iorque, ele frisou bem a conexão entre o sistema económico e a degradação do ambiente.
O «GEO 4» é o resultado do trabalho de 1.400 cientistas e especialistas e esboça um quadro alarmante da situação ecológica do planeta, apesar de também sublinhar quanto a sua evolução dependerá das escolhas a fazer em matéria de políticas económicas.
Vinte anos depois do célebre Relatório Brundtland que, em 1987, tinha inventado o conceito do desenvolvimento sustentável, a maioria dos indicadores agora divulgados encontram-se com luz vermelha: clima ( as concentrações de gás carbónico na atmosfera aumentou um terço nos últimos 20 anos), biodiversidade ( as populações de anfíbios foram reduzidos para metade durante o mesmo período), poluição ( a do ar é, por exemplo, responsável pela morte de 500.000 pessoas por ano, segundo a OMS), artificialização dos solos ( a impermeabilização urbana com cimento )
A PNUE mostra que a crise ecológica se articula com a crise social. O contraste é acentuado entre a pressão ecológica intensa que sofre a biosfera e a expansão económica, a qual fez aumentar o produto anual por ser humano de 6.000 para 8.000 dólares entre 1987 e 2007, mas de uma forma muito desigual: «As injustiças ambientais continuam a aumentar, afectando sobretudo os pobres ( que estão muito mais vulneráveis aos perigos naturais), as mulheres e os povos indígenas». O ambiente reflecte essas desigualdades: « certas regiões desenvolvidas realizaram progressos ambientais à custa de outras regiões, exportando a produção e os seus efeitos»
Os valores culturais próprios do sistema económico dominante têm o maior efeito, com «um modelo de desenvolvimento do Norte, prevalece sempre um tipo de desenvolvimento urbano baseado na dependência do automóvel.»
A PNUE vai mais longe apresentando cenários de evolução até 2050 segundo diferentes políticas. Trabalho que foi levado a cabo por vários grupos de especialistas internacionais que trabalharam sobre modelos prospectivos utilizados por várias instituições.
A modelização permite medir a influencia sobre o ambiente de cada um dos quatro cenários através do consumo de energia, as emissões de poluentes, o tipo de actividade agrícola, as reservas de água e outros parâmetros.
São definidos , assim, 4 cenários.
Para cada cenário existe 1 objectivo privilegiado:
A) O primado do mercado = o governo ajuda o sector privado a alcançar um máximo de crescimento económico
Neste cenário o Estado rende-se ao lucro do sector privado, assiste-se ao desenvolvimento sem limite do comércio, e à privatização dos bens naturais.
B) O primado da política = o governo aplica fortes políticas a fim de atingir o objectivo de dar muita importância ao desenvolvimento económico
Neste cenário há uma intervenção centralizada que visa equilibrar um forte crescimento económico por via de um esforço em limitar os impactos ambientais e sociais.
C) O primado da segurança = a prioridade é dada à procura de segurança sobre outros valores, colocando limitações crescentes ao modo como vivem as pessoas.
D) O primado da ecologia = aposta na colaboração entre o governo, a sociedade civil e o sector privado para melhorar o ambiente e o bem-estar de todos.
Neste cenário a opção clara é pela sustentabilidade e equidade, onde os cidadãos desempenharão um papel activo.
Sem surpresa o cenário ecológico tem em vista reduzir a amplitude da crise económica. Supõe que a demografia evolua abaixo das previsões da ONU,ou seja, de 8 biliões de habitantes em 2050. A taxa de crescimento anual da economia mundial seria moderada, mas longe de ser nula, uma vez que é admitido que o produto interior bruto mundial possa triplicar.
O cenário mercado mais não faz que prosseguir a lógica dominante dos anos 1990, prevendo-se que a população atinja os 9 biliões em 2050 e a multiplicação por cinco do crescimento do PIB mundial. Este cenário conduzirá a uma situação ecológica muito degradada em 2050, tal como o cenário de segurança que induzirá a conflitos permanentes por todo o planeta. Segundo os autores do relatório « no cenário do mercado, o ambiente e a sociedade evoluirão muito mais rapidamente para perturbações em que mudanças súbitas e irreversíveis poderão acontecer.»
O prosseguimento da liberalização aparece assim como o cenário mais perigoso. Os especialistas fazem notar que a lógica ecológica é incompatível com a busca ilimitada do crescimento económico: «A perda da biodiversidade e a mudança climática têm consequências irreversíveis, que o crescimento dos rendimento não poderá resolver»
A análise do PNUE não deverá alterar a curto prazo o sentido das políticas económicas que continuarão a estar focalizadas na liberalização e no crescimento. Mas apoiando o diagnóstico pessimista traçado pelo GIEC sobre o clima, e surgindo alguns dias antes do anúncio do Programa das nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre os países mais pobres, o certo é que o Relatório agora divulgado sublinha a importância de ora em diante a comunidade ambientalista se preocupar pelas escolhas económicas para o futuro.
Consultar o Relatório em
www.unep.org/geo
www.unep.org/french
Fonte: Le Monde
In (http://pimentanegra.blogspot.com/)
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