quinta-feira, outubro 30, 2008


LIGA DE AMIGOS DA LAGOA DO FOGO

A Reserva Natural da Lagoa do Fogo, localizada na Ilha de São Miguel, foi instituída em 1974. Ao longo dos últimos 15 anos a paisagem observada no miradouro de acesso à Lagoa tem-se alterado. De facto, embora seja actualmente classificada como Sítio de Importância Comunitária, a Reserva Natural já não corresponde à visão idílica do passado.
A quantidade e variedade de plantas invasoras têm aumentado de modo contínuo. Numa breve descida à lagoa é possível encontrar uma espécie de margarida (Erigeron karwinskianus), dezenas de criptomérias (Cryptomeria japonica), dispersas e de variados tamanhos, formações de conteira (Hedychium gardneranum) com diferentes dimensões, um elevado número de fetos arbóreos (Sphaeropteris cooperi), várias árvores jovens de verdenaz (Clethra arborea), que já não é uma invasora apenas localizada na zona leste da ilha, acácia (Acacia melanoxylon), um arbusto semelhante aos brincos-de-princeza (Leycesteria formosa), com as suas bagas vermelhas com numerosas sementes, disponíveis para as aves transportarem, e até o incenso (Pittosporum undulatum). Existem também várias espécies nitidamente introduzidas acidentalmente pelos visitantes, nomeadamente nespereira, araçazeiro e macieira. Para além disso, existe também uma espécie invasora aquática (Egeria densa) muito conhecida na Lagoa das Sete Cidades. Existem ainda plantas ruderais, comuns em zonas sob forte influência humana, como a avoadeira (Conyza bonariensis) e a erva mole (Holcus lanatus), a invadir vários habitats, incluindo zonas húmidas.
Nestas condições, a Lagoa do Fogo está a tornar-se, gradualmente, numa reserva de espécies invasoras. É necessário travar este processo de um modo célere e sem hesitações. Todos temos obrigação de participar, e ninguém deve esperar que os outros resolvam este problema, em especial as comunidades mais próximas. Surgiu, assim, a ideia de organizar um movimento cívico, com o único e, a nosso ver, importante objectivo de travar este processo degenerativo.
Este movimento iniciará as suas actividades com a realização de uma acção simbólica, no próximo mês de Novembro.

Ponta Delgada, 29 de Outubro de 2008,

Luís Silva
Diogo Caetano
José Pedro Medeiros
Luís Noronha Botelho
Maria Manuela Livro
Lúcia Ventura
Eva Lima
Teófilo Braga

quarta-feira, outubro 22, 2008

AS ELEIÇÕES NOS AÇORES

Saudações

Saudamos aqui o povo açoriano pela forma clara como manifestou o seu desprezo pelo mandarinato e o seu descontentamento para com a actuação do PS local, no poder. Desejamos também expressar o nosso desejo que os açorianos saibam encontrar formas mais permanentes, radicais e organizadas de manifestar aqueles sentimentos e encontrem uma alternativa popular ao actual estado de coisas.

As principais formas de expressão do povo dos Açores

Quando os não votantes representam 53,24% dos eleitores está dado o principal sinal da real representatividade dos eleitos; e, aqueles, ainda se devem somar 1,72% de votos brancos e nulos. A abstenção cresceu mais de 22% (18,6 mil pessoas) e representa perto de 103 mil cidadãos num universo de 193 mil.

Em regra, a imprensa e os analistas não gastam muito tempo a referir o significado da abstenção e menos ainda valorizam ou dignificam os eleitores que não votaram nas agremiações partidárias concorrentes. Esses eleitores são desprezados e de facto, desapossados de uma representação que explicitamente, não querem confiar a quem se apresentou como alternativa. O mandarinato, por seu turno, não queima neurónios para conseguir fórmulas legais para que a massa dos abstencionistas se manifeste eleitoralmente, tornando-se mais atractivo. Pelo contrário, vão tecendo acordos para limitar ainda mais essa representação às principais agremiações mandarínicas que, a serem levadas a cabo, conduzirão a que mais gente considere eleições em democracia de mercado como um embuste.

Voltando aos Açores, não são as pessoas que vivem nas ilhas mais pequenas, em meios mais isolados, que mais se abstêm. Pelo contrário, como se pode observar no quadro seguinte, são as ilhas com maior população urbana as responsáveis por esse facto:

Abstenção 2008 Variação 2008/2004
nº % de eleitores nº %
Açores - Total 102.735 53,24 18.628 22,15
S. Miguel 58.853 56,84 11.767 24,99
Terceira 24.255 52,93 4.007 19,79
Pico 5.445 46,40 962 21,46
Faial 5.880 50,12 1.217 26,10
Outras ilhas 8.302 41,25 675 8,85

O significado profundo deste volume brutal de abstenção é a descrença nas alternativas presentes no "mercado eleitoral" que não entusiasmam particularmente os açorianos. Mesmo a entrada de novos eleitores, jovens, não parece trazer consigo uma renovada esperança no sistema político.

Num segundo plano há a registar a subida da esquerda institucional, representativa daqueles que, querendo manifestar o seu protesto, acreditam na regeneração do sistema mandarínico, com a existência de um Estado dirigido por gente "séria" capaz de dotar o capitalismo de uma face humana, de gerar uma social-democracia dentro do paradigma dominante de Estado mínimo. Esses cidadãos representavam em 2004 3,78% dos votantes e agora são 6,44% desse total, sendo essa evolução inteiramente da responsabilidade do BE pois o PC perdeu uma centena de votos, mesmo tendo reconquistado o mandato perdido há quatro anos.

Contudo, esse resultado da esquerda institucional deve ser visto com frieza e não gerar triunfalismos. Vejam-se os resultados do binómio PC/BE nas últimas quatro eleições regionais:

Nº de votos da esquerda institucional
1996 2000 2.004 2008
4952 6191 3.987 5807

Esperamos que muitos destes açorianos se apercebam das limitações da luta eleitoral, dos resultados conseguidos nas eleições e, sobretudo sintam que a luta anti-capitalista é diária e de cada um, não de um escasso número de eleitos.

Um olhar sobre o entulho

A direita, no seu conjunto perdeu mais de 18 mil votos embora só tenha perdido cerca de 4% da sua representatividade entre os votantes.

À direita, o PS que apoia o governo "cesariano" perdeu um mandato e 15 mil votos expressos, mantendo-se hegemónico porquanto a direita tradicional (PPD e CDS) também perdeu votos (3700), em nada beneficiando do desgaste do PS, no governo durante os últimos quatro anos.

Sublinha-se aqui que, neste simulacro de democracia, um grupo de mandarins, chamado PS-Açores, arroga-se ao direito de governar a região, afirmando-se com uma maioria absoluta, não tendo mais do que o apoio de 23,4% dos eleitores açorianos. É espantoso como se pode dizer isso sem sofrer o epíteto de aldrabão ou ouvir um coro de gargalhadas. Mesmo assim, têm uma representatividade superior ao Costa, da Câmara de Lisboa votado por 11% dos lisboetas, no ano passado.

Estas alterações, quer na sua globalidade quer na sua composição nada trazem de virtuoso aos açorianos, muito menos no quadro de dificuldades a que se assiste, com a crise financeira global, o aumento dos preços dos bens alimentares, dos juros e dos combustíveis, como base em que assenta a recessão portuguesa e a redistribuição da riqueza a favor dos ricos, através da lei laboral e da paranóia do deficit.

O caminho que se segue

A multidão nos Açores não pode subordinar as manifestações de repúdio pelo sistema cleptocrático vigente aos calendários das festividades eleitoraleiras.

Assim, no nosso ponto de vista, é necessário, nos Açores, (como aliás, no Continente e em toda a parte) acentuar:

• As iniciativas de manifestação de discordância e protesto face às atitudes nocivas dos governos regional e central;
• Acentuar a efectiva falta de representatividade do poder e a sua consequente ilegitimidade como mero governo dos capitalistas e dos mandarins, contra a multidão de trabalhadores;
• Fomentar acções de desobediência e desafio da autoridade do governo "cesariano";
• Desdobramento das iniciativas anti-governo nas áreas económica, laboral, social e ambiental;
• Acentuação do carácter autónomo e popular dessas lutas, fora do controlo dos partidos ou do Estado;
• Organização cuidada das acções anti-poder e coordenação entre os vários núcleos e colectivos em luta;
• Troca de experiências e coordenação com outras lutas de trabalhadores.

WWW.ESQUERDA_DESALINHADA.BLOGS.SAPO.PT

domingo, outubro 12, 2008

A Ignorância e a Ofensa de Artur Lima

Através de pequena notícia publicada no Açoriano Oriental, Artur Lima, Líder regional do CDS PP afirmou que José Sócrates era como os cagarros escondia-se de dia e só aparecia à noite.

Em primeiro lugar trata-se de pura ignorância: os cagarros durante o dia estão a "trabalhar" para poderem viver.

Em segundo lugar a comparação com o político em causa é uma ofensa aos cagarros.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Faleceu Veríssimo Borges



Hoje, faleceu Veríssimo Borges, membro dos Amigos dos Açores e Presidente do Núcleo de São Miguel da Quercus.

terça-feira, outubro 07, 2008

O Bode Vota em Carlos César da Silva.



Extraído de http://carloscesarsilva.blogspot.com/

segunda-feira, outubro 06, 2008

Dinheiro, só para as touradas?

Recado à Câmara Municipal da Lagoa



Protesto Radiativo










No coments

domingo, outubro 05, 2008

Vote em Carlos César da Silva



Para saber mais sobre o candidato e suas propostas, veja aqui.

sexta-feira, outubro 03, 2008

19 de Outubro de 2008

Passeie, faça um piquenique, descance, mas não saia de casa para votar.

sábado, setembro 27, 2008

AMIGOS DOS AÇORES NA BATALHA



No seu número 230, de Julho-Agosto de 2008, a Batalha, antigo órgão da CGT, apresenta duas pequenas notas sobre duas brochuras editadas pelos Amigos dos Açores.

sábado, setembro 13, 2008

Amigos dos Açores com Novos Órgãos Sociais

Decorreu hoje, na Escola das Laranjeiras em Ponta Delgada, a Assembleia Geral Extraordinária dos Amigos dos Açores - Associação Ecológica que, na sequência da demissão da anterior direcção, elegeu os órgãos sociais para completar o biénio 2007-2009.

Os novos corpos sociais têm a seguinte composição:

Direcção
Nome

Presidente
Sérgio Diogo Caetano

Secretário
Gilda Pontes

Tesoureiro
Eduardo Santos

Vogal
Eva Almeida Lima

Vogal
Jorge Cardoso

Suplente
Lúcia Ventura

Suplente
José Pedro Medeiros




Conselho Fiscal


Presidente
Emanuel Ponte

Secretário
Arlinda Fonte

Vogal
Norberto Carreiro

Suplente
Nuno Pimentel

Suplente
Catarina Furtado




Assembleia Geral


Presidente
Teófilo José Soares de Braga

Vice-Presidente
Maria Manuela Borges Livro

Secretário
Mário José Coelho Furtado

Suplente
Eduardo Almeida

Suplente
José Melo

domingo, setembro 07, 2008

POLÍTICOS E FRALDAS




«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.» Eça de Queirós

quinta-feira, setembro 04, 2008

Transgénicos

terça-feira, setembro 02, 2008

Sejamos dignos da luta dos trabalhadores da SATA!


Quero pessoalmente manifestar o meu mais inequívoco e firme apoio aos trabalhadores da SATA pela exemplar luta que travam.

Uma luta, em primeiro lugar, contra a desvirtuação da condição de trabalhador - o “pessoal”, na grosseira qualificação com que Carlos César, em plena Assembleia Regional, não há assim tanto tempo atrás, apelidou os açorianos que trabalham.

Uma luta contra a destruição dos órgãos próprios dos trabalhadores, órgãos aliás legitimados pela Constituição Portuguesa. Constituição que os próceres que nos governam só naquilo que lhes convém sabem evocar.
Os trabalhadores da SATA, é importante não esquecer, contra toda a sorte de maquinações, ludíbrios, ocultações, intimidações, e tendo de recorrer a todas as instâncias da Justiça, conseguiram manter operativa a sua Comissão de Trabalhadores e fazer-se legitimamente representar na Administração da empresa. Este feito, calado ou secundarizado por quase toda a nação, devia estar na primeira página das atenções de quem do trabalho dos outros não faz negócio, de quem recusa não só o brutal mas também o sofisticado negócio da escravatura assalariada, de quem no trabalho profissional vê uma prestação útil e não pasto para a ganância e a fantasia de magnates e pimpões.

Uma luta, também, contra o desmantelamento duma empresa regional. Desmantelamento calendarizada e cuidadosamente caboucado por um governo que se reclama de Regional e de Autonómico!

Enquanto açoriano fica aqui o meu testemunho que espero seja publicado na imprensa regional.
Quero ainda acrescentar o mais vivo repúdio pela tentativa de, na televisão regional, nas notícias de hoje da manhã, se procurar acefalizar os trabalhadores da SATA e desprestigiar o carácter e a inteireza da sua luta, classificando a greve de “política” com conotação expressa à “CDU” a que, segundo o jornalista, alguns trabalhadores pertenceriam. Na concepção do apresentador de serviço então o que for conotado como do “PS”, por exemplo, já não é “político”? Não é “político” o surf no que é dos outros com que se excita e exercita o “PS” em todas as frentes e em todos os campos para gáudio de uns tantos espertos, aplauso dos basbaques da corte, e humilhação e saque a nós outros quase todos? Não são “políticas” as decisões que o governo ou o parlamento assumem? Haja pudor!
Como trabalhador, como profissional, quero ainda fazer votos para que os meus colegas professores olhem para a dignidade destes outros trabalhadores e reconsiderem a estratégia de cobarde venalidade a que têm dado cobertura e força. Vou, aliás, enviar cópia do que aqui exponho ao Conselho Executivo da Escola Secundária Antero de Quental, onde exerço a docência, e ao Sindicato dos Professores em que estou inscrito, com o pedido de público apoio à luta dos trabalhadores da SATA assumido pela singularidade e firmeza que bem devem servir de exemplo também aos professores e às suas organizações e representações.

Não deixemos ficar isolado quem trabalha e luta com expressas razões de Estado e determinado pundonor.
Só os trabalhadores podem vencer a crise agudamente agravada por aqueles que nos trabalhadores só vêem carne para canhão e pessoal para os servir!

Obrigado,

Pedro Albergaria Leite Pacheco

Solidariedade com o Movimento Verde Eufémia

A 17 de Agosto de 2007, cerca de 150 pessoas dirigiram-se para a Herdade da Lameira, perto de Silves, na região livre de transgénicos do Algarve, para fazer um protesto contra o cultivo de transgénicos. Na acção teve lugar uma ceifagem simbólica de menos de 1 hectare de milho transgénico.

O Algarve foi a primeira região portuguesa a declarar-se uma Zona Livre de Transgénicos. Esta propriedade, a primeira da região a cultivar milho transgénico da variedade MON810, violou a declaração e desrespeitou a vontade dos cidadãos.

Os activistas ofereceram publicamente para recultivar os 51 hectares de milho transgénico com milho biológico. A proposta foi rejeitada pelo dono da propriedade, que continua a cultivar milho transgénico.

Nos dias que seguiram a acção, a vasta atenção mediática que o MVE recebeu, instigou uma grande polémica, com ressonância em camadas do público em geral, do próprio movimento ambientalista, do governo e dos meios académicos. Nunca uma acção ambientalista recebeu tanta atenção na história recente em Portugal. Os destaques iniciais dos media não foram tanto sobre o tema da acção - a presença de organismos geneticamente modificados (OGM) em Portugal - mas antes na sua natureza espectacular e na sua componente ilegal. No entanto, numa segunda fase a atenção voltou-se também para o debate sobre OGM e os seus perigos. Por essa razão em particular, a acção do MVE foi considerada por muitas pessoas com preocupações ambientais como um grande sucesso.

Devido a esse sucesso, o actual governo, responsável por uma política favorável aos OGM, reagiu com agressividade, numa tentativa de isolar os activistas do MVE através de uma estratégia de criminalização. Esta estratégia chegou ao ponto de rotular a acção como um acto terrorista (Europol EU Terrorism Situation and Trend Report 2008). Algumas pessoas que foram relacionadas com o caso pela polícia, correm agora o risco de ser acusadas. Em geral, tornou-se mais difícil agir contra os OGM em Portugal. Os indivíduos ou organizações que o fazem, correm um grande risco de ficar sob suspeita e vigilância das autoridades.

PETIÇÃO

Eu, abaixo-assinado, quero manifestar a minha solidariedade com a acção do Movimento Verde Eufémia, que ceifou 1 hectare de milho geneticamente modificado MON810, na Região Livre de Transgénicos do Algarve, a 17 de Agosto de 2007.

Apoio moralmente todas as pessoas, movimentos e organizações que sofrem consequências legais, políticas ou pessoais em consequência da acção do Movimento Verde Eufémia.

O meu apoio é baseado no conhecimento de que:

- eu e outros cidadãos vivemos actualmente num estado de emergência, em consequência da contaminação genética causada pela libertação deliberada no ambiente de organismos geneticamente modificados (OGM);

- esta contaminação expõe, a mim e outros cidadãos e cidadãs, a riscos sociais, económicos, ecológicos e de saúde;

- os nossos governos representativos não intervêm o suficiente no sentido de proteger-nos dessas ameaças;

- agir agora é necessário para evitar que se desenvolvam mais efeitos negativos irreversíveis;

- os métodos de acção que operam dentro dos limites legais só podem atingir os seus resultados na totalidade quando complementados pela acção da sociedade civil, que pode ocorrer fora desses limites.

Assim, considero que:

- este estado de emergência exige que os cidadãos e cidadãs comuns protestem contra o uso de organismos geneticamente modificados na agricultura;

- é moralmente justificável e legítimo realizar acções de desobediência civil contra o cultivo de OGM, uma vez que os meios legais não provaram atingir resultados suficientes;

- a defesa dos direitos humanos, em particular os que dizem respeito à protecção da cadeia alimentar e do ambiente da contaminação genética, não podem resultar em perseguição.

Assine a petição aqui

terça-feira, agosto 26, 2008

PORTUGAL POVO DE SUICIDAS


"Portugal é um povo triste,é é-o até quando sorri. A sua literatura, incluindo a sua litera´tura cómica e jocosa, é uma literatura triste.

Portugal é um povo de suicidas,talvez povo suicida. A vida não tem para ele sentido transcendente. Desejam talvez viver, sim, mas para quê? Mais vale não viver"

Miguel de Unamuno

Editado pela Livraria Letra Livre poderá ser encomendado aqui.

O Sporting e as Touradas

POR FAVOR, ENVIE A SUA MENSAGEM DE PROTESTO CONTRA A "TOURADA DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL" QUE TERÁ LUGAR ESTA 5.ª FEIRA, 28 DE AGOSTO, NA ABOMINÁVEL PRAÇA DE TOUROS DO CAMPO PEQUENO

POR FAVOR, ENVIE A MENSAGEM ABAIXO SUGERIDA – OU ESCREVA A SUA PRÓPRIA MENSAGEM, SE PREFERIR – PARA O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, PROTESTANDO CONTRA ESTA BARBARIDADE QUE ESTE CLUBE DE FUTEBOL IRÁ PROMOVER NO CAMPO PEQUENO. ENVIE A SUA MENSAGEM PARA SERVICO.SOCIO@SCP.PT; COM CONHECIMENTO (CC) A CAMPANHAS@ANIMAL.ORG.PT.

Mensagem Sugerida

Exm.os Senhores,

Venho repudiar, da forma mais firme e convicta possível, o facto do Sporting Clube de Portugal vir, novamente, organizar um espectáculo cobarde, degradante e indecente de violência contra animais como é o caso da "tourada do Sporting" que acontecerá no Campo Pequeno esta 5.ª feira, 28 de Agosto.

Não posso conceber por que razão haveria um clube de futebol de se envolver com touradas. São actividades completamente distantes uma da outra – sendo de destacar que o Sporting Clube de Portugal, como qualquer outra entidade, só deveria querer manter essa distância, dada a natureza profundamente imoral e a todos os títulos censurável do espectáculo tauromáquico enquanto expressão da agressividade, da crueldade e da tirania que os humanos exercem contra os outros animais.

Numa altura em que a maioria absoluta dos portugueses cada vez mais afirma a sua vontade de ver as touradas passarem à história e em que várias empresas se distanciaram das touradas por não quererem estar associadas a estes espectáculos vergonhosos, é particularmente grave ver o SCP a continuar a colocar-se do lado do obscurantismo e da violência gratuita que a tauromaquia representa.

Se até já um tribunal considerou as touradas espectáculos violentos, que consistem na inflicção de sofrimento cruel e prolongado a animais e que, por isso, são inadequados para crianças e adolescentes, podendo insensibilizá-las quanto ao sofrimento dos outros e habituá-las à violência, como pode uma instituição desportiva vir associar-se a esta actividade horrenda?

Deixando a V. Ex.as a certeza de que, tanto para mim quanto para tantas pessoas quantas consiga informar acerca desta vergonha, o SCP perdeu a sua respeitabilidade,

Apresento os meus cumprimentos,

Nome:
Cidade:
E-mail:

segunda-feira, agosto 25, 2008

Terceirense Rei da Ericeira


(Clicar para ver em tamanho maior)

sexta-feira, agosto 22, 2008

SEM-ABRIGO


(Foto tirada em Lisboa, na Avenida Praia da Vitória, no dia 20 de Agosto de 2008)


Que culpa tenho eu

deste tempo cruel?

Que culpa tenho eu,

se luto contra ele?

Que culpa tenho eu?

De que sou, então, réu?

Eu da glória desdenho.

Eu do luxo desdenho

Eu do mundo desdenho.

Que culpa tenho eu?

Alguma culpa tenho.

(Poema de Armindo Rodrigues)

sábado, agosto 09, 2008



RECORDANDO HUMBERTO FURTADO COSTA

(Na foto da esquerda para a direita: Teófilo Braga, Humberto Furtado Costa,Lúcia Ventura, Clarisse Canha e Luís Botelho)

NOTA- Como forma de lembrar o amigo que partiu a 20 de Agosto de 1989, reproduzo abaixo carta que lhe remeti na altura.



Carta aberta ao Amigo da Terra Humberto Furtado Costa

Caro amigo,
Escrevo-te porque, apesar de «teres partido», sei que gostas de andar a par com o que se vai passando por cá.
A política agrícola regional não se alterou muito desde a altura em que escreveste no Açoreano Oriental (25/3/87) um artigo a propósito do Dia da Árvore. Continuamos a ter um Secretário da Pecuária e das Touradas e a agricultura não há maneira de deixar de ser apenas «vacas e erva». Continua-se a arrotear a torto e a direito, até parece que querem transformar estas ilhas em campos de futebol, em locais sem a mínima aptidão para a pastagem. O Pico da Água está, neste momento, a ser arredondado com uma «catarpiller», depois de terem cortado a mata e largado (?) fogo aos troncos e lenha que lá ficou. Coitados dos bombeiros que têm de acudir a tanto fogo posto! Será mais um arroteamento para daqui a alguns anos estar coberto de silvado, como muitos outros que bem conheces na zona do Monte Escuro e noutros locais.

Já andavas bastante doente quando surgiu mais um problema para os nossos agricultores. «Proíbe-se» o vinho de cheiro, fala-se em outras castas e em apoios à reconversão das vinhas, mas de concreto só palavras. Penso que estás de acordo comigo, o vinho de cheiro é mais prejudicial à saúde do que o outro, mas tenho as minhas dúvidas se relativamente ao vinho a martelo que por aí se vende. Como se diz na minha terra, Vila Franca do Campo, proíbe-se o nosso vinho mas continua-se a deixar entrar o que é feito com pós e água do Rio Tejo. Enfim, mais um problema a juntar a tantos outros…
Infelizmente para todos nós, o artigo que escreveste continua a ser actual no que diz respeito às Reservas Naturais. Estas continuam a ser apenas no papel. Na Reserva Natural da Lagoa do Fogo prosseguem os incêndios e a rapina de leivas, apesar deste ano já termos alertado a Secretaria Regional do Turismo e Ambiente por mais de uma vez. Está quase como a Serra Devassa que continua a ser devassada diariamente.

Sabias que já corre pelas cabeças de alguns iluminados cá da terra «recuperar» o que a PEPOM destruiu através da plantação de eucaliptos? Esta nem lembraria ao diabo! A propósito de eucaliptos, sabias que as empresas de celulose já cá estão prontas a tudo comprar, inclusive homens para procederem a plantações em locais menos próprios e que no Pico já compraram terrenos no valor de um milhão de contos? Não te cheguei a enviar a legislação que disciplina a plantação de espécies de crescimento rápido. Não me parece má, mas é como as outras: permite algumas fugas e tem de ser aplicada – não acredito que o seja enquanto não for criado um sistema de vigilância eficaz.
Por último, peço desculpa por discordar do que me disseste em Outubro passado, antes de partires para Lisboa, para te submeteres a uma intervenção cirúrgica. Na altura, dizias-me que nunca mais irias passear connosco, que nunca mais subirias o Pico da Vara. É verdade que a tua viagem não tem regresso, mas podes estar certo, estarás sempre connosco em todas as regiões, visitas de estudo e escaladas ao Pico da Vara.

Até breve,


Publicado no “Correio dos Açores”, 26 de Agosto de 1989