sábado, maio 31, 2008

quarta-feira, maio 28, 2008

O POEMA POUCO ORIGINAL DO MEDO



O MEDO VAI TER TUDO

VAI TER OLHOS ONDE NINGUÉM O VEJA

MÃOZINHAS CAUTELOSAS

ENREDOS QUASE INOCENTES

OUVIDOS NÃO SÓ NAS PAREDES

MAS TAMBÉM NO CHÃO

NO TECTO

NO MURMÚRIO DOS ESGOTOS

E TALVEZ ATÉ (CAUTELA!)

OUVIDOS NOS TEUS OUVIDOS

AH! O MEDO VAI TER TUDO

(PENSO NO QUE O MEDO VAI TER

E TENHO MEDO

QUE É JUSTAMENTE

O QUE O MEDO QUER)

O MEDO VAI TER TUDO

QUASE TUDO

E CADA UM POR SEU CAMINHO

HAVEMOS TODOS DE CHEGAR

QUASE TODOS

A RATOS.



HÁ RATOS. E HÁ HOMENS E MULHERES QUE LUTAM. SEM MEDO.

ALEXANDRE O`NEIL
Mais um assalto na Gruta do Carvão : Ladrões roubaram tudo o que encontraram

A casa de apoio aos visitantes da Gruta do Carvão, em Ponta Delgada, foi novamente assaltada, o que acontece pela segunda vez este ano. Os ladrões levaram tudo o que encontraram pela frente. O local não tem vigilância, o que facilita os assaltos

A casa de apoio aos visitantes da Gruta do Carvão, em Ponta Delgada, foi novamente assaltada, o que acontece pela segunda vez este ano segundo anunciou ontem fonte da associação ecológica Amigos dos Açores, entidade gestora do monumento.
Segundo a mesma fonte, o assalto à Gruta do Carvão, que não tem vigilância, ocorreu na noite de 21 para 22 deste mês e, desta vez, os ladrões, que partiram o telhado de fibrocimento e de telha regional, entraram na casa para roubar um aparelho de som, um equipamento DVD, duas caixas de ferramentas, comando de projector, filmes usados na exibição e, ainda, dinheiro resultante das entradas cobradas. Além disso, roubaram um computador portátil, um computador desktop (com monitor, teclado e rato), uma máquina de calcular científica e um cabo de impressora multi-funções, material que já tinha sido roubado no assalto ocorrido em Janeiro último.
Ainda de acordo com os Amigos dos Açores, além do material furtado, o mais constrangedor foi verificar que toda a casa de apoio está vulnerável a este tipo de assalto. Uma situação que levou a associação ecológica a retirar do local todos os materiais de maior valor que ainda existiam no local para apoiar as visitas, como painéis expositivos, projector datashow, entre outros.
Recorde-se que a gruta do Carvão é o maior túnel lávico de São Miguel, que, todos os anos, recebe a visita de centenas de estudantes. Ainda recentemente, o presidente da Associação Ecológica "Amigos dos Açores", Teófilo Braga, referiu que os pedidos de escolas para visitas ao monumento natural regional têm vindo "a crescer de tal modo" que se têm registado "dificuldades em satisfazer todas as solicitações".
Situada na zona poente da cidade de Ponta Delgada, a gruta do Carvão tem uma extensão total de cerca de cinco quilómetros, sendo possível explorar, actualmente, cerca de 1.600 metros em três troços separados.
A gruta possui uma altura máxima de seis metros e uma largura que atinge os 13 metros.
A maioria dos grupos escolares que visitam a gruta provém da ilha de São Miguel (turmas das disciplinas de Ciências e Educação Física), embora também existam solicitações de escolas do continente e das comunidades de emigrantes, envolvidas em intercâmbios de alunos.
Acompanhados por um elemento da "Amigos dos Açores" ou do seu grupo de espeleologia, as visitas de estudo são realizadas a um dos troços da gruta, numa extensão de cerca de 700 metros, que se desenvolve sob antigos secadores de uma fábrica de tabaco, uma escola primária e parte das moradias de um bairro.
A Gruta do Carvão, originada por uma corrente de lava, mostra a formação da ilha e tem uma riqueza ímpar no que respeita à variedade de aspectos geológicos, estruturas e fenómenos típicos do vulcanismo basáltico efusivo.
Uma visita àquele espaço permite observar paredes estriadas, bancadas a vários patamares, canais sobrepostos e galerias ramificadas, estalactites lávicas, "bolhas de gás" e fendas de arrefecimento.

Autor: L.D. (Correio dos Açores, 28 de Maio de 2008)

segunda-feira, maio 26, 2008

sexta-feira, maio 23, 2008



Encuentro Social Alternativo al Petróleo ESAP Banner

terça-feira, maio 20, 2008

Congreso mundial del petróleo: NON GRATO

Se acerca el verano y, además de traernos sol y "buen tiempo", este año nos amenaza con la ocupación de la capital del Estado Español por un tenebroso lobby. Así, entre el 29 de junio y el 3 de julio, 4.000 delegados se reunirán en Madrid en el marco del Congreso Mundial del Petróleo. Tras este pomposo nombre se juntarán los representantes, voceros y cómplices del, probablemente, lobby más poderoso del Planeta (el petrolero), que en su seno recoge todos esos nombres que son símbolo de explotación de los Pueblos y la Naturaleza, de contaminación, de injerencia neocolonial, de estar en las trastiendas y en las vanguardias de una gran parte de guerras que asolan el mundo...

-Porque no estamos dispuest@s a aceptar que se omita a la ciudadanía que en el 50% de los países productores de petróleo aparecen tensiones y conflictos armados y en el 75% se cometen violaciones de derechos humanos. Un ejemplo: sólo en Bolivia la compañía Repsol impacta sobre 17 comunidades indígenas, impidiendo su derecho a la tierra y a su vida.

-Porque, al igual que nos movilizamos contra la guerra, queremos hacerlo contra uno de los principales lobbys impulsores de ellas.

-Porque nos parece de un cinismo alarmante que, mientras el Gobierno español habla de compromiso contra el cambio climático, participe e impulse este "Congreso" de devastadores del Medio.

-Porque no queremos que nos sigan mintiendo, pues a pesar del lustroso lema de su Congreso -"Suministrar energía para un mundo sostenible"-, la dependencia del petróleo y la rapiña de su industria, atrapan al mundo en un laberinto de gravísimos problemas sociales, políticos y ambientales: no hay sostenibilidad, ni futuro en el petróleo.

L@s abajo firmantes recogemos y apoyamos la iniciativa de los Movimientos Sociales de nombrar a este conciliábulo como "CONGRESO NON GRATO" para la ciudadanía y solicitar a sus responsables que dicho evento no venga ni a Madrid ni a ninguna otra parte. Porque no queremos más sangre por petróleo.

domingo, maio 18, 2008


Hoje como há 40 anos

sexta-feira, maio 16, 2008

O ÓBVIO E O OBVIAMENTE OBVIADO


É óbvio que o dinheiro, quanto à natureza, em nada se distingue da palavra. Tal como a palavra, a moeda é uma convenção. Só tem valor para quem lhe dá valor. Validação que se garante, em primeira e última instância pela individual utilização e assunção mas que não nasce nem morre em cada um. E por cada um perpassa activamente na medida de idêntica validação pelo outro e pelos outros. É uma convenção, um acordo, socialmente creditado. Veja-se a experiência recente da circulação dos euros. Experimentem usar uma nota de dez mil escudos a ver se vo-la aceitam, mesmo numa compra de pouca monta! Devolvem-na como coisa sem valor!
Se pela natureza são idênticas, a moeda e a palavra distinguem-se ambas pela substância. Tanto material como semântica. Materialmente diferente porque a palavra é som ou escrita enquanto o dinheiro é metal, papel ou disponibilidade electrónica. Semanticamente diferente pois enquanto a substância da palavra reside na interacção da matéria significante com o referente ou quadro de referência, a moeda ganha efectivamente substância com a força de trabalho disponível e as condições de vida existentes. De nada serve ter dinheiro e comida se não houver forças de a fazer chegar à boca. E de nada serve ter muito dinheiro e muitas e muito boas mãos se nada houver para comer! Não se come dinheiro, não se veste dinheiro, não se viaja no dinheiro. O dinheiro só tem sentido se houver meios de transporte, se houver roupas, se houver comida. O dinheiro é um objecto de interacção. Como tal é que o dinheiro se intromete no consumo e também como tal intervém na decisão quanto ao que se quer transformar e produzir. E só nessa medida!
Até ao fim do antigo regime (monarquias absolutas) o dinheiro tinha uma circulação reduzida no dia a dia duma população maioritariamente rural em condição de servidão para com um clero que concentrava a erudição e uma nobreza que monopolizava as armas. O dinheiro nessa altura mediava as grandes circulações internacionais de mercadorias e validava ou invalidava poderes de estado que os movimentos de massas e a vitória das armas iam determinando ou indeterminando.
Com a revolução burguesa, com a assunção da força de trabalho como mercadoria de excepção num mercado de homens livres espoliados de tudo o mais, o dinheiro fica fêmea, como se costuma dizer. O dinheiro multiplica-se. O dinheiro deixa de ser um instrumento estritamente indexado ao ouro para as grandes trocas controladas pelos mercadores. Deixa de ser um factor de ostentação para a nobreza. Deixa de ser alavanca poderosa no processo de concentração do poder real. Pelo contrário. Os reis são depostos, a igreja perde o poder temporal (o poder dos bens terrenos) e a nobreza é esvaziada de qualquer efectiva importância nas decisões da república ou das monarquias constitucionais.
Com a revolução burguesa a exploração do homem pelo homem requintou em preciosismo e ludíbrio. À luz das belas palavras de “Igualdade, Fraternidade, Liberdade”, os operários e os camponeses trabalhavam do nascer ao pôr do sol, dos seis anos até falecerem pelos trinta anos de exaustão e fome, os trabalhadores eram reprimidos e assassinados por reivindicarem oito horas de trabalho diário, enquanto por toda a Europa, e por todo o mundo “civilizado”, se multiplicavam casa ricas e novos palácios com criadas e criados a garantir o maior conforto aos seus proprietários.
E ai daquele ou daqueles que se quisessem opôr a tal moralidade contraditória, tanto tudo se sustentava na mesma ilusão e no mesmo vício.
Com o triunfo burguês não é mais o ouro das minas que faz cunhar moeda. A moeda passa a cunhar-se em função do aumento exponencial de força de trabalho, de bens produzidos e da circulação monetária que tal comércio impunha. A revolução industrial concentrou recursos nunca vistos até então em época nenhuma anterior da história da humanidade. E continuamos a assistir a um extraordinário multiplicar de realizações, de descobertas e de interacções discursivas e monetárias.
O grotesco Sócrates e a corte de basbaques opinadores a passar por voz de todos são como aquele comandante que fazia crer navegar nas coordenadas e mergulhar o casco do navio nos números e não nas águas!
Os operários, os camponeses, os investigadores e cientistas, os professores e médicos, os advogados e condutores, os economistas e engenheiros, todos os que trabalham, pelo que fazem e criam e pelo que interagem são o oiro que valida o dinheiro e o critério que determina a quantidade em circulação!
O que justifica a crença imbecil no contrário? O que justifica a crença da dependência do trabalhador daquilo que ele próprio é criador e suporte? O que explica que energúmenos como Sócrates, Ferreiras Leite, Jerónimos, Louçãs, Cavacos, possam ter cobertura pública para os seus discursos da mais impúdica aberração, da mais confrangedora subversão da lógica discursiva, da mais irresponsável ingenuidade?
O que explica tudo isso? O que explica tudo isso é a diferença da ficção e da acção. Para muitos ainda é obviamente o sol que anda à volta da terra. Para muitos ainda é o patrão o garante do pão para a boca na casa do trabalhador. O que é verdade, mas só na medida em que ao patrão cabe uma tarefa necessária de organização (quantas vezes garantida também por quem trabalha!). E o sol, se tivermos como referência os nossos sentidos, é que se desloca no céu. Mas o facto de ser esta a realidade dos nossos sentidos isso não impede que na realidade cósmica seja o inverso. Assim também o facto de recebermos o salário do patrão não impede que o fenómeno económico seja exactamente inverso ao da evidência confirmada no dia a dia!
Pergunto-vos: sendo quem trabalha o suporte do dinheiro, que lógica tem o trabalhador entregar a tarefa de controlo e organização do dinheiro a quem com isso visa primordialmente roubar quem trabalhou?
Mais: se é a disponibilidade de força de trabalho e as condições de vida que substanciam o dinheiro, que consequências necessariamente decorrerão de se pagar a cada vez mais gente para não dispor da sua força de trabalho ao mesmo tempo que se contaminam culturas, se tombolizam indústrias, se pervertem empresas em todo o país?
Respondam-me, peço!



15 de Maio de 2008

Pedro Pacheco

segunda-feira, maio 12, 2008

El Norte llena el depósito de gasolina y vacía el estómago del Sur

El Norte, EE.UU., Europa, y más exactamente los países fuertes de ese gran mercado capitalista llamado Unión Europea, a partir de la finalización de la segunda guerra mundial, contruyen un sistema productivista y desarrollista basado en la esquilmación de recursos y materias primas de los países del Sur y la utilización de una energía muy barata (el petróleo) hasta la mitad de los años 70. Así sustentaron sus sistemas de Estados de Bienestar, donde el consumismo y los sistemas de transporte de vehículos a motor de gasolina, tanto para mercancías como para personas, se convierten en las señas de identidad del mejor de los mundos posibles: el capitalismo.

Cuando el Norte sufre las consecuencias de su propio sistema productivista/desarrollista, cambio climático, desertización, agotamiento de energías baratas, desigualdades sociales y territoriales, etc., y países del Sur emulan el modelo del Norte (China, India…) y también quieren “comer filete”, no encuentra mejor respuesta que externalizar dichas consecuencias a los de siempre, es decir al Sur, a cientos de países empobrecidos por su barbarie y criminalidad.

Ahora, y sin ruborizarse tan siquiera, sino desde la más fría racionalidad de la lógica económica, van a causar una nueva crisis alimentaria a más de treinta y tres países y serán los causantes del hambre de cien millones de personas. ¿Por qué más barbarie? Pues sencillamente porque hay que seguir llenando el depósito de gasolina de los del Norte y enchufar el aire acondicionado, ante el calor que parece que hace, y mucho.

Nuestro planeta (es un decir, porque los verdaderos dueños son cuatro: las multinacionales, los grupos financieros de inversión, los militares OTAN y políticos, entre ellos la Iglesia Católica), es finito y limitado: el 70 % de la superficie es agua y el 30 % tierra.

El agua como fuente directa de alimentos solamente proporciona el 6 % de las proteínas consumidas y un 2 % de las calorías. Algo más del 90 % del suministro de alimentos humanos proviene de los pastos y la tierra cultivada, que representa menos del 10 % de la superficie terrestre. Tanto los efectos de las fuerzas naturales (bien inducidas, bien deducidas), como los efectos de la actividad humana (modelos energéticos, modelos de producción, modelos de transporte, modelos de vida, etc.), reducen de forma exponencial el área de la tierra cultivable; la desforestación de los bosques reduce el área de vegetación y sus efectos negativos son directos en pastos, cultivos y medio.

Conclusión obvia: cuando la tierra es escasa, su explotación intensiva y productivista (máquinas) y se le angosta con mierda química (pesticidas, fertilizantes), la producción de alimentos disminuye, y además se produce de forma desigual y se reparte en función del poder, y, de éste, el Norte tiene mucho o todo, según vengan dadas . Y en última instancia, se invaden los territorios con nuestra “santa alianza democrática” (como en Irak).

Ni tan siquiera la denominada “revolución verde” (producir mucho por medios genéticamente modificados) ha resuelto nada del problema. Al revés, se ha especializado en monocultivos con búsqueda de rendimientos muy altos en dinero y no en cubrir necesidades, ha contribuido a la destrucción de la biodiversidad biológica y hace dependientes a los agricultores de grandes monopolios farmacéuticos propietarios de las patentes de semillas.

La Unión Europea decide que para reducir las emisiones y hacer algo contra el calentamiento hay que dedicar una parte de la tierra para la producción de plantas como base de los biocarburantes. Para el 2020 el objetivo es alcanzar el 10 % de uso de éstos en transporte. Y sus políticas comerciales, causantes del empobrecimiento de las agriculturas de los países del Sur (subvenciona a agricultores propios y financia la exportación de los excedentes agrícolas), siguen la senda de la profundización de la brecha entre quienes deben “llenar el depósito de gasolina todos los días”, los menos (el Norte), y quienes ni siquiera llenan el estómago, los más (el Sur), aunque si andan vivos, entre residuos sólidos y gaseosos y artilugios militares, seguro que lo llenan.

Los precios de los alimentos se han disparado por la acción del Norte: sus crisis financieras, sus mercados de divisas que juegan a la ruleta con las monedas “pobres”, sus multinacionales que roban, matan y roban más y matan mejor, sus productos agrarios desviados para producir energía barata, sus relaciones comerciales injustas, monopolistas e imperialistas, son las causas que explican que una masa de población de cien millones de personas vuelva a entrar en una crisis de hambre a muy corto plazo.

Si lo sumamos a la crisis de desnutrición permanente de 1.000 millones de personas, más las crisis de agua potable, infraviviendas, etc., nos encontramos con un mundo de desigualdad y horror que hace complicado seguir llenando el depósito de gasolina y encender el aire acondicionado, como si no pasara nada

Editorial Rojo y Negro 213

sábado, maio 10, 2008

CAPITALISMO... VERDE E SUSTENTABLE

ENRIQUE LÓPEZ



No sistema económico imperante a sustentabilidade resulta imposible. O capitalismo ten a necesidade imperiosa de medrar, de expandir o mercado e as actividades provintes do gran capital. Esta lóxica mercantil trae como consecuencias a destrución xeralizada do medio ambiente e a explotación dos “recursos humanos” e dos “recursos naturais”. Sen embargo, a realidade entra en colisión contra o sistema, o planeta terra ten uns límites físicos que fan dificilmente defendibles as teorías do crecemento infinito do capital. Os capitalistas xustifícanse nas solucións tecnolóxicas para facer fronte a esta realidade, mais as máquinas non están para frear a destrución do medio senón para “optimizala”.

O capitalismo na súa tendencia innata de perpetuarse adáptase ás novas condicións, e para iso, aprópiase e emprega calquera ferramenta que lle resulte útil. Así é como pode entenderse toda a parafernalia que hai detrás da sustentabilidade e do tan cacarexado desenvolvimento sostible. Agora téntase crear unha “contabilidade verde”, existe unha economía do medio ambiente que trata de introducir as externalidades ou “fallos de mercado” do sistema para poder, así resolvelas dende dentro do modelo (por exemplo a contaminación dunha empresa soluciónase pagando unha taxa ou multa). Ademáis para destruír unha montaña pola construcción dunha autoestrada ou dun parque eólico teremos que facer un estudo de “impacto ambiental”. Como colofón, xa podemos calcular monetariamente canto está disposto a pagar a sociedade por conservar un lugar como por exemplo as Illas Cies, para isto empregamos técnicas “novidosas” como a valoración continxente, prezos hedónicos, custes de viaxe, etc. que, mediante enquisas, chegan a calcular a nosa “disposición a pagar”.

En definitiva agora destruímos o planeta pero con control, empregando enerxías renovables e biocombustibles, nos países “ricos” claro!
A nivel máis cercano podemos observar con maior claridade as consecuencias do capitalismo na sociedade e no medio. A chegada do “progreso” a Galiza supuxo, e está a supor, a destrucción do territorio e a perda de multitude de prácticas tradicionais de coperación social e de convivencia coa natureza. As autoestradas, as infraestructuras, a chegada do TAV/AVE e os parques eólicos son algúns exemplos de para que empregan a terra e o mundo rural os que teñen o poder.

O despoboamento do rural galego, provocado polo propio sistema, fai que para poder alimentar ás persoas habitantes das cidades, teñamos que traer dos mares de prásticos os alimentos necesarios, é a chamada agricultura do petróleo. Ademáis prantamos cereais para producir carburantes “ecolóxicos” e, de paso, poder así especular co prezo dos mesmos.

A funcion económico-social dos bosques está obsoleta, xa non se apaña o toxo para darllo ós animais e facer abono. Tradicionalmente a materia orgánica voltaba a estes bosques por medio dos excrementos dos animais que pastaban neles, co que se pechaba o ciclo.

Agora os bosques están “sucios” e polo tanto temos que “limpalos” para así producir enerxía “renovable”, “valorizando enerxéticamente” (queimando) a “biomasa”, ...que viva o desenvolvimento rural!

En fin, a sustentabilidade non ten cabida dentro do capitalismo, isto é o primeiro que temos que ter claro para poder trocar a situación. As alternativas teñen que nacer dende fóra da racionalidade capitalista, ou estarán condenadas ó fracaso ou ó engolimento por parte do capital. Temos que decatarnos de que o sistema nos leva ó desastre e de que nos anula como seres humanos, somos “recursos” e “consumidores” das “necesidades” inducidas. O cambio ten que partir de cada individuo, sendo a autoorganización obreira, labrega e cidadá a solución para pararlle os pes a este monstro autodestructor antes de que sexa tarde.

domingo, abril 27, 2008

sábado, abril 26, 2008



O LEGADO NUCLEAR

QUERCUS JUNTA-SE A ACÇÃO INTERNACIONAL PARA QUE O ACIDENTE DE CHERNOBIL NÃO SEJA ESQUECIDO E RELEMBRA PERIGOS PARA PORTUGAL


ACÇÃO INTERNACIONAL «CHERNOBYL DAY»
O reactor nuclear nº 4 de Chernobil explodiu no dia 26 de Abril de 1986, há 22 anos. Nessa data começou a maior catástrofe tecnológica e industrial de todos os tempos. Chernobil não parou de fazer vítimas: as suas consequências inéditas e irreversíveis sobre a saúde (cancros, patologias múltiplas, efeitos mutagénicos e teratogénicos) afectarão profundamente as próximas gerações.

Kofi Annan, antigo secretário-geral da ONU, estimou que mais de sete milhões de pessoas tinham sido gravemente afectados pela catástrofe.

RECUSEMOS ESQUECER CHERNOBIL!
22 anos depois, o risco é maior do que nunca de ver a desinformação e a mentira mascarar as verdadeiras consequências sanitárias desse acidente.

No passado na URSS houve mais contaminações radioactivas que não foram mediatizadas: grandes quantidades de resíduos líquidos altamente radioactivos provenientes do centro de reprocessamento da fábrica de plutónio do sítio de Mayak, a uma centena de quilómetros de Tcheliabinsk, nos Urais., correspondente a várias vezes as emissões de Chernobil, foram despejadas entre 1948 e 1955 no lago Karachai e no rio Techa.

Actualmente a Rússia tornou-se o país de importação de riscos nucleares por excelência. Os países nucleares europeus enviam-lhe os resíduos de todo o género: combustíveis irradiados, urânio a ser tratado, resíduos de enriquecimento.

EM PORTUGAL TAMBÉM TEMOS QUE ESTAR ATENTOS
Ciclicamente o lobby do nuclear avança com a possibilidade de se construir uma central nuclear. Há que informar a população dos verdadeiros perigos que isso traria. Pois a energia nuclear não é limpa, não é segura e não é barata.

Também tem havido a intenção de explorar o minério de urânio em minas a céu aberto em Nisa. A Quercus já debateu com a população local esse facto. Recentemente as associações do concelho de Nisa, a que a Quercus também se associou, tomaram uma posição contrária a essa exploração.

As Forças Armadas portuguesas continuam a utilizar urânio empobrecido no seu armamento. Esse urânio resulta do processamento do urânio mas é radioactivo. Portugal deveria dar o exemplo e devia deixar de usar urânio empobrecido.

Portugal está também exposto ao perigo das centrais nucleares espanholas. O risco de acidente grave na central de Almaraz não pode ser excluído (bem como em nenhuma outra central nuclear), situação em que Portugal poderia sofrer consequências extremamente graves pelo facto desta estar junto do Rio Tejo e a própria proximidade da fronteira.

Os resíduos produzidos pela central continuam lá, pois não existe nenhum país no mundo que tenha resolvido o problema da deposição segura dos seus resíduos.

A Quercus associa-se assim ao «Chernobyl Day» difundindo um e-mail com o texto deste comunicado bem como com a difusão de um SMS dizendo: «Acidente central nuclear foi há 22 anos. Em Chernobil e em Portugal, diz não ao nuclear».



Lisboa, 25 de Abril de 2008
A Direcção Nacional da
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

sexta-feira, abril 25, 2008

25 de ABRIL- Antes e depois eles continuam por cá











Agora e sempre disfarçados de sindicalistas, administradores, patrões ou "colaboradores", socialistas, comunistas, social qualquer coisa, populares, etc. etc.



YouTube - Os vampiros (Zeca Afonso)
FRANCISCO MARTINS RODRIGUES





Esta é a minha homenagem a um nome que está na minha cabeça desde os meus quinze anos. Não concordo com a linha política por ele defendida mas reconheço a sua persistência e a sua verticalidade.

TB

Francisco Martins Rodrigues faleceu na madrugada do dia 22, em consequência de doença incurável. Muitas dezenas de pessoas estiveram presentes, no dia seguinte, no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa, onde o corpo foi cremado, prestando homenagem ao comunista, ao combatente, ao amigo.

Francisco Martins Rodrigues iniciou a sua militância política no Partido Comunista Português na década de 1940. Rompeu com a direcção de Álvaro Cunhal em 1963, quando era membro do comité central, depois de uma progressiva e irreconciliável divergência com a estratégia de unidade antifascista.

A linha de Cunhal para o derrube da ditadura e contra a guerra colonial – vincou Francisco Martins Rodrigues – colocou o proletariado a reboque da oposição democrática burguesa e pequeno-burguesa, comprometendo a indepedência política das classes trabalhadoras portuguesas. Francisco Martins Rodrigues, com um pequeno grupo de outros militantes, fundou então o Comité Marxista-Leninista Português e, com isso, a corrente marxista-leninista em Portugal.

Um dos traços marcantes desta ruptura foi a perspectiva de classe que introduziu na análise da sociedade contemporânea portuguesa, fazendo assentar aí o rumo político da acção dos comunistas revolucionários. Os seis números da revista clandestina Revolução Popular, publicados antes da sua prisão em 1965, têm deste ponto de vista o valor de documentos históricos.

Francisco Martins Rodrigues fez ver que sem independência política o proletariado não pode realizar os seus interesses de classe; e que deve, portanto, procurar ganhar hegemonia no processo de luta de massas – quer contra a ditadura de Salazar, quer já em regime democrático.
Foi esse também o sentido essencial dos textos mais importantes que publicou ao longo de 23 anos na revista Política Operária.

Este seu legado marcou profundamente não só aqueles que o acompanharam nas organizações que ele fundou mas igualmente os que pretenderam prosseguir noutras organizações e com outras orientações o combate contra o capitalismo.

A pessoa e o nome de Francisco Martins Rodrigues são indissociáveis do movimento anticapitalista em Portugal.

22 de Abril de 2008
Colectivo Mudar de Vida

sexta-feira, abril 11, 2008


"Uma Vila virada para o BETÃO"!



Saudações

Estando a par daquele que é o mais "estranho e anormal" projecto alguma vez exposto em Vila Franca do Campo, vimos por este meio, como Vilafranquenses que somos, mostrar o nosso extremo descontentamento, bem como o de inúmeros Micaelenses, Surfistas, Pescadores, Mergulhadores, Ambientalistas e muitos mais.

O projecto da obra tem como localização nada mais, nada menos do que… o MAR! E atenção que não é um mar qualquer! É uma zona conhecida como um "parque de diversões" natural à qual chamámos Baixio de Vila Franca do Campo, situado junto ao Infante e praticamente em frente àquela que é uma maravilha natural, o Ilhéu.
Conhecida pelas suas excelentes ondas, é das melhores zonas para a prática de modalidades como Surf, Bodyboard, Kayak Surf (uma das poucas zonas aptas para tal), Windsurf, Mergulho, Pesca e muitas mais.
O seu fundo único, para alem de proporcionar todas as actividades mencionadas atrás, é o habitat de inúmeras espécies que dependem excessivamente do nosso Baixio para subsistir. E atenção que não falamos apenas de espécies que vivem no fundo do mar, mas também de todas as aves que fazem do baixio a sua principal fonte de alimento, sendo por isso, vital para a sua sobrevivência. Nunca é demais realçar que o nosso baixio está a ser o principal acolhedor de aves nunca antes vistas na nossa ilha, aves estas que, até ao momento, só as víamos na televisão!
Em dias clássicos, ninguém fica indiferente ao passar no nosso Baixio. São dezenas de surfistas, fotógrafos, mergulhadores, pescadores, centenas de aves, enfim… VIDA!
Uma Câmara que criou o slogan "Uma Vila virada para o Mar", devia envergonhar-se com tudo o que está a fazer ao NOSSO MAR! O que é uma "Vila virada para o mar" sem orla marítima? O que é uma "Vila virada para o mar" se a nossa Câmara destrói o nosso bem mais precioso? Este slogan DEVE ser de imediato modificado para "Uma Vila virada para o BETÃO"!
O mais interessante é que em Vila Franca do Campo há uma grande variedade de terrenos aptos para tal. (Mas um PARQUE DE ESTACIONAMENTO NO MAR???). Porquê uma zona onde fervilha vida e alegria? Não se percebe a razão desta tremenda "asneira"!
A área da obra cobrirá por completo o nosso baixio, substituindo-o por betão.
Esta obra não pode, de modo algum, avançar!

Cumprimentos

Os Vilafranquenses

(recebido por mail)

quinta-feira, abril 10, 2008

BOICOTE

Não compre produtos da BEL, PROLACTO E INSULAC

A Associação de Jovens Agricultores de São Miguel (AJAM) apelou, quarta-feira, ao boicote do consumo de bens lácteos produzidos por indústrias que baixaram o preço do leite pago aos produtores açorianos, por se tratar de "uma injustiça muito grande" para o sector.
Vergílio Oliveira, que falava numa reunião com cerca de 250 produtores de leite de São Miguel, adiantou que o boicote aos produtos da BEL, Insulac e Prolacto é uma das muitas medidas de luta a adoptar para combater o fim da diferenciação entre os preços das campanhas de Verão e Inverno (sazonalidade).

Recentemente a Bel Portugal, que recolhe parte significativa do leite na maior ilha açoriana, decidiu reduzir o preço pago aos produtores de São Miguel em 2,5 euros por cada cem litros.

Segundo justificou a Bel, a nível europeu, já se iniciaram as primeiras descidas no preço do leite, devido à quebra generalizada das cotações dos seus derivados, "tornando insustentável a manutenção de preços tão altos".

Para o presidente da (AJAM), o abaixamento do preço do leite é uma "injustiça muito grande", acrescentando que o diferencial dos produtores açorianos para os continentais é "escandaloso".

Tradicionalmente o diferencial do preço do leite pago ao produtor nos Açores e Continente era de cinco a sete cêntimos, neste momento ronda os 15 a 20 cêntimos", frisou Vergílio Oliveira, para quem "a produção é espezinhada pelos industrias no Arquipélago".

Apesar de não estar agendada para já nenhuma manifestação de produtores, Vergílio Oliveira referiu que esta jornada de luta será de "longa duração" e inclui, também, medidas individuais.

Além da adopção de uma postura mais reivindicativa perante os industriais, o dirigente associativo considerou que cabe aos 1.722 produtores micaelenses profissionalizar a sua exploração e reduzir margens de produção não rentáveis, que "só contribuem para os dividendos do mercado".

Vergílio Oliveira adiantou, ainda, que está agendada para segunda-feira uma reunião com o secretário açoriano da Agricultura e Florestas, argumentando que "é essencial haver alguém que restitua alguma honestidade ao sector".

Lusa / AO Online
PROFESSORES NÃO ACEITAM SER DISCRIMINADOS

PRESIDÊNCIA DO GOVERNO REGIONAL DOS AÇORES APRESENTA PROPOSTA DE DECRETO LEGISLATIVO REGIONAL PARA ADAPTAR À REGIÃO A LEI Nº 12-A/2008, DE 27 DE FEVEREIRO, QUE ESTABELECE E REGULA OS REGIMES DE VINCULAÇÃO, DE CARREIRAS E DE REMUNERAÇÕES DOS TRABALHADORES QUE EXERCEM FUNÇÕES PÚBLICAS.


Esta proposta de diploma garante:

A manutenção do vínculo de nomeação definitiva aos actuais trabalhadores da administração regional, incluindo o pessoal docente.

A integração nos quadros de pessoal dos actuais trabalhadores que, em regime de contrato de provimento e de contrato a termo resolutivo, à data de entrada em vigor do diploma, exerçam ininterruptamente funções correspondentes a necessidades permanentes e com horário completo, há mais de dois anos, nos serviços ou organismos da administração regional, excluindo o pessoal docente.

A contagem do tempo de serviço congelado, 30/08/05 a 31/12/07, para efeitos de reposicionamento remuneratório e progressão nas carreiras, excluindo o pessoal docente.

O SPRA, na defesa intransigente da classe que representa, não vai pactuar com esta situação discriminatória.

Vamos esgotar a via negocial!

Não havendo resultados positivos, estão abertas todas as formas de luta!

Não nos resignamos perante tamanha injustiça!


Sindicato dos Professores da Região Açores

sexta-feira, abril 04, 2008




Governo promove “Semana do Cavalo e do Toiro” na Terceira
04 Abril 2008 [Regional]
A Praça de Toiros da Ilha Terceira vai acolher, de 10 a 13 de Abril, a “Semana do Cavalo e do Toiro”, promovida pelo Governo para impulsionar a produção de cavalos e de gado bravo na Região.
A iniciativa conta com o apoio da Secretaria Regional da Agricultura e Florestas, sendo a sua organização realizada em colaboração com a Tertúlia Tauromáquica Terceirense e associações regionais de Criadores de Toiros da Corda e de Desporto Equestre dos Açores.
Nos dias do evento, a zona envolvente à Praça de Toiros da Ilha Terceira vai dispor de uma área dedicada a exposições temáticas, em que estarão representados, em stand próprio, os agentes sócio culturais e profissionais deste sector, estimulando-se o intercâmbio, a divulgação e a promoção das actividades económicas que envolvem o cavalo e o toiro bravo com os convidados, participantes e público em geral.
Durante toda a programação, será dada atenção especial à promoção das actividades taurinas e equestres, nomeadamente à demonstração do toureio a cavalo, toureio apeado, treino de forcados, tarefas campestres, espectáculos e exibição equestre, fomentando a nobreza do cavalo e a aptidão do toiro bravo.
Vão realizar-se, também, acções pedagógicas promocionais de melhoramento animal e sobre a evolução das características especiais deste bovino, combinando estas actividades com animação nocturna alusiva aos acontecimentos.
Integradas neste evento, decorrem, também, as “I Jornadas Açorianas de Gado Bravo”, a 10 e 11, em que estará em debate assuntos como maneio e selecção de gado bravo, melhoramento genético e temas de interesse para a promoção e modernização da produção ganadera.

in Correio dos Açores

quarta-feira, abril 02, 2008

Escola com futuro
A escola deve mesmo antecipar as tendências de mudança da sociedade para se tornar um motor de inovação, transformação e modernidade

A escola portuguesa vive momentos de reforma e de mudança. Seja qual for a perspectiva com que se pretenda analisar este processo há dois pressupostos que não podem ser esquecidos. Em p rimeiro lugar, não existem reformas verdadeiras sem dor e sem contestação dos que julgam perder no balanço final. Em segundo lugar, a reforma do sistema educativo em Portugal é necessária, não apenas por razões de processo ou de método, mas sobretudo pela constatação da pobreza dos resultados obtidos nas últimas décadas.
Questões complexas exigem abordagens disruptivas. A escola tem que ser um simulacro do modelo social em que se insere para preparar os alunos para a vida real. Em termos ideais a escola deve mesmo antecipar as tendências de mudança da sociedade para se tornar um motor de inovação, transformação e modernidade.
Um pouco por todo o mundo e também em Portugal a escola que temos ainda reflecte mais o modelo da sociedade industrial que caracterizou o século passado do que o modelo da sociedade do conhecimento que marca o novo século. Isso contribui para reduzir os níveis de interesse dos alunos, a sintonia entre mestres e formandos e a qualidade das respostas dadas ao mercado de trabalho.
A vida é hoje cada vez mais multifuncional. Ao mesmo tempo vemos televisão, lemos, escrevemos, jogamos e falamos! É isso que os jovens estudantes fazem quando estudam com a música alta, o computador ligado e o telemóvel pronto a trocar mensagens. É assim que aprendem e é nesse ambiente que vão ter que viver e criar valor.
E a escola? A escola é cada vez mais isso nos intervalos, nas actividades lúdicas e complementares, mas não tem ainda condições para ser isso nos períodos formais de aulas.
É por isto que o Plano Tecnológico para a Educação é tão importante como parte da corajosa reforma que o Governo está a implementar. Não que a tecnologia seja uma panaceia para os problemas da escola, mas porque a mudança induzida constitui um convite a um novo diálogo para a mudança. Um diálogo centrado no futuro dos alunos e não nos interesses dos grupos profissionais. Um diálogo que dignifica a escola no seu todo como a instituição chave para o futuro que ambicionamos.

Carlos Zorrinho
Coordenador nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico

PS- Esta é a Escola de Sócrates, é esta a que queremos?

segunda-feira, março 31, 2008

Sou um democrata, sou um cabrão.

Segunda-feira, 24 de Março de 2008


Declaração de princípios de um intelectual espanhol

Não condeno o rei Fahad, agraciado pelo rei de Espanha, que corta cabeças, poda mãos e arranca olhos, que humilha mulheres e amordaça os opositores, que se assenhora sem jornais, sem parlamento nem partidos políticos, que viola filipinas e tortura indianos e egípcios, que gasta a terça parte do orçamento da Arábia Saudita com os 15 000 membros da sua família e financia os movimentos mais reaccionários e violentos do planeta.


Não condeno o general Dustum, aliado dos EUA no Afeganistão, que afogou num contentor mil prisioneiros talibãs aos quais tinha prometido a liberdade e que morreram chupando as paredes de ferro da sua prisão.

Não condeno a Turquia, membro da NATO e candidato à UE, que na década de noventa varreu da face da terra 3 200 aldeias curdas, deixou morrer à fome 87 presos políticos e aprisiona quem se atrever a transcrever para curdo o nome das suas cidades.

Não condeno o sinistro Kissinger, o mais ambicioso assassino depois de Hitler, responsável por milhões de mortes na Indochina, em Timor, no Chile e em todos aqueles países cujo nome saiu alguma vez dos seus lábios.

Não condeno Sharon, homem de paz, que dinamita casas, deporta civis, arranca oliveiras, rouba água, dá tiros a crianças, pulveriza mulheres, tortura reféns, queima arquivos, faz voar ambulâncias, arrasa campos de refugiados e que galanteia com a ideia de “amputar o cancro” de três milhões de palestinianos para reforçar a pureza do seu estado “judeu”.

Não condeno o rei Gienendra do Nepal, formado nos EUA, que desde o passado mês de Janeiro executou sem julgamento, 1 500 comunistas.

Não condeno a Jordânia nem o Egipto, que espancam e prendem os que se manifestam contra a ocupação israelita da Palestina.

Não condeno o Patriot Act, nem o programa TIPS, nem o “desaparecimento” de detidos à guarda do FBI, nem a violação da Convenção de Genebra em Guantánamo, nem os tribunais militares nem a “licença para matar” outorgada à CIA, nem o registo policial de todos os turistas que entram nos EUA procedentes de países muçulmanos.

Não condeno o golpe de Estado na Venezuela nem o governo espanhol que o apoiou, nem os jornais que, aqui e ali, financiaram, legitimaram e aplaudiram a dissolução de todas as instituições e a perseguição armada dos partidários da Constituição.

Não condeno a empresa norte-americana Union Carbide, que a 2 de Dezembro de 1984 assassinou trinta mil pessoas na cidade indiana de Bophal.

Não condeno a empresa petrolífera norte-americana Exxon-Mobil, acusada de sequestrar, violar, torturar e assassinar dezenas de pessoas que viviam num edifício propriedade da empresa, na província de Aceh (Indonésia).

Não condeno a empresa Vivendi, que deixou sem água todos os bairros pobres de La Paz, nem a Monsanto, que deixa sem sementes os camponeses da Índia e do Canadá, nem a Enron, que depois de deixar sem luz meia dezena de países, deixou também 20 000 pessoas sem poupanças.

Não condeno as empresas espanholas (BBV, BSCH, Endesa, Telefónica, Repsol) que esvaziaram os cofres da Argentina, obrigando assim os argentinos a vender o seu cabelo a fabricantes de perucas e a disputarem uma vaca morta para poderem comer.

Não condeno a Coca-Cola, que penetrou na Europa à sombra dos tanques nazis e que despede, ameaça e assassina, hoje, sindicalistas na Guatemala e Colômbia.

Não condeno as grandes corporações farmacêuticas, que acordaram matar vinte milhões de africanos doentes com sida.

Não condeno a ALCA, que viola e despedaça as trabalhadoras das fábricas de Ciudad de Juárez e que faz nascer crianças sem cérebro na fronteira do México com os EUA.

Não condeno o FMI nem a OMC, que fomentam a fome, a peste, a guerra, a corrupção e toda a cavalaria do Apocalipse.

Não condeno a UE nem o governo dos EUA, que colocam os acordos comerciais acima das medidas para a protecção do meio ambiente e que decidiram, sem plebiscito nem eleições, a extinção de uma quarta parte dos mamíferos da Terra.

Não condeno as torturas sofridas por Unai Romano, jovem basco que, faz agora um ano, foi convertido num globo tumefacto numa esquadra espanhola, ficando a tal ponto desfigurado que os seus pais só o reconheceram porque na cara ainda tinha o mesmo sinal.

Não condeno o governo espanhol, que no passado mês de Abril estabeleceu o estado de excepção sem consultar o parlamento e suspendeu durante três dias os direitos básicos reconhecidos pela nossa Constituição (a liberdade de movimentos e de expressão), com a agravante da segregação racista, ao impedir que bascos viajassem a Barcelona, por ocasião da última cimeira da UE.

Não condeno a Lei de Estrangeiros, que expulsa a homens doentes e esfomeados, os encerra em campos de detenção ou os priva do direito universal de assistência sanitária e educação.

Não condeno o “decretaço” que precariza ainda mais o emprego, elimina os subsídios e deixa os trabalhadores à mercê da carda dos empresários.


Não condeno Deus, naturalmente, quando chove, relampeja ou toa, nem quando a terra treme, nem quando o vulcão vomita o seu fogo sobre os homens.

Sou um democrata: não me importa um caralho a morte de crianças que não são espanholas; não me importa um caralho a perseguição, silenciamento e assassinato de jornalistas e advogados que não pensam como eu; não me importa um caralho a escravidão de dois mil milhões de pessoas que nunca poderão comprar os meus livros; não me importa um caralho o corte de liberdade enquanto segure eu livremente as tesouras; não me importa um caralho até o desaparecimento de um planeta no qual já me diverti bastante. Sou um democrata: condeno a ETA, os que a apoiam e os que estão em silêncio, mesmo que sejam mudos de nascença; e exijo, portanto, que se privem dos seus direitos de cidadania, 150 000 bascos, que sejam impedidos de votar, de se manifestarem, de reunirem, que se fechem as suas tabernas, as suas editoras, os seus jornais, inclusive as suas creches; que sejam logo metidos na prisão, eles e todos os seus compinchas (desde o jovem militante anti-globalização até ao escritor ressentido) e, se tudo isto não for suficiente para proteger a democracia, que se peça a intervenção humanitária das nossas gloriosas Forças Armadas, já experimentadas na heróica reconquista da ilha Perejil. Sou um democrata: condenei a ETA. Sou um democrata: só condenei a ETA e formo parte, portanto, de todos os outros grupos armados, das mais sangrentas, das mais cruéis, das mais destrutivas organizações terroristas do planeta.


Sou um democrata. Sou um cabrão.






Texto de Santiago Alba Rico, escritor e filósofo espanhol, publicado a 9 de Setembro de 2002 por Rebelión. Tradução de Alexandre Leite para a Tlaxcala.